domingo, 17 de dezembro de 2006
post blue
(brian molko; stefan olsdal; steve hewitt)
it´s in the water baby
it´s in the pills that bring you down
it´s in the water baby
it´s in your bag of golden brown
it´s in the water baby
it´s in your frequency
it´s in the water baby
it´s between you and me
it´s in the water baby
it´s in the pills that pick you up
it´s in the water baby
it´s in the special way we fuck
it´s in the water baby
it´s in your family tree
it´s in the water baby
it´s between you and me
bite the hand that feeds
tap the vein that bleeds
down on my bended knees
i break the back of love for you
O Quereres

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor...
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor...
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
Caetano Veloso
Imagem: "Máquina Assassina" de Kurt Schwitters
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Será Bráulio o Tubarão?
Ontem á noite fui bombardeado com 4 sms que continham basicamente o mesmo texto:
"Será Baúlio... o Tubarão?"
Pois é, a vida tem destas coisas, e as novelas também.
Depois de "Quem matou o António?", Rui Vilhena deixa todos curiosos com "Quem é o Tubarão?" Depois de um episódio em que Mónica telefona ao Tubarão e 499 telemóveis tocam, temos outros tantos suspeitos: Beatriz, Filipe, Braúlio, Célia, Fernando, Bárbara, Raquel, Bernardo, Afonso, Lídia, Fátima, Maria Laurinda... e por aí adiante... mas por alguma razão as pessoas decidiram implicar com o Bráulio. O problema é que isto já se tornou uma questão social. Mais que o aumento da idede da reforma, mais que as aulas de substituição, mais que o pagamento dos internamentos, os portugueses estão preocupados com a identidade do Tubarão. Pensem... o Tubarão esteve no Oceanário (Deduzo que lá fosse um entre muitos.), esteve no lançamento da nova colecção da Martins de Mello, mandou um colar a Mónica para ela utilizar nas comemorações do dia do Fim de Fausto.
É uma capacidade brilhante do senhor Rui Vilhena, sempre que escreve uma novela, agarra mais que as idades das reformas e etc... acho que o povo português nunca mais foi o mesmo depois de descobrir que quem matou o António foi a Guida! E agora querem saber se o Bráulio é o Tuba...
Não sei... sigo vagamente a novela, principalmente ás Sextas Feiras, porque durante a semana, eu e os meus roomates acabamos por n0s esquecer, entrte a programação do AXN ou do Hollywood, mas a minha aposta vai para a Beatriz... só porque tem charme.
domingo, 10 de dezembro de 2006
Vem aí o Vento
"_É Natal, é Natal
Tudo bate o pé..."
ou seja, eu e o Natal adoramo-nos. Palavra que gosto daquela época que os católicos gostam de chamar de advento (Não, não sou católico, nem gosto do termo "advento", parece que vem aí o vento... não acho que seja esse o objectivo.), gosto das pessoas que parecem bem-dispostas (E algumas só estão bem-dispostas no Natal.), gosto das montras das lojas cada uma mais possidónia que a anterior, das cançõezinhas que enchem as ruas com a sua sonoridade previsível... enfim, até acho que tem o seu quê de lógico a televisãoi fazer galas e tal... mas se há coisa que eu não entendo é mesmo as galas do Natal dos hospitais. Sim, acho muito bem que façam isso, mas não era preciso estarem a passar isso na TV, e ainda por cima a tarde toda. Quer dizer, não chegam as rádios locais, como agora, uns dias antes do Natal temos que levar com o Tony Carreira, a Ágata, a Romana, o Emanuel, os D´ZRT ou os 4Taste... deve ser para os doentes fugirem e deixarem os hospitais vagos, é que só pode. Mas não sei o método é eficaz, porque qualquer pessoa com o mínimo de bom-gosto vê cinco minutos daquilo na televisão, e começa a vomitar, e corre para o médico. Má ideia.
