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terça-feira, 10 de julho de 2012

Norah Jones: Little Broken Hearts


E A VIDA CONTINUA

'Come Away with Me' foi um fenómeno em 2002. Oito Grammies, incluindo os de todas as categorias principais, a aprovação da crítica e a adesão do público deram a Norah Jones uma estreia como poucos músicos verdadeiramente tiveram. No ano anterior, dera-se um fenómeno semelhante, 'Songs in A Minor' de Alicia Keys, que teve praticamente o mesmo impacto que o álbum de Norah Jones.
Em 2003 Alicia Keys lança o seu segundo álbum, 'The Diary of Alicia Keys' e em 2004, Norah Jones edita o seu segundo álbum, 'Feels Like Home'. Acontece que, após um início assinalável que ambas tiveram, ambas produziram álbuns relativamente menos conseguidos. No caso de Norah, ainda que em 'Feels Like Home' encontrássemos boas canções, sentíamos acima de tudo a pressão de lançar um segundo álbum depois do estrondo do primeiro.
É a partir do terceiro álbum que realmente Jones e Keys começam a diferenciar os seus percursos. Alicia Keys, apesar da voz invulgar e da facilidade em compor, após 'Songs in A Minor' tem, até hoje, produzido acima de tudo álbuns mornos, que não trazem, no fundo, nada de novo.
Em 2007, Norah lança o seu terceiro álbum. Era premonitório o título 'Not Too Late'. De facto, ainda não era demasiado tarde para recuperar, e este álbum, mudando consideravelmente de direcção, era o regresso que esperaríamos de Norah Jones após um álbum como 'Come Away With Me' e assim ficávamos esclarecidos: o álbum de estreia não tinha sido só fogo-de-vista.
Se 'Not Too Late' o afirmou, 'The Fall' (2009 -de que falei aqui.) veio confirmá-lo em força. Era um álbum perfeitamente conseguido, polido e distanciado daquela imagem inicial que se tinha de Norah, de que fazia música serena e baixinha, que inclusivamente lhe valeu a alcunha de Snorah Jones.


Esperámos três anos pelo quinto álbum de originais de Norah. Em Abril deste ano, chega-nos, finalmente, 'Little Broken Hearts'. E aquilo que, acima de tudo, fica provado neste quinto álbum é que, realmente, Norah Jones é daquelas cantoras que nunca nos cansamos de ouvir, porque, excepção feita para o segundo álbum, consegue sempre surpreender-nos sem ser infiel ao seu projecto musical e consegue criar canções que realmente nos comovem ao ponto de nos deixar sem respiração, mas sem nunca ser lamechas, nem previsível, nem de mau-gosto.
Inteiramente composto por Norah e por Brian Burton (Dos Gnars Barkley.), 'Little Broken Hearts' centra-se acima de tudo em ideias ligadas a separações amorosas, lutos e na descoberta de que a vida é ainda possível. O próprio título é bastante subtil, pois tratando os corações partidos como se fossem brinquedinhos, acaba por desdramatizar a ideia de uma ruptura, e este álbum está longe de ser deprimente. Bem pelo contrário, parece orientado para abraçar as nuances de country e de um certo pop que já iam dando sinais no terceiro e no quarto álbuns, mas mantendo sempre a inclinação para o jazz que, desde o início, tem sido a marca essencial de Norah.
Canções como Goodbye ou 4 Broken Hearts são prova precisamente disto. Estas canções são exemplos de como, neste álbum, a voz de Norah, mais do que nunca, encontra uma perfeita combinação entre as melodias e as letras e a própria tonalidade da voz que, sendo bastante expressiva e versátil, continua a inserir-se melhor em canções melancólicas mas, de alguma forma, contidas. Aliás, muitas destas canções parecem funcionar quase como segredos que Norah contasse a alguém, ou até diálogos de si para si, acabado por se tornar extremamente intimista, como vemos acontecer em Take it Back, Little Broken Hearts ou Miriam, sendo que esta última abre até espaço para um certo storytelling que por vezes ia realmente acontecendo nas canções de Jones.
Outro aspecto que deve ser assinalado neste álbum é o da sua simplicidade. É gravado como trabalho de uma banda e é pouco dado a extravagâncias. Assim, o som acaba por ser bastante homogéneo, sem por isso abdicar de ter várias texturas, que o impedem de se tornar aborrecido. Para este efeito, compare-se uma canção melancólica como Take it Back com outra mais irónica como Goodbye (Aliás uma das melhores letras do álbum.) ou com outras mais expeditas como Out on the Road ou Happy Pills.


