«(...) No Mundo, passo por todos, vendo alguns; na vida esqueço-me de quase todos, esquecendo-me de mim. Quase tudo me é indiferente.»
Há nesta carta o característico tom provocador de Florbela. Dirige-se a uma presa, tem que paralisá-la pelo espanto, pela admiração e até pelo desgosto que lhe causar. Mas não deixa de ser certo o que diz.
de 'Florbela Espanca' (1978)
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sábado, 17 de novembro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Agustina tem destas coisas... (32)
Um grande amor nunca é espontâneo.
de 'Adivinhas de Pedro e Inês', 1986
de 'Adivinhas de Pedro e Inês', 1986
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Agustina tem destas coisas... (31)
_Se queres que te diga, faz falta um cálice de licor. Mas a viscondessa não mandou os licores.
_Como é ela? -indagou, pressuroso, Albino. _Claro que me refiro ao aspecto ético.
_Oh, é uma mulher gorda, mas emagrecida. Daí extrai toda a ética que tu quiseres.
de 'Contos Impopulares' (1953)
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Agustina tem destas coisas... (30)
Na sua área importava mais ser bem relacionado do que ser culto. Sabiam-se umas coisas de música, de política, mas nada muito aprofundado.
_Quem aprofunda, quebra as unhas
de 'A Quinta Essência' (1999)
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Agustina tem destas coisas... (29)
Ela tinha oito filhos à volta, como um colar em que os desejos se esbarravam, ficando porém algo enredado nos pensamentos. Ora tristes, ora vingativos. Escreveu versos aos trinta anos. O Baena teve medo e comprou-lhe um carro para que ela passeasse e, com a excentricidade, escondesse as decepções.
de 'O Concerto dos Flamengos' (1994)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Agustina tem destas coisas...(28)
_Os casamentos não duram.
_Não duram mas repetem-se. É uma forma de duração.
de 'Prazer e Glória' (1988)
_Não duram mas repetem-se. É uma forma de duração.
de 'Prazer e Glória' (1988)
sábado, 13 de agosto de 2011
Agustina tem destas coisas... (27)
aos dezoito anos os rapazes não têm queda para essas presas de solteirões ou maduros conhecedores, e nem sequer notam a beleza pueril duma madona de bairro. Preferem as loiras vividas ou as primas com iniciativa.
de "Prazer e Glória" (1988)
domingo, 31 de julho de 2011
Agustina tem destas coisas... (26)
Estava sempre em riscos de se matar, e João Pinheiro (que ele tratava sempre por tio, porque, dizia, assim não sofreria traumas edipianos) esperava a todo o momento a notícia de uma fatalidade.
_É um doido -dizia, não sem uma ponta de orgulho. Todos os pais sentem pelos filhos delinquentes a predilecção que se tem pelo perigo não de todo indomável.
de "Prazer e Glória" (1988)
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Agustina tem destas coisas... (25)
Tinha conseguido três filhos dum marido meio assexuado e que detestava crianças. Ela disse:
_Fiz a minha obrigação. Agora quero viver sossegada e fazer montes de outras coisas.
_Não sabes fazer nada. Mesmo os teus filhos nasceram à custa de cesarianas. Que aldrabona, menina!
_Não me esforcei, mas o caso não era para isso. Dar à luz já não é uma brutalidade, tenhamos maneiras.
de "Prazer e Glória" (1988)
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Agustina tem destas coisas... (24)
O velho motorista de Valentina, que a levava aos casamentos e ao cabeleireiro a Viana, apresentou-se subitamente munido duma lista de direitos que, somados os retroactivos, pareciam uma forma de esbulho. Valentina disse:
_Falei-lhe em francês porque isso eu sei que é o que mais o incomoda.
_A ele a toda a gente. O teu francês é horrível -disse o cunhado.
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de "Um Cão Que Sonha" (1997)
domingo, 3 de abril de 2011
Agustina tem destas coisas... (23)
O marido tentava sossegá-la e fazia-o duma maneira original: gritava mais do que ela. ......................... .......................... ................................................................................................................... ........... .......... ................................ ....................... ........................ ............. ........................... ............ . . . . . de "O Concerto dos Flamengos" (1994)
terça-feira, 22 de março de 2011
Agustina tem destas coisas... (22)
Homem que casa duas vezes ou é mormon ou é suicida.
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de "O Concerto dos Flamengos" (1994)
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de "O Concerto dos Flamengos" (1994)
sexta-feira, 18 de março de 2011
Agustina tem destas coisas... (21)
Elas hão-de recompensá-los, não com jogos eróticos, mas tortilhas de camarão e sopas de alho francês. Que há mais luxúria num prato de lentilhas, do que nas confissões duma freira.
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de "O Concerto dos Flamengos"
terça-feira, 15 de março de 2011
Agustina tem destas coisas... (20)
Depois, não tendo a quem ferir e desprezar, caiu em si, o que é o mesmo que cair de uma escada.
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de "O Concerto dos Flamengos" (1994)
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de "O Concerto dos Flamengos" (1994)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Agustina tem destas coisas... (19)
A verdade é que eu sofro demais para não ter talento.
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de "O Susto" (1958)
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de "O Susto" (1958)
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Agustina tem destas coisas... (18)
Léon não gostava de nada que se partisse, motivo por que não tinha o coração em seu poder.
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de "Um Cão Que Sonha"
Agustina tem destas coisas... (17)
Acreditar nos homens é um esforço horrível, não conheço outro tão desgastante. A dúvida é um espinho envenenado que entra na carne e nunca sai completamente.
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de "A Alma dos Ricos"
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Agustina tem destas coisas... (16)
Como Touro Azul não voltava (ele não tinha a certeza de ter deixado em casa de Vanessa as alianças e correu para lá com grande espalhafato do seu carro de desporto), Camila tirou da bolsa duas argolas de cortinas e a cerimónima pôde continuar. Era a mulher mais precavida que podia haver e nunca, mas nunca mesmo, era "apanhada descalça" como dizia Celsa Adelaide.
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de "A Jóia de Família"
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Agustina tem destas coisas... (15)
Num povo pessimista, não o bastante para ser neurótico, nem exasperado para ser sobre-humano, depara-se-nos às vezes certo fenómeno de combustão interior e que é pouco menos que uma nova ética.
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de O Susto
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Agustina tem destas Coisas (14)
Há raros momentos de clarividência, mesmo nas criaturas mais triviais, e é sempre o sofrimento que os provoca.
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De “A Sibila”
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