Mas avance-se a parte má da época natalícia, e saltemos para as compras de Natal, que eu gosto muito delas. Gosto mais que se compre para mim, mas, que remédio, também tenho que comprar para os outros. Felizmente, para mim e para os que me rodeiam, nunca achei que a história do Pai Natal estivesse bem contada. Não conseguia conceber que um velho gordo coubesse na chaminé da casa da minha avó, na casa da qual passo sempre a consoada. Pior ainda, nunca consegui perceber como é que ele entrava lá em casa, se a casa dos meus pais é um apartamento, e nem chaminé tem. Mais... como é que ele não morre? Como é que ele consegue estar á meia-noite nas casas todas? Como é que ele consegue estar nos centros comerciais todos ao mesmo tempo? Onde é que ele vai arranjar dinheiro para as prendas de toda a gente? Realmente, essa história não tem pés nem cabeça. No entanto, um belo Natal, tinha eu aí uns cinco anos, a minha mãe decidiu por cobro a essa treta toda do Pai Natal. Estávamos no Centro Comercial, e ela, em jeito de brincadeira, pergunta-me o que é que eu quero. Eu digo um número de coisa entrer vinte e trezentos e quarenta e um. A minha mãe tenta com calma explicar-me que não posso ter tantos presentes. Eu insisto. Afinal de contas, é um velhinho que me vai dar as prendas, que tem ela a ver com isso. Ela agarra-me num braço, para evitar que eu fizesse um escãndalo e leva-me a um canto
"_Quem te dá as prendas somos eu e o teu pai, o Pai Natal não existe, por isso, vais escolher menos coisas, estamos entendidos."
e posso dizer que o Mundo não me caíu aos pés. Foi como quando os The Gift ganharam o prémio da MTV (Este ano mais uma vez bem entregue, aos Moonspell.), eu ainda não sabia que eles tinham ganho, mas no fundo, sabia que só podia ser isso. Pronto, com o Pai Natal foi o mesmo. Eu ainda não sabia que ele não existia, mas no fundo, tinha plena consciência que ele nunca poderia existir. Não fiquei traumatizado, só um pouco chateado por ter que escolher menos tralha.
Portanto, hoje em dia, em vez que andar a ver os intervalos dos programas e escolher entre os 777 Action Man´s e 50000000000 carros telecomandados, limito-me a dar uma voltinha pelo Porto e decido-me por umas All Stars (Mais umas, desta feita, cinzentas.) e o pack das Donas de Casa Desesperadas, talvez mais um ou dois CDs se os meus tios que quiserem dar alguma coisa. E acho que não se deviam contar essas histórias aos putos. Depois por isso é que eles ficam habituados a ter tudo. Acham que é um homem que cai das chaminé que lhes dá. Ou seja, tudo isto, porque faltam poucas semanas para o Natal e eu já me sinto um pouco mais calminho dentro das minhas psicoses. Quando elas voltarem, talvez deva pedir ao Pai Natal uma Barbie, porque ela faz tantas coisas, que entre elas, há-de ser psiquiatra...
sábado, 9 de dezembro de 2006
A Toada dos Aguaceiros
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
The Bitter End

(Brian Molko; Stefan Oldal; Steve Hewitt)
Since we're feeling so anaesthetized
In our comfort zone
Reminds me of the second time
That I followed you home
We're running out of alibis
On the second of May
Reminds me of the summer time
On this winters day
See you at the bitter end
See you at the bitter end
Every step we take that's synchronized
Every broken bone
Reminds me of the second time
That I followed you home
You shower me with lullabies
As you're walking away
Reminds me that it's killing time
On this fateful day
See you at the bitter end
See you at the bitter end
See you at the bitter end
See you at the bitter end
From the time we intercepted
Feels alot like suicide
Slow and sad, going sadder
Arise a sitting mine
(See you at the bitter end)
I love to see you run around
And i can see you now
Running to me
Arms wide out
(See you at the bitter end)
Reach inside
Come on just gotta reach inside
Heard your cry
Six months time
Six months time
Prepare the end
(See you at the bitter end)
all of you... I´ll see you at the bitter end
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
The Gift: Fácil de Entender
Há cerca de uma semana que me encontro no mais pleno extase após o lançamento de "Fácil de Entender"
É um livro- DVD- Duplo CD que tem tudo aquilo que um fã poderia desejar. Além dos temas ao vivo, uma selecção irrepreensível, duas músicas novas (645; Nice and Sweet) e duas versões (a versão de estúdio de "Fácil de Entender"
Não posso falar dos Gift sem ser afectado por uma subjectividade óbvia. Poderia escrever milhentas palavras sobre ele, e não ia acertar. Não é possível. Posso tentar.
