quarta-feira, 30 de abril de 2008

o deserto


Deserto
Império do Sol
Tão perto
Império do Sol
Prova dos nove
Da solidão
Cega miragem
Largo clarão
Livre prisão
Sem a menor aragem
Sem a menor aragem

Que grande mar
De ondas paradas
Que grande areal
De formas veladas
Vitória do espaço
Imensidão
Ponto de fuga
Ampliação
Livre prisão
Anfitrião selvagem
Anfitrião selvagem

No deserto
Ouço o fundo da alma
E, se a areia está calma,
O bater do coração
É que tanto deserto
Tão de repente
Faz-me pensar
Que o deserto sou eu
Se não me vieres buscar


Letra: Carlos Maria Trindade
Foto: SuperMassive Black-Hole

Bittersweet Symphony

'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Trying to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the veins meet yeah

No change, I can't change
I can't change, I can't change
But I'm here in my mind
I am here in my mind
But I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mind
No, no, no, no, no, no, no,no,no,no,no,no(fading away)

Well I never pray
But tonight I'm on my knees yeah
I need to hear some sounds that recognize the pain in me, yeah
I let the melody shine, let it cleanse my mind, I feel free now
But the airways are clean and there's nobody singing to me now

No change, I can't change
I can't change, I can't change
But I'm here in my mind
I am here in my mind
And I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mind
No, no, no, no, no, no, no
I can't change
I can't change it

'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Trying to make ends meet
Trying to find some money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the veins meet yeah

You know I can't change, I can't change
I can't change, I can't change
But I'm here in my mind
I am here in my mind
And I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mind
No, no, no, no, no

I can't change my mind
no, no, no, no, no,
I can't change
Can't change my body,
no, no, no

I'll take you down the only road I've ever been down
I'll take you down the only road I've ever been down
Been down
Ever been down
Ever been down
Ever been down
Ever been down

THE VERVE, 1995, "Urban Hymns"
That you've ever been down
That you've ever been down

terça-feira, 29 de abril de 2008

Control de Anton Corbijn

RETRATO EM BRANCO E PRETO
Como fã que sou dos Joy Division, nunca poderia ter feito um comentário a "Control", primeira incursão no cinema do fotógrafo holandês Anton Corbijn, sem ter visto filme várias vezes.
Não é para este artista nada estranha a opção de fazer um biopic de Ian Curtis, uma vez que Corbijn é o realizador do vídeo de "Atmosphere", além de outros, dos quais os mais famosos serão "Personal Jesus" dos Depeche Mode e "Heart-Shaped Box" dos Nirvana.







E se já fotografou Bjork, os Arcade Fire, PJ Harvey, Jodie Foster, Kate Bush, Naomi Campbell, Massive Attack, Nick Cave ou os Skunk Anansie, não terá sido por ser mau fotógrafo. Pelo contrário. Corbijn tem uma forma de encenar as imagens muito específica, em que o que poderia ser um desastre acaba por resultar muito bem. Esta formação em fotografia, e a própria estética pessoal de Corbijn acabam por transparecer no filme. Por exemplo, e de forma mais imediata, pelo facto do filme ser a preto e branco: depois da "descoberta" das cores, foi muito mais raro o realizador que continuou a usar o preto e branco do que o fotógrafo. E se a fotografia a preto e branco nunca passa de moda, porque tem que passar de moda o filme a preto e branco? Não tem, pois não?
Quando o filme começa, com um monólogo de Ian Curtis, é muito clara a influência da fotografia na escolha dos planos, na fotogenia e na qualidade gráfica das imagens e dos cenários.
Sam Riley, que já havia sido Ian Curtis em "24 Hour Party People", volta a vestir a pele do mito do rock, desta vez num filme onde é ele o centro. Não se trata de um filme sobre os Joy Division. "Control" é o biopic de Ian Curtis, sem dúvida nenhuma. Os Joy Division fazem parte do filme porque fizeram parte da vida de Curtis.
A primeira vez que encontramos este personagem, ele é um adolescente que fuma imenso, ouve David Bowie e é escritor. É por aqui, num concerto do rei do Glam Rock que Ian começa uma relação com Deborah Woodruff, na altura namorada de um amigo. Deborah, com quem casaria, pouco depois, quando ambos tinham 19 anos.
A entrada para os Warsaw, mais tarde Joy Division, o diagnóstico de epilepsia, o caso interminável com Annik Honoré, a ruptura com Deborah Curtis, a primeira tentativa de suicidio... tudo isto vai acontecendo, guiado pela música, principalmente a vinda do EP "An Ideal For Living" e do primeiro álbum, "Unknown Pleasures".



