Veredicto Final_ 7/20
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Avril Lavigne: The Best Damn Thing
Veredicto Final_ 7/20
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Nazuc
Lento suave e firme
é o assentar das minhas patas no chão.
As ruas carregam coisas
ruidosas que se empurram e
me empurram sem razão, separando-me de mim.
Caminho pesado e o meu corpo,
rugoso e sagrado, tem pintadas
as muitas cores que os homens fazem.
Aqui estou eu, enorme e frágil,
no meio da cidade, com a minhas presas intactas.
Aqui estou eu, debaixo deste sol
escaldante que nunca me deixa
esquecer as selvas, montanhas e
imensas planícies verdes e livres
duma Índia que é minha.
do álbum "Mumadgi" de Maria João e Mário Laginha.
Letra: Maria João
Imagem: Henri Matisse
segunda-feira, 16 de julho de 2007
+10 Discos Para o Verão
MASSIVE ATTACK: "Mezzanine" (1998)
ANATHEMA: "A Natural Disaster" (2003)
Veredicto: 18/20
SIA "Colour The Small One" (2004)
Veredicto_ 17/20
TEXAS: "The Redbook" (2005)
Com temas melhores que outros, sendo os melhores geralmente os mais ignorados, "The Redbook", o oitavo e mais recente álbum dos escoceses Texas, é outro dos álbuns que segue a lógica dos outros álbuns dos Texas: o público ignora tudo o que for muito bom. Portanto, pouco se falou deste álbum. Feito de canções de ritmos dançáveis, mas com elaborados arranjos, percussões fortes, quer sejam electrónicas quer acústicas, guitarras afirmadas e linhas fortes de baixo. A voz de Sharleen Spiteri revela-se uma vez mais flexível, encontramo-la em modelados deiferentes ao longo das faixas, mas vestindo como se de uma luva se tratasse. É sempre bom ouvir coisas como "Getaway", "What About Us" ou "Nevermind". Quanto a "Can´t Resist", uma só palavra: repeat...
Veredicto: 16/20
JONI MITCHELL: "Court And Spark" (1974)
Sexto álbum da cantora/compositora/letrista/pianista/guitarrista/pintora canadiana. Um álbum que chegou ao segundo lugar dos tops americanos, "Court And Spark" é uma história feita de cançãos simples, mais ou menos acústicas, certamente grandiosas, mas sem perder a pessoalidade e a emoção que canções tão temperamentais como estas exigem, e sempre com a sensualidade que a voz de Mitchell tem. Obrigatórias são "Same Situation", "Down To You", "Raised In Robbery" ou "People´s Parties". Quanto a convidados há vários, e de peso, David Crosby, Graham Nash, Dennis Budimir, Joe Sample, Susan Webb ou Wayne Perkins. A capa é da autoria de Joni Mitchell que, além do mais produz o álbum.
Veredicto: 18/20
VIVIANE: "Viviane" (2007)
BILL CALLAHAN: "Woke On A Whaleheart" (2007)
Veredicto: 16/20
FINAL FANTASY: "He Poos Clouds" (2006)
Veredicto: 18/20
SARA TAVARES: "Balancê" (2006)
Veredicto: 16/20
MARIANNE FAITHFULL: "Before The Poison" (2005)
Veredicto: 18/20
domingo, 15 de julho de 2007
Patrick Wolf: The Magic Position
Ele não sabe se está destinado a passar o resto da sua vida com um homem, com uma mulher ou com um cavalo, mas há uma coisa que ele sabe e muito bem: fazer música. Patrick Wolf é uma figura bizarra, mas muito interessante. Apresenta-se em palco sempre de uma forma inesperada (Tanto pode estar a vestir roupa preta, como uma camisa simples, como uma t-shirt prateada com a gola em barco e umas calças de padrão de zebra.), e tocando os mais variados instrumentos.
