quinta-feira, 17 de abril de 2008
não muita vez
Não muita vez nos vemos, mas se poucos
Amigos há para falar
Dos quais me sirvo de relâmpagos, de todos
É ele o que melhor vai com a minha fome.
Os dedos com que me tocou
Persistem sobre a pele, onde a memória os move.
Tacteiam, impolutos. Tantas vezes
A suor os traz consigo da memória, que nas tenho
Na pele poro através
Do qual eles não procurem sair quando transpiro. A pele é o espelho da memória
LUIS MIGUEL NAVA, "A Inércia da Deserção", 1981
isabel lhano, "eco", 2001
quarta-feira, 16 de abril de 2008
a (minha) verdade
terça-feira, 15 de abril de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
O Brilho da Lama de Isabel de Sá
"Conversa de Bispos" 1977
Isto porque o primeiro capítulo do livro não ao acaso tem o nome de "Das Trevas Para a Luz": este era também o nome da exposição antológica dos 20 anos de pintura de Isabel de Sá na Galeria de São Mamede. E estes poemas, sempre dentro da linguagem única da artista, reflectem e aprofundam aquilo que já está á mostra nas pinturas. São, portanto, aqui analisados esses personagens, também eles únicos: as "mulheres-bonecas, apunhaladas", os "Bispos, rostos de luxúria/ e tirania", as "Crianças aterrorizadas/ no leito de morte,", as claraboias, os unicórnios, os demónios, os pássaros, etc.
Depois, "Na Escuridão do Espelho", o segundo capítulo, surgem em força os sentimentos, a sua erosão, no fundo, as coisas menos analistas e mais introspectivas, em que a poetisa fala para outra pessoa, para a pessoa que é o seu objecto de paixão, ou o seu objecto de amor. E estes são poemas belíssimos, carregados de um conhecimento muito exacto sobre o desejo, a paixão, o amor, a luxúria, a morte, o desgaste, e tudo o que povoa a vida.
"O Brilho da Lama" é, por isso, um livro obrigatório. Destaque também para a capa, brutal, com duas imagens de 1977 da própria Isabel de Sá.
Ficam dois poemas do livro, para dar uma ideia de como ele é:
Amantes encontram-se, furtivamente.
(do primeiro capítulo, Das Trevas Para a Luz)
Conhecemoso ritmo e a sede,
Tudo o que disseste
(do segundo capítulo, Na Escuridão do Espelho)
na próxima quinta feira
Lembrança de Perder Tudo

sábado, 12 de abril de 2008
o som
Chama-se "Smells Like Teen Spirit", e é impossivel que alguém não conheça, a não ser que viva em Marte. Este é o vídeo de uma das músicas mais marcantes da banda do falecido Kurt Cobain.
O Delírio
Delírio estético: a música, o video, etc, etc, etc. Palavras para quê? Afinal, there are (only) 20 years to go...
The Gift - 645
Eis o novo single do "Fácil de Entender" dos The Gift. Chama-se "645" e não deixa de ser uma excelente oportunidade para apreciar a qualidade da banda. Sónia Tavares, excentrica, como sempre, consegue uma das suas melhores interpretações.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
as palavras
NATÁLIA CORREIA, "A Madona" (1982)
Imagem: CASPAR DAVID FRIEDRICH
quinta-feira, 10 de abril de 2008
a força
Nunca vi anjos nem aprendi orações
Como aprendi versos, mas desde cedo uma
Certa conspiração calma recolhida na parte
De trás da existência me foi dando
Conselhos, monocórdicos, pontuais;
Uma força constante que
Afastada dos dias e do seu ruído próprio
Me acompanhou. Nada religioso, nenhum Deus,
Nenhum temor, nenhuma adoração,
Chamemos à coisa: disciplina. E assim está bem.
O mundo avança e acontecem coisas,
E o meu corpo recolhe-se e faz o que tem a fazer.
GONÇALO M TAVARES, "Autobiografia"
Imagem: "OS ADORMECIDOS" de SOPHIE CALLE (1979)
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Sarah McLachlan - Ice
Do DVD de "Afterglow Live", a avassaladora versão ao vivo de "Ice" do longínquo álbum "Fumbling Towards Ecstasy" de 1993. Muito muito muito bom.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Das Margens de Vitor Ribeiro
E estas duas ideias distintas, parecem ser igualmente aplicáveis á mais recente exposição de Vítor Ribeiro.