Corbijn perde por escamotear uma parte da biografia de Ian Curtis, ignorando o segundo álbum, "Closer", onde figuram letras mais ligadas ás situações-limite da vida do vocalista/poeta. "24 Hours" é escrito num momento em que nunca podia ter sido escrito, por exemplo.
Em termos de ritmo, o filme está perfeito. Corbijn poderia ter feito um grande músical em desagradável estética á lá "Música no Coração", podia ter cantado em vez de ter contado a vida de Curtis, e não o faz. Nesse aspecto, foi bastante ponderado e tomou as opções certas: as canções surgem não em vez de diálogos, mas mais como didascálias indispensáveis, e ainda consegue passar pelos pontos mais significativos da discografia dos Joy Division: desde "She´s Lost Control" a "Love Will Tear Us Apart" a "Atmosphere", etc, etc, etc.
Além do desempenho excelente de Sam Riley (Que prova que não é só a cara exactamente igual á de Ian Curtis.), Samantha Morton e Alexandra Maria Lara, nos papéis das mulheres da vida de Curtis, respectivamente Deborah Curtis e Annik Honoré, também estão muito bem.
Num tempo em que é muito difícil fazer um bom biopic, afinal, Anton Corbijn saíu-se muito bem. Filmou a vida dessa lenda que é o grande Ian Curtis sem querer exaltá-lo, preocupando-se em fazer um retrato verosímil e adequado da sua pessoa. Ainda por cima, fê-lo de uma forma muito estética. Acho que não se podia pedir mais. Partindo, pelo menos, do princípio de que o filme não poderia trazer Ian Curtis de volta.
Veredicto: 20/20

segunda-feira, 28 de abril de 2008

eu gosto é do verão



Slow down now you're so fast
There's no race here on this track
Still a chance if i take my lead
But you pushed me forward in full-speed

You drove me to the wall
I put my car in stall
You drove me to the wall
I put my car in stall

You didn't mean to do that
I forgive and forget the past
There's still a chance i'll turn around
From the back i hear this crashing sound

You drove me to the wall
I put my car in stall
You drove me to the wall
I put my car in stall

I can't turn back
I can't turn back
I can't turn back to you

You drove me to the wall
(i can't turn back)
I put my car in stall
(i can't turn back)
You drove me to the wall
(i can't turn back to )
I put my car in stall
(you)

CAROLINE LUFKIN "Drove Me To The Wall"
EDVARD MUNCH "Sonho de Uma Noite de Verão"

domingo, 27 de abril de 2008

Portishead: Third

LONGOS DIAS TÊM 11 ANOS



"Esteja alerta para a regra dos três
O que você dá retornará para você
Você só ganha aquilo que você merece
Essa lição você tem que aprender..."
é assim mesmo, com uma voz foleira a falar português com sotaque do Brasil que abre o terceiro álbum de originais dos Portishead, quando o segundo, homónimo, comemora 11 anos de lançamento. Estes 11 anos são muito tempo, e se os Portishead não fossem uma banda de culto, com um público leal, certamente nem valeria a pena publicar "Third". Felizmente, não é o caso: ainda que impacientes, soubemos esperar e receber a mais recente colecção do trio de Bristol.
No entanto, Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley não são estúpidos e sabiam que ao fim de tanto tempo, o melhor seria mesmo ter uma boa desculpa: nada melhor do que uma radical mudança de sonoridade, ainda que se mantenham sempre fieis á sua própria identidade musical.