Em relação aos outros álbuns, este representa, mais do que nunca, a tentativa, bem sucedida, de uma coesão interna, que passa pela banda fixa e por todas as canções serem compostas pelos mesmos autores, ao contrário do que tem acontecido até aqui. Aliás, relembremos que para o seu primeiro álbum, Norah havia composto apenas três das catorze canções que o integravam, e se é facto que, à medida que o tempo foi passando, Norah se foi afirmando cada vez mais como autora, neste álbum parece ter assumido mais do que nunca esse papel, o que talvez tenha contribuido para a adequação que se faz sentir da música à interpretação. E, ainda comparando 'Little Broken Hearts' com os seus predecessores, é de notar que, ainda mais do que em 'The Fall', se sente uma inclinação para a guitarra, ao contrário da fase inicial, em que as canções eram essencialmente construidas em torno do piano.
Mais ainda, assinale-se que, neste álbum, Norah parece correr alguns riscos que, de certa forma, lhe poderão abrir possibilidades para o futuro. É o caso de  canções como All a Dream e I Don't Wanna Hear Another Sound, em que se sente uma ambiência ligada ao low-rock, com qualquer coisa de Morphine e que de todo não é despropositada aqui. E diga-se que Norah se insere muito bem neste estilo, que, sendo ligeiro, passa um pouco pelo sobressalto, estando nesta dualidade a dificuldade para o intérprete. E, claro, Norah não tem problemas em deixar a banda brilhar sozinha, havendo neste álbum vários solos, sendo os destas canções dos mais belos. Aliás, já para o final do álbum, tem interesse recordar o início, e ao compararmos uma canção como I Don't Wanna Hear Another Sound com a primeira, Good Morning, mostra-nos como, neste álbum, as canções estão realmente pensadas de maneira a formarem uma sequência, acabando por o todo ser uma espécie de história que se conta, não só pelas palavras, mas pela própria tonalidade das canções.
Somados os factores, 'Little Broken Hearts' é um regresso muito digno para Norah Jones e prova-nos que cada vez mais Norah vai melhorando o seu projecto e se vai tornando uma artista madura e de rara densidade. Quer seja um relato de um luto, quer seja um elogio da solidão, este álbum é realmente dos melhores de Norah e, não fossem as provas dadas até hoje da sua capacidade musical, dir-se-ia que este é difícil fazer melhor.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Porque hoje estamos nesta...


Anathema: Dreaming Light (Do álbum 'We're Here Because We're Here', 2010)


As Sem Razões do Amor
de Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Joan as Police Woman: Flash (Do álbum 'The Deep Field', 2010)

Monna Innonimata IV
de Christina Rossetti

Poca favilla gran fiamma seconda. – Dante 

Ogni altra cosa, ogni pensier va fore, 

E sol ivi con voi rimansi amore. – Petrarca 

I loved you first: but afterwards your love
    Outsoaring mine, sang such a loftier song
As drowned the friendly cooings of my dove.
    Which owes the other most? my love was long,
    And yours one moment seemed to wax more strong;
I loved and guessed at you, you construed me
And loved me for what might or might not be –
    Nay, weights and measures do us both a wrong.
For verily love knows not ‘mine’ or ‘thine;’
    With separate ‘I’ and ‘thou’ free love has done,
         For one is both and both are one in love:
Rich love knows nought of ‘thine that is not mine;’
         Both have the strength and both the length thereof,
Both of us, of the love which makes us one.



Lou Rhodes: All We Are (Do álbum 'Bloom', 2007)


desenho de Luis Caballero

Promessa
de Sophia de Mello Breyner Andersen

És tu a primavera que eu esperava
A vida multiplicada e brilhante
Em que é pleno e perfeito cada instante.


Norah Jones: Come Away with Me (Do álbum 'Come Away With Me', 2002)

domingo, 12 de setembro de 2010

Canção Muito Especialmente Para o Dia de Hoje



If all we talk about is money
Nothing will be funny, honey
And now that everyone's a critic
It's makin' my mascara runny
If we only talk about the "Heathers"
Making it together is crazy
If we don't get a new situation
For our busted nation, we're lazy

But it's gonna be
It's gonna be
Please make it be
It's gonna be

Now if a princess becomes human
Don't stone her on a talk show, you'll ruin
'Cause there's a fine line between a skewer
And a decent sense of humor
Aim at the ones who've really hurt us
They should be arrested for murders
But then all the cameras were turned on
Some skinny naked blonde eating burgers

But it's gonna be
It's gonna be
It's gonna be
It's gonna be

It's gonna be
It's gonna be
Please make it be
Let's make it be

It's gonna be
It's gonna be
It's gonna be...

