quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Isabel de Sá (Video)

Video com as peças em exposição e imagens da inauguração onde podem ser vistos artistas já aqui referidos, como Graça Martins ou Isabel Lhano. Com uma belíssima música dos Sigur Ros!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Garlands

The Winged Painter is on uptown,
I said,
Will you meet me to go, to go, to go?
Washington Square I'm racing there to get you at Noon.
Oh the Nocturne noon.
Isabella on the way there stops me.
I can't stay today.
I'm off in flight towards another light. Rest. Youth.
Washington Square, I meet you there and we go.
And he's on the run. He's on the run
From this walking
Greeting Card and Chloe's kiss,
The Wolf Pit, the Wine Harvest, and Phileda's Lesson
We're not his possession
In winter, trampled flowers in winter,
Lovers. Circus, these Garlands, the Blue Pirouette,
The Marriage, the Mimosas,
Black Sun Over Paris These Garlands,
the Little Swallow,
St. Paul from the window
The half open window.
Eve incurs God's displeasure, displeasure.
Passion. Odysseus and Penelope.
Ulysses and Penelope, the Festival in Hell.
He's on the run. He's on the run
From this walking Greeting Card and Chloe's kiss,
The Wolf Pit, the Wine Harvest, and Phileda's Lesson
We're not your possession
In winter Lovers.
In winter, flowers, trampled flowers.
Lovers. Be of Angels. We lovers.
Circus, these Garlands, the Blue Pirouette,
The Marriage, the Mimosas,
Black Sun Over Paris These Garlands,
the Little Swallow,
St. Paul from the window
The half open window
In winter, the Winged Painter,
The Winged Painter The Winged Painter
Washington Square, let's go see a
Day in May from
The Winged Painter.

de TORI AMOS para o álbum "The Beekeeper" de 2005

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

poema inaugural, 1978

Fui à rua buscar a morte que andava desaustinada pelas paredes como cão raivoso. Ofereci-lhe o braço, trouxe-a comigo, fi-la minha amante. Num leito de linho nos deitámos e em segredo me falou dias seguidos sobre a sua infância, a solidão debaixo da terra, o amor pela natureza. Explicou-me como acariciava os bichos comedores de cadáveres e dessa alegria maliciosa. A morte passou a ter para mim muita importância. Comecei a vesti-la de alvas roupas, coser-lhe flores ao crânio, amando-lhe a face lívida, iniciando-a numa sensualidade sem fim. Então, numa manhã a Morte sorriu mostrando nos lábios o seu carácter perfeito, isento de mesquinhez; beijou-me a boca, as pernas, o coração. Perturbou-me. No meu interior países fervilhavam, milhões de rostos se viraram à luz: tudo era claro como nunca sucedera. Começara outra vida: dera-se a iluminação.
ISABEL DE SÁ, "Esquizo Frenia"

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

acho assustador pensar que

o dia só tem 24 horas! A sério! É terrível. Organizando tudo, reparo que tenho muito pouco tempo.
Normalmente, devido a insónias e a coisas que me exigem muito tempo extra, durmo oito horas. Dessas 24 sobram, portanto 16. Dessas 16, passo 9 e meia nas aulas, por norma (Entre as 8 e 30 e as 6 e 30 com uma hora e meia para almoçar.). Sobram 5 horas. Assumindo que não há muitos testes em breve, só preciso de uma hora para orientar trabalhos, trabalhos de casa e tudo isso. Mesmo assim, já fico com 4. Dessas 4, preciso de uma para jantar. 3 horas.
Era aqui que queria chegar, o dia da minha pessoa tem 3 horas.
Só durante três horas posso dedicar o meu tempo a mim mesmo. Se quiser ir ao cinema, se quiser ir á Fnac ouvir algum álbum, se quiser ir a um concerto, se quiser ir a uma exposição, se quiser parar no café para escrever um pouco, se quiser ir saír com os amigos... tenho 3 horas para o fazer, o que implica, desde já que não possa fazer tudo isto.
É lamentável.
Queria um dia com mais tempo...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Annie Lennox: Songs Of Mass Destruction

ELEVEN BEAUTIFUL THINGS
Imagine-se Annie Lennox num belíssimo e simples vestido preto de pé sobre uma barra cronológica, com um pé pousado nos anos oitenta e o outro pousado em 2007. Pronto: Isso chama-se "Songs Of Mass Destruction".
Se "Diva", "Medusa" e "Bare" se faziam de canções simples focadas na brutal voz da ex-vocalista dos Eurythmics, "Songs Of Mass Destruction" é mais marcado pelo conceito das canções grandiosas, ficando a voz a dividir o protagonismo com os talentos de Lennox como compositora.
Interessante, para começar, é ver como, de facto, "Songs Of Mass Destruction" parece ser o passo mais apropriado depois de "Bare". Assim, ainda há a multiplicidade sonora que já se fazia notar no predecessor, mas agora, é a génese de "A Thousand Beautiful Things" que prevalece em que o minimalismo instrumental se encontra com a força dos arranjos de cordas. É aqui que reside o maior traço de modernidade do álbum. De facto, a partir do final dos anos oitenta, e Kate Bush e Bjork tiveram a sua importância nisto, os arranjos de cordas, quase como aceitação ao clássico, fazem-se sentir em quase toda a música alternativa. Annie Lennox decide não ser excepção naquele que é o seu quarto álbum.


