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quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Nine Inch Nails: Came Back Haunted
Letra de Trent Reznor
Do álbum 'Hesitation Marks' (2013)
Vídeo de David Lynch
(...)
Now I've got something you have to see
They put something inside of me
The smile is red and its eyes are black
I don't think I'll be coming back
I don't believe it, I had to see it,
I came back, I came back haunted
(...)
sobre
David Lynch,
Musica,
Nine Inch Nails,
Videoclips
domingo, 27 de junho de 2010
Let´s Rock
a famosa cena da sala vermelha, do terceiro episódio de "Twin Peaks", realizado por David Lynch.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Twin Peas: Firewalk With Me de David Lynch
PORQUE A POESIA É MAL AMADA
“Twin Peaks: Firewalk With Me” terá sido dos filmes mais mal recebidos de David Lynch. Aquando da sua estreia, em 1992, foi um fiasco em termos críticos e de audências, se bem que esta última parte não surpreenda, porque os filmes de Lynch nunca foram para o grande público.
Parte do problema, parece-me, terá a ver com o facto de o filme ter surgido demasiado em cima da série. A própria série, depois da descoberta do assassino de Laura Palmer, entrou numa espécie de declínio em termos de opinião dos fãs. Mas o filme foi, de longe, bem mais injustiçado.
É evidente que seria quase impossível produzir um filme que é, para todos os efeitos, uma prequela, para uma peça tão fora de série como a série. E é precisamente no confronto com a série que o filme pode, numa primeira observação, parecer cheio de falhas e resultar mal. Relembremos que o filme é escrito por Lynch e Robert Engels que, mesmo tendo sido argumentista de vários episódios da série, não foi dela um dos criadores: o não-envolvimento de Mark Frost no filme talvez tenha tido também o seu peso.
Ao contrapor a série com o filme vemos de imediato bastantes incongruências: repare-se que no filme, Donna Hayworth assiste a Laura a prostituir-se, chegando a quase fazê-lo ela mesmo, sob o efeito de drogas: ao passo que, na série, esse lado da vida de Laura era totalmente desconhecido de Donna.
A cena do jantar em que Leland Palmer quase agride a filha também não está de acordo com a série pois, como vemos, Sarah Palmer nunca aponta nenhum comportamento estranho de Leland para a filha quando é interrogada pela polícia.
Outro exemplo é o facto de, no segundo dos seus últimos sete dias, Laura Palmer ir deixar o seu diário secreto a casa de Harold Smith. Não a vemos regressar a casa dele (Ela diz, inclusivamente, que poderá não voltar a visitá-lo.), e, na série, Harold deixa, antes de se suicidar, um envelope para Donna onde estão as últimas duas páginas escritas por Laura nesse diário secreto: na véspera da sua morte e no dia da sua morte.
Mais ainda, quando Leland Palmer leva Laura e Ronette Pulaski para o comboio abandonado, Ronette consegue sair antes de Laura morrer e na série, vemo-la ter flashbacks de Laura a ser assassinada.
Parte do problema, parece-me, terá a ver com o facto de o filme ter surgido demasiado em cima da série. A própria série, depois da descoberta do assassino de Laura Palmer, entrou numa espécie de declínio em termos de opinião dos fãs. Mas o filme foi, de longe, bem mais injustiçado.
É evidente que seria quase impossível produzir um filme que é, para todos os efeitos, uma prequela, para uma peça tão fora de série como a série. E é precisamente no confronto com a série que o filme pode, numa primeira observação, parecer cheio de falhas e resultar mal. Relembremos que o filme é escrito por Lynch e Robert Engels que, mesmo tendo sido argumentista de vários episódios da série, não foi dela um dos criadores: o não-envolvimento de Mark Frost no filme talvez tenha tido também o seu peso.
Ao contrapor a série com o filme vemos de imediato bastantes incongruências: repare-se que no filme, Donna Hayworth assiste a Laura a prostituir-se, chegando a quase fazê-lo ela mesmo, sob o efeito de drogas: ao passo que, na série, esse lado da vida de Laura era totalmente desconhecido de Donna.
