Veredicto: 20/20
sexta-feira, 4 de abril de 2008
The Editors no Coliseu do Porto
Veredicto: 20/20
Editors- An End Has a Start
Segundo momento do concerto, primeira música tocada do novo álbum, "An End Has a Start".
quinta-feira, 3 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
com que voz
terça-feira, 1 de abril de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
Ice
Helena Almeida: "Pintura Habitada" 1976
The ice is thin come on dive inunderneath my lucid skin
the cold is lost, forgotten
Hours pass days pass time stands still
light gets dark and darkness fills
my secret heart forbidden...
I think you worried for me then
the subtle ways that I'd give in but I know
you liked the show
tied down to this bed of shame
you tried to move around the pain but oh
your soul is anchored
The only comfort is the moving of the river
You enter into me, a lie upon your lips
offer what you can, I'll take all that I can get
only a fool's here...
I don't like your tragic sighs
as if your god has passed you by well hey fool
that's your deception
your angels speak with jilted tongues
the serpent's tale has come undone you have no
strength to squander
The only comfort is the moving of the river
You enter into me, a lie upon your lips
offer what you can, I'll take all that I can get
only a fool's here to stay
only a fool's here to stay
only a fool's here
SARAH MCLACHLAN para o álbum FUMBLING TOWARDS ECSTASY (1993)
quinta-feira, 27 de março de 2008
Shivaree - John 2/14
Resgatado dos confins do YouTube: John 2/14 dos Shivaree, do álbum Rough Dreams. Excelente...
quarta-feira, 26 de março de 2008
Histórias Improvaveis de Benedita Kendall
"Conectividades II"
"Histórias Improvaveis"
"Rivalidades"
Para ver até Abril na Galeria de Sao Mamede, em Lisboa.
cowboys
Did you sweep us far from your feet,
Reset in stone this stark belief,
Salted eyes and a sordid dye,
Too many years.
But don't despair,
This day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.
Did you feed us tales of deceit,
Conceal the tongues who need to speak?
Subtle lies and a soiled coin,
The truth is sold, the deal is done.
But don't despair,
This day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.
Undefined, no signs of regret,
Your swollen pride assumes respect,
Talons fly as a last disguise,
But no return, the time has come.
So don't despair,
And this day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.
Oh, if you take these things from me
de BETH GIBBONS para "PORTISHEAD" dos Portishead, 1997
terça-feira, 25 de março de 2008
sad empire
Sad Empire is shaking from the inside
Picks all the faces of last soldiers in battle
Says goodnight and sleeps, restless
Kill switch-mode, communicator presets
Quite obscure, the purpose is grateful
No one will keep silence apart from what I see coming in
I see the storm, it´s rushing by
Reporting damage
Rainy hearts
And the sky is suffering from natural diseases
I hear sounds
And they clap their hands like if they wish to be seen
Take all the blame
My world apart
And the worst nightmare on earth
Take all the rest
My world apart
I will spin it backwards
And the worst nightmare on earth...
MIGUEL GUEDES para "A Way To Bleed Your Lover" Blind Zero
Imagem: "ELE" de JOAO PEDRO RODRIGUES
segunda-feira, 24 de março de 2008
Portishead- Machine Gun
Vídeo do primeiro single do novo álbum, "Third" a ser lançado em Abril. Onze anos depois de "Portishead", é o regresso aguardadíssimo de Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley.
Caravelas
domingo, 23 de março de 2008
Final Examination de Fred Olen Ray
A primeira sequência do filme é o suicidio de uma teenager típicamente americana.
Depois vemos um grupo de mais teenagers com um aspecto ainda mais insultuoso (Do genero cilicone por todos os centimetros, cabelos loiros pintados, riso histérico e de uma conversa a deixar o fútil a perder de vista...), e o namorado de uma delas, com o aspecto típico de um surfista (Eu diria que é surfista da banheira, mas isto é uma opinião pessoal.). A namorada deste sujeito é a primeira a morrer, numa cena que prima pela falta de jeito.
A estas coisas, juntam-se outros elementos típicos do filme fácil: sexo com particular atenção aos corpos esculturais, uma terrível cena no chuveiro que deixaria Hitchcock insultado, mortes em cenários improvaveis, com contornos improvaveis e exibicionismo qb, para que não haja dúvidas de que se trata de um slasher movie americano recente. O amor que começa a despontar entre o nosso detective e a sua colega, igualmente típico, também marca pontos.
