segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Paranoid Park (Trailer)

Apresentação do derradeiro capítulo da trilogia de Gus Van Sant sobre a adolescência.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A Perfect Circle: Thirteenth Step

O NÚMERO DA SORTE








Chama-se "Thirteenth Step", o último álbum de orginais dos A Perfect Circle, e merece referência porque comprova a minha teoria de que o número 13 é o número da sorte, contrariamente ao que afirmam os supersticiosos.
Traço de evolução considerável desde "Mer de Noms", a estreia da banda, em 2000, "Thirteenth Step" foi lançado em 2003, e, sem dificuldade, consegue ultrapassar os já clássicos da banda, como o famigerado "Judith", uma vez que parecem ter sido postas de parte ideias como a de que é necessário berrar para fazer rock do duro. "Weak and Powerless" é, sem dúvida o melhor exemplo. E com um vídeo a fugir para o surrealismo a acompanhar. Ouro sobre azul.
Abre com uma brilhante e imprevisível procura de luz, "The Package", um esforço que parece deitado por terra pelo sombrio "Weak And Powerless", uma das melhores faixas de "Thirteenth Step", primeiro single, e, certamente, uma canção rara sem pretensiosismos, construída a partir de uma simploria guitarra eléctrica, de uma bateria bem arranjada e a voz a conduzir de uma forma incerta a canção.
Outros pontos de referência: "The Outsider", feito de uma estética complexa mas equilibrada, e de um forte sentido teatral.
"The Noose" também não corre mal. Ensombrada por uma composição feita de adornos e barroquismos, a letra dersenvolve-se até que, ao contrário do que se espera, termina sem uma conclusão. Muito bom.
Todas as outras faixas, sem se destacarem particularmente, não conseguem ser más canções, bem pelo contrário, a maior parte revela-se, realmente, melhor do que as de "Mer de Noms", o que mostra que o esforço vale a pena, e que, por vezes, a contenção não é antítiese do rock.






Veredicto: 17/20

A Perfect Circle - Weak and Powerless

Video de "Weak and Powerless", avanço de "Thirteenth Step". Estética simbolista/ surrealista. Muito bom.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Joni Mitchell: Shine

O MILAGRE DA CRIAÇÃO

Não será fácil para alguém que carrega consigo não só o estatuto de uma das melhores compositoras vivas como também a composição de coisas tão belas como “Woodstock”, “Same Situation”, “Down To You”, “A Case Of You”, “Dreamland” ou “Both Sides Now” fazer uma longa, longa pausa e depois regressar de repente. A canadiana Joni Mitchell, no entanto, teve arrojo para isso.
Shine” é o título do seu novo álbum, publicado cinco anos depois do anúncio de uma possível retirada, graças a uma mudança de discográfica.



E não é um mau álbum. A voz de Mitchell, claro, sofreu as naturais alterações. Já não é a voz de “Woodstock”, mas todos os seus maneirismos, continuam aí, e, com mudanças de voz ou sem elas, Mitchell continua a reconhecer-se facilmente. As composições simples e bem esquematizadas que sempre a caracterizaram consolidam-se aqui com arranjos de influencia do jazz, criando com a tonalidade sorumbática de Joni uma sonoridade nostálgica e intimista, situado fenomenalmente no tempo entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80. Refrescante.
A introdução é instrumental, com “One Week Last Summer” onde fica explicado muito daquilo que se vai ouvir. Tema com protagonismo para o piano e o saxofone, muito bem ritmado.
Das restantes canções, há várias a destacar:
“Hana”, baseado num filme dos anos 30, pela sua estruturação e ritmo, onde a voz de Joni Mitchell guia os instrumentos, criando uma enorme densidade á volta das palavras.
A nova versão de “Big Yellow Táxi”, uma canção da activista ambiental Mitchell, que não soa nada mal, bem pelo contrário, iguala sem dificuldades a versão original, compensada com um delicioso acordeão, a colar perfeitamente na voz.
“Bad Dreams”, a letra provavelmente mais didáctica de todo o álbum, excelente composição para piano, no seu todo um momento de genuína inspiração, quase a remeter-nos para o sentimento de distanciamento e saudade patente no álbum “Blue” de 1971.
Falando de inspiração, “Night Of The Iguana”, com fantásticos solos de guitarra eléctrica, a dar uma textura rock quase pouco explícita numa deliciosa composição folk.
“If”, inspirado em Rudyard Kypling, termina o álbum, e muito bem. Composição para piano, adornada por uma bateria simples e o habitual saxofone, um final a lembrar os tempos em que a pop era boa.


A capa do álbum é péssima. Com uma fotografia do bailado inspirado na sua música, e com um chocante traço de censura que não ajuda a melhorar a imagem da capa, bem pelo contrário.
Quanto a música, em específico, Mitchell pode não estar no pico da sua criatividade, mas a verdade é que fez um álbum repleto de um evidente amadurecimento pessoal e musical, e constituído com boas canções. Mais assim, é o que se quer. Isso, e um concerto ao vivo cá em Portugal, de preferência que inclua “Woodstock” no seu alinhamento.

Veredicto: 17/20

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Sophie Barker: Earthbound

A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES

Quando vemos o nome de Sophie Barker nos créditos dos primeiros dois álbuns dos Zero7 ou nas “Quiet Letters” dos Bliss, e quando vemos o seu nome na capa de “Earthbound” não é difícil acreditar que são uma e a mesma pessoa. Mas se a ouvirmos em Zero7, em Grooverider, em Groove Amanda, ou em Bliss e se a ouvirmos naquele que é o seu primeiro álbum a solo, é quase sobrenatural pensar tal coisa.


