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sábado, 11 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
American Horror Story
Já vi os dois primeiros episódios, e gostei. Fiquei bastante surpreendido, por duas razões: a primeira é que os criadores desta série são Brad Falchuk e Ryan Murphy, os criadores das séries Nip/Tuck e Glee, duas séries que têm sobre mim o efeito de me deixar no mais completo coma mental (Costumo ver Glee quando estou terrivelmente cansado ou com problemas.); a segunda é que uma série sobre uma casa assombrada parece a ideia mais cliché que se podia encontrar para uma série de horror.
No entanto, confesso que American Horror Story me surpreendeu ao máximo. Trata-se da história de um psiquiatra, Ben Harmon (Dylan McDermott) que se muda com a família para uma casa antiga em Los Angeles, depois de, em Boston, ter tido um caso com uma aluna, aquando de uma fase difícil entre ele e a mulher, Vivien (Connie Britton), quando esta tem um aborto espontâneo. A casa, apesar de espantosa, é bastante barata, uma vez que o anterior habitante havia assinado ali mesmo o seu namorado, suicidando-se depois.
Evidentemente, fica no ar a suspeita de que a casa estará, muito provavelmente, assombrada.
Além dos fragmentos do passado que nos são mostrados no início dos episódios, há ainda a premonitória presença obsessiva de Addy (Jamie Brewer), uma rapariga mongolóide, da sua mãe um tanto invulgar, Constance (Jessica Lange) e a governanta Moira, que aparece como uma mulher velha (Frances Conroy) a todos, com excepção de Ben, que a vê como uma jovem atraente (Alexandra Breckenridge).
Para aumentar o ambiente um tanto surreal que se respira naquela casa, a filha adolescente de Ben e Vivien, Violet (Tarissa Farmiga) começa a namorar com um dos pacientes do pai, Tate (Evan Peters), que sofre de uma grave perturbação que inclui o instinto de matar aqueles que ama.
A série está cheia de referências ao universo sado-masoquista, e, por outro lado, parece interessada em reinventar alguns dos clichés do cinema do terror, tornando-os, nessa reinvenção, um não-cliché, por assim dizer. Tratando-se de uma série de televisão, cuja primeira season (Não está decidido se haverá segunda.) conta com treze episódios, é de notar que é criado um certo impasse relativamente a algumas questões, no entanto, esse impasse não se traduz numa ausência de novos dados sobre a casa, nem num retardar da acção: bem pelo contrário, os dois episódios marcam já alguns avanços na narrativa.
De louvar é também a escolha dos actores, que recusa completamente os estereótipos em que o horror parece ter caído, e que se prendem essencialmente com o compensar do elemento gore com a beleza física dos actores. Não há aqui gente feia, no entanto, todos os actores parecem gente normal, e a isso a caracterização bastante casual ajuda muito.
Por último, destaco ainda o genérico, que consegue ser a um tempo discreto e contundente, com imagens que, não sendo, pelo menos até agora, relacionadas com o universo da série, para o seu género nos remetem.
A continuar a ver, sem dúvida.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Luther

Terminou recentemente a segunda temporada da série britânica "Luther". A primeira contava com seis episódios e a segunda com quarto. É um pouco triste que uma série com as qualidades desta tenha tão poucos episódios enquanto outras, menos interessantes mas mais vendáveis, se arrastam por intermináveis temporadas com inúmeros episódios que já não convencem ninguém. Claro que me estou a referir a "CSI".
"Luther" é uma série de investigação criminal, mas que nos obriga a esquecer tudo o que pensamos que sabemos sobre séries de investigação criminal. Dizer que isto se deve ao facto de esta ser uma série europeia pode parecer árido à primeira vista, mas a verdade é que explica muita coisa.
Segui avidamente a primeira época que nos conta a história de um polícia, John Luther (Idris Elba) que, por mais competente que seja, não nos surge nunca como um herói, nem perto disso. Luther tem um carácter agressivo e quase totalitário, é o homem que não olha a meios para atingir os fins. Só não é detestável porque os seus fins são, em princípio, nobres. A descoberta da sua personalidade e da sua vida conturbada é assunto dos episódios, bem como dos crimes, invulgares, agoniantes e violentos, que investiga na cidade de Londres.

No entanto, o que aqui há de mais fascinante é a relação insólita que John Luther desenvolve com a primeira criminosa que investiga mas que não consegue apanhar: Alice Morgan (Ruth Wilson) é uma sociopata charmosa, genial e absolutamente maligna a quem acontece o pequeno acidente de se fascinar pelo homem que tenta provar que ela havia assassinado os pais a sangue frio. É pouco claro se Alice se apaixona por Luther (Porque se coloca a questão se uma sociopata poderá verdadeiramente ter sentimentos.), mas o que é certo é que se comporta dessa forma, talvez por finalmente conhecer alguém de quem se sente igual, e não superior.
A relação entre os dois vai avançando ao longo dos episódios e instiga em nós talvez bem mais curiosidade do que propriamente os crimes investigados.
É por isso que esta segunda época corre mal. Tudo o resto que a série tinha de interessante, tanto a nível de argumento como de realização, mantém-se. Mas Alice Morgan desaparece no segundo episódio. Luther tem uma nova "protegida", Jenny Jones (Aimee Ffion-Edwards) que pode ser adorável, mas não é fascinante como Alice Morgan.
Destaque-se ainda uma banda sonora excelente, em que se ouvem canções de Emiliana Torrini, Marilyn Manson, Sia Furler e Muse, entre outros.
Ainda não está decidido se "Luther" terá terceira temporada. Mas a meu ver, nem vale a pena tentar, se Alice Morgan não estiver incluida.
(A série integral pode ser descarregada a partir daqui: http://www.baixartv.com/download/luther/)
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Masters of Horror: We All Scream for Ice Cream (2x10)
PALHAÇADA

Há coisas muito básicas, que qualquer realizador devia aprender e nunca, mas nunca mesmo, esquecer. Fazer um filme de terror que está muito para lá de qualquer limite de credibilidade é uma delas.