De facto, típico é a primeira palavra que se associa a "Final Examination". Tudo é típico, tudo é vulgar.
Depois, ha outra palavra que também se aplica, mas só depois de se ver o final: insultuoso:
Não há um assassino, há três, e são todos irmãos da rapariga que s suicidava, e por um motivo, diga-se, muito estúpido.
É uma abundância de Kinkades (O aplido da família da rapariga e dos irmãos assassinos.) que não se vê em qualquer sítio. Nem num filme tão palerma como "Sei o Que Fizeste no Verão Passado" nos mostravam uma resolução tão estúpida, que nos deixa a sentir um nervosismo que provavelmente advém do facto de estarem a atentar contra a nossa inteligência.
Resultado: um filme muito, muito mau. Razões para vê-lo:
a) se estiverem a precisar de umas boas gargalhadas
b) se não acreditarem que é tão mau como estou a dizer
c) se quiserem um pseudo-erotismo desinteressante tipo "Marés Vivas"
d) se gostarem de filmes rascas sobre assassinos que nunca poderiam ser reais.
Caso contrário, a sério, não vejam.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Goldfrapp: Seventh Tree
quinta-feira, 20 de março de 2008
dissolved girl
Shame, such a shame
I think I kind of lost myself again
Day, yesterday
Really should be leaving but I stay
Say, say my name
I need a little love to ease the pain
I need a little love to ease the pain
It's easy to remember when it came
'Cause it feels like I've been
I've been here before
You are not my savior
But I still don't go
Feels like something
That I've done before
I could fake it
But I still want more
Fade, made to fade
Passion's overrated anyway
Say, say my name
I need a little love to ease the pain
I need a little love to ease the pain
It's easy to remember when it came
'Cause it feels like I've been
I've been here before
You are not my savior
But I still don't go,
I feel live something
That I've done before
I could fake itBut I still want more, oh.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Susana Bravo: Circo Aberto
Em termos técnicos, as telas estão muito bem conseguidas. Povoadas maioritáriamente por mulheres, o sentido caótico não se perde: as figuras sobrepõem-se, criam uma espécie de revolução sobre a superfície. O sentido cénico é aguçado, pondo em evidência este espaço que é o circo, e que a exposição coloca em aberto. Para isto, acaba por fundir pintura e desenho na mesma tela: algumas das figuras estão, de facto, pintadas outras são sugeridas apenas pela linha desenhada. No entanto, este caos que reina, acaba por ser inserido em cores suaves, que funcionam como um elemento que embeleza ou confere algum brilho ás imagens, tornando-as menos agressivas e mais idílicas.

No entanto, eu sou apologista de que devemos ter uma noção tão larga quanto possível do que está á nossa volta, e esta colecção explora um tema quase insólito. Portanto, a ver, até dia 29 de Março, na Galeria Artes do Solar de Santo António.
Susana Bravo (Video)
Video com as obras de "O Circo Aberto" a da pintora no seu atlier, durante a execução dos trabalhos.
terça-feira, 18 de março de 2008
Editors - The Racing Rats
O vídeo mais recente de "An End Has a Start", muito bom, para uma música muito boa. A contagem decrescente para os concertos em Portugal já começou.
caspar david friedrich


História de Uma Desculturização
Depois deste tempo todo, necessário para avaliar o comportamento de La Féria, digo-vos o que acho.
No sentido oposto, ou seja, exemplo de um excelente trabalho, foi Paulo Brandão, a quem foi entregue o Theatro Circo de Braga. Devo dizer que considero o cartaz do Theatro Circo senão o melhor, um dos melhores do país. Prima pela diversidade, e pela selectividade cultural.
segunda-feira, 17 de março de 2008
My Sweet Prince
Coco de Colbie Caillat
De facto, muitas vezes, a promoção que se faz de uma pessoa só a leva a ser prejudicada. O mito que se cria á volta de tanta gente acaba por lhes ser fatal, quando não conseguem corresponder.
Isto acontece com Colbie Caillat.
