sexta-feira, 28 de março de 2008

Ice

Helena Almeida: "Pintura Habitada" 1976

The ice is thin come on dive in
underneath my lucid skin
the cold is lost, forgotten
Hours pass days pass time stands still
light gets dark and darkness fills
my secret heart forbidden...


I think you worried for me then
the subtle ways that I'd give in but I know
you liked the show
tied down to this bed of shame
you tried to move around the pain but oh
your soul is anchored


The only comfort is the moving of the river
You enter into me, a lie upon your lips
offer what you can, I'll take all that I can get
only a fool's here...


I don't like your tragic sighs
as if your god has passed you by well hey fool
that's your deception
your angels speak with jilted tongues
the serpent's tale has come undone you have no
strength to squander


The only comfort is the moving of the river
You enter into me, a lie upon your lips
offer what you can, I'll take all that I can get
only a fool's here to stay
only a fool's here to stay
only a fool's here

SARAH MCLACHLAN para o álbum FUMBLING TOWARDS ECSTASY (1993)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Shivaree - John 2/14

Resgatado dos confins do YouTube: John 2/14 dos Shivaree, do álbum Rough Dreams. Excelente...

quarta-feira, 26 de março de 2008

Histórias Improvaveis de Benedita Kendall

"Histórias Improvaveis" é o nome da mais recente exposição de Benedita Kendall, artista nascida no Porto em 1971. Tendo formação em várias áreas, do Desenho de Arquitectura á Pintura, nestes trabalhos essas várias áreas cruzam-se. Era importante, não só para a diversidade de referências artísticas como pela diversidade de referências culturais o sentido gráfico que a artista apresenta, tela a tela.


"Conectividades II"

A primeira característica que se nota é a agressividade dos fundos. Neles, a pintora assume a pincelada, furiosa, frenética, entrecruzada e entrecortada. Noutros ainda, ela simula através da pincelada essa mesma agressividade, mas já remetendo a alguns padrões como os círculos interiores de uma árvore, a casca da árvore, caracóis de cabelo ou rendilhados. Sobre estes fundos, a artista aplica imagens que nos levam ao universo da fábula, com animais personificados (Vestidos, a fumar, a discutir, etc.), outras vezes para personagens mais introspectivas ("A Máquina do Tempo".), ou para imagens de reminiscência social. Em tudo isto, a artista não se coibe de utilizar métodos de representação muito variados e com incontáveis referências. Se nuns, as figuras simplificadas e deslocadas do espaço nos levam imediatamente ao universo da ilustração ("Fábula Sobre a Solidão."), noutros os edifícios surgem desenhados, o que nos leva á aquitectura ("Histórias Improvaveis".), noutros a ilustração é feita como se faria num prato ou numa jarra ("Margem de Segurança".), nalguns surge a pintura, com os modelados, noutros apenas a linha, desenhada. As figuras em si são ora plácidas e concentradas na sua própria forma ou nos seus próprios gestos ("Histórias Improvaveis".), ora dotadas de uma apresentação mais barroca ("Rivalidades".), ora um desenho mais ligado á banda desenhada ("Fábula sobre a Fragilidade".).



"Histórias Improvaveis"



Algumas referências á representação tradicional oriental também se fazem sentir, bem como figuras ligadas a esta mitologia, como o dragão com a cauda na boca ("Timidez".).
Assim não é só no cruzamento de tantas personagens e temáticas diferentes que as histórias de Benedita Kendall se tornam improvaveis. É também na multiplicidade de referências artísticas tão distantes, que também parecem originar um ecótono de tempos.
É nisto que o novo trabalho de Kendall é interessante: pela capacidade que a artista tem de, utilizando as suas capacidades gráficas, fundir referências tão variadas, vindas de áreas distintas (Ilustração, pintura, literatura, arquitectura.), que resultam, no final, em telas muito coerentes, e capazes de suscitar ideias multiplas.