"We All Scream for Ice Cream" é um filme que dói tanto a ver, dói no pior sentido da palavra, que quase nem consigo falar dele. Não é que eu esperasse melhor de Tom Holland que tem andado, desde 1985, entre as comédias e as pretensões de terror. Mas a verdade é que de ninguém eu esperaria um filme cuja palavra que melhor encontro para descrever é "rasca".
A história é a seguinte: nos anos 50, um grupo de crianças acorre todos os dias ao autocarro de Buster, um palhaço atrasado mental que vende gelados. Nos dias de hoje, esses rapazes são já crescidos e pais de família e, na localidade onde vivem, inicia-se um estranho fenómeno que passa por as crianças desaparecerem de casa a meio da noite. Ao mesmo tempo, uma série de homens que haviam pertencido ao tal grupo começam a desaparecer.
O que se passa é que, na verdade, esse grupo havia pregado uma partida a Buster que, em princípio, lhe havia custado a vida. Agora, o palhaço voltou dos mortos, e alicia os filhos dos que lhe fizeram mal a virem comer gelados, gelados esses que fazem com que os pais se derretam em gelado.
A história, em si, é pobre. Os actores não ajudam. Os efeitos especiais são ridículos. O desenvolvimento da história e respectivo clímax dão vontade de rir de pena. A resolução dos problemas está do amadorismo para baixo. No fundo, um sentimento de profunda piedade é o que de melhor consegui sentir por este filme.
Se quisesse encontrar referências para este filme, a que me parece mais indicada é a série de televisão "Goosebumps" que passava nos anos 90 na televisão, e que eu via, quando era puto, porque eram baseados na série de livros do mesmo título, de R.L. Stine. E, para ser sincero, alguns desses episódios que uma altura revi no YouTube têm de longe muito mais qualidade que este "We All Scream for Ice Cream".

De facto, o filme parte de um conceito que é já de si fraco, e isso condiciona tudo. É até difícil não acreditar que, no fundo, o maior desejo de Tom Holland com este filme foi gozar com a cara do espectador. E, mesmo se o objectivo era esse, havia maneiras de o fazer com mais classe.
É penoso ver um filme assim. Eu, que já atravessei filmes escritos e/ou realizados por Mick Garris, que já atravessei "Dreams in the Witch House" de Stuart Gordon, estive muito muito muito perto de pura e simplesmente suspender "We All Scream for Ice Cream".
Acho que é muito difícil encontrar um filme pior do que este; uma tão grande e tão mal feita palhaçada. O que faz este filme em "Masters of Horror" é algo que nunca, por mais que viva, conseguirei entender.
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Masters of Horror: Right to Die de Rob Schmidt (2x09)
SESSENTA BOCEJOS POR MINUTO


Na verdade, o cinema de terror tem-se tornado, na última década, uma espécie de entertenimento que se esgota a si mesmo, mais do que um tipo de cinema. O que acontece com o cinema de terror não é diferente do que acontece com a comédia. Na comédia, temos alguns realizadores que levam o género a sério, como é o caso de Woody Allen, e depois temos a maioria dos outros realizadores, que realiza comédias especificamente românticas, que servem para encher salas de cinema com pessoas que não estão minimamente sensibilizadas para a arte e se limitam a ver o filme, que não os faz pensar e nem os faz sentir. Tenho pena que tal tenha acontecido com um género que já nos deu grandes filmes, como é o caso do cinema de terror.

Este "Right to Die", de Rob Schmidt é, afinal, um belíssimo exemplo não só do vazio em que o cinema de terror tem caído, como é também um belíssimo exemplo do que acontece quando os realizadores não são criativos, que é a adopção de uma receita que se repete vezes e vezes sem conta.
Como é que um filme destes chega a "Masters of Horror", não sei. É verdade que nesta série já vimos filmes que vão do ridículo ao inaceitável, mas, nesses, pelo menos nota-se que o realizador tentou. Em "Right to Die" nem isso.
Rob Schmidt é o realizador de "Wrong Turn" (2003) que, colocando uma sensual Eliza Dushku a ser atacada por um bando de canibais, fez as delícias de milhões de adolescentes superficiais que gostam de terror, mas não percebem patavina de cinema.
"Right to Die" é a história de Cliff Addison (Martin Donovan), um dentista que, enquanto conversa com a mulher (Julia Anderson) durante uma viagem de carro, tem um acidente. Ele sai ileso, mas as mulher começa a arder, sendo levada para um hospital onde se conclui que a mulher passará o resto da vida em coma e que a totalidade do seu corpo foi consumida pelas chamas.
Indeciso sobre se desliga as máquinas, Cliff começa a ser visitado pelo fantasma da mulher, que o vai torturando e aumentando as suas dúvidas sobre se deve terminar a vida dela, quanto mais não seja porque, nos momentos entre o falecimento dela e a reanimação bem-sucedida que os médicos operam, ela se transforma num fantasma que chega até a matar o advogado e a amante de Cliff.
Se começássemos a fazer uma lista de todos os filmes que influenciam este, ela nunca terminaria. Passaríamos por "Ringu" (1998) de ideo Nakkata, por "13 Ghosts" (1960) de Rob Castle, entre muitíssimos outros. "Right to Die" limita-se a ser uma assemblage de tudo, com o condão particular de, por mais que a história desenvolva, parecer sempre nunca ter assunto.
De facto, estes são 52 minutos muito aborrecidos, cheios de abras-kadabras que já vimos em todos os realizadores sem qualidades que querem fazer filmes de terror. A história parece mudar de tonalidade sem motivo aparente, os factos desenrolam-se com uma certa inércia, a qualidade dos actores deixa muito a desejar e, como não há aqui nada que desperte o mínimo interesse no filme, temos então os dois recursos mais frequentes para resolver esta situação: cenas de sexo e de nudez, e cenas pretensamente gore. Estes são os dois refúgios de qualquer realizador sem talento especial que quer prender um mínimo da atenção do espectador.