A cena do jantar em que Leland Palmer quase agride a filha também não está de acordo com a série pois, como vemos, Sarah Palmer nunca aponta nenhum comportamento estranho de Leland para a filha quando é interrogada pela polícia.
Outro exemplo é o facto de, no segundo dos seus últimos sete dias, Laura Palmer ir deixar o seu diário secreto a casa de Harold Smith. Não a vemos regressar a casa dele (Ela diz, inclusivamente, que poderá não voltar a visitá-lo.), e, na série, Harold deixa, antes de se suicidar, um envelope para Donna onde estão as últimas duas páginas escritas por Laura nesse diário secreto: na véspera da sua morte e no dia da sua morte.
Mais ainda, quando Leland Palmer leva Laura e Ronette Pulaski para o comboio abandonado, Ronette consegue sair antes de Laura morrer e na série, vemo-la ter flashbacks de Laura a ser assassinada.
Repare-se que todas estas falhas são apontadas quando confrontadas com a série.
E por um lado, não pode ser de outra maneira: o flme começa com o caso de Teresa Banks, assassinada em Deer Meadow nas mesmas circunstâncias que Laura. A investigação leva ao desaparecimento de Chet Desmond, agende do FBI, que é substituido por Dale Cooper. É público que David Lynch pretendia uma presença mais contínua de Kyle McLachlan no filme, mas este terá recusado, por estar já altamente associado ao personagem de Cooper e, diga-se de passagem, foi o papel da vida dele.
Um ano depois, um detective interpretado por David Bowie aparece no escritório onde trabalham Cooper e Gordon, o cómico e mouco David Lynch, dizendo que esteve “numa das reuniões deles”: “eles” são as figuras do Mal, ou a ele associados, que se reunem numa mesa de fórmica: o liliputiano que se apresentará como “o braço”, deduzimos que o braço amputado de Mike, o braço que matava, Bob e os Chalfut, avó e neto, neto este que estuda magia e usa uma máscara sem orifícios, apenas com um nariz afiado.
A questão de “Twin Peaks: Firewalk With Me” é que talvez não deva ser levado tão à letra numa comparação com a série, ainda que se sirva de todo o imaginário, fortíssimo, criado pela série. Para tal talvez não seja gratuito referir que o filme começa com uma televisão a ser destruída por uma bala. Penso que qualquer interpretação disto dispensa ser escrita, de tão óbvia.
Porque, verdade se diga, se se esquecer estas incongruências com a série, como podemos dizer que este é um mau filme?
Pelo contrário, é um dos melhores e mais bizarros filmes de Lynch, ainda que siga uma estrutura de narrativa linear, cheio de imagens absolutamente poéticas e momentos de uma pungente tristeza a que é impossível ser-se indiferente.
É uma faca de dois gumes este filme: ele tem uma relação inevitável com a série, e isso torna graves as já referidas incongruências, mas, por outro lado, como peça isolada, só pode ser um grande filme.
Encontramos Laura Palmer como a rapariga do coração divdido: ela é a estudante do liceu, raínha do baile que namora com o capitão da equipa de futebol, tem um amante. Por outro lado, é também uma prostituta ocasional, chuta cocaína constantemente, é uma verdadeira viciada, mantém relações com inúmeros homens, e é violada desde os 12 anos por um homem, Bob, um espírito cuja identidade ela não consegue deslindar.
Mas em “Firewalk With Me”, mesmo a questão da possessão de Bob a Leland Palmer quase passa para segundo plano: vemos, angustiadamente, a obcessão de Leland pela filha, a relação incestuosa que existe entre eles.
Há um profundo lirismo neste filme. Mais do que nunca, somos incapazes de sentir que Laura é cruel ou uma perdida. Como poderíamos pensar isso quando a vemos chorar enquanto ouve Julee Cruise no Roadhouse, antes de um cliente vir ter com ela?
É um filme cheio de momentos de um onirismo comovente, profundamente estéticos, como o quadro que os Chalfut oferecem a Laura, e as alucinações que ela tem com ele; ou como o sonho onde Cooper, ao lado do “braço” pede a Laura que não aceite o anel de Teresa, pois que este significará a sua morte.
