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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Anathema: Distant satellites



Do álbum 'Distant Satellites' (2014)
Letra de Daniel Cavanagh


(...)
And it makes me wanna cry
Caught you as I floated by
And it makes me wanna cry
We're just distant satellites
(...)

domingo, 21 de outubro de 2012

Anathema no Paradise Garage (20.10.12)

Nem sempre acontece que uma banda consiga ter um percurso em que a quantidade de trabalhos conhece uma regularidade na qualidade. Em vinte e dois anos os Anathema produziram duas minicassetes, quatro EPs, nove álbuns e dois álbuns de revisitação própria, enquanto várias vezes alteraram a sua constituição e se atravessaram do doom/death-metal para o rock progressivo, progressivamente. Conquistaram um lugar de culto, tendo alguns dos seus álbuns sido aclamados como sendo dos melhores deste último género.
Quando pensamos que tudo isto é feito por uma banda que, mesmo agora, é uma espécie de banda de família (Os irmãos Cavanagh e os irmãos Douglas.) que, de certa forma, vive a dinâmica de garagem eternamente, é difícil não ficarmos impressionados. A grande solução é, ainda e sempre, a música. Os Anathema são uma feliz rara junção de vários cérebros criativos, que têm sabido, da melhor forma, fazer e crescer daquilo que fazem. Em 'We're Here Because We're Here' (De que falei aqui.) álbum lançado em 2010, ficava claro que a atmosfera depressiva estava, talvez, a desaparecer, dando lugar a ambiências mais luminosas, que mesmo assim não deixavam de ser pesadas. O pesado, aqui, significa profundo. É essa a principal característica da música dos Anathema: parece sondar aquilo que de mais íntimo e verdadeiro trazemos em nós, falam directamente ao âmago dos sentimentos, dos conflitos, das esperanças e dos pensamentos. Nunca foram lamechas, mas foram sempre emotivos.
A passagem, em 2011, pelo Vagos Open Air (Falei dela aqui.) só poderia ter corrido melhor se não tivessem acontecido os desastres técnicos que aconteceram. Em vésperas do lançamento de 'Falling Deeper' (Também dele se falou aqui.) que revisitaria a fase inicial da banda, os Anathema traziam na bagagem 'We're Here Because We're Here', bem como uma série de clássicos, que puderam ser apreciados, ainda assim, independentemente das constantes falhas de som. No entanto, dois álbuns volvidos, incluindo um de originais, o mais recente 'Weather Systems' (Estava-se mesmo a ver que falei dele. Aqui.), os fãs portugueses estavam mesmo em necessidade de um concerto dos Anathema. O facto deste decorrer numa sala fechada e intimista como a do Paradise Garage só podia ser uma boa notícia, uma vez que reuniria a banda de uma forma mais próxima com o público e, bem vistas as coisas, também prometia um maior controlo sobre os aspectos técnicos, completamente diferente do que contece num festival.
A primeira parte do concerto ficou entregue aos californianos Astra. Sinceramente, tenho uma relação estranha com primeiras partes de concertos. É verdade que bandas de que gosto já as fizeram, usando-as como forma de divulgar o seu material, mas o facto é que, na maior parte das vezes, a primeira parte é uma parte que ninguém está completamente interessado em ouvir. Os Black Box Revelation começaram por fazer primeiras partes dos dEUS, e no entanto são uma banda perfeitamente apetecível, mas até conquistarem o direito a concerto próprio, é difícil pensar que tenham sido realmente ouvidos. Os próprios Anathema por aí começaram. Mas, pormenores destes àparte, os Astra apresentaram, ao longo de meia hora um interessante conjunto de canções, em que a sonoridade rock se deixava tocar pelo metal e pelo folk, que deixam certamente a vontade de ouvir mais, particularmente Black Chord.