domingo, 1 de agosto de 2010

Norah Jones: The Fall

ENCONTRO INESPERADO DO DIVERSO

Se em 2002 muitos supostos engraçadinhos lhe chamavam Snorah Jones, ao quatro disco, Norah definitivamente não snorah. Nem perto disso.
"Come Away With Me" é um álbum irrepetível. Contém canções que certamente estarão entre as melhores da década que agora termina, canções como "I´ve Got To See You Again", "Seven Years", "Don´t Know Why" ou "Lonestar", que fizeram de Norah Jones uma verdadeira e estrondosa revelação, ela que era afinal cantora de uma música tão serena. Além da música em si, "Come Away With Me" representou também um verdadeiro fenómeno a nível do reconhecimento, em particular com a aquisição de oito Grammies ("Limpando" assim as mais importantes categorias: Melhor Álbum do Ano, Melhor Artista Feminina, Melhor Canção para "Don´t Know Why", Melhor Disco, Melhor Álbum Pop, Melhor Artista Revelação, além dos prémios de produção.) juntando-se assim a "The Miseducation of Lauryn Hill" e a "Songs in A Minor" de Alicia Keys.
"Feels Like Home", lançado em 2004, quando o boom do primeiro álbum ainda estava recente, no entanto, pareceu-me um disco mal sucedido neste aspecto: ele não representava nenhuma especial evolução desde o primeiro, preferindo jogar pelo seguro, mantendo-se demasiado na sombra de "Come Away With Me".
Em 2007 foi a vez de "Not Too Late". O título era significativo: de facto, não era tarde para recuperar o tempo perdido, ou a evolução pedida. "Not Too Late" continha já algumas canções a merecerem referência, afastando-se da matriz do primeiro álbum para um registo mais pop e menos jazz-infused. Neste álbum surgiam com já alguma importância linhas de electricidade, e arranjos mais elaborados. No meio de tudo isto, uma canção a ser lembrada: "Thinking About You".



O lançamento do álbum de 2009, este "The Fall" vem finalmente esclarecer-nos: Norah mudou mesmo de trajecto. Uma coisa me parece evidente: "Not Too Late" e "The Fall" formam uma espécie de díptico: onde o primeiro avança cautelosamente, o segundo arrisca-se totalmente. E é bem sucedido.
"The Fall" abre com "Chasing Pirates", uma canção que, em termos de letra, poderá fazer lembrar um tanto o alheamento infantil que Norah já mostrava no seu segundo álbum. Esta é uma das canções mais significativas do novo álbum, porque resume um pouco aquilo em que consistirá o novo álbum: são as linhas de piano eléctrico que já encontrávamos em "Not Too Late" e que nos remetem para uma espécie de smooth-jazz-pop, mas agora acrescidas de baterias com ritmos muito marcados e de vocalizações expeditas e enérgicas, definitivamente diferentes daquilo que estamos habituados a ouvir em Norah Jones.
Há também um reparo que, a meu ver, sempre fez sentido, mas que com o novo álbum se torna realmente óbvio: é que, apesar dos Grammies na categoria pop, Norah Jones nunca foi uma cantora pop, e muito menos em "Come Away With Me". Em "The Fall", ela também não é exactamente pop, mas encontra-se bastante mais próxima do que em qualquer outro momento da sua discografia. Quando digo pop não me refiro a um universo de Britneys ou Lady Gagas, refiro-me a uma pop na tradição de Kate Bush, Allison Moyet ou Sarah McLachlan: dessa pop, que hoje é mais alternativa, é que podemos aproximar Norah Jones. "Even Though", que se segue, está ainda dentro do mesmo registo, e é também uma das melhores canções do álbum. "Light as a Feather" no entanto é que vem introduzir mais um elemento a este álbum: a capacidade que Norah tem de repescar a melancolia que se notava nalgumas das suas grandes canções, e o seu tom sussurrante e usá-los mesmo numa composição que se afasta dessas. Por assim dizer, Norah vai procurar naquilo que já fez e volta a fazer de uma maneira muito diferente, pondo de certa forma à prova o seu estilo, testando-lhe a resistência à mudança. Está visto que consegue. "Light As a Feather" parece-me ser uma das melhores canções de "The Fall".
"Young Blood", que será outra das melhores canções deste disco, é a derradeira confirmação daquilo que as primeiras canções já afirmam: que a música de Norah está perfeitamente equilibrada, porque o que perdeu em calma ganhou em energia, e a cantora é perfeitamente capaz de acompanhar.


A melhor canção, mesmo assim, parece-me ser "It´s Gonna Be" com o seu piano eléctrico e a beat piscando o olho a uma excelente composição rock, com uma letra muito política. É, de todos, o momento mais invulgar e inesperado de "The Fall".
Se há alguma canção que relembre particularmente o passado, será "You´ve Ruined Me". E mesmo assim, se formos fazer uma ponte ela irá, no máximo, até "Feels Like Home", não chegando à calmia de "Come Away With Me".
De assinalar são também canções como "Stuck", "I Wouldn´t Need You" (Uma das melhores letras do álbum.), "Back To Mannhatan", o interessante arranjo de piano de "Waiting"
Será talvez de realçar o facto de neste álbum, tal como no anterior, Norah ser autora ou co-autora de todas as canções (Ao passo que nos primeiros dois álbuns escrevia muito poucas canções.), não dispensando no entanto o contributo de músicos como Jesse Harris ou Lee Alexander, que a acompanham desde o início.
Acima de tudo, "The Fall" é uma tentativa de criar "outside the box". E se Norah Jones arrisca largamente, é também largamente que consegue um bom resultado. Por essa razão me parece que "The Fall" não deixa de ser o mais digno sucessor de "Come Away With Me", pelo menos no que toca à música. A edição de coleccionador será de aproveitar, pois contém nada menos que seis canções ao vivo.



It´s Gonna Be

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

perante uma música assim, quase se admite a hipótese de deus

"I´ve Got To See You Again" da adorável Norah Jones. E do longínquo "Come Away With Me". Ao genial Jesse Harris devemos a letra e a música, ambas impressionantes.