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terça-feira, 23 de julho de 2013

[Tu tiens l’atlas ouvert sur tes genoux]


Tu tiens l’atlas ouvert sur tes genoux. 
On n’y voit pas ton voyage marqué. 
Or tu voudrais décorer d’un or doux 
Le nom des ports où tu t’es embarqué 

 Et dessiner les plus beaux épisodes 
Comme on faisait sur les cartes anciennes, 
Ta halte ici près de l’enfant qui brode, 
Là des dangers en terre non chrétienne. 

 Va, tu peux bien tracer au crayon bleu 
Ton aventure autour de l’univers; 
Mais ton sillage autrefois écumeux 
N’est pas resté dessiné sur la mer.

Marcel Thiry
L'enfant Prodigue
1927,ed. Thone
desenho de Paula Rego

sábado, 2 de março de 2013

A Terceira Miséria


32.
                                      Estão as praças,
Como ágoras de outrora, estonteadas
Pela concentração dos organismos,
Pelo uso da palavra, a fervilhante
Palavra própria da democracia,
Essa que dá a volta e ilumina
O que, por um instante, a empunhou.
Oh, os amigos, os abandonados,
Esses, os desatinados ao extermínio,
Esses os belos despojados, nus,
Os que, mesmo nascendo no Inverno,
Pouco sabem do frio, gente que dorme
Na sombra do meio-dia, ouvindo o canto
Das cigarras, o canto sobre o qual
Hesíodo escreveu. Gente do Sul
Gente que um dia se desnorteou.


33.
De que armas disporemos, senão destas
Que estão dentro do corpo: o pensamento,
A ideia de polis, resgatada
De um grande abuso, uma noção de casa
E de hospitalidade e de barulho
Atrás do qual vem o poema, atrás
Do qual virá a colecção dos feitos
E defeitos humanos, um início.

Hélia Correia
A Terceira Miséria
2012, ed. Relógio d'Água
pintura de Paula Rego