"Rivalidades"

Para ver até Abril na Galeria de Sao Mamede, em Lisboa.

cowboys

a minha música preferida dos Portishead. Não há bilhetes para mim! Damn you!!!!
Na imagem, uma fotografia da instalação "ANTROPOFAGIA" de Rute Rosas



Did you sweep us far from your feet,
Reset in stone this stark belief,
Salted eyes and a sordid dye,
Too many years.

But don't despair,
This day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.

Did you feed us tales of deceit,
Conceal the tongues who need to speak?
Subtle lies and a soiled coin,
The truth is sold, the deal is done.

But don't despair,
This day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.

Undefined, no signs of regret,
Your swollen pride assumes respect,
Talons fly as a last disguise,
But no return, the time has come.

So don't despair,
And this day will be their damnedest day,
Oh, if you take these things from me.
Oh, if you take these things from me

de BETH GIBBONS para "PORTISHEAD" dos Portishead, 1997

terça-feira, 25 de março de 2008

sad empire



Sad Empire is shaking from the inside
Picks all the faces of last soldiers in battle
Says goodnight and sleeps, restless
Kill switch-mode, communicator presets
Quite obscure, the purpose is grateful
No one will keep silence apart from what I see coming in
I see the storm, it´s rushing by
Reporting damage



Rainy hearts
And the sky is suffering from natural diseases
I hear sounds
And they clap their hands like if they wish to be seen



Take all the blame
My world apart
And the worst nightmare on earth
Take all the rest
My world apart
I will spin it backwards

And the worst nightmare on earth...

MIGUEL GUEDES para "A Way To Bleed Your Lover" Blind Zero

Imagem: "ELE" de JOAO PEDRO RODRIGUES

segunda-feira, 24 de março de 2008

Portishead- Machine Gun

Vídeo do primeiro single do novo álbum, "Third" a ser lançado em Abril. Onze anos depois de "Portishead", é o regresso aguardadíssimo de Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley.

Caravelas



Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
De um estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.

Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!

Se eu sempre fui assim este Mar morto:
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram!

Caravelas doiradas a bailar...
Ai quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!...
FLORBELA ESPANCA

domingo, 23 de março de 2008

Final Examination de Fred Olen Ray

O REPROVADO

Quando John Carpenter realizou "Halloween" em 1978, digo eu que não imaginaria o que, alguns anos depois comeariam a fazer com essa ideia dos filmes sobre "serial killers". Arrastado pela lama, esse subgénero de filme de terror teve alguns picos de qualidade: "Scream" de Wes Craven que funcionava como uma crítica tambem á repetição da fórmula e "Mitos Urbanos" de Jamie Blanks que primava pela história mais do que por outra coisa qualquer. Isto exluindo "Sexta Feira 13" e "Texas Chainsaw Massacre", filmes arruinados pelas sequelas e pela exploração ridicula dos seus assassinos. Jason Vorhees é agora motivo de gargalhadas em vez de arrepios de medo...
"Final Examination" de Fred Olen Ray é um desses filmes que mergulha na vergonha o conceito do serial killer.