Dela, contam aquela história tão típica como desinteressante: a da menina que chegou ao mundo da música por acaso. Especificamente, Colbie fez upload de uns videos seus no YouTube, e alguém descobriu a sua fenomenal voz e convidou para gravar um álbum onde figuram muitas das grandes canções do ano.
Colbie Caillat - Bubbly
Video de avanço de "Coco". Pode ser previsível, mas é coerente. E a canção é boa...
domingo, 16 de março de 2008
Goldfrapp- Utopia
Talvez já tenha fugido á memória de muitos o álbum "Felt Mountain" dos Goldfrapp, a sua estreia em 2000, e com ele "Utopia", primeiro single. Se assim é, a injustiça fica evidente no videoclip oficial, um delírio estético que reforça a carga onírica e etérea da canção.
FamaShow
sábado, 15 de março de 2008
Tori Amos - A Sorta Fairytale
Eu sei que tenho postado muitas coisas sobre a Tori Amos, mas estava hoje em viagem quando me lembrei deste excelente videoclip, e não resisti em fazer alusão a ele. Tem a participação do vencedor do óscar de Melhor Actor, Adrien Brody, além de ser uma das melhores músicas, tanto do álbum "Scarlet´s Walk" como de toda a discografia da minha querida Myra Ellen Amos. Cheers Tori!
sexta-feira, 14 de março de 2008
Lovely de Frank Ronan
O ALUCINOGÉNIO
Confesso a minha ignorância, nunca tinha ouvido falar de Frank Ronan, e, se acabo agora de ler “Lovely” é só porque mo emprestaram.
E, não conhecendo a restante obra do autor, é para mim como caminhar em areias movediças estar a falar deste romance. Mas, arriscando-me a dizer asneiras, aventuro-me a comentar uma história que tanto me tocou, precisamente por isso.
“Lovely” é a alucinante história de amor entre Nick e Aaron, dois homens que se conhecem em Goa, no seu ciclo de festas que incluem mulheres chai, álcool, música até de madrugada e vários tipos de droga. Não se trata de um amor á primeira vista, mas de algo que ambos reconhecem como o encontrar de algo que há muito se procurava. Assim sendo, na primeira parte, “O Amor”, é-nos descrita forma como a sua relação germina, numa espécie de mundo onírico em que nada poderá correr mal, pois tudo é apanhar sol na varanda ou na praia, passear com os amigos, viajar de barco e fumar charros até ás tantas da madrugada. Assim, Nick e Aaron dão-se a conhecer um ao outro, o primeiro proveniente de um passado problemático que inclui prostituição e um sem-número de relações mal sucedidas; ao passo que o segundo tem apenas histórias bonitas e quase surrealmente boas, que passam por uma vida em que atingiu tudo o que quis atingir. Estas insignificantes realidades opostas virão a ganhar relevância na segunda parte, “A Vida” em que os vícios de Nick com a droga e o álcool se revelam diários, e não esporádicos, ao passo que o círculo de classe média-alta de Aaron considera o seu novo namorado indigno do amor dele. E, enquanto Aaron se esforça por ajudar Nick, este parece empenhado em dar razão aos descrentes amigos e familiares de Aaron.
Assim, a relação de ambos vai-se destruindo, enquanto fica cada vez mais ténue até para o próprio Aaron se ama Nick ou o que Nick poderia ser, e este último fica demasiado afogado em álcool para permitir que as coisas corram bem, e para permitir a si próprio honrar o amor extremo que tem por Aaron.
Inserido no Dirty Realism de David Leavitt, Jay McInnerney e Raymond Carver, Frank Ronan consegue atingir aquele que é um dos objectivos máximos desta corrente: retratar um tipo de realidade que, mesmo nos dias de hoje (Não devemos considerar um livro de 1996 antigo.) é abordada com muito pudor, ou então não é abordada de todo. É o caso deste romance sobre uma relação amorosa entre dois homens, mas Ronan consegue, ao mesmo tempo, relatá-la sem cair nos lugares-comuns de mostrar como é que uma relação vítima de preconceitos sociais consegue triunfar. Não há rumores de preconceito social aqui. A questão é assumida da forma como (Afirmo.) deve ser assumida: como uma coisa normal. É essa a qualidade principal da narrativa deste escritor: foca-se na realidade íntima destas pessoas, aproxima-se da esfera do inconsciente, e não se deixa distrair por questões paralelas que pouco acrescentariam. Por outro lado, em relação á escrita, é a normal dentro desta tendência essencialmente americana: descrições rápidas (Que deixam um espaço para a imaginação do leitor.), ambientes mais ligados ao underground e uma brutal fluidez de texto que faz dele pouco maçudo e muito empolgante.