Possivelmente, este texto é um tanto desagradável. Sou espectador de cinema de terror desde os 11 anos, e, ao longo da minha vida, tem sido dos géneros que mais tenho procurado, e tem sido também aquele que mais me parece ter caído numa vulgaridade causada pela pouca selecção e pela ideia de que é fácil suscitar medo no espectador. Discordo de tudo. Penso que muitos dos filmes mais originais já feitos foram filmes de terror, e penso que todo esse legado está a ser cada vez mais destruído, e não só por realizadores jovens.
Filmes como este "Right to Die" são o principal motivo por que muita gente já nem leva o cinema de terror a sério. E incluí-lo numa série de mestres não é errado. É pura e simplesmente criminoso.
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domingo, 19 de setembro de 2010
Masters of Horror: Sick Girl de Lucky McKee (1x10)
UMA COMÉDIA NA CASA DO TERROR


Há filmes que têm tudo para correr bem e depois... zás... surge qualquer coisa que deita tudo por terra. Isso mesmo acontece com este "Sick Girl".

De facto, houve várias surpresas na primeira época de "Masters of Horror", e a inclusão de Lucky McKee no elenco de realizadores foi uma delas, visto que dele tínhamos até à data apenas um filme, "May" (2002), ainda que esse se tenha tornado uma espécie de filme de culto.
No entanto, no que toca à sua contribuição para "Masters of Horror", "Sick Girl" parece-me pouco susceptível de se tornar um filme de culto, já que isto por pouco é sequer um filme.
Esta é a história de Ida Teeter (Angela Bettis, que já protagonizava "May"), uma cientista especializada em insectos com graves problemas de relacionamento. As poucas mulheres com quem consegue contactar acabam por recusar qualquer tipo de envolvimento amoroso por acharem demasiado estranhos os seus interesses pelos muitos insectos que povoam a sua casa em pequenos aquários e jaulas. Esse padrão começa a desviar-se quando, influenciada pelo amigo e colega Max (Jesse Hlubick), Ida decide convidar uma estranha rapariga que passa o dia sentada na recepção do seu trabalho a desenhar. A rapariga, Misty (Erin Brown), aceita o convite. Nesse mesmo dia, Ida recebera em casa uma encomenda com um estranho insecto que entretanto lhe foge. Esse mesmo insecto irá picar Misty na orelha, enquanto esta faz amor com Ida.
O resto do filme é a mutação de Misty, que, enquanto sente a orelha derreter, vai-se tornando mais e mais semelhante a um insecto, até que finalmente se deixa fecundar pelo misterioso animal que se alojara na travesseira de ambas.

É o tipo de sinopse sobre o qual poderíamos dizer que não há nada para correr mal. Mas corre. Muito mal mesmo. McKee revela-se de um bizarro amadorismo no que toca à construção das personagens, que são demasiado tensas, demasiado inusitadas para parecerem verídicas. A própria história parece apenas fluir, sem que nada se passa de particularmente decisivo. E por fim, no que toca a efeitos especiais, percebemos que o realizador quis criar uma cena de extreme-gore, ou pelo menos uma cena nojenta, mas tudo o que consegue é criar uma cena que, por mais repulsiva que possa parecer não escamoteia de forma alguma que estamos perante efeitos especiais, de maneira que nada parece realmente funcionar: é disso exemplo a derradeira transformação de Misty em insecto e, mais ainda, esta cena oferece-nos a morte meramente gratuita de Max, além de, afinal, não percebermos o porquê dessa transformação, uma vez que em nada resulta.
O final do filme é um pequeno segmento em que acho muito, muito, muito, mais muito mesmo difícil que qualquer pessoa não pense "Que cena mais estúpida".
Se Lucky McKee realizou em "May" um filme interessante, esse é um crédito que lhe cabe. Mas que "Sick Girl" esteja ao mesmo nível, isso não está, com certeza absoluta.
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Masters of Horror: Fair Haired Child de William Malone (1x09)
UM SACRIFÍCIO


O cinema de William Malone tem sido um dos projectos mais indecisos do cinema de terror. Se a ele devemos um filme como "House on Haunted Hill" (1999), onde há até alguns pontos de originalidade, é também a ele que devemos outros, como "Fear dot com" (2002) que, mais do que ser um filme, é uma forma de seguir a banda. "Fear dot com", em português "Medo ponto com" era um filme que seguia a lógica de "The Ring" (2002), esse realmente original quer na sua versão japoesa, "Ringu" (1998) de Hideo Nakatta, quer na versão americana de Gore Verbinski, e a prova disso é que teve imediatamente epígonos, como "The Tatooist" (2008) de Peter Burger, e também o referido "Fear dot com".

O caso de "Fair Haired Child", a participação de Malone em "Masters of Horror" é, ao que me parece, uma outra forma de seguir a banda, uma outra banda.
É a história de uma rapariga do típico high-school, Tara (Lindsey Pulsipher), a rejeitada da turma, que certa tarde é raptada. Acorda junto de uma enfermeira, Judith (Lori Petty), mas cedo percebe que não está num hospital, mas numa mansão isolada, em Vancouver. Após algumas perguntas sobre a sua vida sexual, Judith e o marido, Anton (William Samples) atiram com Tara para uma cave, onde ela descobrirá um outro rapaz da mesma idade, enforcado e prestes a morrer e que, não conseguindo falar, escrevendo com o dedo no pó lhe diz chamar-se Johnny (Jesse Hadock). A exploração da cave mostra-lhes que outros já ali haviam estado e que teriam morrido.
No final, e tenho que falar dele para fundamentar aquilo que direi sobre o filme, vemos que o filho do casal de músicos havia morrido no lago daquela mansão, e que os pais haviam encontrado um ser maligno que prometeu devolver-lhes o filho, na condição de eles lhe entregarem em sacrifício doze jovens, dos quais Tara seria a última.
Esta criatura, que vemos algumas vezes circular pela casa, é uma espécie de gnomo desfigurado que come as entranhas das pessoas.

