Mostrar mensagens com a etiqueta The Gift. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta The Gift. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

The Gift: Primavera

O OUTRO LADO

Depois de uma capa com todas as cores do arco-íris numa fotografia tirada na Índia, o novo álbum dos The Gift apresenta-nos a fotografia de uma árvore muito Six Feet Under, a preto e branco, que mais simples não podia ser. Dado que este álbum surge em tempo-record, apenas um ano depois de 'Explode', não deixa de ser instintivo que, mais do que o normal, pensemos numa relação entre os dois álbuns, antes até de pensarmos uma relação com a discografia total.
'Explode' era um álbum que mostrava uns Gift redondamente diferentes daquilo que deles esperávamos, ainda que, ao longo do seu percurso, em mais que um momento eles tenham dado mostras de que facilmente poderiam trabalhar o lado mais pop-rock da sua personalidade. 'Explode' era, por isso, o álbum que vinha reiniciar o processo que 'Digital Atmosphere' viera começar em 1996. Algumas grandes canções dos Gift estavam nesse álbum, assim como algumas das canções menos interessantes deles também estavam nesse álbum. O facto é que, a partir de 'AM-FM' (2004) os Gift pareciam muito convictos em afirmar o lado pop da sua música, ainda que, se olharmos friamente a música dos primeiros três álbuns, tenhamos que convir que de pop ali temos pouco material, o que, para mim, não deixa de ser uma coisa boa. Mas, se 'Explode' nos vinha dizer alguma coisa, é que a música pop pode realmente ser boa, quando feita por bons músicos. Assim sendo, uma vez assentada a poeira, fica-nos na mão um álbum que tem muito de bom mas que, mais do que nunca, nos deixa a dúvida sobre o que se segue.


Curiosamente, não demorou muito até que a dúvida fosse esclarecida e, logo no princípio de 2012, recebemos este 'Primavera' que, na pior das hipóteses, já nos diria o que fizeram os Gift depois de 'Explode'.
O título, primeiro em português para os Gift, cria de imediato uma relação com o álbum anterior, uma vez que era também o título de uma das canções que o integravam. E, de facto, logo ao vermos o alinhamento, vemos como, de certa forma, este álbum tem, de alguma forma, o seu berço em Primavera e, portanto, em 'Explode': aqui temos três Variações sobre, e ainda uma versão acústica dessa canção. 
A abertura de 'Primavera' faz-se com Black, uma canção instrumental que efectivamente nos introduz naquilo que irá ser o álbum. É uma canção essencialmente acústica, bastante despojada, serena e bastante concisa. Por isso, já não nos surpreenderá quando começarmos a ouvir La Terraza, outra canção acústica, construída essencialmente sobre a voz de Sónia Tavares e o piano de Nuno Gonçalves. Para o bem e para o mal, a verdade é que Sónia Tavares é, senão a melhor, certamente pelo menos uma das melhores vozes da música portuguesa actual e, portanto, será sempre a sua voz uma das linhas de força da música dos Gift. La Terraza faz, portanto, o melhor uso da voz de Sónia, que, mais do que nunca, nos parece perfeitamente capaz de uma larga paleta emotiva, o que acaba por ser bastante positivo, principalmente pelo facto da letra ser bastante longa, tornando-se, assim, sempre irregular e nunca enfadonha ou monocórdica.
Open Window segue basicamente a mesma estrutura, de voz e piano, e ainda alguns arranjos discretos. A aparente serenidade da canção é depois interrompida por um coro que canta alguns versos em português e que, tão de repente quanto começa, é calada pelo retomar da voz de Sónia em inglês, desta vez também também acompanhada de uma electrónica subtil. A Variação sobre a Primavera I é outro momento instrumental, curto, bastante simples, quase a fazer lembrar os tempos de 'Vinyl' (1998), com uma certa melancolia. Senhsucht é cantada em português, confirmando a vontade que os The Gift já vêm manifestando desde há algum tempo, de dar maior ênfase à sua produção em português. A canção é construída na mesma estrutura de voz e piano, desta vez com arranjos de cordas, como costumava ser hábito dos Gift, até 'Explode'. No entanto, desta vez, os arranjos, que, além do mais, não têm exactamente protagonismo, contribuem mais para enfatizar a melodia do que propriamente para tornar a canção mais grandiosa, se assim se pode dizer. Também Variação sobre a Primavera II nos faz lembrar um pouco os Gift iniciais, com o som de uma voz no rádio à mistura com uma série de sons sintéticos num aparente efeito de cacofonia, um pouco como acontecia antes do último refrão de Changes ou no final de Real (Get Me For).
A canção que se segue é, a meu ver, não só a melhor de todo o álbum, como também a mais conclusiva. Blindness é construída com base numa letra repetitiva ao ponto da obsessão, de uma linha de piano, uma beat sintética e voz. É uma canção de construção absolutamente simples, mas que consegue, com a maior eficácia, fundir a música de dança com aquele lado mais melancólico que a música dos Gift costumava ter. Por assim dizer, esta canção é uma canção daqueles Gift que conhecíamos de Cube, de Next Town, de Wake Up, de Dream With Someone Else's Dream ou de Butterfly, mas completamente contaminada por um tipo de música aparentemente oposto, completamente próxima do downtempo ou até do house. E, de certa forma, esta canção vem mostrar-nos aquele que poderá ser um caminho para os Gift depois do díptico 'Explode'/'Primavera', uma vez que, melhor do que nunca, as duas vertentes parecem conjugar-se neste Blindness.
Meaning of Life é um regresso à canção de voz e piano, sendo os arranjos desta feita conseguidos com coros e alguns tratamentos de voz. O resultado acaba por ser invulgar e quase bizarro, mas Meaning of Life é uma canção realmente boa. A Variação sobre a Primavera 3 parece, de certa forma, retomar a primeira variação, com piano e guitarra acústica, trabalhando ambos sobre a melodia original de Primavera. Les Tulipes de Mon Jardin (The Perfect You) será, de facto, a canção menos conseguida do álbum. Apesar da música que faz pensar realmente num renascer, muito consonante com o título do álbum, a letra não deixa de parecer completamente excessiva e também cheia de lugares comuns e, por mais que, no geral, possamos ficar com a impressão que esta é uma canção esperançosa, acaba por ser uma canção que, no fundo, não faz grande falta ao álbum.
Segue-se a versão acústica de Primavera, versão que resulta tão bem quanto a versão original. De facto, apesar da letra ter dois versos um tanto mal conseguidos, a canção não deixa por isso de ser uma grande canção e, no geral, esta é uma roupagem diferente, e não uma versão mais pobre.Aliás, a voz de Sónia Tavares fulgura aqui com outra força, o que só favorece a canção.
O final de 'Primavera' é também instrumental, com Long Time, uma canção de tonalidade agridoce e quase elegíaca, em que, de certa forma, o álbum se reinicia, como se esta canção nos pedisse que voltássemos a Black e, daí, continuássemos a ouvir.