Portanto, recomendo.
Veredicto: 18/20
quinta-feira, 13 de março de 2008
o poema
quarta-feira, 12 de março de 2008
Tori Amos - Me and A Gun
Ao vivo, uma das melhores canções de Mayra Ellen Amos. Um daqueles intemporais...
terça-feira, 11 de março de 2008
downhearted blues

when that someone don't love you!
I'm so disgusted,
heart-broken, too;
I've got those down-hearted blues;
Once I was crazy
'bout a man;
he mistreated me all the time,
The next man I get has got to promise me
to be mine, all mine!
Trouble, trouble,
I've had it all my days,
Trouble, trouble,
I've had it all my days;
It seems like trouble going to follow me to my grave.
I ain't never loved but three mens in my life;
I ain't never loved but three men in my life:
My father, my brother, the man that wrecked my life.
It may be a week,
it may be a month or two,
It may be a week,
it may be a month or two,
But the day you quit me, honey,
it's comin' home to you.
I got the world in a jug,
the stopper's in my hand,
I got the world in a jug,
the stopper's in my hand,
I'm gonna hold it until you meet some of my demands.
BESSIE SMITH
segunda-feira, 10 de março de 2008
o livro

Chama-se "Holy Wood" e seria a versão literária do melhor álbum de Marilyn Manson. Devido á controvérsia política e religiosa, nenhuma editora o quis publicar. Mas seria bom, a avaliar pela narrativa do álbum...
domingo, 9 de março de 2008
uma das mais cómicas
http://www.youtube.com/watch?v=XlsdJhw78mc
sábado, 8 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Europa de Lars Von Trier
quinta-feira, 6 de março de 2008
Killer Condom de Martin Walz
O que estraga o filme, no entanto, não é a história, mas sim a excessiva normalidade com que esta é contada. Quando uma personagem diz qual é o voo em que Jesus Cristo chegará a New York isso é como dizer qual é o dia da semana em que estamos.
Além disso, algumas imagens surgem por via do facilitismo. Podem fazer rir o público, mas só pioram em termos técnicos o filme, que é um dos mais medíocres que tenho visto.
A realização é normal, por vezes um pouco parada, ao longo de filme, encontram-se também cenas em que é demasiado óbvio que tudo é encenado. Peca também pela apresentação esteriotipada de certos personagens como o travisti Bob/ Babette.
Sem ser um filme pertinente, vale pelo que vale, é um amontoado de risos acumulado num filme dispensável.
quarta-feira, 5 de março de 2008
La Habitacion de Fermat de Luís Pedrahita e Rodrigo Sopeña
Pode o filme não ser brutal, pode ter muitas arestas por polir, mas há que dar crédito a Luís Pedrahita e Rodrigo Sopeña porque o seu primeiro filme é, na realidade, um excelente início.
“La Habitacion de Fermat” parte de uma premissa simples: quatro matemáticos respondem correctamente a uma carta de apuramento para irem passar o fim-de-semana a tentar resolver ao que o enigmático Fermat, autor da carta, chama “o maior mistério matemático de sempre”.
Ao chegar lá, os matemáticos vêem-se encurralados na sala que começa a encolher á medida que levam demasiado tempo a resolver os enigmas que lhes são enviados por PDA.
Lentamente, começam a aperceber-se das ligações que existem entre si.
Ainda que esta premissa nos possa remeter intuitivamente para o díptico de “Cubo” e “Hipercubo”, “La Habtacion de Fermat” não envereda por esse caminho, nem pouco mais ou menos.
Á primeira vista, no filme, há um abuso insultuoso da coincidência, mas, na realidade, a resolução do filme vai mostrar-nos que não há coincidências, pelo menos aqui. Também uma reviravolta no final, relacionada com o facto do protagonista ter resolvido o enigma de Goldbach (Sem resolução há 250 anos.) vem acrescentar alguma credibilidade á história.
