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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pela Mão de Alguém



Olham pela vigia. Parados nas nuvens.
Atados a uma cadeira presa ao chão.
O tempo sobe com o aroma do café,
rodopia na colher que os vai adoçando.
Turbulência, cintos apertados.
Dez horas a passarem nas vozes em surdina.
Se eu soubesse, se pudesse saber tudo o que levam
nas malas. Mas também eu vou no porão.
Hei-de rolar no tapete até que peguem em mim.
Como um livro de bolso vou espreitar a cidade
pela mão de alguém. Tenho um segredo,
digo, uma combinação. Tenho os órgãos
espalhados pela cama de um quarto de hotel.
Mãos viajantes fecham-me os pulmões.
A cidade retalhada pelo clique da máquina
será deles por uns dias. Resta-me a tumba
do armário até à próxima reencarnação.

Rosa Alice Branco
O Mundo Não Acaba no Frio dos Teus Ossos
2009, ed. Quasi
desenho de Adam Dant

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

[Na cidade todas as casas são de pedra.]




Na cidade todas as casas são de pedra.
A geometria é mais que geometria. É vida. É polígonos de sombra à luz estática da lua, à luz invariável da lua a angular-se nas pedras. O movimento é a única realidade essencial.
Em cada esquina há um princípio e um fim. Mas todos passam e ninguém pára a meditar. Ninguém compreende o simbolismo tranquilo das esquinas, beleza fatalista das esquinas.
Na cidade todas as casas são de pedra.

Fiama Hasse Pais Brandão
Em Cada Pedra Um Voo Imóvel
1958, ed. autora
desenho de Adam Dant