Assim sendo, quando começamos a ouvir o som ecoante de "Silence" (originalmente "Wicca".), repetindo-se sempre a mesma sequencia ritmica, percebemos que já não estamos a ouvir a mesma coisa, e ao mesmo tempo estamos: ainda é a voz de Beth Gibbons, sempre dolorosa e agressiva, os ritmos ácidos e psicadélicos, a complexidade instrumental bem construída, enfim, os Portishead em 2008, por assim dizer.
Se há alguma canção mais parecida aos albuns anteriores, ela será "We Carry On" (originalmente "Peaches".), e esta aproximação será pura coincidência.



Tudo o resto é absolutamente inédito em Portishead: os ambientes eléctricos/electrónicos próprios da música downtempo, mas uma construção instrumental a lembrar a rock gótico dos Depeche Mode, dos Dead Can Dance, dos The Cure ou dos Bauhaus, ainda que a voz seja a mesma de sempre, e sempre excelente, mas isso é óbvio.
Beth Gibbons tem também um papel mais interventivo, a nível de produção e de instrumentos: certamente que a gravação do seu álbum "Out Of Season" não lhe terá passado ao lado. As suas letras surgem mais politizadas, mas sem perder as ideias amargosas ou niilistas a que fomos habituados no passado.
De todas as faixas, "Machine Gun" (Em que a beat de bateria electrónica parece, efectivamente, imitar uma metralhadora.) é provavelmente a mais bizarra, talvez por isso tenha sido escolhida para single de avanço. A par com esta, destacam-se "Nylon Smile", a tal amargura niilista, "We Carry On", repetição esquizofrénica da mesma tristeza, "Plastic", numa sonoridade fluida a lembrar uma electrónica downtempo quase Massive Attack e "Magic Doors", uma das mais interessantes em termos de esquema, e das que suscita mesmo a vontade de ver ao vivo.
A questão do transporte das canções para o palco é também interessante. A agressividade e multiplicidade/simultaniedade de sons de "Dummy" e a estética barroca de "Portishead" pareciam ser verdadeiros desafios de palco. "Third" é mais simples e parece mais próximo ao que se ouve da banda, ao vivo.
Enfim, da mesma forma que o mar é sempre o mar, Portishead é sempre Portishead. E garanto que valeu a pena todo este tempo de espera. Se Agustina me permite o roubo e a alteração, "longos dias têm 11 anos", mas quando no final há um álbum assim, não há problema.


Veredicto: 19/20

sábado, 26 de abril de 2008

Ricardo Barros: Identidade Oceânica





Os portugueses, por ocasião geográfica, foram sempre vivendo um pouco do mar, fomos os primeiros a ir atravessá-lo para saquear outras terras, e só com o final da Guerra Colonial deixamos esses saques.Ricardo Barros não é, portanto, o primeiro artista português a debruçar-se sobre a questão atlântica, mas fá-lo de uma forma distinta, e muito expressiva.



São óleos pintados como se fossem aguarelas, poderiam lembrar Turner, mas estes são mais pesados, sem dúvida.
E são pesados porque nestes trabalhos, o mar, enquanto vastidão, enquanto massa ilimitada (Ou quase ilimitada.), surge como elemento separador: saudade, distância, ausência, espera, possivelmente um pouco de morte, todos confundidos na superfície do mar, aos olhos de um observador que parece procurar instrospeção.
Nascido no Porto, Ricardo Barros partiu em 2001 para os Açores, onde começou a produzir os trabalhos expostos agora sob o título "Identidade Oceânica". O tema principal é, como se disse o mar. No entanto, a estas paisagens juntam-se machas de tinta formando grafismos bizarros, desenhos em aparente esboço, com reminiscências renascentistas, "O Pintor Morreu" com uma bela influência da pintura barroca, e ainda vários retratos do compositor Johannes Brahms e do escritor Antero de Quental.
Quem lembra pessoas como Natália Correia ou José Medeiros, vindos dos Açores para o continente, certamente lhes lembrará um discurso poético e muito individual. Estas características pertencem também a estas obras de Ricardo Barros, mas de uma forma inversa, porque se sente uma certa tensão, uma certa sensação de evasão emotiva a transpirar através das pinceladas soltas mas exactas.
No caso dos trabalhos não figurativos, pode-se quase falar de uma atitude expressionista, ainda que não seja exactamente isso; e, definitivamente, pode-se falar de uma criação impulsiva, em que a cor e a forma se juntam, deixam espaço para muitíssimas interpretações, e, indo mais longe, parecem estar intrinsecamente ligados aos restantes trabalhos, não sendo a abstracção uma forma de desligar estas imagens das imagens figurativas.
No fundo, ver esta exposição é como visitar várias alas de uma mesma casa, ainda que esta não tenha existência física, tem, certamente, muita consistência.
Para ver na Galeria Artes do Solar de Santo António até 20 de Maio.