Um detective de Los Angeles é enviado para o Hawai por ser demasiado "louco" a resolver os seus casos com dealers de cocaína. Supostamente num local com menos agitação, depara-se com um serial killer a assassinar um grupo de turistas recém-chegados.
Quem fizer tenções de ver o filme, coisa que não recomendo, a não ser que se queiram rir, não deve ler o resto da crítica, uma vez que me vejo obrigado a fazer referência ao final.
A primeira sequência do filme é o suicidio de uma teenager típicamente americana.
Depois vemos um grupo de mais teenagers com um aspecto ainda mais insultuoso (Do genero cilicone por todos os centimetros, cabelos loiros pintados, riso histérico e de uma conversa a deixar o fútil a perder de vista...), e o namorado de uma delas, com o aspecto típico de um surfista (Eu diria que é surfista da banheira, mas isto é uma opinião pessoal.). A namorada deste sujeito é a primeira a morrer, numa cena que prima pela falta de jeito.
A estas coisas, juntam-se outros elementos típicos do filme fácil: sexo com particular atenção aos corpos esculturais, uma terrível cena no chuveiro que deixaria Hitchcock insultado, mortes em cenários improvaveis, com contornos improvaveis e exibicionismo qb, para que não haja dúvidas de que se trata de um slasher movie americano recente. O amor que começa a despontar entre o nosso detective e a sua colega, igualmente típico, também marca pontos.
De facto, típico é a primeira palavra que se associa a "Final Examination". Tudo é típico, tudo é vulgar.
Depois, ha outra palavra que também se aplica, mas só depois de se ver o final: insultuoso:
Não há um assassino, há três, e são todos irmãos da rapariga que s suicidava, e por um motivo, diga-se, muito estúpido.
É uma abundância de Kinkades (O aplido da família da rapariga e dos irmãos assassinos.) que não se vê em qualquer sítio. Nem num filme tão palerma como "Sei o Que Fizeste no Verão Passado" nos mostravam uma resolução tão estúpida, que nos deixa a sentir um nervosismo que provavelmente advém do facto de estarem a atentar contra a nossa inteligência.
Resultado: um filme muito, muito mau. Razões para vê-lo:
a) se estiverem a precisar de umas boas gargalhadas
b) se não acreditarem que é tão mau como estou a dizer
c) se quiserem um pseudo-erotismo desinteressante tipo "Marés Vivas"
d) se gostarem de filmes rascas sobre assassinos que nunca poderiam ser reais.
Caso contrário, a sério, não vejam.




Veredicto: 5/20

sexta-feira, 21 de março de 2008

Goldfrapp: Seventh Tree

SOB ÁRVORES ESTRANHAS

Um passo tão repentino como a mudança de som de "Felt Mountain" para "Black Cherry" podia ter custado muito caro aos Goldfrapp. O som acústico e melodioso do primeiro álbum transformava-se em ritmo electrónico e desconcertante no segundo. Felizmente, ou devido ao manter da qualidade, tal não aconteceu. Allison Goldfrapp e Will Gregory mantiveram os seus seguidores, que aceitaram a nova sonoridade. "Supernature", o terceiro álbum era mais equilibrado. Ainda estavam lá os sons electrónicos e dançantes do segundo, mas já havia uma presença forte dos grandes arranjos do primeiro.


No entato, "Seventh Tree" vem agora mostrar que "Supernature" não era plenamente uma síntese conceptual dos dois primeiros álbuns. Isto porque este quarto álbum vem equilibrar as coisas. As músicas continuam a poder dançar-se e são, como não podiam deixar de ser, muito electrónicas, mas agora a tónica é posta na inserção de elementos acústicos e nos grandes arranjos de cordas a la "Felt Mountain". Ouça-se "Eat Yourself", "Clowns" ou "Road To Somewhere". Uma outra faceta do álbum prende-se na exploração dos potenciais da bateria e de instrumentos acústicos como forma de traçar um ritmo forte. "Happiness" e "Cologne Cerrone Houdini" são exemplo.
O resultado é uma sonoridade menos sexual, mas mais elaborada, mais barroca. A voz de Allison Goldfrapp adapta-se tão bem a este tipo de som como se adaptada ao "alternative dancefloor", mas isso já estava há muito provado. As composições, como sempre a meias com Will Gregory, a outra metade da banda, prendem-se num som mais fluido e numa procura de uma beleza melodiosa, suave e quente. Nos arranjos, nota-se um misto de agressividade (Os violoncelos em "Some People".) e de relaxamento (As cordas de "Eat Yourself".).
Como sempre, no final, fica a sensação de que soube a pouco. São dez faixas. Claro que é melhor ter dez faxias muito boas do que vinte medíocres, mas mesmo assim, os Goldfrapp já provaram que fazer má música não é muito o seu estilo.