Mas, de facto, em tudo o resto, este é um álbum muito ligado á sonoridade de que Annie provem. Assim, estão recolhidos os elementos para que possam nascer grandes canções e canções grandiosas também. Como "Dark Road", "Smithereens", "Throught The Glass Darkly" ou "Sing".
Ainda que por vezes pareça escorregar para determinados clichés, principalmente no que diz respeito á composição das baladas do álbum, a verdade é que, em grande parte das faixas consegue sempre manter um certo nível de qualidade a que nos tem vindo a habituar.
O próprio título do álbum remete-nos para uma vontade de criar algo avassalador, objectivo, aliás, que por vezes consegue atingir facilmente, não só pela já referida grandiosidade de arranjos, mas também pela beleza das composições. "Dark Road" ou "Lost" marcam, definitivamente uma primeira vertente do álbum, ligada precisamente á beleza; "Ghost In My Machine" ou "Sing" marca outra, ligada ao ritmo e a composições mais assumidamente (Ou destemidamente.) pop. "Sing", incluida na campanha contra a SIDA de Nelson Mandela, conta com a participação de nada mais nada menos do que Anastacia, Isobel Campbell, Dido, Céline Dion, Melissa Etheridge, Fergie, Beth Gibbons, Faith Hill, Angélique Kidjo, Beverley Knight, Gladys Knight, k.d. lang, Madonna, Sarah McLachlan, Beth Orton, Pink, Bonnie Raitt, Shakira, Shingai Shoniwa, Joss Stone, Sugababes, KT Tunstall, e Martha Wainwright.
Impõe-se então falar de "Songs Of Mass Destruction" como se impõe falar de Annie Lennox, que, apesar de passar despercebida pelos escaparates se mantém firme na sua identidade musical que cresce sem ser adulterada.




Veredicto Final: 18/20

Annie Lennox: Dark Road

Primeiro single e introdução do álbum "Songs Of Mass Destruction". Annie Lennox no seu melhor, ou seja, ao vivo...

antes de morrer

"Devils and Gods they are you and I"
de "Devils and Gods" de Tori Amos


"We all need a light to help us going throught the night"
de "Donas de Casa Desesperadas"- segunda época


"Won´t you memorize me,
Take me,
Emphatize and
Be there
To avoid spinning round
Until you found
Won´t you recognize me...?"
Miguel Guedes, "Recognize" para "Trigger" dos Blind Zero


"I´ve been afraid of changing
cause I´ve built my life over you
but time is bolder
children get older
I´m getting older too"
Stevie Nicks, "Landslide" para os Fleetwood Mac


"You start out with whatever your fucked up parents and genes give you. Then, if you see enough shrinks for long enough and get your cocktail right, you can get over yourself - and have a life."
Jeremy Sisto, como Billy Chenowith em "Sete Palmos de Terra"- quarta época


"o quereres e estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim..."
Caetano Veloso, "O Quereres"


"Socializemos a morte..."
Natália Correia, "Não Percas a Rosa"

"porque os outros se mascaram e tu não"
Sophia de Mello Breyner Andersen, "Porque"


"and under here my dreams are made of water..."
Nick Cave, "Little Water Song" para "Punishing Kiss" de Ute Lemper


"It´s all hard... We just made different choices"
Patricia Clarkson, como Sarah O´Connor em "Sete Palmos de Terra"- segunda época

"we are all so much more complicated than our names..."
Gerard Butler como Drácula em "Dracula 2001" de Patrick Lussier

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

expressões proibidas

não é...?

dado que...

está ligado a...

está relacionado com...

não explica

não responde

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

o novo estatuto do aluno

Eu não queria mesmo nada manifestar-me sobre política. Pensei que a nova lei da proibição do tabaco seria a excepção que confirmaria a regra, mas Sócrates parece não me querer dar descanso, e, o novo estatuto do aluno, obra em colaboração com a também fenomenal Maria de Lurdes Rodrigues, força-me a evidenciar de novo uma opinião que tenho sobre o circense diário político português. De facto, a avaliar pela pertinência das mais recentes leis deste executivo, é fácil acreditar que Sócrates e os seus aprenderam política no Chapitô, daí que o Diário da República pareça aproximar-se perigosamente do guião de um espectáculo de circo.
Isto porque, seguindo a estética da referida lei do tabaco, o novo estatuto do aluno é um escândalo. E, se não fosse uma anedota de tão mau gosto, proporcionaria certamente muitas e boas gargalhadas.
Mas, falemos concretamente. Segundo o novo estatuto do aluno, que vem substituir o anterior, de 2002, o aluno deve justificar as suas faltas num prazo de três dias úteis. Começamos já por aqui a ver as feições da estupidez: no secundário, há alunos, de resto com eu, que por estudarem longe de casa, só podem recolher a assinatura do encarregado de educação na justificação aos fins-de-semana. Assim sendo, eu, e todos na minha situação, só podemos faltar na Quinta e na Sexta. Teremos que arranjar algures o número de telemóvel ou o e-mail da constipação e da gripe para lhes dizer que só nos poderão atacar nestes dias.
Também é importante realçar que são aceites justificações por doença (Atestados médicos.), prestação de provas em associações, deveres militares. Quanto aos motivos pessoais, não constam. E, por muito que por vezes os motivos pessoais sejam terminar a conversa que se estava a ter no café, a verdade é que por vezes eles existem efectivamente, mas o Governo acha que os alunos são só isso: alunos, despidos da sua condição de humanos, de problemas pessoais, e da EXISTENTE não capacidade de estar fechado numa sala de aula a deprimir mais com os problemas próprios enquanto alguém debita algo sobre alguma coisa. E as justificações, em grande parte dos casos, revelar-se-ão obsoletas.
Depois, há os conceitos de “excesso grave de faltas” e de “limite de faltas”. O primeiro corresponde a duas vezes o número de aulas semanais. O segundo a três. Falemos de punições: no caso de um aluno atingir o excesso grave de faltas, o Director de Turma contactará o encarregado de educação para o informar. No décimo segundo, o encarregado de educação é o próprio aluno (Quando com 18 anos ou mais.), o que torna ainda mais caricata esta ideia. No caso de atingir o limite de faltas, o aluno será submetido a uma “prova de recuperação” onde constará a matéria leccionada nas aulas que o aluno perdeu. No caso de o aluno passar nesta prova (Obtendo uma classificação superior a 10 valores.) fica o assunto resolvido, no caso do aluno não passar, o Conselho de Turma reúne e decide o que fazer com o aluno: aspectos a ter em conta: a justificação ou não da falta, e a situação do aluno nas outras disciplinas. Das sanções figuram planos de acompanhamento ou a reprovação á disciplina.
As falhas no pavimento: um bom aluno, se achar que consegue, falta ás aulas, estuda a matéria em casa, e vai de vez em quando á escola fazer provas de recuperação, e é avaliado como os outros.
Também lesados, os professores passam agora a trabalhar para os alunos que faltam, quer construindo e corrigindo provas de recuperação com conteúdos muito específicos, quer a, eventualmente, preparar e levar a cabo planos de acompanhamento.
Portanto, Sócrates, esse homem de direita, está mais uma vez a espalhar-se ao comprido. No outro dia, para meu próprio desgosto, tive que dar razão a Vasco Pulido Valente, “se o PS está farto de Sócrates, não é difícil deduzir que o país também está”. De facto. Qualquer pessoa que seja realmente socialista, ou de esquerda, só pode estar farta de José Sócrates e dos seus comparsas. Este é um governo mentiroso no sentido mais literal da palavra, pois, ao ser eleito pelo PS, é um governo de direita, volto a afirmar. Esta nova lei é um ESCÂNDALO, mais uma das tentativas de Sócrates de acreditar que, postumamente, o seu governo será lembrado como um governo que de facto mudou alguma coisa. O que não vai acontecer, creio. Se for lembrado por alguma coisa que não a sua incompetência, será lembrado por ter mudado coisas que na realidade não interessavam a ninguém, e por não ter feito nada pelas causas que realmente interessavam.
Já agora, sobre a demissão de Isabel Pires de Lima, sim, todos percebemos que foi só para Correia de Campos não abandonar o executivo sozinho, mas esperemos que o novo Ministro da Cultura faça algo pela Cultura, em vez de ficar a olhar para o tecto; se bem que a minha crença neste governo está, de momento, nos números negativos, abaixo de zero.

