quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Passagem pelo Sudoeste 2 (apontamento)

Brilhante instalação/happening/performance em pleno Festival do Sudoeste. Uma plataforma de banhos transparentes. À entrada, um rapaz recebe o mulheru ou o homeru com um olhar sorumbático. Estes entram, pisando um tapete rolante. Primeiro molham-se, depois uma menina ou duas meninas seringam-nos com gel de banho, molham-se de novo, secam, e saem com um cartão enorme que diz ENROLA-TE COMIGO.
Enquanto isto, três sapos gigantes passeiam e falam com as pessoas.
Influências claras de Robert Mapplethorpe pelo erotismo de todos os envolvidos; de David Lynch e Louise Bourgeois na naturalidade com que sapos e pessoas conversam. Brilhante.

Passagem pelo Sudoeste 1 (os concertos)

CLÃ
dia 7

Os Clã são certamente uma das melhores bandas portuguesas, mais do que afirmadas. Este concerto foi mais uma prova. Com passagem por vários dos pontos altos da sua carreira, de "Sopro do Coração" a "Tira a Teima", Manuela Azevedo e comparsas não deixaram de brilhar.
Além da versão a guitarra acústica e voz de "Sopro do Coração", destaque para "h2omem", com Arnaldo Antunes como convidado, "GTI", previsivelmente um dos melhores momentos e "Dançar na Corda Bamba", que o público parecia esperar desde o início.



BJORK
dia 7




Claramente o melhor momento de todo o festival, Bjork entrou no palco após um espectáculo de marionetas vivas suspensas sobre o público com percussão e uma trapezista. Dentro de um escultórico vestido (ou kimono) que lhe dava um dos aspectos mais invulgares que já teve, entrou com "Earth Intruders", single de avanço de "Volta", que haveria de dar o mote para uma autentica manifestação tribal do mais bizarro possível.
Sofrendo incríveis transmutações, a noite permitiu-nos ouvir clássicos como "Army Of Me" mais rock que outra coisa, "Hyperballad" com ritmo dançável a terminar, "Pluto" mais agressivo do que o normal, "Pagan Poetry" indescritível, "Immature" sempre interessante, "I Miss You" absolutamente inesperado, "Hunter" um verdadeiro transe, "Who Is It" mais ritmado, "Vokuro" comovente, "All Is Full Of Love" agora com um cravo a marcar o ritmo, "Pleasure Is All Mine" do controverso "Medulla", agora mais sinistro do que nunca, entre as canções do mais recente "Volta", que incluiam "Wanderlust" e "Hope", onde se fez acompanhar por Toumani Diabaté em deliciosos solos de kora. Para os aopteóticos encores, reservou "The Anchor Song" e "Declare Independence", onde as minhas cordas vocais se danificaram consideravelmente.
Sobre Bjork, uma palavra: deus!
É caso para lhe dizer "OBRIGADO", se possível com o mesmo sotaque giríssimo com que ela foi dizendo, em várias entoações.



GOLDFRAPP
dia 8

Allison Goldfrapp e Will Gregory, acompanhados pela sua banda, registaram o momento alto do segundo dia de festival. Ainda que, infelizmente, a maioria do público estivesse à frente do palco apenas para assegurar um bom lugar em Chemical Brothers, o concerto dos Goldfrapp valeu por si próprio.
Começando com "Utopia", fez passagem pelos restantes três álbuns da banda. O defeito é que este concerto parecia promover "Supernature", em vez de "Seventh Tree", apesar da interessantíssima decoração do palco.
Fora isto, nada se pode apontar à performance da banda, em momentos tão bons como "A&E", "Satin Chic", "Train" ou "Number1". Destaque, no entanto, para "Ooh La La" e "Strict Machine", a terminar em grande. Uma pena ter sido tão curto.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

E + 10 Discos Para o Verão

Tarde, claro, vem a tradição anual do Camel e Coca-Cola dos dez discos para ouvir durante os meses que, por definição e para a generalidade, são os de não fazer nada. Música para o sol e para as noites quentes, então.


A NAIFA, "Canções Subterrâneas" 2004



São palavras de pessoas como José Luís Peixoto, Rui Lage, Adília Lopes ou Carlos Luis Bessa, interpretadas numa sonoridade de "fado, baixo e bateria". Com um sabor definitivamente suave e brilhante, "Canções Subterrâneas" marca o início de uma banda incontornável.