A primeira coisa que pode saltar á vista em "The Magic Position", para quem conhece os dois trabalhos anteriores, é precismante uma radical mudança de postura, musical e visual.
sábado, 14 de julho de 2007
Laurie Anderson no Theatro Circo
Com um longo e bem-sucedido percurso na música experimental, que começa em 1976 com o álbum "For Instants" e se prolonga por (Até agora.) 12 álbuns, que passam pelo megalómano sucesso de "O Superman" em 1982. O seu próximo álbum, objecto de análise de dois espctáculos em Portugal (Um no Theatro Circo, outro na Culturgest, a 15 de Julho.), inseridos na corrente digressão europeia, chama-se "Homeland", e são-lhe aliados conceitos como "poema épico" e um olhar "para as obsessões que a América tem com a segurança, a distância, a informação, a relação entre o medo e a liberdade, a aceitação crescente da violência e a persistente nova linguagem de guerra". Estão correctos. Tudo isto é baseado em factos verídicos.
Laurie Anderson entrou no palco com os três músicos, com pouco tempo de atraso, e lança-se numa estupenda história que relata a origem da memória. A partir daí, somos avassalados por uma espécie de ópera experimental, com a famigerada dimensão épica, a omnipresente e directa componente de ataque político á América de Bush e á América típica, a que tão bem conhecemos, dos adolescentes obesos, trôpegos, estúpidos e com pouco para dizer. Há também os retratos da América que já não sabe pensar por si mesma, questiona a hegemonia da nação de W. Bush, tudo com uma adorável ironia e uma invejável perspicácia. E, no meio de tudo isto, Anderson ainda tem tempo de nos falar de histórias de humanidade, tanto pessoais, como num sentido mais geral.
Nota Final_ 19/20
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Bjork: Volta
Sinto-me, após repetidas e deliciadas audições do sexto álbum da minha islandesa preferida, Bjork Gudmundsdottir, a falar de tal objecto. “Volta”, ao contrário do que se possa dizer, não é voltar á pop, nem voltar a coisa nenhuma. Quando muito, é voltar aos primórdios, ao ancestral, mas voltar no tempo cronológico, não nos conceitos patentes na discografia de Bjork.
Ou seja, sem que eu lho dissesse, Bjork deu-me aquilo que dela queria ouvir desde “Medulla”. Foram três anos de espera que valeram bem a pena. O que marcava Medulla eram as beats de sonoridade animalesca, ancestral, mas produzidas com a voz. A primeira coisa que pensei, quando me habituei aos conceitos do quinto álbum, foi em como seria bom ouvir a mesma sonoridade, mas com instrumentos. E é essa uma das melhores e mais exploradas ideias de “Volta”. Fica aí, igualmente, o ponto de partida: o álbum abre com “Earth Intruders”, o primeiro single, com uma beat criada por Timbaland, sopros, sintetizadores (Isso sim, é um retorno, já não os víamos desde “Vespertine”, em 2001, com excepção da faixa “Storm” de “Drawing Restraint 9” de 2005.), e o lado tribal é a primeira coisa em que se repara. Também aqui podemos estabelecer uma discreta ponte com “Medulla”, pela voz feminina que entoa algumas notas, tratada como um instrumento. Timbaland surpreende. Quem ouve as afrontas que escreve para Nelly Furtado, Justin Timberlake ou as Pussycat Dolls tem dificuldades em acreditar que seja capaz de uma criação tão genial. Ou então, como eu, decide acreditar que essa famigerada beat tem mão de Bjork. “Earth Intruders” é uma excelente canção, mas talvez uma escolha imprópria para abertura do álbum: é nela que Bjork aglomera, sintetiza os conceitos das outras canções, ou seja, dá-lhe o tudo por tudo, e talvez isso fosse mais interessante para encerrar o álbum.
Prosseguindo, encontramos “Wanderlust” que, segundo a cantora, é o ponto de partida ideológico de todo o álbum. E uma belíssima canção, nesse sentido literalmente, é bela, bonita. A voz vagabundeia sobre os sopros dos Konono nº1 e a beat, suja e demarcada.