É aqui, mais do que na sére, que vemos Laura a afundar-se na loucura em que a sua vida se tornou: uma vida errática e destrutiva, de que ela está consciente. E David Lynch filma essa destruição de uma forma tão crua, tão realista, que nos sentimos a cair com Laura Palmer, e lamentamos profundamente o seu final amargo.
Sentimos essa tristeza, como sentimos a confusão de Laura Elena Harring em “Mulholland Drive” ou o desespero de Laura Dern em “INLAND EMPIRE”.
E por um lado, não pode ser de outra maneira: o flme começa com o caso de Teresa Banks, assassinada em Deer Meadow nas mesmas circunstâncias que Laura. A investigação leva ao desaparecimento de Chet Desmond, agende do FBI, que é substituido por Dale Cooper. É público que David Lynch pretendia uma presença mais contínua de Kyle McLachlan no filme, mas este terá recusado, por estar já altamente associado ao personagem de Cooper e, diga-se de passagem, foi o papel da vida dele.
Um ano depois, um detective interpretado por David Bowie aparece no escritório onde trabalham Cooper e Gordon, o cómico e mouco David Lynch, dizendo que esteve “numa das reuniões deles”: “eles” são as figuras do Mal, ou a ele associados, que se reunem numa mesa de fórmica: o liliputiano que se apresentará como “o braço”, deduzimos que o braço amputado de Mike, o braço que matava, Bob e os Chalfut, avó e neto, neto este que estuda magia e usa uma máscara sem orifícios, apenas com um nariz afiado.
A questão de “Twin Peaks: Firewalk With Me” é que talvez não deva ser levado tão à letra numa comparação com a série, ainda que se sirva de todo o imaginário, fortíssimo, criado pela série. Para tal talvez não seja gratuito referir que o filme começa com uma televisão a ser destruída por uma bala. Penso que qualquer interpretação disto dispensa ser escrita, de tão óbvia.
Porque, verdade se diga, se se esquecer estas incongruências com a série, como podemos dizer que este é um mau filme?
Pelo contrário, é um dos melhores e mais bizarros filmes de Lynch, ainda que siga uma estrutura de narrativa linear, cheio de imagens absolutamente poéticas e momentos de uma pungente tristeza a que é impossível ser-se indiferente.
É uma faca de dois gumes este filme: ele tem uma relação inevitável com a série, e isso torna graves as já referidas incongruências, mas, por outro lado, como peça isolada, só pode ser um grande filme.
Encontramos Laura Palmer como a rapariga do coração divdido: ela é a estudante do liceu, raínha do baile que namora com o capitão da equipa de futebol, tem um amante. Por outro lado, é também uma prostituta ocasional, chuta cocaína constantemente, é uma verdadeira viciada, mantém relações com inúmeros homens, e é violada desde os 12 anos por um homem, Bob, um espírito cuja identidade ela não consegue deslindar.
Mas em “Firewalk With Me”, mesmo a questão da possessão de Bob a Leland Palmer quase passa para segundo plano: vemos, angustiadamente, a obcessão de Leland pela filha, a relação incestuosa que existe entre eles.
Há um profundo lirismo neste filme. Mais do que nunca, somos incapazes de sentir que Laura é cruel ou uma perdida. Como poderíamos pensar isso quando a vemos chorar enquanto ouve Julee Cruise no Roadhouse, antes de um cliente vir ter com ela?
É um filme cheio de momentos de um onirismo comovente, profundamente estéticos, como o quadro que os Chalfut oferecem a Laura, e as alucinações que ela tem com ele; ou como o sonho onde Cooper, ao lado do “braço” pede a Laura que não aceite o anel de Teresa, pois que este significará a sua morte.
É aqui, mais do que na sére, que vemos Laura a afundar-se na loucura em que a sua vida se tornou: uma vida errática e destrutiva, de que ela está consciente. E David Lynch filma essa destruição de uma forma tão crua, tão realista, que nos sentimos a cair com Laura Palmer, e lamentamos profundamente o seu final amargo.
Sentimos essa tristeza, como sentimos a confusão de Laura Elena Harring em “Mulholland Drive” ou o desespero de Laura Dern em “INLAND EMPIRE”.