Ninguém pense que aqui se perde a bizarria e a individualidade da música dos Goldfrapp. Nada disso. O regresso ao acústico não é marca de um retroceder, antes uma reciclagem de um conceito utilizado no passado, mas que não é utilizado como no passado.
A versão com DVD é uma opção a considerar, vale a pena: inclui um documentário de produção do álbum, bem como o video de "A&E".

Veredicto: 18/20

quinta-feira, 20 de março de 2008

dissolved girl

uma das grandes canções dos Massive Attack, retrato de uma dor anestesiante. Sara Jay, uma então desconhecida, assume a voz e a letra. Na imagem, outro retrato de sofrimento: "Borderline Case" de Graça Martins.











Shame, such a shame
I think I kind of lost myself again
Day, yesterday
Really should be leaving but I stay

Say, say my name
I need a little love to ease the pain
I need a little love to ease the pain
It's easy to remember when it came

'Cause it feels like I've been
I've been here before
You are not my savior
But I still don't go
Feels like something
That I've done before
I could fake it
But I still want more

Fade, made to fade
Passion's overrated anyway
Say, say my name
I need a little love to ease the pain
I need a little love to ease the pain
It's easy to remember when it came

'Cause it feels like I've been
I've been here before
You are not my savior
But I still don't go,
I feel live something
That I've done before
I could fake itBut I still want more, oh.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Susana Bravo: Circo Aberto


É essencial ao estar-se perante uma obra de arte saber quais são as armas de se devem usar para a ver e apreciar devidamente. A arte como lente que abre as portas para uma observação de uma realidade é importante e, felizmente, cada vez mais comum. A intervenção, ou seja, a capacidade de expressar alguma ideia relativa a essa realidade é um segundo passo, igual ao primeiro em termos de importância. Assim sendo, a observação é levada a um segundo estatuto, o da análise.
Em Susana Bravo, a observação é óbvia. A análise não é perceptível á primeira vista. O que se denota é, primeiro, uma tentativa de ver o mundo através dos olhos destes personagens, e só daí podemos retirar uma análise. Essa análise não existe no sentido em que critica alguma coisa, no sentido em que choca; mas no sentido em que coloca á vista do espectador algo que não estava explicito antes.


Em termos técnicos, as telas estão muito bem conseguidas. Povoadas maioritáriamente por mulheres, o sentido caótico não se perde: as figuras sobrepõem-se, criam uma espécie de revolução sobre a superfície. O sentido cénico é aguçado, pondo em evidência este espaço que é o circo, e que a exposição coloca em aberto. Para isto, acaba por fundir pintura e desenho na mesma tela: algumas das figuras estão, de facto, pintadas outras são sugeridas apenas pela linha desenhada. No entanto, este caos que reina, acaba por ser inserido em cores suaves, que funcionam como um elemento que embeleza ou confere algum brilho ás imagens, tornando-as menos agressivas e mais idílicas.


Susana Bravo explora também o acto de ver. Em vários componentes de "O Circo Aberto" existe um personagem de costas, que olha para a sua frente, ou até um personagem fixo noutro ponto da tela. Esta inserção de um observador acaba por nos guiar, por nos fazer ver o que a pintora quer que vejamos.


Há, no entanto, um defeito nestes trabalhos: por vezes, parece demasiado óbvia a influência de Paula Rego no que toca á representação do corpo feminino. Ainda que a pintora use uma forma suave e tranquila no desenho das figuras, por vezes remete demasiado para Paula Rego, quer pela distorção das proporções, quer por pequenos detalhes como as figuras que surgem em escalas diferentes.
No entanto, eu sou apologista de que devemos ter uma noção tão larga quanto possível do que está á nossa volta, e esta colecção explora um tema quase insólito. Portanto, a ver, até dia 29 de Março, na Galeria Artes do Solar de Santo António.