PS: Em 2009 eu já voto, não me vou limitar a escrever umas coisas no meu blog…

O Livro das Trevas de Joe Berlinger

ASSIM-ASSIM

Encontro-me recentemente numa vaga nostálgica no que toca a cinema. E isto passa, essencialmente, por rever filmes que fazem parte dos meus 11, 12, 13 anos, por aí, onde qualquer coisa me parecia brutal. E, no meio dos meus DVD antigos, lá estavam alguns que ainda agora me parecem brutais, e há também aqueles que me parecem menos brutais. Dentro destes, há os que me parecem nada brutais e os que me parecem mais-ou-menos-quase brutais… Enfim, categorizações aparte, o que este post é mesmo, é um comentário ao filme “O Livro das Trevas: Blair Witch 2”. E se, como disse, tenho andando a rever muitos filmes e mesmo assim não os comento a todos, decidi comentar este porque me parece que tem sido vítima de críticas excessivamente duras. Quer isto dizer não que eu acho este filme uma obra-prima, nem o acho muito bom, mas também não acho que tenha sido resgatado do esgoto, como pode parecer a avaliar pelas críticas. Acho um filme escassamente bom, para sintetizar o que se segue.
Basicamente, esta é a sequela do bem-sucedido “Projecto Blair Witch”: três estudantes de cinema ingressam em Black Hills, Burkittsville, Maryland, para realizarem um documentário sobre a lendária bruxa de Blair. Desaparecem e, um ano depois as suas filmagens são encontradas. É nessas filmagens que consiste o primeiro filme.




“Book Of Shadows” começa precisamente por admitir que o filme original é ficção, e centra-se na personagem de Jeff Peterson (Jeffrey Donovan), que inicia na Internet a sua viagem “The Blair Witch Hunt” para a qual conta com a inscrição de Stephen (Stephen Barker Turner) e Tristen (Tristen Skyler), um par de escritores a fazerem uma pesquisa para o seu livro sobre histeria colectiva, Ericah (Ericah Leershen) uma aprendiz de bruxa na esperança de comunicar com Elly Kedward (A bruxa de Blair.), e da misteriosa Kim (Kim Director) que, ainda que primeiro diga que veio porque achou “que o filme foi fixe”, acaba por perceber que ali estava porque uma das suas visões a colocava aí.
Ainda que na primeira noite nas ruínas da casa de Rustin Parr as coisas corram bem, quando acordam na manhã, todo o seu equipamento (Câmaras e tripés.), bem como todos os documentos da pesquisa de Tristen e Stephen estão destruídos, tendo sido deixadas apenas as cassetes das tais câmaras, a acrescentar ao facto de cinco horas da noite anterior terem sido apagadas por completo da memória de todos.
Na sequência do aborto de uma das personagens, acabam por se refugiar na casa de Jeff, para, com a ajuda das cassetes perceberem o que havia acontecido.
Nisto não há nada de extraordinário. Uma história normalíssima, dentro do género. Mas o filme não vive muito da sua história: vive primeiramente da revelação gradual das personalidades das pessoas. Nisso está muito bom. Vive também de uma série de imagens fugazes com a sua força psicológica muito bem conseguida (A menina afogada que “aparece” a Tristen no hospital, por exemplo.). E, principalmente, vive da distorção (Nada de Lynchiana, mas nada má.) das fitas das filmagens. Quando Jeff diz
“_Video never lies…”
está a dizer a frase mais genérica de todo o filme. É precisamente por sabermos disso que o filme nos assustará. Por termos visto que as coisas se passaram de uma forma, mas que não é isso que as gravações mostram que ficamos a pensar no que terá acontecido.