Se também Sia Furler demonstra um outro lado seu nos seus álbuns a solo, a verdade é que “Earthbound” não é só um outro lado de Sophie Barker, é uma Sophie Barker com pouco em comum com a que interpreta as canções das outras bandas. Porque se Sia mantém os seus traços próprios ao apresentar-se sozinha, Sophie renega tudo o que faz acompanhada e entrega-se inteira a simples e acústicas ou semiacústicas composições Folk, despidas de qualquer artifício, e, estranhamente, também de toda a electrónica. O único instrumento não acústico que é ouvido neste álbum é a guitarra eléctrica que surge por vezes, e uma electrónica discreta em “Angel”. As canções não são gravação recente. Esta é uma colectânea de canções que Sophie tem escrito e gravado desde há alguns anos, algumas delas em parceria com Robin Guthrie, dos Cocteau Twins. Talvez isso tenha ajudado a que este seja um álbum curto. De oito canções é feito, mas que valem por muitas.
Apesar da referida dispersão cronológica, “Earthbound” é um álbum focado. Feito de uma imagética ora rústica, ora nocturna, começa com o excelente “Secret”, que, se não for a melhor canção destas oito, será uma das melhores, certamente. Segue pelo excelente “Stop Me”, onde a guitarra eléctrica pontua em sintonia com a voz de uma independentista Sophie que nos canta “Finally I´m alone.” Segue-se “Dreamlife”, delírio acústico, e “Wintertime”, possivelmente o tema mais irrelevante de “Earthbound”. “On My Way Home” é a letra que mais segue a estética do storytelling, inserida numa música que sem ser má, é facilmente ultrapassável, neste contexto.




“Start Me” é o mesmo passo quase em falso de “Wintertime”, não seduz particularmente. Mormente quando é seguida de algo tão brilhante como “Angel”, a canção da electrónica muito subtil, que, com muito boa vontade, nos remete um pouco para os Zero7, ou talvez mais até para os Bliss. A terminar “Strumble” é o tema que se desvia da matriz dos anteriores, soando quase a um country-rock, mais do que a folk, sem deixar de ser uma boa composição, simplória, num esquema canonizado que, com a mestria com que nos é apresentado, se torna agradável, e não banal.
Entretanto, Sophie iniciou uma colecção de álbuns de música para crianças e elas que me perdoem, mas esses álbuns não me interessam, porque provavelmente não gostarei deles. É por álbuns como “Earthbound” que nos devemos lembrar de Sophie Barker, que, de repente, nos mostra que merece ser vista como algo que mais que “aquela que cantava com os Zero7”.

Veredicto: 17/20

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Marilyn Manson: Eat Me, Drink Me

A MORTE DO ARTISTA

Brian Hugh Warner, aka Marilyn Manson pode fazer o que quiser, porque já tem algo que ninguém lhe tira: um estatuto. E, podendo tão seco início parecer pejorativo, não o é, porque este estatuto não foi conquistado á custa de pouco esforço. Bem pelo contrário. O estatuto de Manson deve-se, além da sua peculiaridade como performer, a grandes canções que já compôs, pérolas irrepetíveis como “The Nobodies” (Reacção ao sangrento Massacre de Columbine.), “Coma White” (A cançãoimprovável.), “Better Of Two Evils” (Como não referir?), “Lamb Of God” (Uma reflexão sobre a exploração televisiva da miséria e da morte.)
No entanto, Manson não está, nem seria normal que pudesse estar, isento de produzir más canções, e de receber más críticas por elas: o Passado não é mais do que o Passado, e vale o que vale, mas não deve, de forma alguma, influenciar a visão do Presente.
No passado, os álbuns de Marilyn Manson eram perfeitos ou quase perfeitos. Evoluíam lentamente, até chegar ao apogeu, com “Holy Wood (In The Shadow Of Th Valley Of Death)”, narração da viagem de Coma Black que guia o seu povo pelo Vale dos Mortos, e ao mesmo tempo, uma reflexão sobre a sociedade e a mediatização desta, partindo precisamente do Massacre de Columbine, que tem também o seu peso nas letras do álbum, não tivesse sido Manson ridiculamente responsabilizado pelo sucedido.
Mas o presente, esse é outra coisa. Depois de um não muito mau “Golden Age Of Grotesque”, é a vez de “Eat Me, Drink Me” vir deixar um nó na garganta de quem segue o percurso de Manson. Sim, a música é isso mesmo, música, mas ignorante seria dizer que a música de Marilyn Manson é só música. O sentido teatral, e a densidade narrativa sempre foram tão importantes como a música propriamente dita. E em “Eat Me, Drink Me”, não só praticamente se extingue a teatralidade, como também vemos pouco agradáveis mudanças na música.




Em relação á teatralidade, a maneira de cantar é a habitual, mas houve algo da agressividade que se perdeu. Há uma forma mais controlada de cantar, agora.
A nível de música, não se pode dizer que ela é má, apenas insatisfatória vinda de quem vem. Canções como “The Red Carpet Grave”, por exemplo, seria uma excelente canção noutra banda qualquer. Mas, em Manson, soa a muito pouco.
É esta a história de “Eat Me, Drink Me”. Canções que, não sendo más, não nos satisfazem, porque nos mostram um Manson cantor, que já não tem nada ou quase nada de artista.
E não é fiável, nem sequer muito correcto, atribuir esta mudança a uma suposta crise de meia-idade. É uma palermice. Basta que se repare que a composição de todas as faixas do álbum são compostas a meias por Marilyn Manson e Tim Skold. As composições de Ramirez e John 5 desaparecem, assim como as suas interpretações.