 
Os Anathema entraram em palco com as duas partes de Untouchable, do álbum mais recente. Numa versão um pouco mais eléctrica do que a de estúdio, a canção brilhou nas suas duas partes, especialmente pela harmonia perfeita entre as vozes de Vincent Cavanagh e de Lee Douglas, que ganha mais destaque na segunda parte da canção. Mas perceber-se-ia logo que seguinda que nem só 'Weather Systems' estava directamente sob o microscópio. De uma assentade, os Anathema tocaram Thin Air, Dreaming Light e Everything, alguns dos pratos-fortes mais luminosos do álbum anterior, que mantiveram a abertura do concerto do lado mais positivo da música dos Anathema, sendo esta última uma boa oportunidade para destacar o trabalho de Daniel Cardoso nos teclados.
Logo a seguir, deu-se uma inversão de atmosfera, com o regresso a 'Judgement', o álbum de 1999, de que se rebuscou, para começar, Deep, uma das canções mais tristes mas mais libertadoras da discografia dos Anathema, e uma das melhores letras de Vincent Cavanagh. Ainda do mesmo álbum, ouviram-se a seguir Emotional Winter e Wings of God, momentos mais calmos, mas bastante mais tristes, que soarem muitíssimo bem antes do regresso a 'We're Here Because We're Here' com A Simple Mistake, onde, além de uma vez mais podermos apreciar a junção das vozes de Vincent e Douglas, contámos com o brilhante solo de guitarra eléctrica de Daniel Cavanagh que termina a canção.
Lee Douglas brilharia ainda, sozinha, a seguir, com Lightning Song, do álbum mais recente, uma canção bela e pesada que o público soube acompanhar devidamente. Esta canção veio confirmar aquilo que já desde há vários anos se pressentia: que Lee Douglas é, de facto, uma mais-valia para os Anathema. Lee haveria de estar presente para The Storm Before the Calm, também do álbum mais recente, uma longa odisseia escrita por John Douglas, o baterista, que dum começo violento chega a momentos de uma beleza contemplativa que em muito representam aquilo que os Anathema estão a fazer agora. Seguiu-se um dos melhores momentos de 'Weather Systems', bem como um dos melhores momentos dos Anathema, The Beginning and The End, uma das canções mais emotivas e mais explosivas de todo o álbum, que resultou muitíssimo bem ao vivo.
Outro regresso a 2010 deu-se com Universal, uma das canções mais orquestrais, mas que não perdeu a sua força na transposição para o palco, bem pelo contrário.
Para o final, os Anathema reservaram três clássicos do álbum de 2003, 'A Natural Disaster': Closer, onde uma vez mais se notou o papel de Daniel Cardoso, A Natural Disaster, outro grande momento de Lee Douglas, e Flying, que termina com mais um esplendoroso solo de guitarra eléctrica de Daniel Cavanagh.

Para os encores, ficaram reservados One Last Goodbye, momento emocional por excelência (Recorde-se que se trata de uma despedida à mãe dos irmãos Cavanagh.) que, efectivamente comoveu e, claro, o clássico Fragile Dreams do álbum 'Alternative 4', que foi um final muito à altura de um concerto realmente perfeito.
Em duas horas, os Anathema conseguiram tocar algumas das suas melhores canções. A violência, a emotividade e a profunda beleza das canções falou por si, e se a sala do Paradise Garage era quase pequena demais para o público, para conter a força da música dos Anathema, não parece haver sala grande o suficiente.
 

Untouchable part1/ Untouchable part2/ Thin Air


Dreaming Light


Everything/ Deep

Emotional Winter/ Wings of God

A Simple Mistake/ Lightning Song


The Storm Before the Calm (fragmento1)
The Storm Before the Calm (fragmento2)


The Beginning and the End/ Universal/ Closer
´

A Natural Disaster

Flying

One Last Goodbye

Fragile Dreams

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

É daqui a dez dias



Anathema
'Untouchable' (Partes 1 e 2) do álbum 'Weather Systems' (2012)

Ao vivo, dia 20, no PARADISE GARAGE em Lisboa

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Anathema: A Fine Day to Exit



letra e música de John Douglas
do álbum 'A Fine Day to Exit', 2001

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Were You There?

Estão marcados, finalmente, dois concertos dos Anathema em Portugal, para 2012.
O primeiro, no Hard Rock do Porto, a 19 de Outubro, o segundo a 20 de Outubro no Paradise Garage de Lisboa. Em apresentação ficam os dois álbuns mais recentes, 'Falling Deeper' (2011, de que falei aqui.) e 'Weather Systems' (2012, de que falei aqui.).
Abaixo fica, completo, o concerto na Polónia, de apresentação do álbum 'A Natural Disaster' (2003) editado em DVD em 2004, com o título 'Were You There?'