É fácil perceber que Malone traz na bagagem toda a escola de Stephen King, entre os romances e as respectivas adaptações, mas também algum John Carpenter, nomeadamente o de "Cidade dos Malditos" (1996), e até alguma coisa de Sean S. Cunningham.
No geral, não se pode dizer que "Fair Haired Child" tenha nada de errado, se lhe notamos uma boa construção, uma excelente direcção de actores, alguns planos realmente belíssimos. O grande problema é ainda que nada neste filme consegue verdadeiramente surpreendernos, nada nos surge de novo, ficando constantemente com a sensação de que já vimos isto nalgum outro filme.
E se "Masters of Horror" é suposto antologiar os grandes realizadores de cinema, William Malone não teria mais direito a estar aqui do que teria Jamie Blanks ou Victor Salva, só para lembrar os mais recentes.
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Masters of Horror: Deer Woman de John Landis (1x07)
A SEREIA ASSASSINA


Também surgido nos anos 70, John Landis balança-se entre estilos tão diversos como o terror e a comédia. "An American Werewolf In London" (1981) será um dos seus filmes mais badalados, isto se excluirmos o seu trabalho como realizador de videoclips dos quais os de Michael Jackson serão os mais conhecidos.

Sendo que, pessoalmente, o seu trabalho não me parece de particular relevância, não posso deixar de expressar a minha surpresa por encontrá-lo em "Masters of Horror". A sua participação é este "Deer Woman", filme que se insere muito bem no estilo das lendas assustadoras que se revelam muito reais.
A média de Landis começa com uma típica cena de tasco americano frequentado por camionistas, um dos quais é brutalmente assassinado, ao ponto de o seu cadáver oferecer algumas dúvidas sobre se se trata ou não de um humano.
O genérico do filme está deveras bem conseguido, com uma série de desenhos tribais ao som da música desconcertante de Peter Bernstein que consegue fundir muito bem o lado clássico com o lado étnico. A inclusão da famosa pintura da mulher-veado de Frida Kahlo está também muito bem pensada.
Para investigar o sucedido é destacado Dwight Faraday (Brian Benben), um detective falhado do F.B.I., que, apesar dos vários precalços, consegue ficar encarregue do caso. Com a ajuda do agente Jacob Reed (Anthony Griffith) e da média legista Dana (Sonja Bennet), Faraday chega à conclusão de que os vários cadáveres de homens que vão aparecendo parecem ter estado próximos de uma mulher aquando da sua morte (Dado que estavam todos com uma erecção.), ainda que o brutal ataque pareça ter sido feito por um veado. Os interrogatórios àqueles que teriam estado perto dos assassinados têm um comum o facto de todos referirem uma mulher muito bela, com aspecto índio.
É assim que encontramos essa bela mulher (Cinthya Moura), seduzindo homens que depois aparecerão mortos. As teorias cada vez mais improváveis dos detectives culmina com a história, contada por um descendente de índios, de uma mulher belíssima que da cintura para baixo era um veado. Cedo se percebe que é esta mulher-veado quem ataca os homens, desfazendo-os literalmente.

O filme de Landis tinha, então, tudo para correr mal, e nalguns aspectos corre mesmo. É como se o realizador tivesse consultado uma espécie de manual de dos & don´ts do cinema de terror, e tivesse decidido adoptar tanto duns como de outros. Assim sendo, nalguns momentos, "Deer Woman" não consegue utrapassar uma acentuada predicabilidade, ainda que noutros consiga ser surpreendente e até muitíssimo bem pensado.
Se neste filme há algo de bom, é certamente o desenlace da história da mulher-veado, ainda que o conceito em si, de uma mulher-assassina que usa o sexo para atrair as suas presas seja tão vulgar que, nem de propósito, o encontrámos ainda em "Masters of Horror", na película de Dario Argento, "Jenifer".
Mas claro que o filme de Landis é um conceito bastante diferente, e talvez seja mesmo isso que tem de interessante: resgatar uma lenda dos nativos americanos, tornando o folclore numa realidade mortífera. Se essa ideia fez com que Jamie Blanks tenha realizado um dos melhores filmes de terror dos anos 90, "Mitos Urbanos", a verdade é que aqui, ainda que a lenda tivesse mais potencialidades, fica, mesmo assim, um tanto aquém. E aqui entra a questão do benefício da dúvida.
Como acima disse, o percurso de John Landis não me parece um de especial interesse, mas tenho que admitir de "Deer Woman" talvez pudesse ser um filme realmente bom, se não fosse a limitação de tempo, que contribui consideravelmente para que, em muitos aspectos, fiquemos com a impressão de que este filme anda demasiado depressa, anulando alguns efeitos de suspense que, como se sabe, são ingrediente indispensável ao cinema de terror.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Masters of Horror: Chocolate de Mick Garris (1x05)
RECEITA


Quando "Masters of Horror" já nos dera um filme sobre um assassino, outro sobre bruxas e dois sobre zombies, Mick Garris propõe-se a, no quinto episódio, nos apresentar um filme sobre um amor obsessivo. A carreira de Garris começou na segunda metade da década de 80 no cinema, mas o seu trabalho até agora mais reconhecido terá sido a mini-série "The Shining", que adapta mais detalhadamente do que filme de Stanley Kubrik o mesmo romance homónimo de Stephen King. Em "Sleepwalkers" (1992), na mini-série "The Stand" (1994), em "Riding The Bullet" (2004) e no telefilme "Desperation" (2006), Mick Garris segue também romances de Stephen King, estanto neste momento a trabalhar na adaptação do romance "Saco de Ossos".

Este "Chocolate" é também resultado de uma adaptação literária, mas desta vez de um conto do próprio Garris. E se o imaginário rebuscado e arrepiante de Stephen King já tantas vezes moveu Garris na criação dos seus próprios trabalhos, esse não é, de todo, o caso de "Chocolate".
A história é a seguinte: Jamie (Henry Thomas), cujo trabalho é desenvolver sabores artificiais, começa a responder ao sabor do chocolate de uma forma singular: consegue sentir exactamente o que sente uma mulher que não conhece nem sabe onde vive. Após desta maneira testemunhar o momento em que a mulher assassina o amante, Jamie decide investigá-la. É assim que as suas buscas o conduzem a Vancouver, onde encontra Catherine (Lucie Laurier), a mulher. E se a Jamie as visões o levaram a apaixonar-se, depressa percebe que Catherine, que também as tinha, não lhes encontra tanta graça.
Há aqui duas questões paralelas que têm que ser colocadas:
A primeira é que "Chocolate" não é qualquer filme; ele surge integrado numa série dedicada ao cinema de terror. E "Chocolate" não é nem muitíssimo remotamente um filme de terror, nem chega a parecer um thriller. Parece, isso sim, um filme romântico/dramático cujo enredo não escapa, nem sequer pela estranheza das visões, a qualquer filme romântico, com a diferença de que, por norma, os filmes românticos vão para o lado da comédia. E é essa a primeira ideia que me fica de "Chocolate": a de que, definitivamente, não está no contexto certo.