Skold surge pela primeira vez no universo da música de Manson em “Golden Age Of Grotesque”, onde já se nota um desvio na rota, mais distante do Alternative Metal, sem sair dele, e a caminhar por vezes um pouco no caminho de um Rock pesado. Agora percebe-se que é, de facto, Skold o responsável por este desvio. Este é um álbum de longe mais leve e fácil de ouvir do que os anteriores. Não é exigente para quem o ouve.
O arranque é feito com aquele que é um dos melhores temas do álbum, “If I Was Your Vampire”. Depois, vai enveredando pelo referido caminho do rock pesado, com (Bons.) solos de guitarra eléctrica e teclados a soar nos lugares certos. “Just A Car Crash Away” relembra “Godeatgod”, mas numa versão definitivamente mais light. “Heat Shaped Glasses” é provavelmente a mais assumida canção pop de toda a discografia de Marilyn Manson, uma boa composição, bem esquematizada, que, no entanto, não resulta numa canção especialmente boa.
A direcção de arte, apesar da capa deploravelmente má, é boa, com uma boa montagem das imagens, e fazendo uso da caligrafia de Manson. Nada que se compare a “Golden Age Of Grotesque”, mas bom.

Veredicto: 14/20

Marilyn Manson - Heart Shaped Glasses

A versão original do polémico video de apresentação de "Heart-Shaped Glasses", single de avanço de "Eat Me, Drink Me".

domingo, 2 de dezembro de 2007

Klaxons Golden Skans

Videoclip realizado por Saam Faramand. Bom video sobre boa música... passa

Klaxons: Myths Of The Near Future

ELECTRO-QUALQUER-COISA


Há uma indecisão quando se tenta classificar a música dos Klaxons. Indie Pop/ Indie Rock/ Electropop/ Urban/ Electrofolk. Esta indecisão levou á criação de um suposto novo estilo, o New Rave. E esta definição não era assim tão necessária. A definição de Electropop/ Electrorock serve perfeitamente, pelo menos por enquanto. E "por enquanto" porque há algo de proeminente na música dos Klaxons, algo que se esforça por se soltar, mas, lamentavelmente, ainda não o conseguiu. Não quer isto dizer, obviamente que " Myths Of a Near Future" seja um mau álbum, que não é. Essencialmente eléctrico/electrónico, vive de baterias rápidas e nunca passadas para segundo plano, uma interminável lista de sintetizadores, e guitarra eléctrica/baixo aqui e ali. Jamie Reynolds, James Righton e Simon Taylor Davies acabam por contribuir os três, não só instrumentalmente, como vocalmente, o que até dá uma agradável sensaçaõ de gradação e variação a cada faixa, o problema aparece quando entre as diferentes faixas se começa a notar alguma falta de variação.

Pecando, precisamente, por ser abusadamente homogéneo, este é um álbum que usa as vozes para traçar unidade sobre todas as faixas. Assim se perde a originalidade, no abuso da estéticda repetição quase psicadélica, quase versão pop de Portishead, e assim se ganha um nada desgradável travo pop, uma vez que na voz de qualquer um dos rapazes não há nem rasto de agressividade, mas sim suavidade.



As canções em si não devem muito á originalidade em termos de esquema de composição, mas não há nenhuma que se possa apontar como má. Os arranjos são por vezes demasiado exagerados, mas não parecendo incongruentes, estão bem. A nível instrumental é a pouca variação que arruína tudo.
A escolha de "Golden Skans" para single de apresentação não surpreende, sendo um dos melhores temas do álbum.
No proximo álbum, cujo nome ja é conhecido, "A Bugged Out Mix", talvez já se tenha soltado a verdadeira originalidade.





Veredicto: 15/20

Lou Rhodes - Each Moment New

(Effenaar Eindhoven 23-06-06)
Nao fazia a mínima ideia que havia semelhante video no YouTube. A única vez que procurei videos da Lou, saíram-me coisas do tempo dos Lamb. EACH MOMENT NEW, semelhante a este, foi um dos momentos altos no ano passado, na Batalha. No NorteShopping teve um acompanhamento instrumental mais contido, nao deixando de ser um masterpiece... CHEERS

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Lou Rhodes: FNAC Norteshopping

SONHO DE UMA NOITE DE INVERNO




O Café da FNAC do NorteShopping foi palco de um dos mais belos momentos do ano, e quase ninguém deu por isso. Lou Rhodes surgiu, em frente a uma plateia cheia, mas não tão cheia como deveria estar, com duas guitarras acústicas e a sua própria voz, e que voz essa!


O início, abrupto, foi feito com "Gabriel" numa revigorante versão em que Lou canta sobre samplers da sua própria voz como fundo instrumental. Comovente, sem dúvida, e surpreendente. O que já tinha sido clarificado o ano passado no concerto do cinema da Batalha, é agora confirmado: Lou Rhodes consegue redesenhar uma canção que, pela qualidade e pelo sucesso, parece intocável, novas roupagens, que a transmutam por completo.
Não obstante, sendo o motivo de reunião entre a musicien e o público, a apresentação do segundo álbum a solo da ex-vocalista dos Lamb, "Bloom", e, a título disto mesmo, seguem-se as interpretações de "Bloom" e "They Say". A primeira, apresentada como inédito na Batalha, é um emotivo turbilhão de tristeza e alegria, um misto de esperança e resignação. Musicalmente bem estuturado, boa melodia com claros traços folk. "They Say" é, no entanto, mais forte. Acompanhada duma linha de guitarra simples, mas agressiva, e ao mesmo tempo, comovente, Lou canta-nos, desesperadamente "Broken I find your clothes and dress myself in them..." materializando um medo tão familiar a todos, como a solidão ou a ausência. A terminar com vários samplers da sua voz que, sobrepostos, repetem esta frase, "They Say" é, claramente, um dos mais imponentes momentos de "Bloom", pela fusão que faz entre uma dolorosa melodia e barrocos arranjos.
De encore servem dois temas cruciais de "Beloved One", o primeiro álbum a solo de Rhodes. Primeiro, "Tremble", single de apresentação, que não perde, definitivamente, a sua força luxuriosa na versão reduzida a voz e guitarra acústica. No entanto, em "Each Moment New", brilha sem dificuldade. Canção que tanto pode ser abordada pela sua força incontornável como pela sua componente intimista, "Each Moment New" continua a ser uma canção exemplar folk, povoada de lições de uma viagem terminável, mas sem fim á vista.
Simpática, como sempre, Lou foi explicando o que cada canção era para si, e soube ser receptora do evidente carinho do público.