Tecnicamente, há que referir a realização muito inteligente de Joe Berlinger, realizador aclamado de documentários, aqui a estrear-se na ficção, e também a performance dos actores, em especial Kim Director, em quem a história se apoia bastante, com uma interpretação absolutamente naturalista.
A banda sonora é execelente: desde o (Literalmente brutal.) genérico, com música de Marilyn Manson, a Diamanda Gallas, passando por System of a Down ou Queens Of The Stoneage, há de tudo, e muito bom.
Agora as partes más (Que existem): o filme peca por ter a pretensão de criar um certo extremismo da histeria e do fanatismo que começam por narrar nas primeiras sequências. Depois, por ter pós-adolescentes recentes como protagonistas mas não recusar certos clichés dos filmes pós-Screm como “Sei o que Fizeste no Verão Passado” ou “Horror on Valentine´s”. Disto advêm cenas absolutamente dispensáveis e principalmente diálogos muito infelizes que não se poupam a um nervosismo que, por mais bem interpretado que seja, não deixa de parecer irrealista. Falando de clichés, no início, supostas emissões de televisão mostram um grupo de fanáticos do primeiro filme, e são todos góticos: ou seja, os fanáticos obsessivos calçavam todos botas de biqueira de aço, (Tom irónico:) grande ideia! Também o clímax do enredo não deixa de parecer absolutamente despropositado e insuficiente.
Parecendo á priori, poucos defeitos, eles influenciam muito o filme, e por isso, não pode ser tratado como um filme assinalável. Mas há que ter em conta as coisas boas, e portanto, perceber que este é um filme tolerável, que, na minha humilde opinião, ultrapassa o primeiro, do qual não gostei assim tanto, na medida em que é cinema, e não três actores a passearem no bosque assustados com truques rudimentares.

Nota Final: 14/20

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

não é...?

Mestre são plácidas

ISABEL DE SÁ, "Os Adoradores do Sol", 1980

Mestre, são plácidas
Todas as horas
Que nós perdemos,
Se no perdê-las,
Qual numa jarra,
Nós pomos flores.

Não há tristezas
Nem alegrias
Na nossa vida.
Assim saibamos,
Sábios incautos,
Não a viver,

Mas decorrê-la,
Tranquilos, plácidos,
Tendo as crianças
Por nossas mestras,
E os olhos cheios
De Natureza…

À beira-rio,
À beira-estrada,
Conforme calha,
Sempre no mesmo
Leve descanso
De estar vivendo.

O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase
Maliciosos,
Sentir-nos ir.

Não vale a pena
Fazer um gesto.
Não se resiste
Ao deus atroz
Que os próprios filhos
Devora sempre.

Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também.

Girassóis sempre
Fitando o sol,
Da vida iremos
Tranquilos, tendo
Nem o remorso
De ter vivido.

Ricardo Reis
12 de Junho de 1914

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

o video

Em 1984, os This Mortal Coil convidam Liz Fraser para integrar a lista de convidados de "It´ll End In Tears". Ela grava "Song To The Siren", de Tim Buckley. É o drem pop no seu melhor, e este é o vídeo.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

o poema

espelho, és a terra onde as raízes rebentam de mistérios.
repetes as perguntas que te faço, porquê?, repetes
os olhares sem fim das coisas paradas, repetes o meu olhar.
espelho, és a parede e a pele cansada, és um silêncio a morrer a noite,
és o que ninguém quer, a verdade mais triste e cansada por dentro.
repetes as perguntas que te faço, porquê?, repetes
a desgraça, a miséria e o desespero.
espelho, quis conhecer-te e perdi-me de ti.



de José Luís Peixoto
in "A CRIANÇA EM RUÍNAS"

Caspar David Friedrich, "O Caçador na Floresta"

Vanessa Carlton: Heroes and Thieves

A TERCEIRA PARTE DO TRÍPTICO



O videoclip de "Nolita Fairytale", single de avanço do terceiro álbum de originais de Vanessa Carlton, começa com ela a destapar um piano e a começar a viajar, nele sentada, como acontecia no seu primeiro video, "A Thousand Miles". Depois levanta-se e um taxi destroi o piano. Isto, e o facto de Linda Perry ser produtora de "Heroes and Thieves", são só sinais de uma tremenda vontade de ruptura com o passado musical desta cantora/pianista/ compositora, imortalizada ao primeiro álbum pelas tais "Thousand Miles" que a canção percorreu, dos tops aos Grammies, passando (Estranhamente.) pela MTV.




Mas, se "Be Not Nobody" esse primeiro álbum, era quase perfeito, "Harmonium", o seu sucessor era uma evolução muito insatisfatória, apesar de constituir, se por si só, uma excelente e exemplar peça pop afastada de preocupações com vendas e tudo isso.
"Heroes and Thieves" é uma tentativa de fazer algo novo que não é nem mal nem bem sucedida. Se, por um lado, encontramos aqui canções fluidas e leves (Contrariando as tendências mais complexas dos primeiros dois álbuns.), por outro lado, a sonoridade ainda nos remete para a Vanessa dos dois primeiros álbuns- a simplicidade compositiva não altera a utilização dos instrumentos, que se mantêm dentro do que Vanessa costuma fazer.
Outra das curiosidades maiores neste álbum é a mesma de "Harmonium". Nesse segundo álbum, Calrton compunha algumas canções com Stephen Jenkins (Além de produtor do álbum, era o seu namorado na altura.), mas era estranho ficar-se com a sensação de que Vanessa conseguiria isso sozinha. Em "Heroes and Thieves", Carlton assina as canções sozinha ou na companhia de Jenkins ou Linda Perry, mas estas colaborações parecem inúteis. E isso é estranho, porque Perry já fez Christina Aguilera cantar algo belo em "Beautiful".

As canções são boas, não são assim tão inovadoras, mas são boas. "Hands On Me" é um bom exemplo da génese do álbum, tem uma boa construção instrumental sobre uma composição fluida, com a voz a pontuar numa utilização entre a agressividade do primeiro álbum e a excessiva inocência no segundo. O que resulta bem, tendo em conta a voz muito ameninada que Vanessa tem.
"Nolita Fairytale" é uma canção interessante, mas uma escolha errada para primeiro single (Isto é provavelmente uma imagem de marca em Carlton.), uma vez que, apesar de até nem ser má, não apresenta diferenças tão consideráveis para poder evidenciar um dos objectivos do álbum, precisamente a diferença.
"Spring Street" teria sido uma melhor opção, uma canção idílica e etérea, como poucas de Carlton.
"The One" é uma canção razoável, mas um dueto péssimo: mal se dá pela presença de Stevie Nicks. Muito má ideia.
É um pouco assim o terceiro álbum de Vanessa Carlton. Do quarto, há a esperar que seja abissalmente diferente. Mais um álbum com diferenças tão pequenas será fatal a Carlton e a nós. Uma sugestão: que tal ser produzida pelo Patrick Leonard? O melhor álbum da Madonna foi produzido por ele...