O VÍDEO da exposição, com as obras e imagens da inauguração pode ser visto no YouTube, em http://www.youtube.com/watch?v=9xCqgQMW1Sc&feature=user

O site

da pintora Graça Martins já está remodelado e pronto... e muito melhor do que o primeiro.
O endereço é http://www.pintora-gracamartins.com/


Enjoy.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril

Uma vez que estamos nesta data tão significativa, relembro José Afonso, o chamado "Rosto da Utopia", um homem extraodrinário que usou a arte da palavra cantada para lutar pelos seus princípios políticos e sociais.

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai
O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada hà covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação.

Também recomendo uma visita pelo menos ao site do movimento "Não Apaguem a Memória" que pretende, precisamente, preservar a memória do 25 de Abril e dos tempos anteriores a ele. Precisamente na Quarta Feira, com repetição amanhã, Sábado, foi organizada por Maria Rodrigues (Autora do livro "Pelo Direito Á Cidade".) uma visita á antiga sede da Pide do Porto, actual Museu Militar. O site é http://maismemoria.org/mm/

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Dark Road



It's a dark road
And a dark way that leads to my house
And the word says
You're never gonna find me there oh no
I've got an open door
It didn't get there by itself
It didn't get there by itself
There's a feelin
But you're not feelin' it at all
There's a meaning
But you're not listening any more
I look at that open road
I'm gonna walk there by myself
And if you catch me
I might try to run away
You know I can't be here too long
And if you let me
I might try to make you stay
Seems you never realise a good thing
Till it's gone..

Maybe im still searchin
But I dont know what it means
All the fires of destruction are still burnin' in my dreams
There's no water that can wash away
This longin' to come clean
Hey yea yea....

I cant find the joy within my soul
It's just sadness takin hold
I wanna come in from the cold
And make myself renewed again
It takes strength to live this way
The same old madness every day
I wanna kick these blues away
I wanna learn to live again...

It's a dark road
And a dark way that leads to my house
And the word says
You're never gonna find me there oh no
I've got an open door
It didn't get there by itself
It didn't get there by itself


ANNIE LENNOX (Songs Of Mass Destruction)

Imagem: GONZALO BENARD (Shoulder)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Tudo vale a pena

quando o álbum é muito bom, mesmo esperar 11 anos. "Third" dos Portishead é excelente... "Nylon Smile" fica aí, ao vivo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Rute Rosas: Não Há Príncipe Azul no Elefante Cor-de-Rosa