A repetir, mas em versão extensa e numa sala mais adequada, esperemos nós...




Veredicto: 19/20

terça-feira, 6 de novembro de 2007

The Cloud Room: The Cloud Room

ATRÁS DAS NUVENS ESTÁ O SOL




Ainda antes de ouvir "Please Don´t Almoust Kill Me", o EP lançado há semanas, segundo da disocgrafia dos The Cloud Room, sinto-me na obrigação (Comigo mesmo.) de dizer de minha justiça a propósito do álbum homónimo, o primeiro.
O registo primogénito da banda fundada por J Stuart, parente de Philip Glass (Por falar do assunto.), é um agradável sopro musical, povoado da sensação de que o que se ouve é insólito.
E isto em 2005 ainda mais. Entretanto o surgir (Ou o afirmar.) de bandas como os Arcade Fire ou os Clap Your Hands Say Yeah vieram reforçar esta ideia, acompanhando os Cloud Room nesse trilho incerto que é o Indie Rock.
"The Cloud Room" começa com "Hey Now Now", de resto tema de mais projecção do álbum, e que, ainda nos confins de sites na net começou a dar visibilidade á banda de Brooklyn. Nele, além da explosão que tenta, sem sucesso, ser contida, já dá para perceber que J tem noção das limitações da sua voz (E joga que acordo com isso, o que só demonstra inteligência.), e a canção nunca deixa de ser excelente. A sonoridade é diferente do que é costume vermos nas bandas de rock. Não existe a ansiedade de ter uma guitarra eléctrica a rebentar sod uma voz aos gritos até ficar rouca, bem pelo contrário, o que se procura é um equilíbrio dentro do caos, e alguma moderação no aspecto instrumental.
O álbum viaja sempre dentro desta sonoridade em que a explosão surge na tentativa de conteção. A performance dos músicos é perfeita e muito bem programada, surgindo cada instrumento no momento certo, e sempre conseguindo que cada um se ouça. Peca por vezes por abusar da contenção ("O My Love") o que não abona propriamente a favor da banda, e principalmente a favor de J Stuart, cuja voz fica sempre no mesmo registo.




As canções em si são compoisções com um gosto muito apurado, simples, mas engrandecidas pelos arranjos, ora barrocamente desmedidos, ora mais minimalistas. Há uma omnipresente energia em cada uma, e, definitivamente, têm potencial para resultarem num excelente concerto. Ouvindo "Waterfall", "Beautiful Mess" ou "We Sleep In The Ocean" guardamos depois a certeza de estar não só perante um grande álbum como também perante uma grande banda.






Veredicto Final: 19/20

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Laurie Anderson: Big Science (Remastered)

PREVIOUS LIFE




Publicado pela primeira vez e 1982, incluindo "O Superman", provavel e injustamente o tema de maior aceitação por parte do público, "Big Science" não deixa de ser um álbum maior no contexto da discografia de Laurie Anderson. Marcado inevitavelmente pelo universo de constante análise e observação que caracteriza esta musicien/ artista plástica, este é um álbum que, ainda que bem sucedido, para muita gente não passará de uma intelectualização do mundo e da vida cantado ou contado sobreum fundo instrumental. E se para muitos, tal facto deve ser levado no sentido pejorativo, a mim parece-me ser, na verdade, louvável. Em relação á música em si, ela é instrumentalmente simples, com sons sintetizados a saltar em cada faixa, denotando-se um apurado gosto nos arranjos feitos mais frequentemente para violino, instrumento que, aliás, Anderson usa com mais frequência. De reflexões como "Walking and Falling" ou "Born, Never Asked", Laurie retira uma visão particular e muito bem fundada daquilo que é o mundo e as pessoas (O que, aliás, não constitui qualquer surpresa.), como quando nos diz "You were born, and so you´re free".
Acompanhada por vários músicos, que contribuem tanto com instrumentos de percussão, como em arranjos de sopros, etc, a música não deixa de ser centrada na presença, quer literária, quer vocal, quer instrumental de Laurie, o que não deve ser interpretado como aspecto negativo, visto a música de Laurie Anderson não ser apenas música, tentantdo existir também como peça de arte e de literatura, em que o papel criativo cabe á própria.
A edição lançada há alguns meses, no entanto, peca por não oferecer nada de muito aliciante. Acrescenta ás faixas que já faziam parte do álbum videoclip de "O Superman" (Peça largamente interessante tanto como videclip como elemento de Video Art.) e a canção "Walk The Dog". E por isto mesmo a nova edição de "Big Science" não seduz assim tanto: porque a canção, ainda que boa, é apenas uma, e o videoclip é fácil de encontrar no DVD com a videografia de Laurie Anderson.



Veredicto Final
(Album): 19/20
(Edição Nova): 15/20

domingo, 28 de outubro de 2007

Teresa Salgueiro: Você e Eu

SAMBA E AMOR

Teresa Salgueiro era a voz (E que voz!) dos Madredeus. De repente, "Obrigado" mostra-nos uma Teresa não só, uma vez que o álbum reunia algumas das suas melhores colaborações com outros músicos (De Dulce Pontes a Jah Wobble.), mas sem os músicos dos Madredeus. Em "Você e Eu", segundo álbum em que está fora dos Madredeus, mas continua acompanhada, neste caso pelo Septeto de João Cristal, Teresa Salgueiro foge numa direcção nada óbvia que nos deixa boqueabertos: música brasileira. Maria João e Maria de Medeiros fazem-no ao mesmo tempo, mas nenhuma nos deixa a piscar os olhos tanto como Teresa.