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Anathema: Weather Systems

DRAMA E FASCINAÇÃO

Já dizia o Poeta que 'todo o Mundo é composto de mudança'. E se muita gente disso mesmo tem medo, está mais que visto que não é o caso dos Anathema. Em 1991, quando é lançado 'The Crestfallen EP', ninguém poderia prever que a banda de doom-metal chegasse a 2001 a produzir um álbum como 'A Fine Day to Exit', em que qualquer rasto de metal dava lugar a uma sensibilidade bastante diversa, mais ligada ao rock atmosférico. E em 2003, 'A Natural Disaster' inaugurava uma fase bastante experimental, que, agora o vemos, está para ficar.
No entanto, são os anos de 2001 e 2002 que parecem ter sido de charneira para os Anathema, com o lançamento dos dois volumes de 'Resonance', que reuniam algumas das canções da fase doom-metal, que ia mais ou menos de 1990 a 1995, incluindo ainda algumas canções de álbuns posteriores onde a estética pesada ainda se fazia sentir. Estas duas colectâneas funcionam como um arrumar de casa que abriu, realmente, caminho a novas experimentações. A confirmá-lo, há ainda o álbum 'Falling Deeper' (2011), em que os Anathema revisitam as suas canções iniciais, dando-lhe uma roupagem mais consonante com o que fazem agora. 'Falling Deeper' formava, ao mesmo tempo, uma linha recta com o álbum de originais de 2010, 'We're Here Because We're Here', em que aquela atmosfera depressiva e melancólica que, independentemente de todas as mudanças, sempre foi característica dos Anathema, era contrabalançada por um lado muito mais brilhante e luminoso, como confirmavam canções como Thin Air, Dreaming Light ou Everything.
Com tanta conturbação, o álbum prometido para 2012 só poderia chegar com muita promessa.


Lançado na passada segunda-feira, 'Weather Systems' é um álbum que nos exige uma audição bastante atenta, porque, um pouco como os Anathema já nos têm mostrado, é tudo menos evidente. A sensação de estranheza que 'We're Here Because We're Here' certamente causaria a quem conhecesse o percurso da banda britânica, é mais ou menos aquela que agora 'Weather Systems' nos poderá causar. Daniel Cavanagh explica num vídeo editado pela KScope que este álbum consistia inicialmente num conjunto de cinco canções que totalizavam cerca de trinta minutos de música, às quais se juntaram mais quatro que não tinham encontrado o seu lugar no álbum de 2010. O facto é que as canções formam um conjunto bastante coerente, mas assim fica explicado por que, de certa forma, se sente neste álbum uma certa afinidade com 'We're Here Because We're Here', mas ao mesmo tempo se sente também que algo aqui é realmente novo. Se, por um lado, há uma tendência, como havia em 2010, para criar canções mais luminosas e mais simplificadas, por outro, a inclinação para o atmosférico é bastante forte e a ligação a determinados aspectos da natureza, por exemplo as tempestades, faz-se sentir e não só nas letras, como também na própria concepção das canções, que conta também com sons gravados naturalmente que intensificam essa ligação com os sistemas climáticos prometidos pelo título.
'Weather Systems' abre com Untouchable part 1, onde uma guitarra dedilhada dá o mote para uma canção suave e, de alguma forma, romântica onde a voz suave e quase frágil de Vincent Cavanagh faz uma espécie de declaração de amor (Que, escusado será dizê-lo, não resvala para a vulgaridade.), evoluindo depois para um final mais intenso e gritado, onde a letra, de Daniel Cavanagh, atinge a qualidade do costume. Este final conta também com as harmonias vocais de Lee Douglas, o que traçará a ponte para Untouchable part 2, onde a vocalista partilha a voz principal com Vincent. Esta segunda parte facilmente se poderia tornar foleira, uma vez que o dueto com uma voz masculina e outra feminina, na maior parte dos casos, acaba por se tornar aborrecido e possidónio, mas não é de todo o caso. Aliás, convém lembrar que os Anathema cada vez mais estão a explorar o facto de não só contarem com dois vocalistas, como também o facto das vozes de Vincent Cavanagh e Lee Douglas serem duas vozes que se complementam de uma forma belíssima, como 'Falling Deeper' já tinha provado. Assim sendo, os dois dividem a letra que, de certa forma, parece derivar da letra da primeira parte, sendo esta segunda parte gravada com base no piano, acrescido ainda de belíssimos arranjos de cordas, parecendo esta canção realmente continuar a fase mais sinfónica que 'Falling Deeper' inaugurava.
Segue-se The Gathering of the Clouds, uma das canções mais dramáticas e mais sombrias de 'Weather Systems' e também, desde já se diga, uma das melhores. Uma vez mais o mote é dado pela guitarra dedilhada, num segmento perfeitamente obsessivo, a que se juntará a voz de Vincent, apoiada pela de Lee, evoluindo, através dos arranjos de cordas e da bateria acelerada de John Douglas para uma atmosfera cada vez mais negra e explosiva, mas que não dispensa uma certa procura de libertação. Uma vez mais, as harmonias de Lee Douglas traçarão a ponte para a canção seguinte, Lightning Song, onde, desta vez, Lee canta a canção inteira. Lightning Song acaba por ser um pouco o reverso de The Gathering of the Clouds, uma vez que, continuando a temática da tempestade, segue a postura de uma certa fascinação perante essa tempestade, acabando por a canção, numa tonalidade de deslumbramento, resultar eufórica, principalmente no segmento final, bastante mais pesado do que o inicial. Nesta canção também se experimenta criar os arranjos de corda em torno da guitarra eléctrica e da bateria, o que acaba por resultar tão bem quanto construí-los em torno do piano.
Sunlight será, numa primeira audição, talvez a canção mais desinteressante do álbum. No entanto, ao ouvi-la uma segunda vez, talvez se perceba como, sob uma aparência talvez demasiado delicada, há uma densidade bastante garrida conseguida através do jogo vocal entre Vincent e Lee, que, de certa maneira, anula um pouco o tom morno para que a canção parece inclinar-se.