Ouvido o álbum, percebemos com facilidade a relação que 'Primavera' tece com 'Explode': no fundo, são dois lados, opostos, da mesma banda, e mostram-nos que os Gift não esqueceram as suas raízes, ainda que não estejam dispostos a repeti-las ispsis-verbis. Tal como 'Explode' nos deixava algumas grandes canções pop-rock, 'Primavera' deixa-nos algumas grandes canções acústicas e depuradas. E, em cada um dos álbuns, temos uma canção que resume aquilo que cada um tem de melhor: Always Better if you Wait For the Sunrise em 'Explode' e Blindness em 'Primavera'. Se ouvirmos estas duas canções seguidas, verificamos que, a partir daquilo que elas formam, muito pode ser feito, o que nos deixa grandes expectativas para o próximo álbum dos Gift. Além disto, 'Primavera' também nos mostra que a banda está numa fase muitíssimo criativa e também muito livre. Mais ainda, para aqueles que reagiram mal a 'Explode', 'Primavera' que, como já disse, tem com ele uma relação bastante intensa, pode muito bem ser a prova de que 'Explode' merece ser ouvido com redobrada atenção.
E uma coisa é certa: os Gift estão no bom caminho, e não numa fase pobre ou comercial, pelo que, deles, justifica-se ter a imagem que temos desde 'Vinyl': que são uma das grandes bandas portuguesas, perfeitamente capaz de ombrear com tantas bandas por esse mundo fora.

sábado, 26 de março de 2011

The Gift no Tivoli (25.3.11)