Susana Bravo (Video)

Video com as obras de "O Circo Aberto" a da pintora no seu atlier, durante a execução dos trabalhos.

terça-feira, 18 de março de 2008

Editors - The Racing Rats

O vídeo mais recente de "An End Has a Start", muito bom, para uma música muito boa. A contagem decrescente para os concertos em Portugal já começou.

caspar david friedrich

é um dos maiores pintores românticos.

Retrato de Friedrich por Gerhard Von Kuglegen

Idealistas e carregadas de simbolismo, as suas obras demonstram uma extrema veneração pela Natureza. Conheceu o poeta Novalis, e o próprio Goethe que lhe facultou uma exposição em Weimar. Começou com aguarelas e desenhos, depois passou para a água forte e para a gravura em metal, e, por último, encontra a plenitude na pintura a óleo. Já com uma obra bem divulgada, tornou-se membro da Academia de Dresden. Tinha na altura em atlier conjunto com Dahl. A crescente implementação da pintura realista e naturalista começou a dificultar-lhe as vendas, pelo que acabou por morrer na miséria. O seu legado incluiu belíssimos e melancólicos quadros em que a presença humana surge com a força de um intruso involuntário, mas também numa posição de contemplação.




Friedrich é um dos meus pintores preferidos, e aqui deixo algumas imagens.

História de Uma Desculturização

ou Porque é Que La Féria Nunca Devia ter Ficado com o Rivoli




É um espaço arquitectonicamente bom, muito agradável, bem situado, e melhor que tudo, pertence aos moradores do Porto. Era isto o Rivoli, até há cerca de um ano.

Depois, surge a notícia: o Rivoli será privatizado. Lá se vai o Auditório Municipal. De facto, privatizar o Rivoli tornaria a história de que pertencia aos moradores do Porto uma ficção. Mas, entregue á pessoa certa, nao havia razões para deixar de ser um espaço cultural e um dos locais obrigatórios de passagem no Porto.

No entanto, Rui Rio não deu atenção a esta última parte, e fala-se de entregar o Rivoli a Filipe La Féria. Contra tudo e contra todos, La Feria conseguiu mesmo ficar com a sala.
Depois deste tempo todo, necessário para avaliar o comportamento de La Féria, digo-vos o que acho.

Acho que Filipe La Feria, se não é a pessoa mais anti-cultural em Portugal, tem que estar no Top 3.

A cultura tem um príncipio básico, e julgo que isto é conhecimento comum: diversidade. A cultura constroi-se com a música, o teatro, o cinema, o bailado, as artes plásticas, a literatura, etc. Mas, para La Feria, ficar com o Rivoli não foi ficar com um espaço cultural, foi alugar uma casa. E, desde então, tudo o que passa pelo Rivoli são as peças de La Feria, desde Jesus Cristo Superstar até á Música no Coração e ao Principezinho.

Acabaram-se os concertos, as exposições, enfim, acabou-se tudo o que não seja de La Feria. Pode ser teatro, mas não é cultura, é auto-promoção.Eu próprio não cosigo descrever o nó na garganta com que fico quando passo junto ao Rivoli e vejo tanta gente amontoada para ir assistir a uma peça desse sujeito. Da mesma forma, também não sei descrever a sensação de vitória que tive quando, no Fatasporto via muito mais gente do que para assistir a qualquer peça de La Feria, mas não iam ver a peça de La Feria.