Veredicto Final: 16/20

Vanessa Carlton - Nolita Fairytale

Videoclip de avanço de "Heroes and Thieves", "Nolita Fairytale", que começa como "A Thousand Miles". A primeira manifestação do desejo de ruptura.

A Frase

"não me importo de ser igual aos outros, logo que os outros não se julguem iguais a mim."


AGUSTINA BESSA LUÍS
in "A Alma dos Ricos" da trilogia"O Princípio da Incerteza"
2002
GRAÇA MARTINS, "Enquanto Não Se Esquece o Passado"

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Kate Walsh - Tonight

Canção do novo álbum de Kate Walsh, aqui em versão simplificada ao vivo. "Tonight", uma balada, pois claro. E muito boa...

Realidade

Por causa de um livro
vieste ao meu encontro.
Era Verão, não sabias de nada
nem isso interessava. Palavras
amavam-se fora de ti,
no atropelo das emoções.
Lá chegaria a primeira vez,
o enconctro apressado num lugar
público. Desfeito o erro
ao toque da pele, não sei
se havia medo, a paixão queria-me
no lugar exacto do teu coração.
Palavras enrolam-se na sombra
da vida a dor do sentimento.
Atingido o espírito, o tempo

da infância, a realidade. Em ti
a solidão que o prazer não mata.
Quero a beleza dos versos revelada.
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê.

.
ISABEL DE SÁ,
"Erosão de Sentimentos"

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Björk - Declare Independence

Boas noticias para todos os Bjorkianos... "Declare Independence", o 3º single de "Volta" já tem vídeo, de Michael Gondry, um dos habitues...

sábado, 26 de janeiro de 2008

Sia: Some People Have Real Problems

Á TERCEIRA É DE VEZ


Beck e Zero7 trouxeram Sia Furler ao mundo da música. Em “You´re The One I Want” ela junta a sua voz á de Beck, no ano de 2001, na sequência de “Simple Things” dos Zero7, em que ela dá voz a “Distractions” e “Destiny”. Em 2002, surge o primeiro registo em nome próprio. “Healing Is Difficult” era um álbum insatisfatório. A voz de Sia era a mesma de sempre, e sempre excelente. As letras eram no geral, boas, tanto eram reflexos crus e duros de experiências tristes, sendo o expoente máximo o namorado que lhe morrera há algum tempo, mas as músicas descambavam para uma desagradável pop pastilha elástica, infectadas com lembranças dos primeiros álbuns de Britney Spears ou Christina Aguilera. “Blow It All Away” ou “Drink To Get Drunk” conseguiam escapar, mas sem serem canções assinaláveis. Depois de ter passado pelo segundo álbum dos Zero7, voltou aos álbuns com “Colour The Small One”. E este sim, era um álbum bom. Não irrepreensível, mas bom e definitivamente melhor que o primeiro. Havia mais suavidade e mais complexidade, e uma densidade inacreditável. Beck escreve com Sia “The Bully”, Allan Ball escolhe “Breathe Me” para encerrar o último episódio da sua série “Sete Palmos de Terra”. Pode não ter esgotado edições nem ter levado Sia aos quatro cantos de um mundo que tivesse a seus pés, mas era um álbum a fazer justiça ás qualidades que lhe confiavam. Após um despercebido e curto registo ao vivo, “Lady Croissant”, surge o novo álbum de originais.



Some People Have Real Problems” sera, ao que parece, uma decisão definitiva de qual o rumo a tomar. E é, desde já, a escolha acertada. Todos, incluindo Sia, percebemos que a pop dançável não é para ela. A pop melancólica, complexa e densa que inicia em “Colour The Small One”, no entanto, já é uma área em que se pode mover á vontade, e com distinção. E assim prossegue, naquele que é o terceiro álbum de originais.
Começa com uma das melhores canções do álbum, senão mesmo a melhor: “Little Black Sandals”. O esquema instrumental é simples e sem pretensões, é uma das músicas mais melódicas, e o facto de ser também uma das mais emotivas não prejudica.
Outras canções de referência serão “Lentil”, que já se dera a conhecer em “Lady Croissant”, com a sua sonoridade valseante, e os arranjos simplórios mas coesos, que ora acompanham ora guiam a voz de Sia. Parece, principalmente no final, o protótipo de uma boa canção pop. Se Christina Aguilera ou Rhianna não estivessem tão preocupadas com as vendas, talvez soassem assim.
“The Girl You Lost To Cocaine” é a composição mais agressiva, mas ao mesmo tempo a mais feminina, a lembrar os tempos de “Whatever” de Aimee Mann, ou o “Under Rug Swept” de Alanis Morissette.
“Beautiful Calm Driving”, apesar de soar por vezes a uma versão menos trágica de “Breathe Me”, vale pelo vale, e é uma canção simplesmente bela, com tudo no seu lugar: da colocação da voz, á sintonia da letra com a música, aos arranjos.
“Day Too Soon”, tal como “Lentil”, parece ser um exemplo de como devia soar a pop, e, apesar de por vezes parecer exageradamente sentimental, resulta bem.
Encontrado o bom caminho, esperemos pelo quarto álbum de Sia. Quanto ao terceiro, tem força para igualar o segundo, apesar de não ter genica para o ultrapassar.
Gostaria só de realçar o facto de nenhum dos álbuns de Sia estar publicado em Portugal. Começa a ser irónico como é que todo o lixo que a pop tem é publicado worldwide e o pouco que a pop tem de bom, fica-se pelo seu país de origem… Muito bonito.

