domingo, 16 de março de 2008

FamaShow

Portugal é um daqueles países que não dá realce á cultura, mas adora ter supostas vedetas. Na realidade, aqueles que de facto merecem reconhecimento, como são os nossos grandes poetas, os nossos excelentes artistas, os nossos brutais escritores, os nossos óptimos músicos; não saem muito de um quase anonimato que é uma condenação prévia da decisão de serem pessoas ligadas á cultura. No entanto, existem aquelas vergonhosas coisas a que se dá o nome de colunas sociais. E as colunas sociais são fenomenais, porque nada é exigido a quem é falado. As palavras chave são "estar", "aparecer". E são essas as pessoas a quem se dá realce em Portugal. Cinha Jardim, Lili Caneças, Paula Bobone, Vicky Fernandes, Florbela Queiroz, Elsa Raposo... enfim, pessoas que não têm contributos para a cultura, que não têm dinheiro, mas que "aparecem" constantemente na casa uns dos outros, e que "estão" invariavelmente nas mais variadas feiras de vaidades.
"FamaShow", programa da Sic no qual tropecei acidentalmente, é um programa sobre este tipo de pessoas. Aliás, a Sic, no que toca a realçar nulidades não tem concorrência. Desde o "Extase" á "Tertulia Cor de Rosa"... Mas realmente não percebo qual é o interesse de passar um quarto de hora a ouvir o Herman José falar dos cintos que coleciona, enquanto os mostra; ou ouvir falar Tony Carreira da sua biografia...?
Quanto á "Tertúlia Cor-de-Rosa", não resisto em falar do assunto. Costuma estar a passar no restaurante onde almoço com os meus amigos, e só continuo a perguntar-me que prazer masoquista é este que tenho, porque acabo sempre por olhar. Juntam a Maya, o Nuno Eiró, o Cláudio Ramos, a Ana Maria Lucas, a Florbela Queiroz e o Daniel Nascimento á volta da Fátima Lopes (Que não percebo porque se sujeita a espéctaculos deste calibre.) a discutir se o José Castelo Branco tem ou na razão quando diz na capa da Lux (?) que aos 45 anos já atingiu a perfeição (Como se fosse sequer possível duvidar de que não.), a discutir o vestido da Lili Caneças, o rompimento entre o Cristiano Ronaldo e a Merche... enfim, a não falar de nada.
Tudo isto existe, e tudo isto é triste, já diria Amália, mas aqui o sentido é mesmo muito pejorativo. Portugal atrasou-se culturalmente durante a ditadura, e agora, em vez de se preocupar em recuperar o tempo e a sabedoria perdidos, está preocupado em saber quem acabou com quem se foi Merche ou Cristiano. Se eu fosse milionário, eu comprava a Sic e a TVI e fecháva-as... É que eu acho que há limites no que toca a entertenimento. A Sic acha que o "FamaShow" e a Tertulia Cor-de-Rosa são formas de entertenimento, mas são formas de estupidificação de massas, e isso devia ser crime...

2 comentários:

Juan disse...

Acho increível quanto de iguais dois paises -aparentemente tão diferentes como a Argentina e Portugal- podem ser. A estupidificação é aqui a regra na Tv. A longa história de dictaduras deixou-nos o mesmo produto. Gente que fala de nada a todas horas na TV, no entanto que os melhores artistas permanecem desconhecidos. Triste é ter estas coisas em comúm.

Supermassive Black-Hole disse...

Portugal mete mesmo nojo. Andamos a lamber as botas a palermas e não sabemos de nada que não se fale na terutlia cor-de-rosa.
matem essa gente.