O álbum inteiro é composto por Daniel Cavanagh, com excepção precisamente de The Storm Before The Calm, da autoria do baterista John Douglas. John Douglas começou a compor canções para a banda que integrava desde a primeira formação (Em 1990.) em 2001, com 'A Fine Day to Exit' e, por um lado, o seu papel como compositor ficou um pouco afectado pelo facto da canção de abertura desse álbum, Pressure, parecer um tanto vulgar. No entanto, era impossível não reconhecer que a ele se devem algumas das melhores canções dos Anathema, como sejam Looking Outside Inside, A Fine Day to Exit, Get Out Get Off ou Universal. E o que acontece em 'Weather Systems' é que esta canção que ele escreve e que, quase se pode dizer, é composta por duas canções distintas, é também uma das melhores do álbum. Com um início onde regressa um pouco a electrónica de 'A Natural Disaster', a voz de Vincent Cavanagh, que aqui prova a sua versatilidade, alia-se à guitarra e aos arranjos de cordas e cria outro momento bastante sombrio que, nalguns pontos, quase faz lembrar a fase inicial da banda. Mais ou menos a meio, a canção muda drasticamente de ambiência, e é-nos dado o outro lado, o acalmar da tempestade, que escolhe uma via que é mais contemplativa do que de celebração. É um momento melancólico e calmo, mas ao mesmo tempo absolutamente belo, com as vozes de Vincent e Lee numa espécie de lamento que é ora sussurrado ora exacerbado. Os quase dez minutos que a canção soma são dos mais representativos de 'Weather Systems'.
Algumas semanas antes do lançamento do álbum, tal como tinha acontecido com o álbum de 2011, os Anathema divulgaram uma das canções. The Beginning and the End será talvez das canções mais simples deste álbum, uma vez que é aquela que nos mostra o trabalho de uma banda em estúdio, sem ajudas exteriores. Constrói-se em torno do piano, tocado por Daniel Cavanagh, e vão-se acrescentando o baixo de Jamie Cavanagh, a bateria e as guitarras. É uma canção belíssima, directa e comovente, e também uma das melhores letras de Danny Cavanagh e a atmosfera melancólica acaba por resultar numa vontade de viver e de sentir que tem sido, desde há vários anos para cá, a mensagem principal dos Anathema.
The Lost Child será uma das canções mais tristes do álbum, mas também das mais idílicas, onde, apesar da letra dramática e sem esperança, a linha de piano, acompanhada pela bateria, cria uma espécie de fuga. Se bem recentemente Daniel Cavanagh fez uma pequena digressão a solo, tocando as canções dos Anathema acompanhado apenas da sua guitarra, esta canção, de certa forma, parece ser um resultado directo dessa experiência. Com esta canção, fica aberto o caminho para o encerramento do álbum, com Internal Landscapes. Este encerramento é construído com base num depoimento em que Joe Geraci relata uma experiência-limite de aproximação à morte. A ideia em si parece derrotista e doentia, mas a verdade é que o conteúdo do relato é belo e impressionante, e, em vez de nos falar da ideia comum de morte, mostra-a como uma luz que se abre sobre a eternidade, em que o indivíduo passa a ser o próprio mundo. A gravação é trabalhada com arranjos de guitarra e de bateria e com as vozes de Lee Douglas e de Vincent Cavanagh que canta pequenos fragmentos realmente suaves e luminosos que deslocam o centro da canção da ideia de morte para uma ideia de libertação e de uma espécie de amore mundi que é uma maneira realmente belíssima de terminar o álbum.


