sábado, 1 de julho de 2006

Lou Rhodes no Cinema da Batalha

A CANTORA MAIS QUE PERFEITA

Quando, num tema inédito, Lou Rhodes canta “the more I live the less I know of this world” está a generalizar demasiado. Ela pode saber cada vez menos de outras coisas, mas no que toca á música, quanto mais ela vive, mais sabe sobre isso. O concerto de Quinta Feira, no Cinema da Batalha do Porto é a prova dos nove disso.
Ela, que começou com os Lamb há uns longínquos 10 anos (Um álbum homónimo, muito electrónico, de arranjos maximalistas, um tipo de música inédito…) está agora de regresso, em nome próprio, e isto pode trazer complicações.
Lou Rhodes poderia ter muitos problemas ao surgir a solo com um disco como “Beloved One”. Um disco acústico, minimalista, intimista e (muitíssimo) perfeccionista. Ora, com excepção da última qualidade, isto é completamente dissidente dos Lamb. Na sua estreia sem Andy Barlow, Lou abandona os teclados, a electrónica, as coisinhas pequenas, os extensos solos instrumentais… e envereda por um estilo próprio. Na medida em que o que a cantora pretendia era um disco onde não houvesse nada que não precisasse de lá estar, foi muitíssimo bem sucedida. Aliás, sinceramente, penso que foi a decisão correcta. Criando um novo conceito musical, Lou Rhodes impede que a sua música seja vista como Lamb sem Andy Barlow, e sim como simplesmente Lou Rhodes (por acaso tem um nome bonito).
Há alguma coisa de Lamb nestas canções, talvez seja só a voz, talvez outras coisas mais tenham subsistido, mas a essência, o sumo, é completamente inédito. E este concerto, a par com o da Aula Magna do dia anterior vem precisamente confirmar o nascimento de um novo tipo de música.
Surgindo em palco acompanhada com cinco músicos (guitarra acústica, bateria, background vocals, violino e um contrabaixo, tocado por Jon Thorne, trazido dos velhos tempos dos Lamb) Lou começa com um “No Re-Run” ainda a medir o lugar onde está (“It´s a quite beautiful place you´ve got here” começou por dizer) e avança sem medo para “Treat Her Gently”. Acompanhando-se a si mesma na guitarra, vai invadindo a sala com a sua aura angelical, na intimidade revelada de “Fortress” ou na energia de “In´Lakesh”.
Um dos momentos mais Deus-Todo-Poderoso do concerto surge agora, como “Each Moment New”, a voz a elevar-se aos céus, a bateria agressiva, o contrabaixo imparável, e um público a cantar em uníssono. Segue-se “Beloved One”, e um inédito “All We Are”. As irradiações do paraíso continuam em “Save Me”, no luxurioso “Tremble”, em “To Survive” finalmente no desespero de “Why”.
A primeira retirada da banda do palco é seguida de aplausos, assobios e pés a bater no chão, e do inevitável regresso.
Depois da promessa de um segundo disco, feita com “Bloom”, outro inédito, chega um momento indescritível. Com uma guitarra a fazer as vezes do piano, Lou apresenta uma versão totalmente transmutada (Muito mais melancólica, sem nunca perder a energia) de “Gabriel”, afinal o maior hit dos Lamb (Do álbum “What Sound”). Não havia uma única pessoa sentada, todos de pé, e a bater palmas, marcando o ritmo. Até a cantora parecia emocionada, quando terminou.
Saem de novo, para voltarem apenas três (Lou, Jon Thorne e o violinista) para um versão de “Lullaby”, também dos Lamb (Mas do álbum “Fear Of Fours”).

Penso que de facto a ex-vocalista dos Lamb fez o melhor ao iniciar uma nova sonoridade. Não só nos mostra o grande que é, como mostra que na música alternativa também há espaço para o acústico (Antony and the Johnsons e Sophie Barker já o tinham mostrado também). E grande não quer dizer só que é alta. Quer dizer que canta bem, que sabe dar um concerto, que é uma grande compositora, que é simpática e comunicativa, que é humilde e que é perspicaz.
Agora faltam mais concertos. E mais discos.




2 comentários:

TransFattyAcid disse...

gostei da critica ao concerto, cncordo em tudo com o q escreveste, o concerto da aula magna foi igualmente bom como n podia deixar d ser, excedeu expectativas, afinal Lou Rhodes e sempre Lou Rhodes, e ca esperamos por um novo album^^

Supermassive Black-Hole disse...

Lou Rhodes, realmente, é sempre Lou Rhodes, e estaremos sempre com o nosso angel gabriel...