O argumento está bem conduzido, a realização arrisca pouco, mas ainda arrisca, alguns planos estão francamente mal concebidos (Ver um acidente de carro de cima não é uma boa ideia, é irreal e óbvio.)
Algumas partes do filme desenrolam-se muito depressa, o que nos vem mostrar, ou pelo menos a mim, que matemática não é mesmo a minha área.
Enfim, estes cineastas prometem mais, eu acredito. Gostei do filme, não o adorei, recomendo, e fico feliz por vê-lo no Fantas.
Veredicto: 16/20
terça-feira, 4 de março de 2008
I´m a Cyborg But That´s Ok de Park Chan Wook
Provavelmente, por mais que faça, Park Chan Wook será sempre relembrado por “Old Boy”. Rapidamente, tal filme ganhou o estatuto de filme de culto, e o nome do seu realizador está a ele para sempre associado. O que não quer dizer que Chan Wook não tenha feito filmes tão bons ou que venha a fazer melhores do que “Old Boy”.
Melhor, “I´m a Cyborg But That´s Ok” não será, mas é, certamente, em muitos aspectos, tão bom como “Old Boy”.
Esta é a história de uma rapariga que, na sequência de um acidente que se assemelha a uma tentativa de suicídio, é internada num asilo psiquiátrico. Na sequência do acidente, a rapariga começa a acreditar que é um cyborg. Mas não se importa.
Remexendo o seu passado, descobrimos que é filha da dona de um restaurante e neta de uma senhora que acreditava ser um rato, tal como agora a neta pensa ser um cyborg.
A psicose da avó leva-a a ser também internada. A neta acredita, então, que a sua missão é ir resgatar a avó, levar-lhe os rabanetes que esta comia o tempo todo, e aproveitar para matar os médicos que haviam levado a senhora.
Mas a rapariga sente compaixão desses médicos… pensa se eles não terão avós que também sofram com a sua perda.
Assim sendo, é de todo o conveniente que encontre um rapaz que consegue roubar características ás pessoas. Então, ela pede-lhe para lhe roubar a compaixão, para poder prosseguir na sua missão. É neste contexto que se apaixonam.
Ora, Park Chan Wook tinha muitas formas de explorar esta premissa, e, consequentemente, muitas maneiras de o arruinar. Mas a verdade é que não o faz. O seu percurso que muitas vezes passa pelo violento e pelo (Não tenhamos medo da palavra.) gore, mas a abordagem que faz á história de “I´m a Cyborg But That´s Ok” é não só bastante sensível como por vezes também idílica, o que só é conveniente, uma vez que faz um uso mais pleno da situação espacial e psicológica dos personagens.
O que falha então, na mais recente película de Chan Wook? Uma coisa crucial: a montagem. Terá o realizador esquecido o significado do conceito de “eliminar cenas”, para retirar o obsoleto? Poderá até ter sido intencional, mas, a verdade é que este excesso de pormenores desnecessários não melhora em nada o filme. Dá, aliás, a sensação de que estes 105 são três horas. O melhor exemplo é o final do filme que poderia ser contado de uma forma mais rápida e eficaz com a primeira das três cenas finais.
Ainda assim, temos em “I´m a Cyborg But That´s Ok” um sério candidato ao prémio do Fantasporto 2008. E não estaria mal entregue.
Veredicto: 17/20
segunda-feira, 3 de março de 2008
Graça Martins: Sleeping Beauty (2004)
Se quisermos dividir o seu trabalho em fases, de forma a traçar uma evolução, podemos dizer que, primeiramente, havia um primado do desenho, que acabava por proporcionar uma abundância de pormenores e um perfeccionismo obsessivo (Não no sentido pejorativo.). Aqui se inserem, por exemplo, as suas características meninas em pijama, onde a cabeça é eliminada, de forma a concentrar a atenção do espectador na expressão das riscas e das curvas dos pijamas. Iriam ser precisamente estes desenhos, a grafite, que haviam de levar a Graça Martins o 1º Prémio do Bicentenário da Invenção do Lápis, concorrendo com cerca de 700 candidatos. E não ao acaso. A astúcia com que domina a técnica vem de facto mostrar que só podemos estar perante uma postura artística prodigiosa.