A verdade é que um álbum como 'Weather Systems' não servirá para ouvintes mais fundamentalistas, uma vez que os Anathema parecem cada vez menos interessados em fazer música pesada só porque sim. O facto é que estas canções são belas e bastante pensadas, sendo que a violência só existe se tiver que existir. 'Weather Systems' parece desenrolar-se entre o drama e a fascinação, é um trabalho que sonda aquilo que de mais profundo possa haver dentro de uma pessoa e, tal como acontece no relato de Internal Landscapes, esta música passa a fazer parte de nós e nós dela. Ainda mais difíceis de rotular, os Anathema são realmente uma banda que ou se ama ou se fica completamente indiferente. O extremismo emotivo de um álbum assim não dá lugar a meios-termos e o facto é que, se acontecer, como acontece comigo, que a nossa sensibilidade seja consonante com a desta banda, é impossível que canções destas não nos comovam  e não nos aproximem de nós mesmos. Para isso mesmo, penso eu, deveria servir a música.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Weather Systems

o novo álbum dos Anathema é lançado hoje. Aqui fica um pequeno depoimento de Daniel Cavanagh sobre as novas canções.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Primeira canção de 'Weather Systems'



Antes do lançamento de 'Falling Deeper', no ano passado, os Anathema disponibilizaram, através do download gratuito pelo site da KScope, Kingdom.
À semelhança, então, do que acontecia no álbum anterior, chega-nos esta semana The Beggining and The End, uma simpática previsão do álbum 'Weather Systems', que será lançado a 16 de Abril deste ano.
Numa linha melódica, que não dispensa o acústico, e bastante límpida, esta canção deixa de facto boas expectativas para o álbum que em breve teremos em mãos.

Podem fazer o download aqui.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Porque hoje estamos nesta...


Anathema: Dreaming Light (Do álbum 'We're Here Because We're Here', 2010)


As Sem Razões do Amor
de Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Joan as Police Woman: Flash (Do álbum 'The Deep Field', 2010)

Monna Innonimata IV
de Christina Rossetti

Poca favilla gran fiamma seconda. – Dante 

Ogni altra cosa, ogni pensier va fore, 

E sol ivi con voi rimansi amore. – Petrarca 

I loved you first: but afterwards your love
    Outsoaring mine, sang such a loftier song
As drowned the friendly cooings of my dove.
    Which owes the other most? my love was long,
    And yours one moment seemed to wax more strong;
I loved and guessed at you, you construed me
And loved me for what might or might not be –
    Nay, weights and measures do us both a wrong.
For verily love knows not ‘mine’ or ‘thine;’
    With separate ‘I’ and ‘thou’ free love has done,
         For one is both and both are one in love:
Rich love knows nought of ‘thine that is not mine;’
         Both have the strength and both the length thereof,
Both of us, of the love which makes us one.



Lou Rhodes: All We Are (Do álbum 'Bloom', 2007)


desenho de Luis Caballero

Promessa
de Sophia de Mello Breyner Andersen

És tu a primavera que eu esperava
A vida multiplicada e brilhante
Em que é pleno e perfeito cada instante.


Norah Jones: Come Away with Me (Do álbum 'Come Away With Me', 2002)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Depois de um exame, pensar em amor

gouache de Isabel de Sá



Anathema: Thin Air (2010)
letra de Vincent Cavanagh, Daniel Cavanagh e John Douglas


AUSÊNCIA SETE

Morro de te morrer diariamente,
habito no fundo destas latas.

Caminho para os bichos que me devoram
em teu incêndio
e teus joelhos sombrios,
esta neve agitada de cinzas.

São de morte meus ossos, de uma cor
dançante e muda.

São de túnicas podres
como um reino de ruas reflectidas.

São lúgubres os corpos, braços magros,
sinto o meu espectro, uma origem nua.

Cerejas que
são morte de te morrer.

Jaime Rocha, Beber a Cor
1985, ed. &etc


Natalie Merchant: My Skin (1998)
letra de Natalie Merchant



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Anathema: Falling Deeper

CATARSE

Para falar do álbum novo dos Anathema, lançado há três dias apenas, há que recordar um pouco a história da banda, quanto mais não seja por se tratar de um história que não é propriamente linear.