É na terceira faixa que a voz de Antony Hegarty, dos Antony and The Johnsons, se faz ouvir pela primeiríssima vez. E muito bem. “The Dull Flame Of Desire” cabe também no conjunto das canções bonitas do álbum. Certo é que somos arrastados para uma atmosfera deprimente, mas, sem dúvida, o dueto entre Bjork e Antony é perfeito, e as percussões, crescentes, só engrandecem mais ainda aquilo que podemos chamar uma potentíssima balada.
“Innocence” volta a trazer-nos uma beat de Timbaland, não menos má que a do primeiro single, mas certamente mais reconhecível. Uma boa canção que só peca por viver demasiado do ritmo, que, por bom que seja, não chega para fazer uma canção. Mas a postura vocal de Bjork, e os discretos arranjos, a juntar a uma audição atenta, salvam tudo.
“I See Who You Are” sai prejudicada por se seguir a “Innocence”. O ritmo frenético da quarta faixa abafa quase até ao apagamento a quinta. Mas a linha de kora de Toumani Diabaté é, sem dúvida, uma traço interessante, e a marca do interesse de Bjork pelo lado acústico, que já estava óbvio em “Drawing Restraint 9”.
“Vertebrie By Vertebrie” nasce do reaproveitamento de “Vessel Shimenawa”, uma secção de sopros pertencente ao álbum anterior, á qual se acrescentou uma beat, e a voz que narra uma história um tanto violenta. O título diz tudo. Mas é, sem dúvida, uma das canções mais carnais e mais humanas de “Volta”.
“Hope” é mais uma beat de Timbaland, a última, numa canção que se aproxima da sonoridade de “I See Who You Are”, sem a decalcar, o que é importante. Ao mesmo tempo, há uma enorme harmonia e paixão efusiva em todas as notas.
“Declare Independence” é o momento mais hardcore, agressivo e violento de todo o álbum. Para já, a utilização da guitarra eléctrica é uma novidade, a beat atinge proporções de proibitivo brilhantismo, e, no fim, ficamos com um hino de libertação e anti-colonialismo, gritado com toda a vivacidade por Bjork. Uma música que não se deve ouvir sentado. E vamos dizer só isto.
Para terminar, “My Juvenille”, ainda que com os fenomenais traços da voz de Antony e da kora de Diabaté, é demasiado neobarroca para um final. Isto porque, se tivéssemos algo mais energético, não poderíamos deixar de repetir a audição. Com isto, ficamos como se tivéssemos tomado um brandy depois de uma refeição abundante.
Agora, a parte em que me assumo como fanático de Bjork, e em que chamo demagogos a essas criaturas que deturpam as escolhas dela.
Acho muito bem que ela procure na natureza aquilo que é a génese do seu som, e das suas temáticas. Bem vistas as coisas, toda a gente procura falar do que tem dentro de si. Bjork recusa frequentemente esta atitude. Nada contra quem a assume, mas não deixa de ser original não o fazer. Em relação á imagem, há que separar as coisas. Bjork é uma compositora de talento raro (Para não dizer único.), capaz de criações absolutamente fora de série, e não catalogáveis, mas a imagem é outra coisa. A imagem é o suporte, e, também no suporte, Bjork é assinalável. Cada álbum é um objecto individual que, como tal, é acompanhado pela sua própria imagem. É errado criticar Bjork por mudar de visual de acordo com as mudanças na sua música, porque ela não faz mais do que faz uma actriz, e do que fazem muitos outros músicos. Mísia faz o mesmo, Tori Amos em “American Doll Posse”. Porquê descarregar em Bjork?
Quanto ás suas participações, oportunismo não só não é a palavra certa, como não chega sequer a caber. Há que saber ter á nossa volta as pessoas certas, e Bjork não fez outra coisa. Esteve muito na berra trabalhar com o Dallas Austin, e no entanto ela não o fez. É selectiva, e tem dedo, Matmos, Nellee Hooper, Tagaq, e o próprio Timbaland têm, certamente, aos olhos da pequena islandesa, qualidades adaptáveis ás suas ideias. Se leva isso por diante, não vejo onde está o problema.