"Árvore das Margens"
O artista portuense, nascido em 1957, mostra assim 17 esculturas e alguns desenhos projectuais, em Brecha de Santo António.
São principalmente, imagens de árvores. Árvores que podem muito bem ser o que existe nas margens de um rio. E estas árvores são esculpidas aproveitando a textura do material, a rugosidade ainda não polida, e construindo os ramos de uma forma simplista, quase tosca, não fosse a delicadeza das curvas e contracurvas. Mas não há nenhuma preocupação em ser muito realista. É-nos dada a certeza de que estamos perante a escultura de uma árvore, na maioria das vezes sem serem esculpidas muitas folhas ou uma reprodução minuciosa da textura dos troncos. E é aqui que entra a outra margem, a escolha de recusar os elementos habituais para nos dar a sugestão de uma árvore. E assim, Vítor Ribeiro cria algumas dualidades muito interessantes, como o facto de alguns ramos parecerem quase antropomórficos, pessoas em poses de momento, como as estátuas do Barroco. Mas isto depende muito da imaginação de quem vê. No entanto, o facto de ser possível, faz da exposição susceptível a várias interpretações, e este é um dos princípios da arte.
"Árvore Debruçada"
Assim sendo, e fazendo lembrar a belíssima fase dos “Escravos” de Miguel Ângelo Buonarrotti, vemos estas árvores que vão emergindo do bloco (“Friso”.) ou que irrompem dele como se se levantassem (“Tronco”.), que apenas assumem os seus próprios contornos (“Tronco Velho”.), ou que vão devorando de fora para dentro (“Árvore das Folhas.”), ou que vão vertendo da pedra sobre os suportes de ferro (“Árvore Debruçada”.). Além desta possível reminiscência renascentista/ maneirista, é possível, pelo aspecto rude do todo das esculturas, encontrar algumas referências pré-históricas, assumindo o artista várias estilizações da imagem da árvore.
Além das árvores, em dois trabalhos, Vítor Ribeiro apresenta casas: “Imbordeiro” e “Da Minha Casa Á Tua”, em que usa a irregularidade da pedra e, sobre ela, que dá a sugestão de vertente de montanha, ou de aproximação a um vale onde corra um rio, esculpe as casas, também de uma forma simplória e estilizada. Em “Imbordeiro” toma ainda a opção de colocar a casa e uma pequena árvore sobre o vale, e o vale sobre um expositor cónico, como se houvesse o perigo do transbordar das margens.

"Árvore do Rio"
Ou seja, nesta exposição, são as árvores o elemento que decide onde estamos. O espectador, na sua posição de observador, observa as esculturas desde o rio, é o que passa e vislumbra as margens, vê o que fica ali, erecto, erguido ao ar. O rio, esse, passa na Galeria de São Mamede, em Lisboa, até Abril. A passar, devagarinho.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
isto são
Lídia Jorge, “Combateremos a Sombra” (2007)
“há um nítido ardil no tempo a aproximar as vozes
dos animais do pasto inabitado com que designas
o lado exterior da esperança a sagração da luz
na profundidade do quadro onde atas os fios dos afectos”João Rios, “Na Luz dos Afectos”, 2002 (Dedicado a Isabel Lhano, e incluído no catálogo da exposição “Affection)
“Dear God if you were alive
You know we´d kill you”Marilyn Manson, “GodEatGod” (2000)
“As pessoas viviam apenas para si próprias, para a sua própria satisfação e tudo o que diziam de Deus e do Bem não passavam de mentiras. E se, por acaso, alguém perguntasse porque é que sobre a terra tudo está organizado de tal maneira que os homens não se cansam de fazer o mal, não havia oportunidade para reflectir sobre isso. Vem o tédio: um cigarro, um copo de aguardente, ou, melhor ainda, um pouco de amor, e tudo se esvai.”Lev Tolstoi, “Ressurreição” (1899)
“I went to a concert
And I fought through the crowd
Guess I got too excited when I
Thought you were around”Julian Casablancas, “Heart In a Cage” (2005)
“Na leve suspensão de Agosto, de que a noite não tarda a tomar conta por completo, parece criar e rodear-se de um brilho pálido semelhante a um halo. O halo está cheio de caras. As caras não estão marcadas pelo sofrimento, nem estão marcadas por nada: nem horror, nem dor, nem sequer recriminações. Estão com um ar pacífico, como se tivessem escapado a uma apoteose…”William Faulkner, “A Luz de Agosto” (1932)