A primeira aparição desta banda de Liverpool deu-se em 1990, com uma audiocassete chamada 'An Iliad of Woes'. Integravam a banda os três irmãos Daniel, Vincent e Jamie Cavanagh, os primeiros dois na guitarra e o terceiro no baixo; John Douglas como baterista e Darren White como vocalista. Das quatro canções que compunham esta demo, nenhuma viria a ser revisitada. Um ano depois, de novo em audiocassete, aparecia 'All Faith is Lost', outra demo, de cujas quatro canções, três haveriam de se revelar das mais aclamadas da banda. Em 1992, surge o primeiro álbum, o EP 'The Crestfallen', onde reapareciam duas das canções da segunda demo. No ano seguinte, o primeiro LP tem como nome 'Serenades', e, nele, já não encontramos no baixo Jamie Cavanagh, mas sim Duncan Patterson, que haveria de ser um dos compositores em tempos vindouros da banda, que, na altura, fazia doom metal. E assim seria por mais dois anos: os anos em que encontramos os EPs 'We Are The Bible' (1994) e 'Pentecost III' (1995). É depois do lançamento deste último que Darren White deixa a banda. E esta alteração seria, talvez, a mais decisiva no percurso dos Anathema. Aparentemente, White não estava interessado no rumo que a banda tomava, e que se afastava do doom-metal, aproximando-se de sonoridades mais experimentais e melódicas.
Foi assim que Vincent Cavanagh passou a vocalista da banda. Daniel Cavanagh, que era o principal compositor da banda, passou também a ser o autor das letras, cargo que, ao longo dos sete álbuns de originais que os Anathema gravaram desde então, tem sido dividido com Duncan Patterson, que deixaria a banda depois de 'Alternative 4' (1998), com Dave Pybus, o baixista de 'Judgement' e 'A Fine Day to Exit' (1999) e com o baterista John Douglas. Em 1999, juntar-se-iam à banda Lee Douglas, como segunda vocalista, e Les Smith como teclista.
O que mais interessa é que 'The Silent Enigma', EP lançado em 1995 vem trazer-nos uma banda que só em nome é a mesma que fora nos anteriores cinco anos. Mantém-se a angústia, mantém-se a violência, mantém-se a tensão, mas a guturalidade da voz de Darren White dá lugar à voz de Vincent Cavanagh, que encontra a força numa tonalidade frágil e emotiva, muito mais capaz de transmitir aquilo que de mais soturno e -por que não dizê-lo- deprimente existe na música dos Anathema, que agora se despe de pretensões e se entrega a experimentações. É esta a ideia ainda do álbum seguinte, 'Eternity' (1996) mas será o álbum 'Alternative 4' (1998) o primeiro momento de verdadeira maturidade da banda. Daí para a frente encontramos alguns dos albuns mais significativos daquilo que se possa chamar o progressive-rock: 'Judgemet', 'A Fine Day to Exit', 'A Natural Disaster' (2003), 'Hindsight' (2008) e 'We're Here Because We're Here' (2010).
De 'Hindsight' precisamente interessa falar. Neste álbum, os Anathema gravam versões acústicas de nove canções escolhidas da fase 1996-2003.