Mas mesmo no Fantas, esse sujeito teve que fazer das suas: recusou-se a tirar as garrafais letras, a estúpida foto gigante da actriz de Musica no Coração com os braços abertos e uma expressão completamente palerma, assim como as estúpidas estelas com as cabeças das crianças do musical na entrada. Tudo isto, para ser sincero, deu-me uma enorme vontade de trepar as paredes e arrancar aquelas promoções megalómanas e despropositadas a uma pessoa muito inchada e pouco dotada.
No sentido oposto, ou seja, exemplo de um excelente trabalho, foi Paulo Brandão, a quem foi entregue o Theatro Circo de Braga. Devo dizer que considero o cartaz do Theatro Circo senão o melhor, um dos melhores do país. Prima pela diversidade, e pela selectividade cultural.

Em compensação, de La Feria, só tenho a dizer que espero que saia o mais rapidamente possível da direcção do Rivoli. A sala pertence aos habitantes do Porto, mas, mais importante ainda, pertence á cultura, e está a ser privado disso por uma pessoa com um ego enorme e infundado. Quem viu o musical de Amália só pode ter ficado escandalizado...

segunda-feira, 17 de março de 2008

My Sweet Prince

Versos de Brian Molko, esse senhor...

Never thought you'd make me perspire. Never thought I'd do you the same. Never thought I'd fill with desire. Never thought I'd feel so ashamed. Me and the dragon can chase all the pain away. So before I end my day, remember.. My sweet prince, you are the one, My sweet princeyou are the one. Never thought I'd have to retire. Never thought I'd have to abstain. Never thought all this could back fire. Close up the hole in my vein. Me and my valuable friend can fix all the pain away, so before I end my day, remember: My sweet princeyou are the one. My sweet prince you are the one. You are the one, you are the one, you are the one, you are the one. Never thought I'd get any higher. Never thought you'd fuck with my brain. Never thought all this could expire. Never thought you'd go break the chain. Me and you baby, still flush all the pain away, so before I end my day, remember: My sweet prince, you are the one. My sweet prince, you are the one, you are the one, you are the one, you are the one, you are the one, you are the one, you are the one, you are the one, you are the one. My sweet prince...My sweet prince...

Coco de Colbie Caillat

TEMPESTADE NUM COPO DE ÁGUA

De facto, muitas vezes, a promoção que se faz de uma pessoa só a leva a ser prejudicada. O mito que se cria á volta de tanta gente acaba por lhes ser fatal, quando não conseguem corresponder.
Isto acontece com Colbie Caillat.
Dela, contam aquela história tão típica como desinteressante: a da menina que chegou ao mundo da música por acaso. Especificamente, Colbie fez upload de uns videos seus no YouTube, e alguém descobriu a sua fenomenal voz e convidou para gravar um álbum onde figuram muitas das grandes canções do ano.



Eis o erro. Dizerem que ela é autora de grandes canções deixa-nos um travo amargo na boca quando ouvimos "Coco", o álbum de estreia. "Coco" tem quatro ou cinco boas canções e outras tantas medíocres, não tem nenhuma grande canção, e a sua voz não é nada de fenomenal, é uma boa voz, suave, quente, meiga, mas sem nada de especial.
Assim, se a tivessem apresentado como uma debutante do rock acústico e melódico, dela dir-se-ia ser merecedora de todos os elogios que lhe apontassem. Mas Caillat é destruída pela sua campanha.
Falemos objectivamente de "Coco". É construído de canções rock acústicas e simplificadas, entre a Jewel de "Pieces Of You" e a Natalie Imbruglia de "Left Of The Middle", só não é tão surpreendente como era Jewel, nem tão expedita como era Natalie. Mas é aqui que se situa.
"Bubbly" é uma escolha inteligente para primeiro single, pois é uma das melhores faixas de "Coco". Além desta, contam-se "Battle", "Feelings Show" (Ainda que por vezes seja demasiado lamechas.), "Capri", "The Little Things" e talvez também "Oxygen".
A parte mais apagada e escusada do álbum passa por "Midnight Bottle" e "Realize" onde a menina se excede e a doçura torna-se pegajosa. Má ideia.
As restantes canções são médias: interessantes enquanto composições, um pouco previsíveis na letra, sempre bem interpretadas, simplorias e na mesma tonalidade fresca.
Assim sendo, não se pode dizer que o álbum de estreia de Colbie Caillat seja mau, porque não é. Mas ninguém diga que é um grande álbum e que é uma das melhores coisas que a música já ouviu, porque isso está longe de ser verdade. A César o que é de César, e a Colbie o que é de Colbie. Não a Colbie o que é de César. Nem o contrário...