Numa fase mais recente, o trabalho de Graça Martins evoluiu no sentido da simplificação. Num registo ligado á influência da pop art, continua a retratar as suas tão características meninas, sempre no sentido de evidenciar alguma ideia. Como feminista que é, os seus trabalhos remetem-nos frequentemente para temáticas ligadas á condição feminina. Olhemos para “Silence”, em que uma menina de beleza extraordinária se resigna ao silêncio. Nestas séries, ainda que haja um equilíbrio entre pintura e desenho, não deixa de se notar a mesma subtileza no traçar do desenho. Também a sua formação em Design Gráfico se nota, indo, também ele, de encontro á tendência da pop art. Quer seja na inserção de fotografias nas telas (Veja-se a homenagem a Rimbaud.), quer pela utilização de palavras (“Don´t Forget Me”), quer pelo desenho de objectos do dia a dia (“As Minhas Botas”).
São raparigas de ambientes urbanos, a denunciar problemas e condições ligados ao universo feminino urbano. Não no sentido de reivindicar ou escandalizar, mas usando a observação como forma de denúncia desses problemas ou ambientes. Não só o silêncio, o resumo á beleza, os estereotipos que vitimam a mulher, como também outras mais poéticas, por exemplo, a beleza e simplicidade de um olhar em “The Look” ou a vontade de expressão em “The Key”.

“Enquanto Não Se Esquece o Passado”
Mas, há algo de comum em todos os trabalhos da colecção, seja qual for a sua temática: a sensibilidade com que são abordados. Há erotismo em cada uma das telas, há simbologias, evidentemente, mas há, principalmente, sentimentos, que o corpo, e a sua expressividade nos mostram, há sentimentos em cada cara que é tapada (“The Night Of Cinderella”, “Enquanto Não Se Esquece o Passado”.), em cada seio que se revela quase involuntariamente (“Sleeping Beauty”, “Enquanto Não Se Esquece O Passado”.), em cada abraço (“Urban Teenagers”), na solidão ou companhia de cada uma (“Lolitas”). São meninas ora resignadas, ora emancipadas, ora desorientadas, ora conscientes, ora acordadas, ora adormecidas. A isto pode-se chamar, sem perigo, poesia visual.
A utilização da cor insere também as personagens nesses estados de alma. O azul calmo e nostálgico de “Enquanto Não Se Esquece O Passado”, o laranja quente em “The Look”, o cor-de-rosa sensual de “The Night Of Cinderella”, os laranjas tropicais em “I´ve Got You Under My Skin”.
E, para finalizar, as imagens que se inserem na imagem principal culminam a ideia. As botas de “As Minhas Botas”, os sapatos da Cinderella, a Vitoria de Samotrácia de “Enquanto Não se Esquece o Passado”, as fotografias silenciosas de “Don´t Forget Me”, a apetecível romã de “The Look”.
É certo que a exposição já é de 2004, e correntemente, não está exposta em nenhum lugar, mas qualquer reposição deve ser vista, por toda a gente.
domingo, 2 de março de 2008
Lou Rhodes na Casa da Música
As onze horas Oddur Mar Runarsson subiu ao palco para cantar algumas das suas canções, carregando assim o peso de uma plateia que não estava ali para o ver. Ainda assim, não se pode dizer que tenha corrido mal.
De facto, é estranho que, ao promover “Beloved One”, mais simples a nível instrumental, Lou tenha feito digressão com uma banda, e, agora, em “Bloom” onde a diversidade e complexidade instrumental são bem maiores se apresente em palco sozinha. Mas, logo em “The Rain”, uma coisa fica muito evidente: as músicas não perdem força nem energia ao serem despidas de tudo o que não seja guitarra acústica e voz.
Lou tem uma postura tímida, por vezes até demais, mas a entrega ás canções é total, e canta-as como quem de facto as sente.
Assim, quando a sua voz de faz ouvir cantando
“I know a man with the world on his shoulders
And angel´s wings on his back…”
não há muitas probabilidades de sentirmos a falta dos restantes instrumentos. Prossegue por “This Love”, que, estranhamente soa melhor assim, na versão de solo de guitarra.
“No Re-Run” marca o primeiro ingresso pelo primeiro álbum, “Beloved One”, numa versão que o que perde em fluidez ganha em ritmo. Em “Tremble” pede a ajuda do público para marcar o ritmo (De que a canção muito vive.) batendo palmas.