“we may be
“porque sem beleza não se aguenta estar vivo.”Isabel de Sá, “Esquizo Frenia” (1977-8)
“Não sei como é possível falar desse
Rapaz pelo interior
De cuja pele o sol surge antes de o fazer no céu.”Luís Miguel Nava, “Como Alguém Disse”
“eu te amo porque te amo
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.”Carlos Drummond de Andrade
“No, not baby anymore
If I need you I´ll just use your simple name
Only kisses on the cheek from now on
And in a little while I´ll only have to wait…”Fiona Apple, “Love Ridden” (1997)
“Evidentemente, havia a música. Na minha vida há sempre música. Tudo começa com uma canção, e quando não começa, começa mal. Ás vezes começa com uma canção e também começa mal. Talvez porque não seja a canção adequada.”José Eduardo Agualusa, “Não Deve Dormir Quem Ama” (Egoísta, Setembro de 2007)
“I don´t even care if it works out fair in the end. I´m sure it doesn´t.”Kathy Bates, como Bettina, em Sete Palmos de Terra (ep. 3 da 3ª época, escrito por Kate Robin, 2003)
“and I have the sense to recognize
That I don´t know how to let you go
The glowing amber, burning hot
And burning slow…”Sarah McLachlan, “Surfacing” (1996)
domingo, 6 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
24 hours
Helena Almeida, "Saída com Raiva", 1982
So this is permanence, love's shattered pride.
What once was innocence, turned on its side.
A cloud hangs over me, marks every move,
Deep in the memory, of what once was love.
Oh how I realised how I wanted time,
Put into perspective, tried so hard to find,
Just for one moment, thought I'd found my way.
Destiny unfolded, I watched it slip away.
Excessive flashpoints, beyond all reach,
Solitary demands for all I'd like to keep.
Let's take a ride out, see what we can find,
A valueless collection of hopes and past desires.
I never realised the lengths I'd have to go,
All the darkest corners of a sense I didn't know.
Just for one moment, I heard somebody call,
Looked beyond the day in hand, there's nothing there at all.
Now that I've realised how it's all gone wrong,
Gotta find some therapy, this treatment takes too long.
Deep in the heart of where sympathy held sway,
Gotta find my destiny, before it gets too late.
IAN CURTIS para o álbum CLOSER dos JOY DIVISION, 1980
sexta-feira, 4 de abril de 2008
The Editors no Coliseu do Porto
Veredicto: 20/20
Editors- An End Has a Start
Segundo momento do concerto, primeira música tocada do novo álbum, "An End Has a Start".
quinta-feira, 3 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
com que voz
terça-feira, 1 de abril de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
Ice
Helena Almeida: "Pintura Habitada" 1976
The ice is thin come on dive inunderneath my lucid skin
the cold is lost, forgotten
Hours pass days pass time stands still
light gets dark and darkness fills
my secret heart forbidden...
I think you worried for me then
the subtle ways that I'd give in but I know
you liked the show
tied down to this bed of shame
you tried to move around the pain but oh
your soul is anchored
The only comfort is the moving of the river
You enter into me, a lie upon your lips
offer what you can, I'll take all that I can get
only a fool's here...
I don't like your tragic sighs
as if your god has passed you by well hey fool
that's your deception
your angels speak with jilted tongues
the serpent's tale has come undone you have no
strength to squander
The only comfort is the moving of the river
You enter into me, a lie upon your lips
offer what you can, I'll take all that I can get
only a fool's here to stay
only a fool's here to stay
only a fool's here
SARAH MCLACHLAN para o álbum FUMBLING TOWARDS ECSTASY (1993)
quinta-feira, 27 de março de 2008
Shivaree - John 2/14
Resgatado dos confins do YouTube: John 2/14 dos Shivaree, do álbum Rough Dreams. Excelente...
quarta-feira, 26 de março de 2008
Histórias Improvaveis de Benedita Kendall
"Conectividades II"
"Histórias Improvaveis"
"Rivalidades"
Para ver até Abril na Galeria de Sao Mamede, em Lisboa.
cowboys
Did you sweep us far from your feet,
Reset in stone this stark belief,
Salted eyes and a sordid dye,
Too many years.