Isso ou não são críticas sinceras, ou é não ter inteligência capaz para entender o contexto da música da Bjork (Entender NÃO é gostar.) Eu acho que é mais a segunda.
Juízo Final_ 20/20
domingo, 8 de julho de 2007
Delta Goodrem: Mistaken Identity
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Maria de Medeiros: A Little More Blue
SBSR 2007
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Lídia Jorge: Marido e Outros Contos
8 AQUECIMENTOS
Veredicto Final_ 18/20
Jewel: Goodbye Alice In Wonderland
domingo, 1 de julho de 2007
Vanessa Carlton: Harmonium
Enfim, "Harmonium" é um álbum pop como por vezes desejaríamos que muitos fossem. Vanessa Carlton está de parabéns. Graças a musiciens como ela, ainda conseguimos acreditar que a pop se pode salvar das garras de Britney Spears ou da Rhianna...
Ute Lemper: Punishing Kiss
Neste primeiro álbum em que interpreta autores contemporâneos, Ute Lemper não podia, afinal, ter estado mais irrepreensível: tem a capacidade de nos fazer esquecer a proveniência das canções, e se o seu nome constasse nos créditos como compositora, seria fácil acreditar. É difícil ouvir Nick Cave neste "Little Water Song", como é difícil ouvir Elvis Costello neste "Punishing Kiss".
Se há maus momentos neste álbum, eles estão muito bem camuflados, não damos por eles. Mesmo a última faixa, "Scope J", que poderia pecar por ser demasiado calma para ser a última, não soa mal, nem parece deslocada.
Percebe-se, no final, porque é tão justo que Ute Lemper seja uma diva por excelênica. Primeiro porque, não fosse ela, e a tradição do cabaret alemão era já uma memória, e segundo, porque quem faz álbuns destes, tem que ser reconhecido, senão não há justiça no universo.
videos para American Doll Posse de Tori Amos
Bouncing Off Clouds, primeiro single na Europa, canção de Clyde, aqui e aqui e aqui.
Big Wheel, primeiro single americano, canção da própria Tori, aqui e aqui e aqui.
(parece-me que o primeiro em cada uma é o oficial, e os outros são resultados de concursos lançados pela Epic)
Ana Moura: Para Além da Saudade
Ao terceiro álbum, Ana Moura cotinua a confirmar o que afirmava em "Guarda-me a Vida Na Mão" (2002) e "Aconteceu" (2003): que o seu nome é digno de estar entre as fadistas que realmente o são, isto numa fase em que toda a gente quer cantar fado. Não é o caso de Ana Moura. Veio para ficar, o fado está-lhe na alma, e quando assim é, vê-se.
Após uma única audição de "Para Além da Saudade", torna-se fácil perder todas as dúvidas em relação ás razões que levaram Ana Moura aos palcos dos EUA ou da Holanda, entre tantas outras. Um dos melhores discos de fado de 2007, senão de sempre.
Inês Pedrosa: Fica Comigo Esta Noite
O primeiro livro de contos assinado por Inês Pedrosa tem o belo título de "Fica Comigo Esta Noite" e é uma colectânea de doze contos escritos entre 1993 e 2002, e editados nas mais variadas publicações, desde a excelente revista "Egoísta" dos Casinos do Estoril e da Póvoa, ao "Europaexpress".
O primeiro chama-se "Só Sexo", e fala de uma relação cujo teor varia de acordo com a visão de cada uma das pessoas que a conhece, e acaba por ser um relato extraordinário, com passagens pela revolução do 25 de Abril e pela doença do cancro.