Com um longo percurso ligado á instalação, á escultura têxtil, e á utilização de diferentes materiais num só trabalho, Rute Rosas tem fomentado a imagem de uma artista com muito de português, e fiel a determinados imaginários. Numa perspectiva tridimensional, a artista portuense explora questões que já vimos noutros artistas, como sejam Sónia Boyce ou Helena Almeida. A intervenção plástica que faz dessas liturgias, no entanto, tem sido o ponto forte de Rute Rosas. Trabalha continuamente com o tridimensional, trata a instalação por tu, não se limitando a criar vídeos, ou fotos ou esculturas, mas complementando-os e criando uma ambiência.
No entanto, “Não Há Príncipe Azul No Elefante Cor-de-Rosa”, exposição inaugurada no dia 19, o que vemos não é igual a algo que já tenhamos visto.
Quem conhece o Espaço Ilimitado, sabe que não é uma galeria vulgar: trata-se de uma casa antiga utilizada como local de divulgação cultural, e está incluída no Circuito de Miguel Bombarda, nome mais que familiar a qualquer pessoa interessada nas artes que viva no Porto, ou que por lá passe. Não ao acaso Rute Rosas terá escolhido este espaço para mostrar ao público esta instalação: a sua intervenção passa pela total remodelação do espaço: desde o papel de parede, aos candeeiros, aos móveis, ao fogão, aos biscoitos, aos licores, tudo faz parte deste trabalho, não só os objectos grandes como também outros pequenos, tão pequenos que, se não se for cuidadoso, nem se dá por eles. Ou seja, mais que uma simples instalação, “Não Há Príncipe Azul no Elefante Cor-de-Rosa” é uma casa toda, talvez de um casal, ou de uma pessoa sozinha talvez que não pertença a este tempo, ou nele não decorou a casa, mas sim de um outro tempo, mais passado, mais ainda muito familiarmente português: logo na entrada num pequeno relicário, um menino jesus em palhas tem em cima um pano bordado pela artista onde se lê “era uma vez”. Este tipo de bordados, que a artista define como esculturas, serão encontrados um pouco por todo o espaço, com inscrições em pano e não só, bem como os fragmentos na parede de entrada, ou as fotografias emolduradas da artista a bordar.
Visitar esta exposição é pois penetrar num ambiente com o qual os tempos modernos já não nos permitem conviver no dia-a-dia.


Ao mesmo tempo, o título remete-nos para uma história da tradição oral (O que já acontecia em “São Rosas, Senhor” de 2005.), e para uma ausência ou uma esperança vã, como nos remete o facto de estarmos numa casa em que nos é dada a sensação de que estamos num local privado no qual não deveríamos estar sem permissão, sob o perigo do(s) dono(s) nos surpreender(em) e acusar(em) de invasão de privacidade, e no entanto, há todo um vazio que é quase abandono que também povoa o espaço, indicado precisamente pelo desfasamento do tempo, evidente em muitos elementos que não revelo para não destruir a surpresa a quem quer que leia isto e queira ir ver a exposição.
Uma segunda parte do projecto encontra-se no centro do Centro Comercial Bombarda, uma peça que percebemos estar quase deslocada do Espaço Ilimitado, sob o título “…abre a janela, inspira e…!”, e ainda uma terceira parte está á venda no Matéria Prima do Edifício Artes em Partes, com o nome “para princesas, príncipes e ladrões de sonhos”.
A não perder nestes três locais do Circuito, até 24 de Maio.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

domingo, 20 de abril de 2008

Columbine

Quem tiver lido "A Ressurreição" de Lev Tolstoi, terá bem presente a ideia fulcral que fica no ar com o romance, e que permanecerá para sempre sem resposta unívoca: SERÁ O CRIMINOSO O
ÚNICO CULPADO DO CRIME?"



Há exactamente 9 anos atrás, Eric Harris e Dylan Klebold irromperam pelos corredores do Liceu de Columbine com variadas armas de fogo, e iniciaram um massacre que terminaria com a morte de 13 pessoas, feriram outras 24, e no final suicidaram-se.
As leituras do evento, e as consequentes conclusões ficam para cada um. Eu subscrevo Tolstoi, e respondo-lhe que neste caso, os criminosos não são os únicos culpados do crime.
O Massacre de Columbine não deve nunca ser esquecido, e deve ser exemplo daquilo que vai dentro de cada pessoa que sofre de exclusão social e de marginalização por parte do círculo social em que está inserido.
Mas claro que outras pessoas decidiram que há que absolver o ambiente em que estes dois adolescentes viviam, e culparam muita gente, desde Hitler ao Marilyn Manson... Grande Ideia.
http://en.wikipedia.org/wiki/Columbine_High_School_massacre