Uma das melhores músicas de “Bloom”, “Bloom”, ainda que muito bem interpretada, é uma das poucas que de facto, perde pela redução instrumental. Sem as notas de xilofone, apenas com a guitarra e a voz, fica a parecer uma música demasiado repetitiva e simples. O som nocturno não se perde, ainda assim. “Each Moment New” pontua também, sendo não só um dos mais comoventes momentos ao vivo como uma das melhores canções que Rhodes já escreveu (Lamb incluídos.) e nesta nova roupagem ganha um intimismo que muito bem lhe fica. Depois de uma pequena conversa sobre como uma música assume diferentes significados de acordo com a fase que uma pessoa atravessa, Lou lança-se na interpretação de “Beloved One” que, como “No Re-Run”, o que perde em fluidez, ganha em ritmo. A versão de “Tin Angel” de Joni Michell é lindíssima, sem dúvida. Antevisão de um terceiro álbum, “Some Magic Day”, resulta numa canção que, ainda que musicalmente muito interessante, peca pela predicabilidade da letra. “Icarus”, momento nada transcendente no álbum, soa ao vivo a uma espécie de feixe de luz sobre a figura introspectiva de Lou Rhodes: muito bonito. Segue-se um dos picos de beleza de “Bloom”, “All We Are”, do qual é melhor nem falar por ausência de palavras. Como que apalpar terreno, segue-se a versão á capella de “Gabriel”, resgatada ao “What Sound” dos Lamb. Momento de uma estética muito diferente do que Rhodes faz agora, resulta bem. “Never Loved (A Man Like You)” é também um belíssimo momento, onde, mais uma vez, os instrumentos fazem alguma falta, ainda que não retirem de todo a carga emotiva á canção. Fazendo-me sofrer até ao último momento, Lou guardou a minha preferida para o final, “They Say”, absolutamente perfeita. Os encores foram feitos com “Save Me” (Onde Lou se engana na letra, o que não devia ter deixado perceber…) e com “Sister Moon”, uma das canções que me parece menos pertinente no contexto do álbum.
Relatado o concerto que amei, ficam as minhas palavras de ódio:
Primeiro ao público: estava a sala cheia de pessoas que claramente desconheciam as canções de Lou Rhodes, limitando-se a conhecer, provavelmente, “What Sound”, álbum de mais projecção dos Lamb. Não se esforçavam por aderir ás canções, limitando-se a aplaudir sem grande convicção no final. Devem ter sido meia dúzia de pessoas a bater palmas quando Lou o pediu em “Tremble”. No final, os comentários que ouvi eram de uma grande ignorância do contexto desta carreira a solo: queixavam-se da falta de banda (Quando Rhodes alega, desde “Beloved One” que quer que a sua música se faça apenas do que lhe é essencial, o que muitas vezes pode ser só uma guitarra e voz.) e da timidez da cantora (Que sempre assim foi.). Sinceramente, acho que quem não conhece a música nem devia poder ir ver. Se estivesse no lugar de Lou Rhodes estaria muito mal impressionado com o público. Desrespeitaram-na totalmente, atirando-lhe uma indiferença que é nojenta, como se ela só tivesse o direito de cantar as músicas do Lamb. O PÚBLICO PORTUGUÊS É UMA VERGONHA!
Segundo, á Casa da Música: é suposto ser um espaço onde se abriguem vários tipos de música, mas, na realidade, há por norma orquestras de música erudita e bandas de jazz. O resto das duas uma: ou não vai, ou vai á sala pequena, que é o caso. O programa da Casa da Música é elitista e fechado, ignora muitos tipos de música. Fica a minha deixa. Recomendo que vejam estas canções ao vivo, vivamente. Blessings Lou…
Veredicto: 19/20
sábado, 1 de março de 2008
o poema
de pássaros invisíveis ou seres
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
The Tatooist de Peter Burger
Muitas vezes acontece, em cinema, em literatura, em pintura…, ou seja, na arte, que algo resulte bem enquanto peça individual, mas que resulte nalgo fraco por vir repetir ideias que já muitos outros exploraram.
Quem se lembra de “The Ring” em que uma cassete de vídeo fazia proliferar uma maldição, por exemplo?
“The Tatooist” tem a mesma sinopse, mas em vez de se tratar de uma cassete, trata-se de uma tatuagem.