Veredicto: 17/20

Sia - Little Black Sandals

Se nao é a melhor faixa de "Some People Have Real Problems", é uma das melhores...

David Lynch: INLAND EMPIRE

IMPÉRIO ONÍRICO

Actualmente é difícil encontrar um filme que nos faça realmente parar para pensarmos sobre ele, e mais raro ainda é aquele que, mesmo assim, em muito continua a ser ilegível. Isto se não se está a falar dos filmes do mestre David Lynch. Depois do brutal "Mulholland Drive" de 2001, as mulheres voltam a estar no centro de um mistério indecifrável em "INLAND EMPIRE".

Até aqui, é tudo o habitual nos filmes de David Lynch (Entenda-se os filmes de David Lych como "Estrada Perdida", "Blue Velvet" ou "Firewalk With Me".). Mas em "INLAND EMPIRE", que chega a público cinco longos anos depois de "Mulholland Drive", há algo de novo, de deliciosamente novo: filmadas com uma câmara digital de baixa definição, por vezes a preto e branco, as imagens parecem saídas da cabeça de Lynch sem qualquer tratamento. Por vezes a imagem é suja, escura e granulada, há elementos que parecem impossíveis de ligar com o resto do filme, mas a verdade é que tudo isto é uma realidade distorcida e deturpada, que somos priviligiados em poder ver; desde o sitcom da família de homens-coelho á rapariga perdida que a este assiste, ao ar desorientado de Laura Dern, aos alucinantes sem-abrigo.


Mas vamos por parteS. O filme centra-se (Mas não se limita.) na personagem de Laura Dern, uma actriz, Nikki, que recebe a visita de uma sinistra nova vizinha que, sem o mínimo propósito, lhe conta dois contos tradicionais polacos sobre o nascimento do mal. Além disso, ela parece saber muito sobre o filme para o qual já sabe que Nikki será escolhida para protagonizar no dia seguinte. É neste contexto que surgem, Devon (Justin Theroux) e Kingsley (Jeremy Irons), respectivamente o co-protagonista e o realizador de "On High On Blue Tomorrows". Na sequencia de um pequeno incidente, o realizador revela aos seus protagonistas que, na verdade, o filme que se preparam para fazer é na realidade um remake de um filme alemão sobre um conto polaco que nunca chegou a ser concluido, devido ao homicídio dos dois protagonistas.
É nisto que, de repente, Nikki se encontra a viver simultâneamente a sua vida, a de Sue, a sua personagem e a da actriz que interpretara Sue na pirmeira versao do filme.
Ao mesmo tempo, há uma mulher que garante á polícia que foi hipnotizada para matar uma pessoa, que não sabe quem é, mas reconhecerá quando a vir.
Todas as estas histórias se cruzarão, depois de Nikki acender um cigarro e fizer um furo no veludo e vê...
"INLAND EMPIRE" não é um filme a ser visto com um balde de pipocas numa mão e uma lata de Coca-Cola na outra. É, na realidade um filme para ser visto com muita, muita atenção, e várias vezes. É, também um dos melhores filmes de David Lynch. Pode ser imperceptível, mas, vendo pelos olhos de Lynch, é um filme realista. Se imaginarmos que tudo se passa dentro da cabeça de Nikki Grace, tudo faz sentido. O estado quase catatónico de confusão em que a actriz se encontra, as situações, cada vez mais surreais, a que é exposta, e a originalidade de todas as sequencias, faz deste filme imperdível... para todos mesmo...





Nota: 20/20

INLAND EMPIRE (Trailer)

Trailer da mais recente bizarria do mestre David Lynch...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Smokers Outside The Hospital Doors

Pull the blindfold down
So your eyes can't see
Now run as fast as you can
Through this field of trees
Say goodbye to everyone
You have ever known
You are not gonna see them ever again
I can't shake this feeling I've got
My dirty hands, have I been in the wars?
The saddest thing that I'd ever seen
Were smokers outside the hospital doors

Someone turn me around
Can I start this again?

How can we wear our smiles
With our mouths wide shut
'Cause you stopped us from singin'
I can't shake this feeling I've got
My dirty hands, have I been in the wars?
The saddest thing that I'd ever seen
Were smokers outside the hospital doors

Someone turn me around
Can I start this again?
Now someone turn us around
Can we start this again?

We've all been changed
From what we were
Our broken parts
Left smashed off the floor
I can't believe you
If I can't hear you
I can't believe you
I can't hear you

We've all been changed
From what we were
Our broken parts
Smashed off the floor
We've all been changed
From what we were
Our broken parts
Smashed off the floor

Someone turn me around
(We've all been changed from what we were)
Can I start this again?
(Our broken parts smashed off the floor)
Now someone turn us around
(We've all been changed from what we were)
Can we start this again?
(Our broken parts smashed off the floor)




TOM SMITH para os The Editors no álbum AN END HAS A START

sábado, 19 de janeiro de 2008

A Frase

"You know what´s weired about dead people? How they look so perfect. When I die I want to be one big mess. That´s what life is: Messy..."




Lili Taylor como Lisa Kimmel
em
"Sete Palmos de Terra" (episódio 10 da 2ª época, escrito por Bruce Eric Kaplan)
Joao Pedro Rodrigues: "Cromo"

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

As Facas

Isabel Lhano: Não te Afastes

(A Concha Quadrada)

Acrílico sobre tela, 2006



Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.

Este amor é de guerra. (De arma branca).
Amando ataco amando contra atacas
este amor é de sangue que não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.

Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas
E em cada assalto sou assassinado.


Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.

MANUEL ALEGRE

domingo, 6 de janeiro de 2008

Os Albuns de 2007

A minha própria selecção pessoal...

1. Bjork: Volta


Oitavo álbum da diva islandesa. Feito da ancestralidade que começava a revelar-se em "Medulla". A ouvir "Wanderlust", "Declare Independence" e "Earth Intruders".