sábado, 19 de abril de 2008

7 canções para quem se molha

Gosto muito de andar á chuva. Seria até estranho estar a dizer isto em pleno mês de Abril, quando o Verão anda a rondar-nos, mas o Abril deste ano é daqueles que honra o estúpido ditado popular das águas mil, e portanto, chove continuamente, para meu prazer. Andar á chuva é, de facto, uma coisa brutal. Tem os seus senãos: claro que depois fico constipado e o meu director de turma passa-se, porque eu falto muito ás aulas, e é muito embaraçoso entrar num café com o casaco todo molhado e o cabelo colado á cabeça. Mas, para me salvar, muitos músicos parecem ser inspirados pelo dilúvio, e estas são sete sugestões de músicas que falam de chuva.

Lou Rhodes “The Rain” (para celebrar)
(-Lou Rhodes-)
The rain will come and wash it all away”… Podia ser mais uma menina com a sua guitarra, mas não é. Lou Rhodes abre com chuva o seu segundo álbum a solo, “Bloom”, na sonoridade folk-rock.

Annie Lennox “Pavement Cracks” (para andar na rua)
(-Annie Lennox-)
“The city streets are wet again with rain but I´m walking just the same…” E viva a maturidade: Como eu, Annie Lennox anda á chuva, e não quer saber de constipações. Do álbum “Bare”.

Nick Drake “Rain” (para observar)
(-Nick Drake-)
Thoughts of rain in the sunset…” Raridade dessa lenda do rock que é Nick Drake. Ainda bem que ficaram, pelo menos, as músicas.

Tori Amos “Winter” (para pensar)
(-Tori Amos-)
I get a little warm in my heart when I think of winter…” Directamente de “Little Earthquakes”, de 1990, uma das mais marcantes canções das muitas da pianista.

Mariza “Chuva” (para contar tudo)
(-Jorge Fernando-)
A chuva ouviu e calou meu segredo á cidade e eis que ela bate no vidro trazendo a saudade…” Um dos primeiros originais de Mariza, no álbum “Fado em Mim”, canta ou conta um segredo á chuva.

Norah Jones “Come Away With Me” (para ouvir enquanto se está deitado na cama, de manhã)
(-Norah Jones-)
And I wanna wake up with the rain falling on a tin roof while I´m safe there in your arms…” Todos sabemos quem ela é, para quê falar de “Come Away With Me”, ou não lhe tivessem dado o Grammy de álbum do ano.

Ashanti “Rain On Me” (para nos lamentarmos)
(-Ashanti Douglas, Chris Lorenzo; A Parker-)
Rain on me, won´t you take this pain from me, I don´t wanna live, I don´t wanna breathe…”
Se não formos preconceituosos, percebemos que o R&B até tem um ou outro raro lampejo de qualidade. Ashanti tem poucos, mas tem alguns. Este é um deles, em “Chapter II”.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Joy Division She´s Lost Control 1979

Ao vivo, o mito...

Nick Drake- Way to Blue

Vídeo retirado da caixa "Family Tree", que traça o curto percurso de Nick Drake na música. "Way To Blue" do álbum "Five Leaves Left".

quinta-feira, 17 de abril de 2008

não muita vez





Não muita vez nos vemos, mas se poucos
Amigos há para falar
Dos quais me sirvo de relâmpagos, de todos
É ele o que melhor vai com a minha fome.

Os dedos com que me tocou
Persistem sobre a pele, onde a memória os move.
Tacteiam, impolutos. Tantas vezes
A suor os traz consigo da memória, que nas tenho
Na pele poro através
Do qual eles não procurem sair quando transpiro. A pele é o espelho da memória






LUIS MIGUEL NAVA, "A Inércia da Deserção", 1981
isabel lhano, "eco", 2001

quarta-feira, 16 de abril de 2008

a (minha) verdade

"se Deus existe é melhor que tenha uma boa desculpa"

Woody Allen

terça-feira, 15 de abril de 2008

Six Feet Under

Para relembrar a segunda época, e a música dos Lamb...

segunda-feira, 14 de abril de 2008