Ora, e, comparações são o mais básico vício do ser humano, e, sem ser um mau álbum, este "Você e Eu" é, ao lado de "João" e "A Little More Blue", o pior destes três testemunhos desta vaga de ir ao outro lado do Atlântico buscar canções. E pior precisamente porque, uma vez mais não querendo vir sozinha, Teresa Salgueiro se faz acompanhar por uma banda de músicos... brasileiros.

Aqui reside o problema do segundo álbum da senhora fora dos Madredeus. É uma portuguesa a cantar músicas brasileiras. Mas, em vez de fazer como fizeram Maria de Medeiros e Maria João, e procurar dar uma roupagem nova ás canções, despindo-as do ambiente típico da música tradiconal brasileira, ela surge com uma banda de músicos brasileiros que escreveram para as canções brasileiros arranjos de som muito brasileiro, resultado: soa-nos ao álbum de uma cantora portuguesa a tentar ser brasileira. Má ideia.

Como seria uma má ideia que um brasileiro pegasse na guitarra portuguesa e tentasse cantar o fado como o cantam portugueses de sangue, também é má ideia Teresa Salgueiro tentar "sambar" com a voz.

E vai ser esta mesma voz, sambando ou não sambando, que vai dar a "Você e Eu" a redenção. Porque sobre estes brasileirismos todos, não deixa de ser bizarro ouvir voz tão melódica e agúda. A postura de Teresa é perfeita, dela outra coisa não se espera, e interpreta estas canções com alma, evidenciando a parte pessoal de cada uma.





O alinhamento é interessante, dá destaque a Vinicius de Moraes e António Carlos Jobim, mas há também espaço para Chico Buarque, Ary Barroso ou Dolores Duran. Um alinhamento pessoal, pois claro, e ainda bem.
Pecando por ser um pouco comprido, se nos esquecermos do contexto do álbum, ele é fácil de ouvir sem aborrecer, até pelos diferentes sabores que "Você e Eu" vai assumindo.
Se há destaques, eles têm que ir para "Chovendo na Roseira" de Jobim, "A Banda" de Chico Buarque e "Estrada do Sol" de Dolores Duncan e Jobim.
A direcção de arte do album tem que ser referida, e por ser péssima. Boa foto na capa, estragada pelo excesso de letras (Less is more.), contracapa horrível.
Salva, aqui, pela voz cristalina, não deixa de ser um tiro ligeiramente ao lado para Teresa Salgueiro.
O terceiro álbum, entretanto, já chegou. Com toda a crença que tenho em Teresa Salgueiro, acredito que, com mais alguns álbuns, "Você e Eu" se torne numa referência menor, uma vez que a acredito capaz de bem melhor. Até lá.





Veredicto Final: 15/20

sábado, 6 de outubro de 2007

False Flags

O início, quando o pequeno grande Robert Del Naja interpreta "False Flags" um dos temas centrais do album em apresentação. Fica a letra:

In city shoes
Of clueless blues
Pays the views
And no-mans news
Blades will fade from blood to sport
The heroin's cut these fuses short
Smokers rode a colonial pig
Drink and frame this pain i think
I'm melting silver poles my dear
You bleed your wings and then disappear
The moving scenes and pilot lights
Smithereens have got 'em scaling heights
Modern times come talk me down
And battle lines are drawn across this town
Parisian boys without your names
Ghetto stones instead of chains
Talk 'em down cause it's up in flames
And nothing's changed
Parisian boys without your names
Riot like 1968 again
The days of rage yeah nothing's changed
Well pretty flames
In school i would just bite my tongue
And now your words they strike me down
The flags are false and they contradict
They point and click which wounds to lick
On avenues this christian breeze
Turns its heart to more needles please
Our eyes roll back and we beg for more
It frays this skin and then underscore
The case for war you spin and bleed
The cells you fill screensavers feed
The girls you breed the soaps that you write
The graceless charm of your gutter snipes
The moving scenes and suburbanites
And smithereens got 'em scaling heights
Modern times come talk me down
The battle lines are drawn across this town
English boys without your names
Ghetto stones instead of chains
Hearts and minds and u.s. Planes
Nothing's changed
And english boys without your names
Riot like the 1980's again
The days of rage yeah nothing's changed
More pretty flames