Chego agora a casa do concerto dos The Gift no Tivoli. Com datas a serem acrescentadas aos dois concertos originalmente planeados, há que dizer que tive sorte, pois, em terem-se feito apenas esses dois, eu não poderia assistir a nenhum. Ainda bem que assim não foi.
Quem tiver lido o texto que escrevi acerca de "Explode", há bem pouco tempo, terá percebido que, ainda que eu ache tratar-se de um grande álbum, tinha em relação a ele algumas reservas. E, se este concerto teve uma coisa boa é que me dissipou essas reservas.
Agora posso afirmar sem sombra de dúvida que estas canções são realmente boas e que os The Gift estão numa muito boa fase do seu percurso.
Confesso que achei a escolha de "Aquatica" para abertura do concerto bastante arriscada. Ainda que a canção esteja longe de ser uma das mais marcantes de "Explode", há que reconhecer que os Gift souberam dar-lhe a volta e torná-la uma boa introdução para o que se seguiria.
Uma das dúvias com que eu ficava relativamente a algumas (Só algumas.) canções do álbum era se não monosprezariam a voz de Sónia Tavares. Claramente não é o caso, e, ao vivo, ela ganha a devida relevância, pois trata-se de uma voz fortíssima e de um extremo perfeccionismo, e, entre nós, ainda uma voz nova, mesmo passados tantos anos.
"RGB" surpreendeu por surgir tão cedo no alinhamento, pois, tratando-se de uma espécie de cartão de visita de "Explode", seria de esperar que fosse tocado mais tarde (E sê-lo-ia, em repetição, no segundo encore.), mas era exactamente a canção necessária para espicaçar um pouco o público já que "Aquatica" é, mesmo assim, uma canção mais serena.
Seguiu-se "My Sun" que foi a única em que se sentiu uma certa deficiência sonora, na voz de Nuno Gonçalves, que soava pouco nítida. Fora essa ocasião, não me pareceu haver problemas a assinalar. "My Sun" seguiu bastante a linha de "RGB", com um ritmo contagiante que, mesmo num concerto com lugares sentados exclusivamente, fica sempre bem.
"Suit Full Of Colours" está mais na linha de "Aquatica" e é interessante que surja na parte ainda inicial do concerto pois, pelo menos a nível da letra, parece ser bem representativo da nova fase dos The Gift, ainda que, em termos de música, seja mais melancólica do que a maioria das canções que agora nos são propostas.
Depois disto, lançaram-se em "Primavera", canção cantada em português, sendo que Sónia Tavares teve o cuidado de relembrar que essa escolha de gravar em português é tudo menos recente (Relembremos "Ouvir", que pertencia a "Vinyl", o álbum de estreia.). O primeiro retorno ao passado veio a seguir, com "Fácil de Entender", louvavelmente tocado na sua versão original, apenas com voz e piano.
Ainda em regressos ao passado, seguiu-se "645", um dos dois originais de "Fácil de Entender" que, assim se confirma, anunciava já a mudança de percurso que "Explode" representaria. Escusado será dizer que foi um dos melhores momentos da noite, e aquele em que, finalmente, o público se levantou.
Depois disto, regressou-se, de vez, a "Explode", com "Made For You", que, acrescento, soa muitíssimo melhor ao vivo do que em estúdio (Mas muito melhor mesmo.), o mesmo se passando com "Mermaid Song", que aqui se torna mais perceptível, principalmente no que ao ritmo diz respeito.
"Race Is Long" era já um dos melhores momentos do álbum, e ao vivo manteve-se como um dos pratos fortes, notando-se uma grande aderência do público.
Aquela que, para mim, é a melhor canção de "Explode" e, possivelmente, a melhor canção de sempre dos The Gift, "Always Better if you Wait for the Sunrise", foi guardada para o fim do concerto, tendo Sónia Tavares assinalando, entre brincadeiras sobre os The Cure, que ela marca o lado melancólico que, justiça se faça, sempre foi uma parte crucial da música dos The Gift. Como disse, foi a canção que mais me chamou a atenção em "Explode", mas aquilo que ganha ao vivo é indescritível. Torna-se evidente que se trata de uma canção infinita, riquíssima e realmente inesquecível. Para mim, foi também o melhor momento de uma noite que, mesmo assim, não foi parca em momentos memoráveis.
Para o primeiro encore, ficaram "Let It Be By Me", a abertura do álbum e que, ao vivo, parece ainda mais astronómica e "The Singles", a famosa canção de 12 minutos, cheia de mudanças de ritmo e de estrutura. Ao vivo, tem o condão de parecer ainda mais bem articulada.
Para o segundo encore ficou a repetição de "RGB" que, pela atitude finalmente frenética do público, foi bastante melhor que a primeira interpretação, no início do concerto.
Momentos destes relembram-nos por que os The Gift são uma das nossas bandas mais originais e mais criativas e mais capazes de fazer de um concerto um momento forte.
Outro reparo que quero fazer: dizia eu no texto sobre "Explode" que, ao princípio, nos poderia parecer que este álbum assumia com mais facilidade as suas influências. Dizia no mesmo texto, no entanto, que uma audição mais atenta nos mostraria que assim não era. E, de facto, ao vivo, isso entende-se ainda mais claramente. Notamos aqui a mesma dinâmica de sempre dos Gift e quem, como eu, os acompanha desde o princípio, percebe isso muito facilmente. No fundo, nunca se repetiram, e continuam a apostar nisso. Palmas para eles.