2. Arcade Fire: Neon Bible

Podem ter dividido as opiniões dos ouvintes, mas os Arcade Fire têm no seu segundo álbum um grande álbum. Confirmações em "Intervention", "Black Mirror" ou "My Body Is a Cage".


3. Lou Rhodes: Bloom

Fora dos Lamb a música é outra. Melodiosa, simples e intimista, Lou Rhodes soma e segue. Depois da apoteótica estreia com "Beloved One", é a vez de "Bloom" dar provas da qualidade da música de Lou. Entre outras "They Say", "Bloom" ou "Chase All My Winters Away".


4. Blind Zero: Time Machine (Memories Undone)


Se o objectivo é um álbum com o melhor dos Blind Zero, nada melhor do que um álbum ao vivo para o fazer. Colectânea de várias actuações do colectivo de Miguel Guedes, "Time Machine" é uma peça indispensável na história do rock português ou não só. Por exemplo "Big Brother", "Recognize" ou a versão de "Drive" dos The Cars.


5. The Editors: An End Has a Start


Tom Smith e os comparsas regressam depois do excelente "The Back Room", com um álbum ainda melhor. A comprovar "Escape The Nest", "An End Has a Start", "Smokers Outside the Hospital Doors".

6. Tori Amos: American Doll Posse


Desdobrado em cinco, "American Doll Posse" é mais uma prova de que Tori Amos ainda tem muito para oferecer á música. Pip, Santa, Isabel e Clyde dizem amén. Conferir em "Body And Soul", "You Can Bring Your Dog", "Bouncing Off Clouds".


7. Animal Collective: Strawberry Jam


Mais selvagem que um jardim zoológico, o novo álbum de Panda Bear, Avey Tare, Deakin e Geologist é uma colecção de excelentes canções na tonalidade electrizante de sempre. Entre outras "Fireworks", "Winter Wonder Land" ou "Chores".



8. Joanna Newsom: YS


Acompanhada da sua harpa, mas tambem de nomes como Van Dycke Parks ou Bill Callahan, Joanna apresenta-nos o seu aguardado e agradavel segundo álbum. Por exemplo "Emily", "Cosmia", "Sawdust and Diamonds".



9. Patrick Wolf: The Magic Position


Pela pop, desta vez. O que é certo é que Patrick Wolf não se cansa de ser imprevisível. "The Magic Position" é feito de uma pop irresistivelmente boa: as influências certas com os arranjos dignos do lobo... "Magpie", "The Magic Position" ou "Secret Garden".


10. Panda Bear: Person Pitch

Saído dos Animal Collective, e com residência em Lisboa, Panda Bear tem em "Person Pitch" um álbum exemplar: não perde nenhuma das características que interissecamente o ligam aos Animal Collective, mas não se deixa confundir. A ouvir "Take Pills", "Ponytail" ou "I´m Not".


11. Maria João: João



Do outro lado do Atlântico chegam as canções que Maria João, agora sem Mário Laginha, interpreta neste álbum. A interpretação, essa, vem de muitos mais sítios do que possamos sequer imaginar. Sempre assim foi com Maria João. Obrigatórios "Retrato em Branco e Preto", "Choro Bandido", "A Outra".


12. Maria de Medeiros: A Little More Blue



Aos 42 anos, Maria de Medeiros mostra-nos que ainda tem muito a fazer em muitas áreas. A sua primeira incursão pela música é a interpretação de um reportório brasileiro escolhido a dedo, com ênfase para a palavra. Destaques para, entre outras, "O Quereres", "A Little More Blue" ou "O Que Será".



13. Amy Winehouse: Back To Black



Falam dela, principalmente por picarescas estórias que em nada têm a ver com música. Eu tenho uam teoria: na música, não há nada a apontar. Em caso de dúvida, "You Know I´m No Good", "Back To Black" ou "Me and Mr. Jones".



14. Tracey Thorn: Out Of The Woods



Acontece por vezes que um elemento de uma banda de sucesso, ao emancipar-se numa carreira a solo nao tenha nenhum sucesso. Assim foi com os Everything But The Girl, e Tracey Thorn. Pelo menos a qualidade ficou. A ouvir, "A-Z", "Easy", "It´s All True".



15. Matthew Dear: Asa Breed


Micro-house, house, electropop... é o que menos importa. "Asa Breed" é o melhor álbum de Matt Dear, e, certamente, um dos melhores momentos dançáveis de 2007. Assim em "Fleece On Brain", "Elementary Lover" ou "Neghborhoods".

sábado, 5 de janeiro de 2008

Control (Trailer)

http://www.youtube.com/watch?v=7c2_B_cWK_M

Trailer do mais recente filme de Anton Corbijn, sobre os Joy Division em particular sobre Ian Curtis. "Love Will Tear Us Apart" serve de banda sonora a este minuto e tal de antevisão do promissor filme.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Bang Bang


I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down.

Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say
"Remember when we used to play?"

Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down.

Music played, and people sang
Just for me, the church bells rang.

Now he's gone, I don't know why
And till this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie.

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down...

NANCY SINATRA para a banda sonora de KILL BILL de QUENTIN TARANTINO
Imagem: "ABCD" de RAOUL HAUSMANN

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

A Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão e o Cineclube de Joane vão levar a cabo um ciclo de cinema intitulado "Quintas de Cinema". As escolhas são mais que recomendáveis. Fica aqui a sugestão:

3 de Janeiro- MALA NOCHE (Mala Noche) de Gus Van Sant
9 de Janeiro- O SILENCIO (Silence) de Ingmar Bergman
10 de Janeiro- Cinenima
17 de Janeiro- AS CANÇÕES DE AMOR (Les Chansons d´Amour) de Christophe Honoré
31 de Janeiro- O ODOR DO SANGUE (L´odore del sangue) de Mario Martone

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Body and Soul



Sweet Communion
Sweet Communion

I have waited all my life
You say you are bonafide
To be my judge
Lay your law down on me love
Seven devils bring them on
I have left my weapons
cause I think you're wrong
These devils of yours they need love...