A segunda é se, independetemente do género, este é um bom filme. E na verdade não consegui sequer formar uma opinião muito concreta sobre o assunto. "Chocolate" tem alguns planos muito bem conseguidos, muito estéticos; mas a premissa não deixa de me parecer vulgar e pouco dada a qualquer tipo de surpresa, e a verdade é que Mick Garris também não parece esforçar-se muito para resgatar o seu filme de uma certa predicabilidade que o argumento já por si suscitaria. É claro que seria injusto não referir que em termos de realização não há aqui nada de errado, que os actores são muito bem dirigidos e conseguem fazer com que a história pareça realmente insólita. No geral, e talvez isto seja o mais fiel que consigo ser à minha opinião, "Chocolate" não é um bom filme, limita-se a não ser interessante. Ao contrário do chocolate, nem mata nem engorda.
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sábado, 11 de setembro de 2010
Masters of Horror: Jenifer de Dario Argento (1x04)
HOJE À NOITE AQUI NA SELVA QUEM COME É A LEOA


Seria praticamente impossível falar de filmes de terror sobre o sobrenatural, uma das categorias mais aclamadas do género, sem referir o nome do realizador de origem italiana Dario Argento. Desde 1970, Argento já nos deu filmes tão inacreditáveis como "Profondo Rosso" (1975), "Suspiria" (1977), "Phenomena" (1985), "Non Ho Sono" (2001) ou "The Mother of Tears" (2007).

A média-metragem com que participou na primeira época de "Masters of Horror" é este interessantíssimo "Jenifer". Sendo um filme com algo de sobrenatural, esta classificação, como sempre, revela-se um tanto insuficiente para o definir. Não se trata também propriamente de um filme de zombies, mas o esquema não é completamente alheio a este filme, escrito a partir de uma história de banda-desenhada de terror dos anos 70.
É a história de Frank Spivey (Steven Weber- que é também argumentista da película.), um polícia que, durante uma patrulha salva das mãos de um sem-abrigo louco uma jovem rapariga, que o sem-abrigo diz chamar-se Jenifer (Carrie Anne Fleming). A rapariga, totalmente desfigurada no rosto, apesar do corpo belo, acaba por ser internada num asilo psiquiátrico. Comovido, Fank acaba por levá-la para sua casa, apesar da relutância da mulher e do filho. Jenifer aparenta ser verdadeiramente atrasada mental, pois mais não consegue que grunhir e gemer e enrolar-se num canto como um animal. Até que seduz Frank, que começa a ter relações sexuais com ela pontualmente. Cedo descobre também que Jenifer parece sobreviver comendo gatos e crianças. Após o incidente do gato, a mulher e o filho de Frank abandonam a casa e, depois de Jenifer devorar a vizinha de oito ou nove anos, Frank foge com ela algures para o meio da selva.
É no meio desta sensação de inevitabilidade que Frank se encontra absolutamente incapaz de fugir a Jenifer, tanto quanto sentimos que o seu fim será algo semelhante ao que acontecia ao sem-abrigo no início do filme.

Na verdade, Argento consegue em "Jenifer" planos belíssimos e bizarros, capazes de se equiparar com o seu restante trabalho. Foge também à maioria dos clichés que este género de filme parece impingir, e facilmente se desvia de qualquer predicabilidade, seguindo uma narrativa que pode ser estranha mas não deixa de ser lógica.
Não é um filme particularmente gore, ainda que certos planos não tenham dificuldade em causar-nos um esgar.
A figura de Jenifer é excelentemente caracterizada, sendo que, a certa altura do filme, já desistimos de tentar entender a sua origem ou o seu passado: percebemos que Argento, como os grandes mestres do terror, está mais interessado em mostrar-nos o Mal no seu estado puro, que, tal como o suposto Deus, foi "gerado e não criado".
No entanto, e será isso que nos deixa a pensar no fim do filme, não é claro se estamos perante uma criatura que é apenas uma personificação do Mal ou se estamos simplesmente perante o instinto de sobrevivência de qualquer predador. Pergunto-me se a opção de fazer de Jenifer uma atrasada mental não poderá contribuir para que ela acabe sendo susceptível da nossa pena ou da nossa compreensão: se assim é, a ideia de nos confrontar com o Mal e até com o instinto assassino fica um tanto ao quanto desfavorecida.
Àparte disso, tudo em "Jenifer" parece bater certo. Argento prova uma vez mais que ainda é um expert no que toca a fazer filmes de zombies ou de quase-zombies, que resulta no mesmo.
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Masters of Horror: Dance of the Dead de Tobe Hooper (1x03)
FOR YOUR ENTERTAINMENT


Em 1969, "Eggshells" marcava o início da carreira de Tobe Hooper, mas o nome só se tornaria célebre em 1974, com o clássico "The Texas Chainsaw Massacre". A sequela, também da responsabilidade de Hooper, em 1986, não seria tão bem sucedida, e o segundo título mais facilmente associável ao realizador seria "Poltergeist", de 1982. Com (Pelo menos.) dois filmes de culto na bagagem, Tobe Hooper apresenta-se na primeira época de "Masters of Horror" com a média-metragem "Dance of the Dead", baseado numa novela de Richard Matheson.