But don't despair,
This day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.
Did you feed us tales of deceit,
Conceal the tongues who need to speak?
Subtle lies and a soiled coin,
The truth is sold, the deal is done.
But don't despair,
This day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.
Undefined, no signs of regret,
Your swollen pride assumes respect,
Talons fly as a last disguise,
But no return, the time has come.
So don't despair,
And this day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.
Oh, if you take these things from me
de BETH GIBBONS para "PORTISHEAD" dos Portishead, 1997
terça-feira, 25 de março de 2008
sad empire
Sad Empire is shaking from the inside
Picks all the faces of last soldiers in battle
Says goodnight and sleeps, restless
Kill switch-mode, communicator presets
Quite obscure, the purpose is grateful
No one will keep silence apart from what I see coming in
I see the storm, it´s rushing by
Reporting damage
Rainy hearts
And the sky is suffering from natural diseases
I hear sounds
And they clap their hands like if they wish to be seen
Take all the blame
My world apart
And the worst nightmare on earth
Take all the rest
My world apart
I will spin it backwards
And the worst nightmare on earth...
MIGUEL GUEDES para "A Way To Bleed Your Lover" Blind Zero
Imagem: "ELE" de JOAO PEDRO RODRIGUES
segunda-feira, 24 de março de 2008
Portishead- Machine Gun
Vídeo do primeiro single do novo álbum, "Third" a ser lançado em Abril. Onze anos depois de "Portishead", é o regresso aguardadíssimo de Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley.
Caravelas
domingo, 23 de março de 2008
Final Examination de Fred Olen Ray
A primeira sequência do filme é o suicidio de uma teenager típicamente americana.
Depois vemos um grupo de mais teenagers com um aspecto ainda mais insultuoso (Do genero cilicone por todos os centimetros, cabelos loiros pintados, riso histérico e de uma conversa a deixar o fútil a perder de vista...), e o namorado de uma delas, com o aspecto típico de um surfista (Eu diria que é surfista da banheira, mas isto é uma opinião pessoal.). A namorada deste sujeito é a primeira a morrer, numa cena que prima pela falta de jeito.
A estas coisas, juntam-se outros elementos típicos do filme fácil: sexo com particular atenção aos corpos esculturais, uma terrível cena no chuveiro que deixaria Hitchcock insultado, mortes em cenários improvaveis, com contornos improvaveis e exibicionismo qb, para que não haja dúvidas de que se trata de um slasher movie americano recente. O amor que começa a despontar entre o nosso detective e a sua colega, igualmente típico, também marca pontos.
De facto, típico é a primeira palavra que se associa a "Final Examination". Tudo é típico, tudo é vulgar.
Depois, ha outra palavra que também se aplica, mas só depois de se ver o final: insultuoso:
Não há um assassino, há três, e são todos irmãos da rapariga que s suicidava, e por um motivo, diga-se, muito estúpido.
É uma abundância de Kinkades (O aplido da família da rapariga e dos irmãos assassinos.) que não se vê em qualquer sítio. Nem num filme tão palerma como "Sei o Que Fizeste no Verão Passado" nos mostravam uma resolução tão estúpida, que nos deixa a sentir um nervosismo que provavelmente advém do facto de estarem a atentar contra a nossa inteligência.
Resultado: um filme muito, muito mau. Razões para vê-lo:
a) se estiverem a precisar de umas boas gargalhadas
b) se não acreditarem que é tão mau como estou a dizer
c) se quiserem um pseudo-erotismo desinteressante tipo "Marés Vivas"
d) se gostarem de filmes rascas sobre assassinos que nunca poderiam ser reais.
