«(...) No Mundo, passo por todos, vendo alguns; na vida esqueço-me de quase todos, esquecendo-me de mim. Quase tudo me é indiferente.»
Há nesta carta o característico tom provocador de Florbela. Dirige-se a uma presa, tem que paralisá-la pelo espanto, pela admiração e até pelo desgosto que lhe causar. Mas não deixa de ser certo o que diz.
de 'Florbela Espanca' (1978)
Mostrar mensagens com a etiqueta Citações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Citações. Mostrar todas as mensagens
sábado, 17 de novembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
sobre tradições
Les traditions sont bien pratiques, elles masquent le manque d'imagination.
Jacqueline Harpman
sobre
bélgica,
Citações,
jacqueline harpman,
Livros
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Porque se Escreve (fragmento)
Escrever é defender a solidão em que se está; é uma acção que brota somente de um isolamento afectivo, mas de um isolamento comunicável em que, exactamente, pela distância de todas as coisas concretas, se torna possível um descobrimento de relações entre elas.
Mas é uma solidão que necessita de ser defendida, que é o mesmo que necessitar de justificação. O escritor defende a sua solidão, mostranso o que nela e unicamente nela, encontra.
María Zambrano
trad. José Bento
A Metáfora do Coração e outros escritos
1993, ed. Assírio e Alvim
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
As incertezas sobre os amores de Chrsitina Rossetti
Pode-se acrescentar que a Christina era extremamente reticente em todas as questões em que os seus afectos estivessem profundamente envolvidos. Destes dois casos [Os dois casamentos que Christina recusou, com James Collinson e Charles Bagot Cayley] eu sabia bastantes coisas directamente, e podia indirectamente perceber muitas outras; mas teria sido tão indelicado quanto fútil pressioná-la com perguntas; e de muitos detalhes do segundo caso -apesar de serem importantes para o perceber- eu nunca fui conhecedor.
William Michael Rossetti
na 'Memória' que abre 'The Poetical Works of Christina Rossetti'
MacMillan, 1904
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Outra vez sobre Christina Rossetti
Rossetti escreve, então, a um tempo, de acordo e contra a tradição de versos sentimentais ‘femininos’. Partilhando dos temas do amor e da perda das suas predecessoras, ela lida com eles com um sentido de ironia e de objectividade. As líricas de Rossetti falam tanto de uma reservada emotividade face à perda, como falam do sofrimento. Nas suas mãos, a palavra ‘eu’ começa a parecer menos um espelho do que uma máscara.
KATHERINE McGOWRAN
excerto da introdução de "Selected Poems of Christina Rossetti"
2001, ed. Wordsworth Poetry Library
tradução de João Borges
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Concordo
De Agustina Bessa-Luís a Maria Gabriela Llansol a ficção moderna portuguesa desprendeu-se da poética – entre nós de frágil tradição – do realismo, sob todas as suas formas, e entregou-se ao mesmo tipo de pulsão que inunda a nossa poesia.
Eduardo Lourenço
domingo, 31 de julho de 2011
Um texto
Grande parte dos poetas escrevem, a certa altura, a sua "arte poética", que é a sua explicação de como escrevem, de como fazem a sua poesia. Os prosadores também o fazem, senão nos próprios livros, muitas vezes em entrevista.
Maria Gabriela Llansol está certamente entre o poeta e o prosador, pendendo umas vezes mais para um lado, outras vezes mais para o outro. Nos seus textos, frequentemente ela conversa com o livro e com a própria escrita. O acto de escrever é também assunto de muitas das suas páginas, um acto que está em constante mutação, a reformular continuamente as suas próprias regras, fugindo delas, e fazendo desse desvio uma nova regra.
Em 1991, Llansol publica "Um Beijo Dado Mais Tarde" (ed. Rolim), onde se pressente mais ainda uma dimensão pessoal, que se não é auto-retrato, é pelo menos auto-representação. Nele, uma rapariga ensina a sua criada a ler, como Santa Ana ensina Maria/Myriam. Quase no final do livro, encontramos o seguinte texto, que será uma das mais belas, mais complexas e mais completas explicações de como nasce e se transforma o texto de Maria Gabriela Llansol:
Cada vez está mais vento, com mutações de Sol excessivas para os meus olhos que agora, com o ar, o sol e a cor, se fatigam. Eu explico. Trabalho muito com eles, fixando intensamente um ponto-paisagem antes de começar a escrever; depois, o decurso do texto depende do que essa concentração, num lugar vazio, permite. O olhar atento vai voltando a si mesmo e, então, o queeu consigo ouvir são as ondulações vibratórias entre esses dois pontos. Os meus olhos recebem, num ponto-voraz, as linhas que sustentam o espaço, feixes incidentes paralelos, raios que se afastam progressivamente, termos geométricos.
Lá onde estás, deve ser assim.
Nunca olhes o bordos de um texto. Tens que começar numa palavra. Numa palavra qualquer se conta. Mas, no ponto-voraz, surgem fugazes as imagens. Também lhes chamo figuras. Não ligues excessivamente ao sentido. A maior parte das vezes, é impostura da língua. Vou, finalmente, soletrar-te as imagens deste texto, antes que meus olhos se fatiguem. O milionésimo sentido da voz, "tiro o lápis da mão", o gesto de partir a luz, o pensamento de uma criança, cópias da noite, passeio nocturno, "era um dia verde", o afecto do negro, sob o lenço da noite. O indizível é feito de mim mesma, Gabi, agarrada ao silêncio que elas representam.
sobre
Citações,
Livros,
Maria Gabriela Llasol
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)