Mas este não é já o sangrento filme de terror que encontrávamos em "The Texas Chainsaw Massacre", nem o filme de terror psicológico/paranormal de "Poltergeist". "Dace of the Dead" poderia muito bem ser um filme de ficção científica, se não fosse a sua história tão macabra.
Trata-se de um filme que nos coloca num futuro mais ou menos próximo, mas já depois do eclodir da Terceira Guerra Mundial, e do cessar-fogo. Mesmo com a guerra terminada, os efeitos da devastação são ainda visíveis e decisivos naquilo que sobrou do mundo.
Ainda que uma parte daquilo que conhecemos como normalidade subsista ainda, a maioria das regiões, um pouco por todo o mundo, estão povoadas essencialmente de seres humanos contaminados por uma espécie de violência irreprimível, onde homicídios, carnificinas e torturas são o pão-nosso-de-cada-dia. Muskeet é uma dessas zonas. Muskeet tem ainda a particularidade de incluir um pequeno bar, o Doom Room, cujo Mestre de Cerimónias (Robert Englund, mais conhecido por Fred Krueger.) anuncia um espectáculo que se deve à ciência.
Apesar de não termos, inicialmente, uma ideia concreta do conteúdo do espectáculo, é fácil entendermos que, o que quer que seja, é alimentado pelo sangue que Boxx (Ryan McDonald) e Jak (Jonathan Tucker) recolhem em assaltos de rua. Será um destes, Jak, que se apaixonará rapidamente por Peggy (Jessica Lowndes), a única sobrevivente de uma família normal, a par com a mãe. E aqui começa o típico rapaz-mau-conhece-rapariga-boa, rapariga-boa-é-arrastada-para-os-vícios-do-rapaz-mau. Jak leva-a a Muskeet, e finalmente assistimos ao espéctáculo tão louvado pelo Mestre de Cerimónias e pelo público do Doom Room.
Trata-se da "dança dos mortos", mais propriamente de uma espécie de mutantes, os L.U.P., mais conhecidos por Luppies: mortos que, quando injectados com sangue de vivos, são capazes de se contorcer com brutais espasmos em frente a uma audiência voraz. O espectáculo será também a ponte que ligará Peggy à verdade sobre a sua família.
E assim temos um particularmente decadente filme de zombies.

Se podemos dizer que Tobe Hooper já antes tinha criado uma visão algo satírica do american way of life, nomeadamente com a família de Leatherface, aqui Hooper vai bastante mais longe: apesar de nos colocar num cenário diverso daquele que conhecemos, é interessante verificar como, afinal, as questões que são colocadas estão tudo menos distanciadas da realidade actual: estamos ante um público sedento de sangue e violência, completamente indiferente ao sofrimento de quem lhes dá esse entretenimento, num mundo em que tudo é susceptível de ser traficado, mesmo os mortos: logo que isso dê lucro. E até o fuel que move os Luppies pode ser entendido como uma metáfora: ele é colhido à força dos poucos cidadãos que não foram ainda afectados pela loucura da maioria. Ainda, os espectáculos com os Luppies não são totalmente ilegais: eles haviam já sido permitidos pelo governo, uma vez que podiam ser considerados exposições de ciência e tecnologia.
No fundo, não há tanto de surreal neste filme como à primeira vista possa parecer. Este é um mundo em que o dinheiro é fácil, porque o público está disposto a qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, para se ver retirado do aborrecimento do quotidiano, o que é ainda uma forma de neurose ou de loucura. E se para isso é necessário sacrificar pessoas que nada têm a ver com isso, o governo, que supostamente representa e protege não é a entidade que se vai opor. Na verdade, qual é que é a grande diferença em relação àquilo que vivemos neste 2010?
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Masters of Horror: Dreams in the Witch House de Stuart Gordon (1x02)
MAIORES DE DOZE
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O segundo episódio de "Masters of Horror" é realizado por Stuart Gordon, realizador e encenador. O seu primeiro filme data de 1979, e desde então conta com mais de 20 trabalhos, entre o cinema (Realização e argumento.) e o teatro. De entre os seus trabalhos para teatro, o mais recente passa por uma adaptação de Edgar Allen Poe. Nos seus filmes, contam-se alguns já considerados de culto, caso de "Re-Animator" (1985), "From Beyond" (1986) ou "Daughter of Darkness" (1990).

O caso de "Dreams In The Witch House", no entanto, não me parece susceptível do mesmo. Interessa falar de Edgar Allen Poe porque, neste filme, é notória a influência do imaginário do escritor, assim como algumas lições cinematográficas a que não escapam "The Amityville Horror" de Jay Anson (1977), e de certa forma os dois filmes da saga Blair With, "The Blair Witch Project" e "Book of Shadows: Blair Witch 2" de Eduardo Sanchez/ Daniel Myric e Joe Berlinger respectivamente. Além destas referências, "Dreams In The Witch House" é a adaptação de um conto de H.P. Lovecraft.
Esta é a história de Walter Gilman (Ezra Godden), um estudante universitário, que aluga um quarto numa casa decrépita com mais de 300 anos e hóspedes que vão do simplesmente bizarro ao medonho. Walter trabalha presentemente numa tese sobre a intersecção de universos, argumentando que a descoberta do ângulo entre planos será a forma de descobrir novos universos. Enquanto trabalha, conhece Frankie (Chelah Horsdal), uma mãe solteira que habita o quarto ao lado juntamente com o filho bebé, Danny.
No piso térreo, um estranho hóspede fala a Walter de um rato com rosto humano, que é um enviado de uma bruxa que supostamente assombra a casa.
Se inicialmente Walter não dá importância aos avisos do homem, cedo começa a ter pesadelos com esse rato de rosto humano, que lhe fala, e não tardam os sonhos a mostrar-lhe Frankie revelando-se como uma bruxa velha, e um livro forrado a pele humana onde está descrito um ritual que inclui o sacrifício de um bebé.
O vórtice de loucura vai crescendo até ao encontro final entre Walter e a bruxa, terminando toda a cena no internamento de Walter. Primeiro, a psiquiatra está convicta que a negação do infanticídio despertara em Walter uma típica esquizofrenia paranóica, mas não demora a perceber que na estranha história do paciente há um fundo de verdade.