Massive Attack: Coliseu do Porto

COM QUE VOZ?
Passavam pouco mais de vinte mintuos das dez e meia do dia 18 de Setembro, no Coliseu do Porto, quando mensagens passando em ecrãs de luzes anunciam o início do concerto dos Massive Attack. Com o Coliseu a abarrotar, literalmente, Robert "3D" Del Naja entra no palco para começar com "False Flags", segundo single de "Collected", o best of em apresentação. Um início cheio de força, surpreendente na medida em que ao vivo a densidade da versão de estúdio não se perde. A partir daqui, ao longo da noite, a promessa é sempre cumprida: além de apresentar algumas faixas do próximo álbum, revisitar uma boa parte da ainda curta discografia dos Massive Attack, dentro do possível tendo em conta os convidados: um simpático Horace Andy sempre a altura, com "Angel", "Hymn Of The Big Wheel", respectivamente de "Mezzanine" e "Blue Lines" a marcar as suas melhores presenças. Liz Fraser era, provavelmente, aquela de quem se esperava mais, e também a responsável pelo pior momento da noite, precisamente aquele que muitos estavam a espera: "Teardrop". Ainda que a versão que substitui o cravo pela guitarra acústica seja estranhamente boa, a canção correu mesmo mal a Liz, que ao começar um ou dois tons acima não se encontra capaz de acompanhar. Uma vergonha que viria a fazer esquecer definitivamente com "Group Four", onde, apesar da vocalização ser mais exigente, ela se porta irrepreensivlemente, e na última canção, antevisão do próximo álbum. Volta, Liz, estás perdoada. Deborah Miller é a terceira vocalista, aqui a fazer as vezes de Shara Nelson em "Safe From Harm" e "Unfinished Sympathy", os dois primeiros singles dos Massive Attack. Deborah tem uma voz incirvelmente semlhante á de Shara, chegando mesmo a confundir. A sua presença destaca-se, sem dúvida não só na voz, como também na sua pose, é certamente uma das pessoas mais charmosas a pisar o palco.
Quem também canta são os músicos dos Massive Attack, "Robert Del Naja e Grant "Daddy G" Marshall, por vezes juntos como no fantástico "Karmakoma" resgatado do álbum "Protection", outras vezes com Del Naja a solo, como em "Inertia Creeps", "Future Proof" ou "Butterfly Caught". Daddy G peca por estar demasiadas vezes fora do palco, fazendo-o parecer mais um convidado.
Em relação ao que mostaram do próximo álbum, "Weather Underground", as canções parecem continuar no caminho de "100th Window", que já de si era um desvio daquilo que se tinha feito até "Mezzanine". Com uma sonoridade densa e pesada, não deixa de ser entusiasmante a ideia de vermos vozes como as de Liz Fraser ou Terry Callier, já confirmados, a cantar sobre tudo isto. Destaque para a última canção da noite, uma novidade com Liz Fraser ao microfone, onde a presença de dois bateristas se denota mais do que nunca. Das canções já conhecidas, escolheram-se as que já são da praxe, caso de "Teardrop", "Angel" ou "Unfinished Sympathy", mas sente-se sempre a falta de outras músicas de menos projecção da banda de Bristol, caso de "Dissolved Girl" com Sara Jay á voz, "Black Milk/ Black Melt" com Liz Fraser, das três faixas de Sinead O´Connor naquele que é afinal o mais recente álbum de originais dos Massive Attack ou das duas de Tracey Thorn e Nicolette. Claro que ter tantos convidados numa só noite seria bom de mais para ser verdade, mas podemos sempre sonhar. O problema, queria eu dizer, foi um e só um: não se foi muito para além daquilo que se espera. Dentro daquilo que se cantou, tudo foi perfeito, sem sombra para dúvida.


Veredicto Final_ 19/20

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

a frase

"Não é porque alguém chama que alguém responde. Não é porque alguém quer que a obra é feita. Só por vezes."

LÍDIA JORGE
in "A Costa dos Murmúrios"
1984

ISABEL LHANO, "Pulsar", 2001, acrílico sobre tela

domingo, 9 de setembro de 2007

Sarah McLachlan: Afterglow Live

A TEMPESTATE PERFEITA





Sarah McLachlan é, injustamente, um nome principalmente desconhecido do grande público. E injustamente, porque a sua música, gostemos ou não gostemos, é construída com base na qualidade. E é este princípio, ao qual Sarah se tem mantido fiel ao longo dos quase vinte anos de carreira que tem, que faz com que o seu trabalho, principalmente como compositora, seja geralmente incompreendido. Ainda assim, confirmações ao seu talento não faltam, ainda que sejam poucos, mas as suas canções são utilizadas em filmes (City Of Angles, Kissing), séries de televisão (Six Feet Under, Roswell, Charmed, CSI, Queer As Folk, etc), já venceu vários Grammy Awards, e conta com inúmeras nomeações, só não consegue grandes sucessos de vendas.


Lançado no Natal de 2005, "Afterglow Live" tem no seu título a maior incongruência que se pode encontrar: o alinhamento do concerto a que assistimos no CD/DVD engloba todos os temas de "Afterglow" com excepção de "Time", é verdade, mas o álbum parece ser mais um best of ao vivo do que propriamente uma apresentação do mais recente álbum de originais da musicien canadiana. A abertura é feita, estranhamente, com "Fallen". E estranhamente porque além de ter sido o primeiro single de "Afterglow" foi o tema mais badalado do álbum, já utilizado num episódio de Six Feet Under e no final de um de CSI: Las Vegas. E, após tão bela introdução, continuamos a ser conduzidos por um longo mas irrepreensível concerto. Irrepreensível, se esquecermos o facto de faltar "Time" no alinhamento, por acaso uma das minhas preferidas. No entanto, a certa altura torna-se dificil encontrar seja que defeito for em todo este espectáculo, quando encontramos as versões tão melhores que as de estúdio de "Ice", "Fear", "Possession", "World On Fire", "Perfect Girl" ou "Building a Mystery". Ainda que sem ultrapassar significativamente as versões de estúdio, também pontuam "Angel", "Answer", "Dirty Little Secret" ou "Wait".

Simpática e comunicativa, Sarah traça, após seis anos de ausência uma retrospectiva que só não é perfeita por praticamente esquecer "Touch" e "Solace", que, por muito que já nos pareçam menores ao lado de "Fumbling Towards Ecstasy", "Surfacing" ou "Afterglow", não deixam de conter pérolas como "Steaming", "Vox", "Black", "Into de Fire" ou "Ben´s Song". Fora isto, nada de mau há a dizer.
É verdade que o que "Afterglow Live" nos diz, já "Mirrorball" nos havia dito, há anos atrás- que Sarah é uma mestra de palco- mas se por um lado é injusto que momentos tão paradísiacos se possam tornar quotidianos ao serem gravados e, logo, possivelmente repetíveis, a verdade é que esses momentos não merecem morrer na memória de quem os presenciou. Portanto, este álbum vale a pena.
É pena que o DVD contenha o concerto na íntegra, e o CD não, uma vez que no CD nem sequer estão os mais memoráveis momentos dessa noite.
Mas Sarah McLachlan é sempre Sarah McLachlan. Só isso merece muita coisa...