Caso contrário, a sério, não vejam.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Goldfrapp: Seventh Tree
quinta-feira, 20 de março de 2008
dissolved girl
Shame, such a shame
I think I kind of lost myself again
Day, yesterday
Really should be leaving but I stay
Say, say my name
I need a little love to ease the pain
I need a little love to ease the pain
It's easy to remember when it came
'Cause it feels like I've been
I've been here before
You are not my savior
But I still don't go
Feels like something
That I've done before
I could fake it
But I still want more
Fade, made to fade
Passion's overrated anyway
Say, say my name
I need a little love to ease the pain
I need a little love to ease the pain
It's easy to remember when it came
'Cause it feels like I've been
I've been here before
You are not my savior
But I still don't go,
I feel live something
That I've done before
I could fake itBut I still want more, oh.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Susana Bravo: Circo Aberto
Em termos técnicos, as telas estão muito bem conseguidas. Povoadas maioritáriamente por mulheres, o sentido caótico não se perde: as figuras sobrepõem-se, criam uma espécie de revolução sobre a superfície. O sentido cénico é aguçado, pondo em evidência este espaço que é o circo, e que a exposição coloca em aberto. Para isto, acaba por fundir pintura e desenho na mesma tela: algumas das figuras estão, de facto, pintadas outras são sugeridas apenas pela linha desenhada. No entanto, este caos que reina, acaba por ser inserido em cores suaves, que funcionam como um elemento que embeleza ou confere algum brilho ás imagens, tornando-as menos agressivas e mais idílicas.

No entanto, eu sou apologista de que devemos ter uma noção tão larga quanto possível do que está á nossa volta, e esta colecção explora um tema quase insólito. Portanto, a ver, até dia 29 de Março, na Galeria Artes do Solar de Santo António.
Susana Bravo (Video)
Video com as obras de "O Circo Aberto" a da pintora no seu atlier, durante a execução dos trabalhos.
terça-feira, 18 de março de 2008
Editors - The Racing Rats
O vídeo mais recente de "An End Has a Start", muito bom, para uma música muito boa. A contagem decrescente para os concertos em Portugal já começou.
caspar david friedrich


História de Uma Desculturização
Depois deste tempo todo, necessário para avaliar o comportamento de La Féria, digo-vos o que acho.
No sentido oposto, ou seja, exemplo de um excelente trabalho, foi Paulo Brandão, a quem foi entregue o Theatro Circo de Braga. Devo dizer que considero o cartaz do Theatro Circo senão o melhor, um dos melhores do país. Prima pela diversidade, e pela selectividade cultural.
segunda-feira, 17 de março de 2008
My Sweet Prince
Coco de Colbie Caillat
De facto, muitas vezes, a promoção que se faz de uma pessoa só a leva a ser prejudicada. O mito que se cria á volta de tanta gente acaba por lhes ser fatal, quando não conseguem corresponder.
Isto acontece com Colbie Caillat.
Dela, contam aquela história tão típica como desinteressante: a da menina que chegou ao mundo da música por acaso. Especificamente, Colbie fez upload de uns videos seus no YouTube, e alguém descobriu a sua fenomenal voz e convidou para gravar um álbum onde figuram muitas das grandes canções do ano.
Colbie Caillat - Bubbly
Video de avanço de "Coco". Pode ser previsível, mas é coerente. E a canção é boa...
domingo, 16 de março de 2008
Goldfrapp- Utopia
Talvez já tenha fugido á memória de muitos o álbum "Felt Mountain" dos Goldfrapp, a sua estreia em 2000, e com ele "Utopia", primeiro single. Se assim é, a injustiça fica evidente no videoclip oficial, um delírio estético que reforça a carga onírica e etérea da canção.
FamaShow
sábado, 15 de março de 2008
Tori Amos - A Sorta Fairytale
Eu sei que tenho postado muitas coisas sobre a Tori Amos, mas estava hoje em viagem quando me lembrei deste excelente videoclip, e não resisti em fazer alusão a ele. Tem a participação do vencedor do óscar de Melhor Actor, Adrien Brody, além de ser uma das melhores músicas, tanto do álbum "Scarlet´s Walk" como de toda a discografia da minha querida Myra Ellen Amos. Cheers Tori!
sexta-feira, 14 de março de 2008
Lovely de Frank Ronan
O ALUCINOGÉNIO
Confesso a minha ignorância, nunca tinha ouvido falar de Frank Ronan, e, se acabo agora de ler “Lovely” é só porque mo emprestaram.
