segunda-feira, 18 de agosto de 2008
este coleccionismo
a verdade
ecos do simbolismo
Gostava de música, quando tocada num quarto
andar, à noite, entre poucos amigos e uma garrafa
de aguardente. Nunca lera Rimbaud: a literatura,
para ela, era um equívoco. Mas escrevia poemas; e neles,
entre citações e lugares comuns, inscrevia-se
algo da sua alma. Amei-a; não especificamente o ser
físico, o corpo, a pele, embora me lembre dos seus
lábios e, por vezes, das mãos. Mas havia um modo
de estar, uma inquietação, fragmentos de uma alegria
indefinida que, por fim, se transformava num silêncio
de desespero- tudo de acordo com a época,
penso. Desenhos obscuros em guardanapos de papel,
crises de misticismo sobrevivendo à tardia luz
do crepúsculo, livros de bolso, três ou quatro cafés por dia.
sábado, 16 de agosto de 2008
o poema
Mas sente agora a minha crueldade
sem defesa,
porque to confesso e confesso em verdade
e com verdade: se de alguma coisa tive medo
foi do teu riso trémulo
e poroso como um
desmaio,
do recorte dos ombros,
da tua camisola verde- de um poema
de Byron.
E, sobretudo, sim, da tua grande, da tua imensa
tristeza.
E só por isso
me doeu o deserto que te (e me) arrastava; tantas as mágoas,
as afinidades,
as cumplicidades.
Porque nós somos únicos
e raros.
Juro.
3 poemas
1.
As manhãs avançam incendiadas de ausência. Estremeço em ti, em mim.
Estar com os outros é muitas vezes não estar- é encontrar-me absolutamente só num espaço imenso de procura ou aridez. Passo pelos dias inteiramente estranha e nada me é por completo real. Pareço não ter qualquer ligação com o tempo.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
rendo-me
smokes in the afternoon
Não devem levar isto demasiado a sério. Isto foi uma brincadeira em fotografia/ vídeo que fiz com a Ana Sofia Rafael em Novembro de 2007. São dez fotografias, além de um vídeo não publicado por motivos tecnicos de demorar muito tempo a carregar aqui. Poderei acrescentar que este pequeno “projecto” gastou vários cigarros e uma tarde com a luz apropriada.
gates of the country/ nan and brian in bed
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Passagem pelo Sudoeste 2 (apontamento)
Enquanto isto, três sapos gigantes passeiam e falam com as pessoas.
Influências claras de Robert Mapplethorpe pelo erotismo de todos os envolvidos; de David Lynch e Louise Bourgeois na naturalidade com que sapos e pessoas conversam. Brilhante.
Passagem pelo Sudoeste 1 (os concertos)
terça-feira, 5 de agosto de 2008
E + 10 Discos Para o Verão
O som quente e simples de sempre. Certamente uma das bandas nórdias mais sonantes, os Kings of Convenience têm em "Riot On an Empty Street" mais um bom álbum, com canções tão atraentes como "I´d Rather Dance With You", uma das melhores desde "I Don´t Know What I Can Save You From".
O álbum mais recente da antiga metade feminina dos Eurythmics. Annie Lennox envereda pelos arranjos enormes e pela grande produção, mas sem perder nenhuma das características que a tornavam Annie Lennox. "Songs Of Mass Destruction" é decididamente uma boa opção para olhar para o mar ou o que quer que seja.
Último álbum de originais do cantor que nos deixou cedo demais. Indubitavelmente o senhor de algumas das melhores canções que já se fizeram, Nick Drake tinha, como poucos, o dom de cantar os sentimentos de clausura e de tristeza como se fosse um mestre zen. Palavras para quê?
TORI AMOS, "Scarlet´s Walk" (2002)
CAROLINE, "Murmurs" (2004)
JOANNA NEWSOM, "The Milk Eyed Mender" (2004)
JEWEL, "Pieces Of You" (1994)
RUFUS WAINWRIGHT, "Want Two" (2005)
MORCHEEBA, "Charango" (2002)
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
já agora
domingo, 3 de agosto de 2008
o poema
Vão os pássaros crivando
o ar de sons,
moradores das árvores
que há séculos
perduram: populosas cidades
onde pulula
o corvo, o melro, o rouxinol,
refúgios musicais
cuja sombra atinge
a criança despida
e a piscina sangrenta
onde nadou
sábado, 2 de agosto de 2008
cut writing
All the king´s horses and all the king´s men, they couldn´t put our two heart together again, so I got me some horses to ride somewhere too close, not far away. And clever got me this far, then tricky got me in. Then your look chenged into leftovers of a war in our name, I refuse. Here, there´s a time when independence fells a lot like lonelyness. Bleeding is breathing, I saw you crawling to the door. And you should know that love will never die, but see how it kills you in the blink of an eye. You came on your own and that´s how you´ll leave.
A partir de músicas de Tori Amos, The Gift, Sarah McLachlan, Jewel, The Doors, Placebo, Muse, Alanis Morisette, Aretha Franklin, Caroline Lufkin, A Perfect Circle, Blind Zero, Lou Rhodes, Natalie Imbruglia, The Cardigans, The Editors.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
2 poemas de Safo
Querida mãe, a teia
não mais teço. Por um rapaz
de amor me dobra
a sempre terna Afrodite.
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