Aparentemente, a história de Lovecraft não é, por si só, nada de extraordinariamente original. Mas Gordon tem, na adaptação cinematográfica, o condão de a fazer parecer risível.
Dois exemplos: partindo do princípio de que um rato com rosto humano tem algo de realmente assustador, colocá-lo a subir para o peito do estudante, dizendo-lhe "Ela vai apanhar-te" trata de fazer o momento parecer mais adequado à comédia do que ao terror; mais ainda, a bruxa com cabelos brancos e verrugas na cara não tem propriamente nada de bom, limita-se a dar um aspecto algo infanto-juvenil ao filme, digno da série de televisão "Arrepios", baseada nos contos de R.L. Stine.
Ezra Godden consegue uma interpretação credível, já que o filme o mostra quase o tempo todo, mas a verdade é que o papel, por si só não é nada de especial.
A inclusão de um realizador como Stuart Gordon num grupo a que chamam "masters of horror" não me pareceria de todo despropositada. Mas a inclusão de um filme como "Dreams In The Witch House" sim.
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Masters of Horror: Incident On and Off a Mountain Road de Don Coscarelli (1x01)
EXPECT THE EXPECTED


O primeiro episódio da saga "Masters Of Horror", datado de 2005, é esta média-metragem do realizador da saga "Phantasm", que conta já com quatro capítulos desde 1979 a 1998, todos dirigidos por Don Coscarelli.

A sinopse de "Incident On and Off a Mountain Road" é simples: Helen (Bree Turner) está numa viagem de carro por uma estrada isolada na montanha, quando embate contra um carro parado. Quando sai da viatura para saber se a pessoa na outra está bem, verifica que o carro parado se encontrava vazio, e no banco do passageiro (O lugar do morto, ironicamente.). Segue o rasto de sangue sobre o alcatrão, até ao rail, e vê um vulto a subir a encosta na sua direcção. À medida que o vulto se aproxima, percebe-se que o vulto carrega, na realidade, o corpo ensanguentado de uma rapariga que pede ajuda. O restante filme mostra-nos a persgeguição deste homem desfigurado, que mais tarde veremos ser conhecido como Moonface (John DeSantis) a Helen, e a forma como esta vai tentando escapar-lhe. Entre cenas, vamos vendo algumas cenas da relação de Helen com o namorado, Bruce (Ethan Embry), em ex-militar que, após o casamento, concentra todos os esforços em ensinar a Helen tácticas de sobrevivência que, afinal, são o que presentemente a ajuda a escapar ao assassino. Além dos ensinamentos do marido, Helen conta ainda com a ajuda de um velho louco (Angus Scrimm) que se encontra encurralado na cave, a sala de tortura, de Moonface.
A verdade é que a película de Coscarelli não nos oferece nada de propriamente original. Devemos a este filme alguns planos realmente arrepiantes, nomeadamente o plano do jardim da casa de Moonface , onde estão semi-crucificados dezenas de corpos, quase todos com os olhos furados, acontecendo o mesmo com a cave da mesma casa, onde os corpos se encontram putrefactos e costurados às paredes. No entanto, esta cena facilmente nos faz pensar em "Jeepers Creepers", um dos mais louváveis filmes de terror dos anos 2000, realizado por Victor Salva. Mas ao passo que o filme de Salva se destacava pela ausência de cenas forçadamente gore, e por uma narrativa simples e sem perdas de tempo, mesmo sendo uma longa metragem, incluindo mesmo assim elementos de uma certa estranheza e de um estranho humor, neste de Coscarelli não estamos particularmente longe de uma assemblage de planos e sequências que se encontram perigosamente perto do lugar-comum.

Se há neste filme algo de realmente interessante, será provavelmente o paralelismo, que não dispensa a ironia, entre a perseguição feita a Helen e o seu casamento com Bruce, que acabaria da forma mais dramática, justificando o título do filme.
Se sobre a média de John Carpenter tinha dito que me parecia que haveria material mais que suficiente para uma longa, com a de Coscarelli acontece o oposto: parece-me que, valendo o filme pela qualidade de alguns planos, esses justificariam uma curta mas, no geral, não há em "Incident On and Off a Mountain Road" ideias suficientemente originais para justificar uma média-metragem, e muito menos é elemento que ajude a caracterizá-lo como mestre do horror.
É que não há neste filme nada de propriamente mau. Apenas não há nada de propriamente novo.
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Masters of Horror: Cigarette Burns de John Carpenter (1x08)
OS PODERES DO FILME



De John Carpenter não havíamos filme desde "Fantasmas de Marte", de 2001. Com o próximo filme já anunciado para estrear este ano, no interregno de nove anos entre ambos, além de dois dos seus filmes terem sido alvo de remakes duvidosos- "Halloween" e "The Fog"- Carpenter participou por duas vezes na série "Masters of Horror", ao lado de nomes como Dario Argento, Tobe Hooper, Takashi Miike ou Brad Anderson.

Na primeira época desta saga, John Carpenter que será provavelmente o mais absoluto mestre do horror, apresenta-nos este "Cigarette Burns".
Esta média-metragem coloca-nos ante uma situação próxima do filme-ensaio, ainda que à primeira vista isto nos possa escapar. A história é simples: Kirby Sweetman (Norman Reedus), programador de um cinema, é contratado por Mr. Bellinger (Udo Kier) para lhe encontrar um filme raro, trabalho que, aparentemente, Sweetman já havia feito antes. Mas o filme em questão é "o mais raro dos raros". Trata-se de "La Fin Absolute du Monde" de Hans Backovic: exibido uma única vez durante um pequeno festival, criou na assistência um motim sangrento de onde resultaram inúmeros mortos e feridos, levando a que a única cópia do filme fosse apreendida e eventualmente destruida. Se esta última parte era discutível, acabou por gerar uma espécie de mito urbano, segundo o qual o filme subsistira e por várias vezes haveria sido exibido em sessões clandestinas. No entanto, Bellinger tem uma fonte um tanto mais credível de que o filme existe ainda: ele tem, em casa, um elemento utilizado na rodagem. Trata-se de uma espécie de albino liliputiano, que ostenta nas costas sinais de lhe terem sido arrancado um par de asas, que Bellinger tem exposto no seu escritório. Segundo este ser, se o filme tivesse sido destruido, aqueles que, como ele, tivessem tomado parte dele, senti-lo-iam. Pressionado pelo facto de ter que pagar 200 mil dólares ao pai da falecida namorada que lhe cedera o cinema, Kirby acaba por aceitar o trabalho.