Depois, deambulamos por diferentes universos que, de várias poerspectivas, vão abordando questões relacionadas com o íntimo das mulheres e o íntimo dos homens, com a morte, a vida, o amor, a traição, a perda, a fantasia, a desilusão, o desamor. Relatos alegres e tristes, uns ainda exaltados, outros resignados, cada um com a sua voz, mas todos claramente pela mão de Inês Pedrosa.
De repente, há á nossa frente um universo cheio de vozes, por vezes rindo, por vezes chorando, mas que nos falam como acontece no conto "Conversa de Café", publicado sob o título de "Café F" na "Egoísta", em que uma mulher encontra um desconhecido no café é diz-lhe
"O senhor importa-se que eu lhe conte a história da minha vida?"
e assim nos falam das suas desgraças, e das suas alegrias. Há quem tenha assassinado o marido, há quem tenha perdido a filha, há quem tenha perdido a pátria, há quem veja a família escapar-se-lhe entre os dedos, há quem esteja a morrer, há quem não queira relações sérias, ou seja, há existências e crises existenciais, há pessoas, pessoas como nós.
E é, e sempre foi essa a melhor razão para ler Inês Pedrosa, o facto da sua escrita se tornar mais visceral, mais humana, á medida que as histórias avançam, chegando a uma fase em que respiramos o que escreve.
Em "Fica Comigo Esta Noite", parece-me que, ainda que todos os contos sejam muito bons, há quatro que se destacam por serem ainda melhores que os outros. São eles, mais ou menos por esta ordem: "Europa Plano Nocturno", "Só Sexo", "Todo o Amor" e "A Cabeleireira".
Um livro que vale a pena ler, e reler, enquanto se aguarda pela chegada do próximo romance.
Veredicto Final_ 18/20
sábado, 30 de junho de 2007
Amy Winehouse: Back To Black
Veredicto Final_ 18/20
Placebo: Creamfields Lisboa 2007
Eu gostei daqueles cinquenta e cinco minutos em que os Placebo estiveram em cima do palco. Não vou dizer que fiquei muito feliz por o Brian ter perdido a voz... "Coisas que acontecem" pensei eu. Como disse, não fiquei radiante, mas, primeiro que tudo, cinquenta e cinco minutos é melhor do que nenhum, depois, o Brian não teve culpa, deve ter sido muito frustrante para ele, e eu próprio estava com frio, e terceiro, a parte que tocaram tocaram muito bem.
Quanto ao concerto em si, ele passou essencialmente pelo sexto álbum, "Meds", com "Infra Red", um delicioso "Drag", o fenomenal "Because I Want You To", "One Of a Kind", e, claro, "Song To Say Goodbye", além da versão em piano do tema-título.
Claro que o concerto não aconteceria sem retornos ao passado, e eles marcaram-se, claro. Passou-se por "Bionic", do primeiro e homónimo álbum, o obrigatório "Every You and Every Me" de "Without You I´m Nothing", o fortíssimo "Special K" de "Black Market Music" e ainda "Special Needs", "Sleeping With Ghosts (Soulmates Never Die)" e, a terminar, my personal favourite, "The Bitter End", num final que, infelizmente, foi mesmo bitter.
Entretanto, passei pela net e estive a ler comentários ao concerto, muito por alto, sem grande atenção, mas, no geral, toda a gente falava como se o Brian tivesse feito de propósito para ficar sem voz, ou como se fosse uma coisa que se resolvia com um rebuçado para a tosse, o que é falso. Em apenas 55 minutos, eles conseguiram ultrapassar em qualidade a hora e três quartos do ano passado no SBSR, uma vez que um ano de digressão os habituou ás canções, que aparecem transmutadas e melhoradas.
Lamentei muito quando descobri que para os encores estavam prontos "20 Years" e "Taste In Men", mas, principalmente, por "Running Up That Hill", de Kate Bush, cuja versão dos Placebo é comovente.
Enfim, c´est la vie. Terá que ficar para a próxima.
