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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Eduardo Nery





painéis da estação de Campo Grande do Metro de Lisboa

domingo, 9 de janeiro de 2011

Um Soneto


Apenas do amor quero tão alto preço
do mais pouco ou quase nada peço
dias há em que o verso pede rima
como este a querer o que estima

e que não direi; pois que a vida
se se sente desordenada
ou em ardor que começa e finda
imprevisível em cada coisa e nada

ninguém assim o determina.
Apenas de quando em quando vestígios
por entre duas cidades, dois rios

um a norte, outro a sul que te imagina
ou balouça ou adormenta se o penso
querer dizer aqui o que não posso

Helga Moreira
Tumulto
2003, ed. &etc
imagem de Eduardo Nery

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Um Poema



Mas que do nada ao menos fique
um momumento de palavras.
David Mourão Ferreira

que fique um monumento de palavras
só de palavras que não arrefeçam
como lobas do sol sugando a terra
na densa arquitectura da estiagem

um arco incandescente que do nada
gere sílabas férteis alfabetos
como fachos de luz sobre o deserto
de minúsculas vidas em combate

que desse monumento surja o livro
o rumo a rotação em que se fundam
todos os dedos unos sem litígios

a síntese perfeita da puríssima
da silente verdade resoluta
dentro do homem novo em seus desígnios.

Olga Gonçalves
Três Poetas
1980, ed. O Oiro do Dia
desenho de Eduardo Nery