E, mais do que isso, vemos como a destruição de Laura arrasta consigo a destruição de tantos que estavam à sua volta.
Mais do que nunca, a imagem que temos de Laura é de força. Não propriamente a mulher forte que consegue todos os homens que quer e tem prazer nisso. Mas a que se recusa terminantemente a entregar-se ao mal. É aí que ela coloca o anel de Teresa e Bob é obrigado a matá-la. E mesmo aí, é desesperante quando, entre Bob nos surge Leland, que lhe diz que sempre pensou que ela soubesse que era ele que a violava: a questão do incesto é aqui levada a um extremo penoso: Leland, pai, fica triste por ver que a filha não percebia que era ele quem a violava.
Quando por fim ouvimos os gritos finais de Laura e a vemos a ser embrulhada em plástico, temos a maior sensação de estranheza que este filme dá: é que, quando começa, nós já sabemos como irá terminar, com Laura a ser encontrada morta na praia, mas na cena em que está com Bob no comboio abandonado, ficamos de certa forma surpreendidos por ela ser assassinada, como se não estivéssemos à espera que tal acontecesse.
Por fim, há que referir que “Twin Peaks: Firewalk With Me” não é sempre uma má prequela. Temos cenas que de explicam com toda a perfeição a vida de Laura, a vida que é, lentamente, descoberta por Dale Cooper e Harry Truman ao longo da série. Particularmente pungente é a cena em que Donna pergunta a Laura se ela acha que, numa queda eterna caíria sempre cada vez mais depressa ou se eventualmente abrandaria. Laura responde, num tom sereno mas que resulta angustiante:
“Faster and faster. And there would be no angels to hold you, cause they´re all gone. And for a long time, you wouldn´t feel anything. But then you would burst into flames.”
Com isto percebemos aquilo que, a meio da série, o psiquiatra, Lawrence Jacoby aponta: que Laura já decidira morrer. E estava consciente disso.
É por momentos destes que “Twin Peaks: Firewalk With Me” não poderia ser um mau filme, apenas incongruente. Mas não está cheio disso o cinema de David Lynch?
Mais do que nunca, a imagem que temos de Laura é de força. Não propriamente a mulher forte que consegue todos os homens que quer e tem prazer nisso. Mas a que se recusa terminantemente a entregar-se ao mal. É aí que ela coloca o anel de Teresa e Bob é obrigado a matá-la. E mesmo aí, é desesperante quando, entre Bob nos surge Leland, que lhe diz que sempre pensou que ela soubesse que era ele que a violava: a questão do incesto é aqui levada a um extremo penoso: Leland, pai, fica triste por ver que a filha não percebia que era ele quem a violava.
Quando por fim ouvimos os gritos finais de Laura e a vemos a ser embrulhada em plástico, temos a maior sensação de estranheza que este filme dá: é que, quando começa, nós já sabemos como irá terminar, com Laura a ser encontrada morta na praia, mas na cena em que está com Bob no comboio abandonado, ficamos de certa forma surpreendidos por ela ser assassinada, como se não estivéssemos à espera que tal acontecesse.
Por fim, há que referir que “Twin Peaks: Firewalk With Me” não é sempre uma má prequela. Temos cenas que de explicam com toda a perfeição a vida de Laura, a vida que é, lentamente, descoberta por Dale Cooper e Harry Truman ao longo da série. Particularmente pungente é a cena em que Donna pergunta a Laura se ela acha que, numa queda eterna caíria sempre cada vez mais depressa ou se eventualmente abrandaria. Laura responde, num tom sereno mas que resulta angustiante:
“Faster and faster. And there would be no angels to hold you, cause they´re all gone. And for a long time, you wouldn´t feel anything. But then you would burst into flames.”
Com isto percebemos aquilo que, a meio da série, o psiquiatra, Lawrence Jacoby aponta: que Laura já decidira morrer. E estava consciente disso.
É por momentos destes que “Twin Peaks: Firewalk With Me” não poderia ser um mau filme, apenas incongruente. Mas não está cheio disso o cinema de David Lynch?
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