Jake é um tatuador que numa das suas viagens rouba uma ferramenta de um grupo de tatuadores de Samoa. Mais tarde, acidentalmente, corta-se com ela. No momento em que roubara a ferramenta, também se apaixonara por uma rapariga dessa tribo. Portanto, decide procurá-la para lhe devolver o objecto roubado. Para a encontrar volta a trabalhar numa loja de tatuagens onde trabalhara há um ano atrás.
A certa altura, as tatuagens que fazia começavam a crescer, até que a pessoa morria. É quando se apercebe que o corte que tem na mão, feito pelo instrumento roubado, amaldiçoa as tatuagens que faz.
O filme é salvo pelas referências culturais (A Samoa e á tradição das tatuagens.) que sempre ajudam a retirar alguma predicabilidade, que se faz sentir nos cenários e nos personagens. Jason Behr, o protagonista, foge um pouco á regra, pelo ar lacónico e pelo aspecto entre o bem intencionado e o bad boy. As tatuagens que o filme mostra são também de muito mau gosto, do mais esteriotipado possível.
A realização de Peter Burger não arrisca um único milímetro além do previsível, fazendo uso de planos muito utilizados (O plano contrapicado que mostra o carro a chegar, e desce mostrando a placa da loja e por fim o carro a parar e Jason Behr a sair do carro.), e sem nenhuma preocupação em surpreender.
Alguns diálogos são irrealistas, sem dúvida, parecendo ser canalizados não para tornar o filme credível, mas para o tornar mais rápido.
O desfecho do filme é interessante, com algumas cenas potencialmente comoventes, filmadas da forma apropriada.
Ponto positivo para as aparições do espírito, que, ainda que á primeira vista possam parecer literalmente estúpidas, acabam por ser fortes e brutas.
Veredicto: 14/20
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
My Dream de Wang Honghai
O título do filme é “My Dream”, mas sobre ele, na maioria das cenas, só se pode falar de pesadelo.
“My Dream” não tem premissa. É uma sequência de performances musicais, vocais ou de dança levadas a cabo por deficientes (Cegos, surdos, paralíticos…).
A primeira sequência, em que, numa coreografia, um grupo de surdos interpreta a história de Buda deixa-nos maravilhados. É um delírio estético, uma explosão visual, e, definitivamente, um momento que todos gostaríamos de relembrar até ao mais ínfimo detalhe.
O problema chega logo a seguir. Durante as filmagens do ensaio para aquela peça, vemos legendas que nos dizem que todo o ser humano tem direito a uma vida digna, a ser feliz, a amar… todos esses moralismos feitos que aprendemos e repetimos, por vezes mais por hábito do que por convicção.
Vai acontecendo isto em todas as cenas do filme. As performances são belíssimas, dotadas de uma concepção visual brutal, mas as legendas vão arruinando o filme.
Momentos de referência pela positiva são, claro, a história de Buda, e “A Alma do Pavão” coreografia espectacularmente assumida por uma surda.
Pela negativa, há também que realçar os momentos de canto. Sendo o filme chinês, garanto que o mais inteligente seria não o legendarem. As letras vão buscar as frases aos referidos moralismos, e, como se tal afronta não fosse suficiente, o realizador filma-as como se se tratasse de uma versão chinesa do Festival da Eurovisão da Canção. Em relação precisamente á realização devo dizer que não é nada de especial. Nas performances não vai para além do esperado, nos making of atingem um ou outro plano mais interessante, mas é raro.
Não quero que se leia aqui que descrimino os deficientes ou algo do género. O que eu quero dizer é que nos primeiros momentos, é-nos dada a impressão de que se tratará de um filme disposto a mostrar-nos o que eles conseguem fazer e de, através das suas performances nos mostrar que, efectivamente, as deficiências de que sofrem não influenciam tanto assim o potencial que tenham para a arte. Em vez deste caminho, Wang Honghai escolhe ir pelo moralismo repetido, que só torna o filme mais previsível e enfadonho, e que acaba por transmitir de uma forma vulgaríssima aquilo que as imagens expressariam de uma forma mais insólita, eficaz, e certamente o filme seria melhor.
Veredicto: 10/20


