KINGS OF CONVENIENCE, "Riot In an Empty Street" (2007)


O som quente e simples de sempre. Certamente uma das bandas nórdias mais sonantes, os Kings of Convenience têm em "Riot On an Empty Street" mais um bom álbum, com canções tão atraentes como "I´d Rather Dance With You", uma das melhores desde "I Don´t Know What I Can Save You From".

ANNIE LENNOX, "Songs Of Mass Destruction" (2007)



O álbum mais recente da antiga metade feminina dos Eurythmics. Annie Lennox envereda pelos arranjos enormes e pela grande produção, mas sem perder nenhuma das características que a tornavam Annie Lennox. "Songs Of Mass Destruction" é decididamente uma boa opção para olhar para o mar ou o que quer que seja.

NICK DRAKE, "Pink Moon" (1972)


Último álbum de originais do cantor que nos deixou cedo demais. Indubitavelmente o senhor de algumas das melhores canções que já se fizeram, Nick Drake tinha, como poucos, o dom de cantar os sentimentos de clausura e de tristeza como se fosse um mestre zen. Palavras para quê?


TORI AMOS, "Scarlet´s Walk" (2002)

É certamente um álbum muito politizado. Mas canções como "Taxi Ride", "A Sorta Fairytale", "I Can´t See New York" ou "Don´t Make Me Come To Vegas" não podem faltar a ninguém. É mais um álbum da grande Mayra Ellen, o mais brilhante e meigo de todos, provavelmente.


CAROLINE, "Murmurs" (2004)

Não, não tem mesmo nada a ver com a Bjork, é outra coisa. Caroline tem a suavidade na voz, o minimalismo no gosto, e decididamente, uma calma tremenda na sua música. "Murmurs" é feito de paisagens idílicas e de sons optimistas. Portanto, muito lógico.


JOANNA NEWSOM, "The Milk Eyed Mender" (2004)

Idílica também, mas definitivamente mais bizarra. Joanna Newsom acompanhada da sua harpa ou do seu piano ou do seu cravo em 12 canções que ficam para a história, uma por uma. Correndo o risco de parecer taxativo, não é um álbum para quem adormece facilmente com um pouco de calor e uma música em que a tónica fica na suavidade.


JEWEL, "Pieces Of You" (1994)

Álbum de estreia de miss Jewel Kilcher, longínquo e no entanto, com um som sem tempo. É simples, é apenas Jewel e a sua guitarra, aqui e ali um ou outro arranjo de piano, de bateria ou de baixo. Inesquecível por peças como "You Were Meant For Me", "Foolish Games" ou "Little Sister".


RUFUS WAINWRIGHT, "Want Two" (2005)

O génio por excelência, Rufus Wanwright tem em "Want Two" o mais barroco e luminoso dos seus álbuns. O ponto de rebuçado do compositor que se começava a revelar em "Cigarrettes and Chocolate Milk" ou "Greek Song". Os arranjos são grandiosos e o som agradável e medievalista. A ouvir.


MORCHEEBA, "Charango" (2002)

Skye Edwards brilha com os Morcheeba neste álbum que foi, para muitos dos fãs o climax da carreira da banda. A voz meiga e profunda cose-se com a electronica discreta e os ritmos envolventes. O resultado é óptimo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

já agora

passem pelo blog da pintora Graça Martins, acabado de construir. Conta já com uma previsão da próxima exposição.

domingo, 3 de agosto de 2008

o poema



Vão os pássaros crivando
o ar de sons,
moradores das árvores
que há séculos
perduram: populosas cidades
onde pulula
o corvo, o melro, o rouxinol,
refúgios musicais
cuja sombra atinge
a criança despida
e a piscina sangrenta
onde nadou
de "Modas e Bordados d´Alice Corinde"
Fenda Edições, 1995- esgotado

sábado, 2 de agosto de 2008

cut writing

I´m so sad, like a good book I can´t pull this day back. Look how it ends, see the way it kills. Thought I´ve tried, fallen I have, sunk so low, I messed up. I cannot dessapear, I´ve tried again and again and again and again. I´ve been down so god damn long that it looks like up to me . I was alone, falling free trying my best not to forget lips are turning blue, a kiss I can´t rennew, I only think of you. You give yours I give you mine and we´ll fast forward to a few years later, and no one knows except the both of us.
All the king´s horses and all the king´s men, they couldn´t put our two heart together again, so I got me some horses to ride somewhere too close, not far away. And clever got me this far, then tricky got me in. Then your look chenged into leftovers of a war in our name, I refuse. Here, there´s a time when independence fells a lot like lonelyness. Bleeding is breathing, I saw you crawling to the door. And you should know that love will never die, but see how it kills you in the blink of an eye. You came on your own and that´s how you´ll leave.