sexta-feira, 18 de março de 2011

The Gift: Explode

QUARTO CRESCENTE

Finalmente, chega-nos às mãos o quarto álbum de originais dos The Gift. O último, "AM-FM" era de 2004, e neste hiato de sete anos, os The Gift lançaram ainda "Fácil de Entender", um CD-DVD ao vivo, que fazia uma espécie de apanhado de algumas das melhores canções desde "Vinyl", de 1998. Estava visto que esta colectânea expressava uma certa vontade de iniciar um novo ciclo, que se sentia já nos dois inéditos que tínhamos no álbum ao vivo, "654" e "Nice and Sweet".
O projecto Amália Hoje reuniu Nuno Gonçalves e Sónia Tavares a Paulo Praça e Fernando Ribeiro. É discutível a qualidade desse álbum, porque além do álbum em si, houve todo um aproveitamento dele que em muito condiciona a percepção que se poderá ter dele.


Ainda assim, é em tempo-record que nos chega este "Explode". E, logo a começar pela capa, vemos que definitivamente, alguma coisa mudou.
Ainda que pessoalmente eu ache a capa muito desagradável, sendo objectivo, penso que ela dá testemunho da nova fase que agora se inicia para os Gift. A sessão fotográfica, feita na Índia, dá-nos conta de um universo colorido ao ponto do fantasioso e, de certa forma, hedonista.
Quando começamos a ouvir "Let It Be By Me", percebemos a ligação entre a capa e a atmosfera que se ouve. Estes não são os Gift que tocavam "Me, Myself and I" nem "11:33", e também não são os Gift que ouvíamos em "Wake Up" ou "Real (Get Me For)".
Independentemente disso, a qualidade e a entrega que se sente nestas canções é a mesma de sempre: total.
A primeira coisa que se sente é que a música dos Gift nos surge simplificada. O álbum parece ser mais baseado no trabalho dos quatro músicos da banda e do baterista, Mário Barreiros. Desaparecem os arranjos de cordas tocados por uma orquestra, a que já nos habituáramos desde "Vinyl" mas que, de certa forma, era uma tendência já um pouco contrariada pelo lado FM de "AM-FM".
Mesmo assim, a aposta na electrónica mantém-se firme, sendo esta a estrutura de todas as canções. Paralelamente, ouvimos aqui mais guitarras e mais piano acústico do que ouvíamos habitualmente. Esse lado é particularmente claro em "RGB" ou "Mermaid Song".
Outra tendência que parece clara em "Explode" é a inclinação para o rock, se, de certa forma, mesmo sendo as canções mais alegres dos Gift, mesmo assim têm algo de realmente explosivo, de pesado, que tem mais a ver com o rock. Este lado é também claro nas canções menos frenéticas, como é o caso de "The Singles" ou de "Race is Long".
"The Singles" parece-me ser uma das canções centrais deste álbum. Será talvez a que mais perturbação nos causa. A construção é irrepreensível, com mudanças de ritmo constantes e fundindo sonoridades diferentes, além de ser o exemplo de uma excelente letra, da autoria de Sónia Tavares.
A meio do álbum, e depois dos quase treze minutos de "The Singles", encontramos o lado mais calmo de "Explode". Primeiro, com "Primavera", uma balada cantada em português, tornando-se assim a terceira canção dos Gift em português (Sendo as primeiras "Ouvir" e "Fácil de Entender".), que é particularmente eficaz no sentido em que consegue fundir uma melodia algo triste com um ritmo aparentemente dissidente, mas que, como bem vemos, acaba por não sê-lo. Depois, "Aquatica" continua esta linha, fazendo até lembrar outros tempos dos The Gift, mais barrocos e, neste caso, com um certo sabor a chanson, o que não deixa de ser surpreendente.
"My Sun", que se segue, retoma o lado de mais frenesi. Além disso, faz-nos também perceber algo: este álbum dos The Gift não vem do nada, já anteriormente houve indícios de que eles seriam capazes de um álbum assim. "My Sun" vem precisamente recordar alguns desses momentos, como fossem "An Answer" ou "Red Light", ambos de "AM-FM" ou "Clown" e "Question of Love", que encontramos em "Film". Nesta canção, é ainda de notar um certo e tímido retorno aos arranjos de cordas, ainda que aqui sejam sintéticas. Acontece um pouco por todo o álbum, o que é óptimo porque, para o bem e o mal, os Gift estarão sempre um pouco associados a um tipo de música mais complexo, mais barroco, se quisermos e o facto de aparecer aqui, significa que nada disso é impossível num álbum que se quer mais festivo.
"Suit Full of Colours" é outra das canções serenas de "Explode" e, eventualmente, a mais simples de todas. A canção em tudo se aproxima daquilo que são os The Gift em palco, e "Fácil de Entender" é disto particularmente um bom exemplo. E uma vez mais aqui vemos que os Gift não precisam de abdicar do lado grandioso da sua música, esse sim, verdadeiramente explosivo desde sempre.
A fechar, encontramos "Always Better If You Wait For The Sunrise", que, além de uma das melhores canções deste álbum, parece ser uma das melhores dos The Gift. Representa realmente um trabalho de uma banda de cinco músicos por si só, e capazes de criar uma canção assim tão hipnotizante e verdadeiramente perfeita. E, uma vez mais, palmas para a letra de Sónia Tavares.
À primeira vista, em "Explode" parece mais fácil apontar influências aos Gift do que nos anteriores. Parece-nos ouvir aqui qualquer coisa de Arcade Fire, de Clap Your Hands Say Yeah ou até de alguma coisa dos Kings of Convenience (É de assinalar que o produtor deste álbum, Ken Nelson, trabalhou com estes últimos.). No entanto, ouvindo o álbum segunda vez, percebemos que essas influências, podendo ocorrer-nos quase intuitivamente, na verdade não são tão garridas como poderia parecer. É facto que este é, até à data, o álbum mais trendy dos The Gift. Mas, se bem ouvido, percebemos que não é tão fácil como possa parecer. Por um lado, ele tem algo daquilo que se passa na música alternativa em geral, mas, por outro lado, não deixa de soar também como uma espécie de reacção, ou seja, como uma prova de que determinados conceitos podem ser utilizados sem significarem propriamente uma cedência ou uma perda de identidade. De facto, não há nem cedências nem perdas de identidade aqui.