Come and kneel with me
Body and Soul
Come and kneel with me
Body and Soul
Body and Soul
Body and Soul
Body and Soul

Sweet Communion
Sweet Communion

In my temple boy be warned
Violence doesn't have a home now but ecstasy
That's as pure as a woman's gold
Seven devils bring them on
I have left my weapons
'cause I think you're wrong
These devils of yours they need love

Come and kneel with me
Body and Soul
Come and kneel with me
Body and Soul
Body and Soul
Body and Soul
Body and Soul

I'll save you from that sunday sermon
Boy I think you need a conversion
Body and Soul

Come and kneel with me
Body and Soul
Come and kneel with me
Body and Soul
Body and Soul
Body and Soul
Body and Soul

TORI AMOS para o álbum "AMERICAN DOLL POSSE"
imagem: ROBERT MAPPLETHORPE

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

A Nova Lei-Sócrates

Não é meu costume manifestar-me acerca de política. Não que não tenha uma opinião, simplesmente gosto de a guardar para mim. As almas raras que já leram o meu blog sabem que em situação alguma o utilizei para me evidenciar politicamente. E, posto isto, quem ler vai achar, como eu, ridículo que a primeira vez que o faça seja por um motivo destes. Mas a verdade é que tenho mesmo que me manifestar acerca da nova lei da proibição de fumar nos locais públicos. Quanto a restaurantes, eu estou de acordo. As pessoas vão lá para comer, e não é lá muito agradável estar a comer a comida e o fumo dos outros. Mas os cafés são outra conversa. São locais onde se vai, acima de tudo, passar tempo, e não sao assim tão raras as pessoas que gostam de acompanhar o seu café com um cigarro.
Eu incluido. E portanto, após discordar de tantas medidas do executivo de Socrates, vou-me manifestar.
Primeiro: gosto de escrever no café, enquanto tomo cafés e fumo. Sim, pois, claro, sou um idiota.
Segundo: é insultuoso que um governo que se diz de Esquerda tome uma atitude tão pouco liberal. Nunca de discutiu a legalização das drogas leves. Tudo bem, pode ser só distração. Mas agora os locais onde se pode fumar passam, realmente, a ser tratados como salas de chuto, onde os dependentes vão matar o vício. A isto eu chamo mentes abertas.
Terceiro: há cafés que vão fechar. Na rua da minha escola há um café que tem clientes essencialmente nas horas dos intervalos. Quando há furos há um ou outro aluno que falta á aula de substituição (E faz ele muito bem.), e vai para o café. Mas bastam-me os dedos de uma mão para contar o número de vezes que vi alguém nesse café que não pertencesse ao corpo docente ou estudantil da escola. Este, se não permitir que se fume no interior, fecha de certeza.
Quarto: este é um problema menor. Sócrates está á frente de um país que lhe deu maioria absoluta, e que vive com sérias dificuldades, na sua maioria. Há pessoas sem casa, há pessoas sem condições, o desemprego aumenta, a cultura degrada-se, as pessoas no geral estão descontentes. E com que se preocupa o primeiro ministro? Com os fumadores que incomodam os não-fumadores no café. De facto, há que admitir: Sócrates tem bem-definidas as suas prioridades, e estão correctas, não haja dúvidas.
Portanto, o primeiro-ministro é um idiota, e eu, na minha insignificância, apelo ao voto em qualquer um dos candidatos de 2009, que não Sócrates. Pessoas como ele devem estar no café, de preferência um onde se fume muito, muito, muito...

domingo, 23 de dezembro de 2007

Isabel Lhano- Estamos aqui

No outro dia, falei de "Concha Quadrada" de Isabel Lhano. Este é o seu trabalho anterior, levado a exposição em 2005, "O Elogio do Essencial/ Estamos Aqui", onde a pintora retrata algumas das pessoas que admira. Além do seu auto-retrato (o retrato vermelho isolado), há gente como José Luís Peixoto, Graça Martins (Irmã de Isabel Lhano, e, por acaso, minha professora), Valter Hugo Mae, Adolfo Luxúria Canibal, Nelson d´Aires, Ana Abrunhosa, etc, etc, etc.

Natália Correia: Madona

DUAS LUAS


"A Madona" é o título do segundo romance da tardo-surrealista Natália Correia, publicado 24 anos após o primeiro, "Anoiteceu no Bairro". Nestes 24 anos, Natália, dona de um génio ímpar, publicou ensaios, peças de teatro, e algumas das suas mais importantes obras em poesia, livros como "Dimensao Encontrada" (1957), "Cântico do País Emerso" (1961), assim como a sua "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica" (1965).



Fosse eu dono do mundo, e nao haveria uma única pessoa que morresse sem ter lido Natália Correia. E "A Madona", cuja leitura terminei há algumas semanas, vem reforçar esta minha certeza.
Esta é a história de Branca, e dos três homens da sua vida, Manuel, Miguel e "o Anjo", Lars Nielsen. E não é só no domínio barroco da linguagem, na densidade das imagens metafóricas/ surrealistas e na pessoalidade narrativa que a autora brilha, é, principalmente, na forma como nos conduz através da história, desmontando a cronologia e encadeando os momentos uns nos outros, sem que nada seja ao acaso, e sem que a linha narrativa principal seja desviada. Todos os outros momentos surgem quase paralelamente, tocando o momento presente num ponto quase imperceptivel.
E, o que seria dificil para muitos bons escritores, para Natália é naturalmente simples: como explorar a virgindade eterna e eternamente atacada de Branca, como explorar a sua espiritualidade, sem que essa exploração violasse essa mesma espiritualidade.
Mas também assuntos como a eterna dúvida de escrever, a influência da política, a homossexualidade, a morte, e a superficialidade religiosa são abordados em "A Madona", com particular perspicácia e exactidão.
"A Madona" é, por isso, um livro obrigatório, e torna-se-o ainda mais quando se trata apenas na segunda incursão da escritora no domínio do romance.



Veredicto: 20/20