A partir de músicas de Tori Amos, The Gift, Sarah McLachlan, Jewel, The Doors, Placebo, Muse, Alanis Morisette, Aretha Franklin, Caroline Lufkin, A Perfect Circle, Blind Zero, Lou Rhodes, Natalie Imbruglia, The Cardigans, The Editors.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

2 poemas de Safo

1.
Querida mãe, a teia
não mais teço. Por um rapaz
de amor me dobra
a sempre terna Afrodite.

2.
(...)
De uma erva de rara essencia
o corpo, que aroma, te ungi
e teus longos cabelos perfumei
E terna ao meu lado deitada
num leito macio, como tu em mim
não mitigavas tua sede e fome
SAFO, líricas em fragmentos, tradução de Pedro Alvim, edição Vega, 1991

definitivamente

"Criminal Minds- Mentes Criminosas" é razão para voltar a ver televisão. Na Sic, depois de 3494949485725362 novelas, à uma da manhã...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

quarta-feira, 30 de julho de 2008

hoje

ás 21:30, valter hugo mãe estará na livraria Centésima Página, em Braga, a apresentar o seu novo romance, "o apocalipse dos trabalhadores".
De seguida, teremos um showcase da banda cabesssa lacrau, que inclui, além do escritor, elementos dos Mão Morta e dos Mecanosphére.
Apareçam.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

antónio lobo antunes

acaba de vencer o Prémio Camões. Merecidíssimo, claro.

A par com esta boa notícia, é já em Setembro que a D. Quixote, onde o escritor aceitou ficar, publicará o novo romance do autor. O título já é conhecido: O ARQUIPÉLAGO DA INSÓNIA.

Como doente incurável de insónias, fico à espera ainda mais do que o habitual.

2 daquelas músicas

que parecem ter sido escritas sobre (Neste caso.) mim... (Crises de egocentrismo têm sempre o seu quê de depressivo, não é?)

IT´S NEVER OVER
Well it seems like I'm losing all the time
I gotta run up a bill'
Till this dark horse is leaving
And I know you'll be leaving
But a memory of distant diesel nights
You put a crown on my head
But I'm wishing you never had
'Cause now I´ve less than I ever had
But I know
When this street lamp fades
You're scheming up your next parade
And the time slowly climbs
'Till you're here
Daze darken my days
I watch you play or pray
It's never over
I'll be waiting here wishing you were over here
It seems destiny means
How long you'll play unfair
It's never over
I'll be waiting here wishing you really cared
When I'm seeing that look that's in your eyes
You know I will be here
I'll be giving you anything
Always giving you anything
But I know
When this street lamp fades
You're scheming up your next parade
Then you're gone
Creeping home
And this feeling creeps in
Alone
But it seems like I'm losing all the time
(It's never over)
Gonna run up a bill
(It's never over)
(It's never over)
How long must I think that you don't care
(It's never over)
You keep on changing your mind
(It's never over)
(It's never over)
Kate Walsh, "Clocktower Park" 2003
FALLEN
Heaven bent to take my hand
And lead me through the fire
Be the long awaited answer
To a long and painful fight
Truth be told I've tried my best
But somewhere along the way
I got caught up in all there was to offer
And the cost was so much more than I could bear
Though I've tried, I've fallen...
I have sunk so low I have messed up
Better I should know
So don't come round here
And tell me I told you so...
We all begin with good intent
Love was raw and young
We believed that we could change ourselves
The past could be undone
But we carry on our backs the burden
Time always reveals
In the lonely light of morning
In the wound that would not heal
It's the bitter taste of losing everything
That I have held so dear.
I've fallen... I have sunk so low
I have messed up
Better I should know
So don't come round here
And tell me I told you so...
Heaven bent to take my hand
I´ve nowhere left to turn
I'm lost to those I thought were friends
To everyone I knew
Oh they turned their heads embarassed
Pretend that they don't see
But it's one missed step
You'll slip before you know it
And there doesn't seem a way to be redeemed
Sarah McLachlan, Afterglow 2006

quinta-feira, 24 de julho de 2008

videos imperdíveis

sugestões do Camel & Coca-Cola para um serão no YouTube.