Veredicto:20/20

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Song To The Siren


On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your eyes.
And you sang "Sail to me,
sail to me;
Let me enfold you."
Here I am,
here I am
waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?
Now my foolish boat is leaning,
broken love lost on your rocks.
For you sang,
"Touch me not, touch me not,
come back tomorrow.
"Oh my heart, oh my heart
shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?
Hear me sing: "Swim to me, swim to me,
let me enfold you."
"Here I am.
Here I am,
waiting to hold you."


letra de TIM BUCKLEY
imagem: PAUL M PAGI SEPUYA

sábado, 1 de setembro de 2007

As Minhas 20 Canções Tristes

Isto é uma selecção de 20 canções tristes, puramente pessoal, e independente de qual o genero, autor, intérprete ou proveniência da canção. Interessa ser triste, e a selecção não foi fácil, uma vez que 80% do que eu ouço é triste, deprimente, melancólico, etc, etc, etc, etc.


1. Sia: BREATHE ME
(-Sia Furler; Dan Carey-)
Momento de tristeza mórbida demarcada por um piano a desabar e um extraordinário arranjo de cordas. Sia Furler mostra que é mais do que uma das vocalistas dos Zero7, e faz uma canção tão triste que nos dá mais vontade de morrer do que o poema de Álvaro de Campos “Se te queres matar porque não te queres matar?”
"Hurt myself again today
And the worst part is there´s no one else to blame...
Be my fiend, hold me... "
(Do álbum "Colour The Small One" 2004)

2. Placebo: 20 YEARS
(Brian Molko; Stefan Olsdal; Steven Hewitt)
Delírio de pranto do trio de Brian Molko, complementado por um videoclip de estética perfeita. A premonição da morte assusta ou dá esperança? Aceitam-se opiniões. Os Placebo têm a deles. Esperança que os 20 anos que faltam sejam the best of all I hope.Molko; Stefan Olsdal; Steve "But it´s you I take cause you´re the truth not I
There are 20 years to go... the best of all I hope..."
(Do álbum "Once More With Feeling" 2004)

3. Fiona Apple: NEVER IS A PROMISE
(-Fiona Apple-)
História de um desamor agressivamente melancolico. Piano, violoncelo e voz fazem a história da canção mais triste não só de “Tidal”, como de toda a discografia de Fiona. Feliz ou infelizmente, a polémica loirinha nunca mais compôs nada tão severamente triste.
"You say you understand but you don´t understand
Yoy say you never give up looking eye to eye
But never is a promise and you can´t afford to lie..."
(Do álbum "Tidal" 1996)

4. Antony and The Johnsons: THE LAKE
(-Edgar Allan Poe/ Antony Hegarty-)
Antony e os seus Johnsons interpretam Edgar Allan Põe e não se espalham. A história é dramática e arrepiante, pois claro, e a composição não lhe fica atrás. Povoada de um som moribundo e gótico, “The Lake” é uma das melhores canções desta peculiar banda, e uma das melhores composições de Hegarty.
"But when the night had thrown her pall
Upon that spot as upon all
And the wind would pass me by
In its stilly melody
My infant spirit would awake
To the terror of the lone lake"
(Do EP "The Lake" 2004)

5. Aimee Mann: WISE UP
(-Aimee Mann-)
Composta para o filme “Magnólia” de Paul Thomas Anderson, “Wise Up” é uma canção conhecida de todos nós. Mann troca a guitarra pelo piano, e conta-nos histórias de quem se encontra perdido a meio da vida. E diz-nos como reverter a situação. Precisamente por nem sempre conseguirmos, é que ela diz coisas destas.
"You're sure
There's a cure
And you have finally found it"
(Da OST de "Magnólia" 2001)

6. Sarah McLachlan: FALLEN
(-Sarah McLachlan-)
O desgosto e a perda dentro de uma canção digna de génio. Sarah McLachlan abrilhanta a letra triste com a sua voz etérea, e o seu inconfundível piano. Single de avanço do mais recente álbum de originais, a confimar o talento da pianista para as sad songs.
"Heaven bent to take my hand, I´ve nowhere left to turn
I´m lost to those I thought were friends,
Everyone I know, they turn their heads emabarassed
Pretend that they don´t see
That it´s one misstep, one slips before you know it..."
(Do álbum "Afterglow" 2005)

7. Anathema: ARE YOU THERE
(-Vincent Cavanaugh, Danny Cavanaugh, Lee Smith, Jamie Cavanugh, John Douglas-)
Já dizia Fernando Ribeiro que o que interessa é o metal. A banda dos irmãos Cavanaugh, no entanto, não faz disso principio. Balada de choro e de morte, "Are You There" é um dos momentos mais interessantes da discografia da banda de gothic metal.
" but since you've been gone I've been lost inside
tried and failed as we walked by the riverside
and I wish you could see the love in her eyes
the best friend that eluded you lost in time
burned alive in the heat of a grieving mind"
(Do álbum "A Natural Disaster" 2005)

8. Jewel: FOOLISH GAMES
(-Jewel Kilcher-)
A senhora que veio do frio conta-nos, acompanhada de piano e violoncelo como lhe despedaçaram o coração. Pois claro. "Foolish Games" deu Jewel a conhecer ao mundo, estávamos nós em 1994. E não foi injusto. Uma canção simples, sem pretenções, que resulta num dos momentos mais tristes da discografia da menina Kilcher.
"Excuse me, I think I´ve mistaken you for
Somebody else, somebody who gave a damn
Somebody more like myself...
And you took your coat off, stood in the rain
You´re always crazy like that..."
(Do álbum "Pieces Of You" 1994)

9. Bliss: SLEEP WILL COME
(-Stefan Aaskoven; Marc-George Andersen; Banzai Republic-)
Abertura do álbum "Quiet Letters", mais que triste, "Sleep Will Come" é uma canção deprimente. História improvavel de violoncelos chorando, violinos desesperados, e uma estranhamente compassada beat electrónica, a culminar num acordeão violento. Fica um vazio, depois de ouvir.
(Do álbum "Quiet Letters" 2005)

10. Royksopp: TRIUMPHANT
(-Torbjorn Brundtland; Svein Berge-)
Uma música vinda do frio, do gelo e da neve. A duo electrónico grava uma canção orgânica e visceral. "Triumphant" é a introdução de "The Understanding", e um início cheio de força. Canção rara e cheia de vida, que culmina na morte.
(Do álbum "The Understanding" 2005)