Portanto, quando 'Falling Deeper' nos foi anunciado como recuperação de canções da fase 1991-1995 da banda, pensámos instintivamente tratar-se de uma espécie de continuação do conceito de 'Hindsight'.
Essa ideia, no entanto, não parece ser muito exacta. De facto, há diferenças substanciais entre o que era o álbum de 2008 e o que é este que agora nos chega.
'Falling Deeper' abre com uma das canções mais emblemáticas dos Anathema, Crestfallen, uma canção que surge pela primeira vez em 'All Faith is Lost' e é gravada definitivamente no EP a que dá nome. Onde estava a violência, aqui encontramos um lado melódico profundamente harmonioso, com arranjos orquestrais grandiosos, e as vozes de Vincent Cavanagh e Lee Douglas repetindo as palavras 'falling deeper', que, aliás, faziam parte da letra original de Crestfallen, escrita por Danny Cavanagh.
A grande maioria do álbum é feita desta forma. O ênfase é colocado quase totalmente no lado instrumental, onde os instrumentos, maioritariamente acústicos, se cruzam com os grandes arranjos de orquestra, um pouco como vinha acontecendo em 'We're Here Because We're Here'. O instrumento que parece ter maior importância, ainda assim, é o piano, e não a guitarra, e isso constitui de certa forma uma novidade na música dos Anathema.
Com esta construção muito definida e concreta, o álbum vai tendo momentos de beleza absoluta, como Sleep In Sanity, Alone, We The Gods e o emblemático They Die (Também chamado They (Will Always) Die.).  As vozes dos dois vocalistas surgem na maior parte das faixas como vozes-ambiente, por vezes declamando palavras, outras vezes em surdina. São excepção a nova versão de Everwake onde encontramos a voz de Anneke Van Giersbergen, uma voz bela que consegue perfeitamente captar a atmosfera da canção; Kingdom, onde os dois vocalistas entoam a letra num tom quase sussurrado e Sunset Of Age, que, de todas as faixas, será talvez aquela que mais se aproxima da sua versão original.
A opção do instrumental é acertada na maioria dos casos, já que, por si só, o instrumental é capaz de expressar com toda a clareza aquilo que os Anathema fazem de momento, e também aquilo que, na sua música inicial, existia já de comum com o presente. No entanto, há duas excepções que apetece apontar, e elas são Crestfallen e They Die. Não porque as versões instrumentais (Ou quase, no caso da primeira.) sejam insatisfatórias, mas porque, sendo duas das canções mais emblemáticas desta banda, de certa forma pediam que, nelas, se arriscasse um pouco mais, sendo trabalhadas também a nível da colocação da voz.
Nos restantes casos, as opções parecem ter sido as mais indicadas, guardando-se a componente vocal para apenas alguns momentos em que ela se torna algo crucial. A única perda que isto comporta é a das letras originais, sendo que muitas delas são algumas das melhores já escritas por Daniel Cavanagh; merecendo, portanto, ser ouvidas desta forma menos gutural.
Há ainda que assinalar a transpiração que a produção deste álbum terá implicado, pois é certo que nos surge como um objecto perfeitamente acabado e conseguido, na tarefa aparentemente impossível de transformar em symphonic-rock aquilo que era doom-metal. Poderíamos ter aqui uma receita para o verdadeiro fracasso e não é isso que acontece. 'Falling Deeper' é um álbum simples mas cheio de detalhes subtis, não ficando, por isso, na maioria dos seus momentos, a dever seja o que for ao que esta banda de melhor tem feito. No fundo, este álbum vem continuar aquilo que 'We're Here Because We're Here' já tinha vindo atestar preto-no-branco: que a música dos Anathema é profundamente angustiada, ao mesmo tempo que é profundamente bela, resultando, então, numa espécie de libertação, de catarse. E por isso estas canções potencialmente nos comovem tanto.
O caminho está definido e, assim, aberto. Esperemos que um próximo álbum de originais não demore muito (Lembremos que entre 'A Natural Disaster' e 'We're Here Because We're Here' se passaram sete anos.). E, claro, esperemos que o lançamento de 'Falling Deeper' signifique um ou mais concertos em Portugal, já que a transposição destas canções para o palco não deixa de nos parecer intrigante.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Yey!!!!


Já saiu a lista com as canções que vão integrar Falling Deeper, o álbum onde os Anathema vão gravar novas versões das suas primeiras canções. Os álbuns de origem são os primeiros, The Crestfallen EP de 1992, Serenades de 1993, Pentecost III EP de 1995 e The Silent Enigma de 1995. Acrescente-se ainda que duas das canções, "Crestfallen" e "They Die" pertenciam originalmente à segunda demo da banda, All Faith is Lost, de 1991. Eis a lista:

Crestfallen (The Crestfallen EP)
Sleep in Sanity (Serenades)
Kindgom (Pentecost III EP)
They Die (The Crestfallen EP)
Everwake (The Crestfallen EP)
J'ai Fait Une Promesse (Serenades)
Alone (The Silent Enigma)
We, The Gods (Pentecost III EP)
Sunset of the Age (The Silent Enigma)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Apareceu já

esta antevisão do que será "Falling Deeper", o próximo álbum dos Anathema. "Kingdom" é retirado do EP de 1992 "Pentecost III". Em baixo fica a nova versão e a antiga, para efeitos de incrível comparação...



terça-feira, 9 de agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011

O novo álbum dos Anathema

será lançado a 5 de Setembro deste ano. Falling Deeper é o belíssimo título do álbum que promete novas versões, ao estilo orquestral e sinfónico de agora, de canções retiradas do primeiro LP da banda, Serenades, de 1993, e dos EPs Pentecost III e The Crestfallen, de 1992 e 1995. Ou seja, a fase doom-metal.
Será uma boa oportunidade de revisitar as origens dos Anathema, mas adaptadas ao que a banda de melhor já fez e, ao que parece, continuará a fazer.