Ao longo dos cinquenta e oito minutos de "Cigarette Burns" o grande desafio, quer para Kirby, quer para o espectador, é entender que poder é esse que "La Fin Absolute du Monde" tinha, para criar à sua volta tamanha ambiência de loucura e de carnificina. É assim que Kirby encontra um crítico de cinema que desistira do seu trabalho para se dedicar a escrever uma verdadeira crítica ao filme de Backovic: crítica essa que se divide em resmas e resmas de páginas dactilografadas, e que ocupa toda a casa do crítico, que ainda nem a terminada.
Kirby acaba por se deslocar a Paris, onde o filme teria sido rodado, na tentativa de encontrar alguém que estivesse incluido na produção do filme, apesar de quase todos estarem mortos. É quando começa a ter alucinações. Vê frequentemente essa marca na película, conhecida como cigarette burn, que marca, em cerca de 0,17 segundos a transição de bobine. A partir dessa marca, tem flashbacks do momento em que encontrara a namorada na banheira, após o seu suicídio por auto-mutilação.
À medida que se aproxima do filme, estas alucinações vão-se tornando mais e mais intensas. Dos seus encontros com aqueles que o poderão levar ao filme, ele percebe que "La Fin Absolute du Monde", mais do que um filme de extremo gore, teria que ter algo de real para despertar nas pessoas tamanha violência, como deduz ao cruzar-se com um realizador enlouquecido que nem chegara a ver o filme de Backovic, mas que dele recebera vários elementos, e que assassina uma mulher à sua frente, em poucos segundos, enquanto filma, explicando-lhe como a grande descoberta de Backovic havia sido justamente que a ficção não perturbaria ninguém, e que aquele apelo ao que de mais negro existia na alma do espectador só se conseguia através do Mal em estado puro, e real: como sacrificar um anjo, arrancando-lhe as asas. Fica assim explicada a criatura que Bellinger mantinha na sua casa.
Quando, no final do filme, vislumbramos algumas cenas de "La Fin Absolute du Monde", percebemos que se trata de uma série de planos entrecortados em que a violência é efectivamente incomodativa, grosseira, penosa e arrepiantemente real, o que conduz "Cigarette Burns" ao seu final abrupto e desesperante. Os últimos segundos do filme tornam esse final um final aberto, dúbio, como tantas vezes acontece com os filmes de Carpenter.

"Cigarette Burns", apesar de ser uma média-metragem, é perfeitamente capaz de se inserir entre os melhores filmes de Carpenter.
A ideia da relação arte-vida, sendo que a loucura de uma verte para a outra, não é inédita no percurso deste cineasta. Já em "A Bíblia de Satanás", de 1995, assistíamos à loucura de um livro tornar-se a realidade do seu escritor. Em "Cigarette Burns", no entanto, o objecto, neste caso um filme, é uma espécie de paciente zero de uma epidemia de loucura violenta e aluncinada. Como ouvimos de um dos personagens do filme, "o espectador desafia o realizador a perturbá-lo". Então, o que acontece se realmente o realizador decide mesmo perturbar o espectador? O motim em que resultou a primeira exibição do filme é uma resposta interessante. Além disso, há ainda a questão do aborrecimento da ficção, dos truques levados ao extremo, do cinema ter deixado de ser "a grande ilusão", para se tornar "uma mera ilusão", em que as pessoas fazem o favor de acreditar. Carpenter coloca então a hipótese de o cinema nem sequer ser ilusão, mas registo de algo real.
E neste campo, não pensei propriamente em mais filmes de Carpenter, mas justamente num outro mito urbano (Talvez...), o do snuff-movie. O mito e o termo já fizeram parte de muitas especulações não necessariamente recentes, como a de Charles Manson: alguns teóricos afirmam a pés juntos que a família de Manson era especialista em snuff-movies. O snuff-movie consiste em, sem qualquer tipo de ficção, assassinar alguém em frente a uma câmara, para depois espalhar o resultado pela internet. Além de Charles Manson, outro famoso assassino, Son of Sam, foi também alvo do rumor de produzir snuff-movies. Apesar de já terem circulado vários filmes pela internet que aparentavam ser snuffs, até hoje, um por um foram provados falsos, sendo que os únicos verdadeiros incluem apenas animais.
Propositadamente ou não, Carpenter traz também este assunto em "Cigarette Burns", pois afinal, o filme que retrata uma violência não-forjada teve um impacto tremedo, muito difícil de igualar por qualquer bom filme.
O que pode o cinema ainda fazer? O que esperam as pessoas ainda ver? Que influência pode a vida ter na arte, e a arte na vida? Todas estas questões parecem passar-nos pela cabeça ao longo de quase uma hora em que somos sugados para dentro deste universo doentio e exasperante.
Como se toda esta pungência não fosse suficiente, "Cigarette Burns" é ainda um filme de planos fantásticos, com a atenção aos espaços a que Carpenter, o mais arquitectónico dos realizadores, nos habituou, e uma música brutal, composta por Cody Carpenter, capaz de aumentar em nós o calafrio que as imagens já têm toda a probabilidade de criar.
O único defeito que realmente me sinto capaz de apontar a "Ciagrette Burns" é mesmo o facto de ser uma média-metragem, porque a verdade é que não é difícil sentirmos que há aqui material para uma longa.
Se ainda precisávamos de provas de que, desde o longínquo "Dark Star" de 1974, John Carpenter cresceu para ser realmente o mestre do cinema de terror, "Cigarette Burns" pode muito bem ser a prova dos nove.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Jonatha Brooke: What You Don´t Know ("Dollhouse" Main Song)
A canção de abertura dos episódios das suas séries, aqui com cenas da mesma.
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