Marilyn Manson: The Nobodies
álbum: Holy Wood (In The Shadow Of The Valley Of Death), 2000, realizador: Marilyn Mason, Paul Fedor

Placebo: Taste In Men
álbum: Black Market Music, 2000, realizador: Barbara McDonough

The Gift: 11:33
álbum: AM-FM, 2005, realizador: Danny Passman

Muse: Supermassive Black Hole
álbum: Black Holes and Revelations, 2006, realizador: Floria Sigismondi

Massive Attack: Inertia Creeps
álbum: Mezaninne, 1998, realizador: WIZ

Bjork: Who Is It?
álbum: Medulla, 2004, realizador: Dawn Shadforth

Tori Amos: Cornflake Girl
álbum: Under The Pink, 1994, realizador: Tori Amos e Nancy Bennet

Radiohead: Idioteque
álbum: Kid A, 2000, realizador: Dilly Gent

Blind Zero: Shine On
álbum: The Night Before and a New Day, 2005, realizador: Rui de Brito


Christina Aguilera: Fighter (ok, a música pode não ser nada de especial, mas o vídeo é, e ela tem uma excelente voz.)
álbum: Stripped, 2002, realizador: Floria Sigismondi

Portishead: Sour Times
álbum: Dummy, 1994, realizador: Alexander Hemming

quarta-feira, 23 de julho de 2008

wuthering heights

Out on the wiley, windy moors
We'd roll and fall in green.
You had a temper like my jealousy
Too hot, too greedy.
How could you leave me,
When I needed to possess you?
I hated you. I loved you, too. ~
Bad dreams in the night
You told me I was going to lose the fight,
Leave behind my wuthering, wuthering
Wuthering Heights.
Heathcliff, it's me,
your Cathy,
I've come home.
I´m so cold,
let me in-a-your window
Ooh, it gets dark!
It gets lonely,
On the other side from you.
I pine a lot.
I find the lot
Falls through without you.
I'm coming back, love,
Cruel Heathcliff, my one dream,
My only master.
Too long I roamed in the night.
I'm coming back to his side, to put it right.
I'm coming home to wuthering, wuthering,
Heathcliff, it's me, your Cathy, I've come home.
I'm so cold,
let me in-a-your window.
Ooh! Let me have it.
Let me grab your soul away.
Ooh! Let me have it.
Let me grab your soul away.
You know it's me--Cathy!
Heathcliff, it's me, your Cathy,
I've come home.
I´m so cold,
let me in-a-your window
Kate Bush, "The Kick Inside", 1978

terça-feira, 22 de julho de 2008

sábado

é a última sessão dos "Encontros com Poetas do Porto" de Fundação Eugénio de Andrade. Desta vez, a convidada é Helga Moreira, de quem deixo um poema, para que apareçam. Ás seis e meia.



Um ou outro assunto isento
queria aqui deixar.
Por exemplo.
Levanto-me cedo, tomo o pequeno almoço
fumo um cigarro, ou quantos?

Depois de pronta desço
das escadas os três lanços.
E logo em baixo café, tabaco, jornais.
Inusitado no poema –
queriam um lírio, uma açucena –
e não coisas tão banais?






de "Tumulto", 2003, edição & etc

sábado, 19 de julho de 2008

em viagem

foto: Graça Martins, no Chiado

quinta-feira, 17 de julho de 2008

amanhã

no Centro Cultural São Mamede, em Guimarães, às 22 horas inaugura a já aqui referida exposição "Elogio do Essencial/E Agora Estamos Aqui" de Isabel Lhano. Façam o favor de aparecer.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

puta que pariu o exame de geometria

terça-feira, 15 de julho de 2008

não tenho escrito nada por estar inscrito no exame nacional de geometria descritiva. e agora não faço mais nada...

sábado, 12 de julho de 2008

adília e raoul





A solidão
de Adão
antes da criação
de Eva
devia ser
terrível
mas a minha
é bem pior
os homens
que escreveram
o Génesis
não pensaram
que Adão
em vez de saudar
Eva
com um grito de júbilo
a mandasse embora
com sete pedras na mão
mas eu acho
que foi
o que me aconteceu


temendo isso
Deus
não me deu
o papel de Eva
nem o de Maria
porque também
S. José
me tinha corrido
a pontapé.
Adília Lopes, "O Clube da Poetisa Morta",
1997, edição Black Sun


Imagem: Raoul Hausmann