11. Marilyn Manson: IN THE SHADOW OF THE VALLEY OF DEAD
(-Marilyn Manson/ John 5-)
Coma Black guia o seu povo pelo Vale dos Mortos. Pelo caminho, fala-nos da necrofilia da televisão, e do massacre de Columbine. “In The Shadow Of The Valley Of Death” é um dos temas mais tristes, e melhores, de Marilyn Manson, e também o subtítulo do seu melhor álbum.
"We have no future
heaven wasn't made for me
we burn ourselves to hell
as fast as it can be
and I wish that I could be a king
then I'd know that I am not alone"
(Do álbum "Hollywood" 2000)

12. Blind Zero: ABSENT WITHOUT PERMISSION
(-Miguel Guedes/ Blind Zero-)
As ruas do Porto ficam todas dentro desta canção. E os dias nublados e pesados também. Miguel Guedes escreve um dos seus melhores poemas e os Blind Zero fazem uma das suas melhores canções de sempre. O sentimento de revolta pela chegada ao point of no return é o assunto, e todos ou quase todos nos podemos identificar com ele.
"On everyday break on every street light
You´re absent without permission
Everywhere is the place I find
To learn by jeart that you´re watching over me..."
(Do álbum "The Night Before and a New Day" 2005)

13. Massive Attack feat. Terry Callier: LIVE WITH ME
(-Robert DelNaja; Neil Davidge; Terry Callier-)
Voz de negro sobre acústica/electrónica inclassificavelmente boa. Uma das canções mais potentes da banda de Bristol, com grande orquestração, percussões crescentes e electronica subtil. A não esquecer.
"Nothing´s right if you ain´t here
I´d give all that I have just to keep you near
I wrote you a letter tryin to make it clear
But you just don´t believe it- I´m sincere..."
(Do álbum "Collected" 2006)

14. Cecilia Bartoli: SI PIANGETTI PUPILLE DOLENTE
(-Antonio Caldara-)
O barroco do século XVIII no seu melhor. Cecília Bartoli resgata Antonio Caldara da treva do anonimato, e interpreta-o brilhantemente.
(Do álbum "Opera Proibita" 2006)

15. Lou Rhodes: WHY?
(-Lou Rhodes, Andrew Barlow, John Thorne, Oddur Mar Runnarson, Nikolaj Bjerre-)
A última canção composta pelos Lamb, interpretada por Lou Rhodes, no seu primeiro álbum a solo. Toada de quem está de partida, e vê a sua vida desabar. A terminar "Beloved One" e a antecipar "Bloom".
"So much of what I´d want for
I couldn´t let it be
So I made me a world where
You had to leave
Tell me why
Why can´t we let the good things in?"
(Do álbum "Beloved One" 2oo6)

16. Katia Guerreiro: VALSA
(-António Lobo Antunes/ Miguel Ramos-)
O lado escondido de António Lobo Antunes. Simplicidade metafórica, e simplicidade de linguagem. Katia Guerreiro canta, e, logicamente encanta. Uma canção de noite de insónia, de medo, e de amor.
"Se chamo som das ondas ao rumor
Dos passos dos vizinhos pela escada
É porque á noite acordo de terror
De me encontrar sem ti de madrugada..."
(Do álbum "Nas Mãos do Fado" 2003)

17. The Devlins: WAITING
(-Colin Devlin-)
Final do episódio piloto de Sete Palmos de Terra, "Wainting", canção de quietude, de espera, de slow motion, e de falta. Um masterpiece dos irmãos Devlin.
"Waiting with the orphans
Waiting for the bee stings,
they tell me that success brings
Waiting in the half-light
Waiting through your whole life."
(Do álbum "Waiting" 2000)

18. Amália Rodrigues: COM QUE VOZ?
(-Luís de Camões/ Alain Oulman-)
A canção que conduziu a grande diva do Fado ao tribunal, no tempo do Antigo Regime, pela interpretação de Luís de Camões. Por sinal, valeu a pena. Alain Oulman, pianista que dedicou toda a sua vida profissional a Amália, tem neste soneto de Camões uma das suas melhores composições. Amália brilha como de costume.
"Com que voz chorarei meu triste fado?
Que em tão dura paixão me sepultou
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo de meu bem, desenganado..."
(Do álbum "Com Que Voz" 1970)


19. Arcade Fire: OCEAN OF NOISE
(-Win Butler; Regine Chassagne; Tim Kingsbury; Richard Roux Perry; William Butler; Sarah Neufeld; Howard Billerman-)
Numa espécie indie de valsa, os canadianos Árcade Fire têm uma das melhores faixas de “Néon Bible” que nos narra a história do oceano de barulho entre duas pessoas. Não ao acaso, Saramago disse há uns anos que “é mais fácil chegar a Marte do que ao outro.” O septeto de Win Butler parece estar de acordo.
"No way of knowing
What any man will do
An ocean of violence
Between me and you
You've got your reasons
And me I've got mine
But all the reasons I gave
Were just lies to buy myself some time"
(Do álbum "Neon Bible" 2007)


20. Rufus Waiwright: THIS LOVE AFFAIR
(-Rufus Wainwright-)

Tema dos mais simples em “Want Two”, voz, piano e orquestra. O rock barroco presenteia-nos por vezes com canções assim. Wainwright perde-se numa narrativa sufocante, que é, á semelhança de um trabalho de Isabel Lhano, “Como se te afastasse e agarrasse ao mesmo tempo”.

"I can't say that I'm waltzin'
Not that I don't like waltzing
Would rather be waltzin' with you
So I guess that I'm going
I guess that I am walking
Where?
I don't know
Just away from this love affair"
(Do álbum "Want Two" 2005)

Dito isto, choremos e soframos todos. Peace.