E, não conhecendo a restante obra do autor, é para mim como caminhar em areias movediças estar a falar deste romance. Mas, arriscando-me a dizer asneiras, aventuro-me a comentar uma história que tanto me tocou, precisamente por isso.
“Lovely” é a alucinante história de amor entre Nick e Aaron, dois homens que se conhecem em Goa, no seu ciclo de festas que incluem mulheres chai, álcool, música até de madrugada e vários tipos de droga. Não se trata de um amor á primeira vista, mas de algo que ambos reconhecem como o encontrar de algo que há muito se procurava. Assim sendo, na primeira parte, “O Amor”, é-nos descrita forma como a sua relação germina, numa espécie de mundo onírico em que nada poderá correr mal, pois tudo é apanhar sol na varanda ou na praia, passear com os amigos, viajar de barco e fumar charros até ás tantas da madrugada. Assim, Nick e Aaron dão-se a conhecer um ao outro, o primeiro proveniente de um passado problemático que inclui prostituição e um sem-número de relações mal sucedidas; ao passo que o segundo tem apenas histórias bonitas e quase surrealmente boas, que passam por uma vida em que atingiu tudo o que quis atingir. Estas insignificantes realidades opostas virão a ganhar relevância na segunda parte, “A Vida” em que os vícios de Nick com a droga e o álcool se revelam diários, e não esporádicos, ao passo que o círculo de classe média-alta de Aaron considera o seu novo namorado indigno do amor dele. E, enquanto Aaron se esforça por ajudar Nick, este parece empenhado em dar razão aos descrentes amigos e familiares de Aaron.
Assim, a relação de ambos vai-se destruindo, enquanto fica cada vez mais ténue até para o próprio Aaron se ama Nick ou o que Nick poderia ser, e este último fica demasiado afogado em álcool para permitir que as coisas corram bem, e para permitir a si próprio honrar o amor extremo que tem por Aaron.
Inserido no Dirty Realism de David Leavitt, Jay McInnerney e Raymond Carver, Frank Ronan consegue atingir aquele que é um dos objectivos máximos desta corrente: retratar um tipo de realidade que, mesmo nos dias de hoje (Não devemos considerar um livro de 1996 antigo.) é abordada com muito pudor, ou então não é abordada de todo. É o caso deste romance sobre uma relação amorosa entre dois homens, mas Ronan consegue, ao mesmo tempo, relatá-la sem cair nos lugares-comuns de mostrar como é que uma relação vítima de preconceitos sociais consegue triunfar. Não há rumores de preconceito social aqui. A questão é assumida da forma como (Afirmo.) deve ser assumida: como uma coisa normal. É essa a qualidade principal da narrativa deste escritor: foca-se na realidade íntima destas pessoas, aproxima-se da esfera do inconsciente, e não se deixa distrair por questões paralelas que pouco acrescentariam. Por outro lado, em relação á escrita, é a normal dentro desta tendência essencialmente americana: descrições rápidas (Que deixam um espaço para a imaginação do leitor.), ambientes mais ligados ao underground e uma brutal fluidez de texto que faz dele pouco maçudo e muito empolgante.
Portanto, recomendo.
Veredicto: 18/20
quinta-feira, 13 de março de 2008
o poema
quarta-feira, 12 de março de 2008
Tori Amos - Me and A Gun
Ao vivo, uma das melhores canções de Mayra Ellen Amos. Um daqueles intemporais...
terça-feira, 11 de março de 2008
downhearted blues

when that someone don't love you!
I'm so disgusted,
heart-broken, too;
I've got those down-hearted blues;
Once I was crazy
'bout a man;
he mistreated me all the time,
The next man I get has got to promise me
to be mine, all mine!
Trouble, trouble,
I've had it all my days,
Trouble, trouble,
I've had it all my days;
It seems like trouble going to follow me to my grave.
I ain't never loved but three mens in my life;
I ain't never loved but three men in my life:
My father, my brother, the man that wrecked my life.
It may be a week,
it may be a month or two,
It may be a week,
it may be a month or two,
But the day you quit me, honey,
it's comin' home to you.
I got the world in a jug,
the stopper's in my hand,
I got the world in a jug,
the stopper's in my hand,
I'm gonna hold it until you meet some of my demands.
BESSIE SMITH


