Veredicto: 14/20

Colbie Caillat - Bubbly

Video de avanço de "Coco". Pode ser previsível, mas é coerente. E a canção é boa...

domingo, 16 de março de 2008

Goldfrapp- Utopia

Talvez já tenha fugido á memória de muitos o álbum "Felt Mountain" dos Goldfrapp, a sua estreia em 2000, e com ele "Utopia", primeiro single. Se assim é, a injustiça fica evidente no videoclip oficial, um delírio estético que reforça a carga onírica e etérea da canção.

FamaShow

Portugal é um daqueles países que não dá realce á cultura, mas adora ter supostas vedetas. Na realidade, aqueles que de facto merecem reconhecimento, como são os nossos grandes poetas, os nossos excelentes artistas, os nossos brutais escritores, os nossos óptimos músicos; não saem muito de um quase anonimato que é uma condenação prévia da decisão de serem pessoas ligadas á cultura. No entanto, existem aquelas vergonhosas coisas a que se dá o nome de colunas sociais. E as colunas sociais são fenomenais, porque nada é exigido a quem é falado. As palavras chave são "estar", "aparecer". E são essas as pessoas a quem se dá realce em Portugal. Cinha Jardim, Lili Caneças, Paula Bobone, Vicky Fernandes, Florbela Queiroz, Elsa Raposo... enfim, pessoas que não têm contributos para a cultura, que não têm dinheiro, mas que "aparecem" constantemente na casa uns dos outros, e que "estão" invariavelmente nas mais variadas feiras de vaidades.
"FamaShow", programa da Sic no qual tropecei acidentalmente, é um programa sobre este tipo de pessoas. Aliás, a Sic, no que toca a realçar nulidades não tem concorrência. Desde o "Extase" á "Tertulia Cor de Rosa"... Mas realmente não percebo qual é o interesse de passar um quarto de hora a ouvir o Herman José falar dos cintos que coleciona, enquanto os mostra; ou ouvir falar Tony Carreira da sua biografia...?
Quanto á "Tertúlia Cor-de-Rosa", não resisto em falar do assunto. Costuma estar a passar no restaurante onde almoço com os meus amigos, e só continuo a perguntar-me que prazer masoquista é este que tenho, porque acabo sempre por olhar. Juntam a Maya, o Nuno Eiró, o Cláudio Ramos, a Ana Maria Lucas, a Florbela Queiroz e o Daniel Nascimento á volta da Fátima Lopes (Que não percebo porque se sujeita a espéctaculos deste calibre.) a discutir se o José Castelo Branco tem ou na razão quando diz na capa da Lux (?) que aos 45 anos já atingiu a perfeição (Como se fosse sequer possível duvidar de que não.), a discutir o vestido da Lili Caneças, o rompimento entre o Cristiano Ronaldo e a Merche... enfim, a não falar de nada.
Tudo isto existe, e tudo isto é triste, já diria Amália, mas aqui o sentido é mesmo muito pejorativo. Portugal atrasou-se culturalmente durante a ditadura, e agora, em vez de se preocupar em recuperar o tempo e a sabedoria perdidos, está preocupado em saber quem acabou com quem se foi Merche ou Cristiano. Se eu fosse milionário, eu comprava a Sic e a TVI e fecháva-as... É que eu acho que há limites no que toca a entertenimento. A Sic acha que o "FamaShow" e a Tertulia Cor-de-Rosa são formas de entertenimento, mas são formas de estupidificação de massas, e isso devia ser crime...