Anathema no Vagos Open Air (5.8.11)

WE'RE HERE BECAUSE THEY'RE GREAT


Li não sei onde que, a pessoas como eu, se chama Anathemaniacs. O neologismo é, parece-me, bastante claro, e explicará certamente por que este texto, mais do que o habitual, não é nem poderia ser imparcial.

O concerto dos Anathema no Vagos Open Air 2011 foi na sexta-feira, ao fim da tarde. Desde logo me desagrada que, além de não serem cabeças de cartaz, os Anathema sejam atirados para um horário tão pouco nobre. No entanto, quando a música é boa, o resto não chega a ser nem cantigas e, na verdade, este foi o melhor concerto do primeiro dia do festival.

A banda dos irmãos Cavanagh subiu ao palco com uma longa introdução, que viria a dar origem a “Thin Air”, que é também o tema de abertura do álbum We’re Here Because We’re Here, lançado o ano passado, sendo, até agora, o mais recente. Seguiu-se “Summernight Horizon”, onde Vincent Cavanagh foi acompanhado na voz por Lee Douglas. “Dreaming Light” marca o primeiro momento suave do concerto, para ser logo de seguida compensado pela energia de “Everything”, o primeiro single do álbum de 2010.

Apresentado então o novo teclista dos Anathema, Daniel Cardoso, português, seguiu-se uma boa oportunidade para este brilhar, e também o primeiro regresso ao passado, com “Closer”, do álbum A Natural Disaster de 2003. Por norma, esta canção é tocada como segunda parte de “Balance”. Ainda que eu ache que a junção das duas canções resulta num objecto realmente grandioso, tenho que reconhecer que a escolha dos Anathema para este concerto me surpreendeu pela positiva, uma vez que a canção se mostrou um portento enquanto objecto autónomo.

E pelo passado se continuaria ainda, visitando os álbuns que mais se relacionam com a fase actual dos Anathema, com "Deep" de Judgement (1999), seguido de um regresso a 2010 com "A Simple Mistake", a soar muitíssimo mais forte ao vivo. A minha canção preferida, "Empty" foi uma boa escolha, claro, para representar o álbum Alternative 4 (1998), mas, pela segunda vez, o som é interrompido durante a canção. Tinha acontecido durante "Summernight Horizon" e aconteceu nesta canção três vezes, o que, mesmo assim, não foi suficiente para estragar o momento, já que o público não hesitou em fazer as vezes da guitarra eléctrica.

A Natural Disaster, retirado do álbum homónimo, trouxe a maravilhosa Lee Douglas para a voz principal, numa versão que se transformou numa espécie de grande dueto entre ela e Vincent Cavanagh. Foi, e com toda a justiça, um dos momentos mais aplaudidos da noite. Do mesmo álbum, Flying ainda nos deu um daqueles momentos memoráveis, com o genial solo de guitarra eléctrica com que o genial Daniel Cavanagh fecha a canção.

Depois disso, e seguindo a linha realmente mais melódica que os Anathema pareceram querer deixar para o fim, regressou-se a We're Here Because We're Here com "Universal", canção que vai crescendo discretamente até explodir num final tenso que só pode produzir um grande efeito ao vivo.

Para o encerramento, voltou-se a um dos melhores momentos de Alternative 4, e um dos melhores momentos dos Anathema, com "Fragile Dreams", que acabou por se revelar um apoteótico final.

Dada a pouca aptidão do público português para entender a música dos Anathema, está visto que não tiveram direito a encores, porque só o têm os cabeças de cartaz. Mas a hora e pouco que durou este concerto, onde, como Danny Cavanagh disse no final, tudo correu mal, acabou por resultar num grandioso concerto que nos relembra como a música dos Anathema é bela e violenta e mortífera, mas que nos reconcilia com a vida como nenhuma outra consegue.

No final, ainda houve uma muito simpática sessão de autógrafos, e a boa promessa do álbum Falling Deeper que será editado em Setembro e que agoira nova visita desta banda britânica a Portugal. São boas notícias, definitivamente.











sábado, 23 de abril de 2011

Uma canção para o dia de hoje




Anathema: Lovelorn Rhapsody (do álbum "Serenades", 1993)