Todd Haynes: Velvet Goldmine
A certa altura, em "Velvet Goldmine", Jonathan Rys-Meyers, no papel de Brian Slade, diz a um jornalista
"_O rock é uma prostituta. Tem que parecer vamp e produzida."
e temos aqui a explicação das quase duas horas do filme de Todd Haynes, que estreou em Cannes em 1998.
Oscar Wilde é aqui apontado como o progenitor de todo o estilo que se viria a chamar glam rock. Jack Fairy, o primeiro personagem que encontramos, ainda criança, encontra uma joia que pertencera ao escritor gay, e, a partir dessa joia, cria todo o seu estilo, andrógino e sonhador. Como Toni Collette, perfeita no papel de Mandy Slade, explica mais tarde:
"_Todos roubavam do Jack."
Tudo começa quando em 1974, Brian Slade, o rei do glam rock, forja o seu próprio abatimento em palco. A farsa é descoberta, e a carreira e a vida de Slade começa a declinar, até não ter, aparentemente, retorno.
Dez anos depois, Arthur Struart (Christian Bale) é pago para fazer uma reportagem com o título "O Que Aconteceu a Brian Slade", porque estava presente no concerto que pôs fim ao artista.
O Arthur que encontramos é uma criatura melancólica e pouco comunicativa, chegando a ser inerte, pelo que se percebe porque associa a sua adolescência a outra pessoa qualquer.
Fala primeiro com Cecil (Michael Feast), o primeiro manager de Slade, que o descobriu quando tocava no bar da mulher, Mandy Slade (Toni Collette), e que o conduziu nos primeiros e conturbados tempos da sua carreira.
As explicações de Cecil terminam quando Jerry Divine (Eddie Izzard) descobre Slade e o transforma numa estrela.
É pela voz de Mandy quye ouvimos a vida da estrela de Brian Slade (Rhys-Meyers), dono de uma voz interessante, de um talento peculiar, de um estilo libertino, bissexual, e polémico cada vez que abre a boca.
A sua maior influencia seria o músico Curt Wild (Ewan McGregor), gay, (Aparentemente.) esquizofrénico e viciado em vários tipos de droga. É também por ele que se apaixonará, quando o conhece pessoalmente.
Com os relatos destas pessoas, Arthur acabará por descobrir mesmo o que aconteceu a Brian Slade, ainda que se perceba que essa é uma questão mais pessoal do que profissional, na medida em que a influencia de Slade e Wild na vida do jornalista foi mais do que seria de esperar.
A história, apesar de ser contada cronológicamente, parece dar várias reviravoltas, sem se tornar confusa. O filme é bom, mas é pouco claro se a crónica do glam rock se faz através da música ou através da estética.
São notórias certas referências que, ainda que coerentes, seria preferível não estarem tão expostas: Curt Wild é uma personalidade que relembra Iggy Pop, visulamente, Kurt Cobain, e o nome próprio idem aspas- Kurt, Curt... Brian Slade- Brian Molko, e até fisicamente são parecidos, ainda que Slade contenha ainda as referências da praxe a Bowie e Lou Reed.
Os actores são, ainda assim, a melhor parte do filme, sendo de Toni Collette a melhor interpretação, não desfazendo a de Christian Bale, com particular á-vontade para papéis mais melancólicos, Rhys-Meyes que surpreende por encaixar tão bem em Slade, Ewan McGregor que, aparte de todas as mudanças visuais, consegue fazer esquecer as referências que carrega em si.
E não podia deixar de realçar a participação de Brian Molko, dos Placebo, num papel curtinho, mas cómico. Muito bem.
Veredicto final_ 16/20
Tori Amos: American Doll Posse
Como é que no décimo primeiro álbum Tori conseguirá manter a fasquia de qualidade que ela mesma colocou com "American Doll Posse", não sei. Mas acredito dela. Depois disto...
Da esquerda para a direita, Santa, Clyde, Isabel, Tori e Pip
Veredicto Final_ 20/20







