Uma das coisas mais importantes para um músico é, a meu ver, a capacidade de não se repetir. É facto que "Explode" não vem repetir nada daquilo que os Gift têm feito, ainda que em algumas canções encontramos já alguns indicadores do que viria a ser este álbum. Por um lado, é sempre boa esta capacidade de reinvenção. Os novos Gift são, de facto, mais coloridos e mais "explosivos", mas há algumas reservas que, àparte tudo isso, tenho que colocar. A maior será, penso, esta: os The Gift têm como vocalista uma das melhores cantoras portuguesas. A voz de Sónia Tavares, goste-se ou não, é sempre um prato-forte da banda, quer pela força portentosa, quer pela invulgaridade. Pergunto-me se em algumas (Mas mesmo só em algumas.) canções de "Explode" a voz de Sónia não estará demasiado discreta. Talvez não seja bem assim, mas é facto que, de alguma forma, por vezes se sente falta daqueles delírios que ouvíamos em "Nowadays" ou "Cube".
Aparte isso, penso que "Explode" vem mesmo trazer algo de novo para os Gift, e algumas das suas melhores canções estão precisamente neste álbum. Fico curioso em relação à transposição para o palco. No Teatro Tivoli temos concertos hoje e amanhã e depois nos dias 25 e 26 de Março. A base é boa e eu confio que os Gift não vão desiludir em palco. Como sempre.




sábado, 16 de maio de 2009

há literalmente anos

que ando a dizer que, depois da Amália, a melhor voz que Portugal deu à luz foi a de Sónia Tavares. A brilhante interpretação da vocalista dos The Gift de "Gaivota" da diva do fado prova que eu não podia ter mais razão. Do álbum "Amália Hoje", onde além de Sónia Tavares, constam Nuno Gonçalves, também dos The Gift; Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell; e Paulo Praça.