Acho que os Gift são acima de tudo música e músicas. Boa música e boas músicas. Os Gift são a simplicidade de "Ok! Do You Want Something Simple?" e ao mesmo tempo a complexidade de "Cube", são a festa de "Driving You Slow" e o intimismo de "Me Myself and I", são o dramatismo de "Truth" e a leveza de "Clown", são a suavidade de "The Difference Between Us" e a agressividade de "11:33".
Mas ainda mais do que as canções, este DVD permite ver aquilo que há muito tempo já se tinha percebido: por muito que os discos de estúdio sejam perfeitos, ao vivo a força consegue ser superior. Há alturas (Me Myself and I, 11:33, Cube, My Lovely Mirror) em que até parece ingrato ter um momento tão perfeito num DVD que parece retirar o ênfase á unicidade do momento. Mas por outro lado, essa perfeicção merece estar registada e ser vista vezes e vezes sem conta.
Quem não conhecia os The Gift tem neste
Não é preciso que o álbum tenha vindo parar directamente ao segundo lugar do top, nem sequer o prémio da MTV para provar que os Gift são o que são: a melhor banda portuguesa e uma das mais sólidas também. Nisto tudo, a única coisa que não é
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
Quelqu´un M´a Dit
(Carla Bruni)
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux
Pourtant quelqu'un m'a dit...
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors
On me dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Pourtant quelqu'un m'a dit ...
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?
Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit...
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,
Pourtant quelqu'un m'a dit ...
(os meus conhecimentos de francês reduzem-se praticamente á bela letra desta bela canção desta bela senhora...)
IMAGEM: MARCEL DUCHAMP- O Rei e a Rainha
Blow It All Away
(foto: Alfred Stieglitz)
Without a sound ever heard
Without a lesson I have learned
You are foolish
And diluted
Too many lies have you burned
Where there’s eyes to be found
This seems life’s underground
But even if you had it all
You would find
I could never let you stay
'Cause you blow it all away
You blow it al away
Blow it all away
If you goI will stall
Yes I see it
Yes I feel it
You have no oppressions at all
But if life is truly devoured
I'll strip your bare 'till the truth comes out
But even if you had it all
You would find
You blow it all
You blow it all away
Blow it all away
Blow it all, blow it all, blow it all... away
Forever is your mind to be naive
Remember it will bring us to our years
You blow it all away
But even if you had it all
You would find
You blow it all
You blow it all away
Blow it all away
Blow it all, blow it all, blow it all
Blow it all, blow it all, blow it all
Blow it all away
Blow it all away
Blow it all away
You blow it all away
Circles
There are two of us talking in circles
And one of us who wants to leave
In a world created for only us
An empty cage that has no key
Dont you know were working with flesh and blood
Carving out of jealousy
Crawling into each other its smothering
Every little part of me
What kind of love is this that keeps me
Hanging on
Despite everything its doing to me
What is this love that keeps me coming
Back for more
When it will only end in misery
I know too many people unhappy
In a life from which theyd love to flee
Watching others get everything offered
They're wanton for discovery
Oh my brother my sister my mother
You're loosing your identity
Can't you see that its you in the window
Shining with intensity
What kind of love is this that keeps me
Hanging on
Despite everything its doing to me
What is this love that keeps me coming
Back for more
When it will only end in misery...
da banda sonora da 3º season de "Sete Palmos de Terra
Imagem: Henri Matisse- "A Dança" (1912)
Muse: Black Holes and Revelations
Bem longe de um mundo onde a Floribella vê a vida magicamente resolvida por fadas, sapatilhas, e árvores que não só são a sua mãe como lhe fazem as vontades todas; e onde dos Morangos com Açúcar saem bandas em catadupa, mas com muito poucas qualidades, os Muse lançam um disco que prima por viver neste mundo e não num outro completamente idealizado.
Não escondo a minha longa carreira como fã dos Muse, que poderia facilmente influenciar a minha opinião sobre o quarto álbum de originais da banda britânica. Mas a verdade indiscutível é que “Black Holes and Revelations”, que não tem medo de parecer uma profecia dos últimos dias na Terra, tem qualquer coisa de especial.
São onze temas onde análises sociais/políticas e paranóias futuristas desfilam pela voz de Matthew Bellamy, acompanhadas com guitarras, baixo, bateria, piano e sintetizadores, além dos arranjos de cordas e sopros.
O melhor dos Muse é que evoluem sempre, e aqui a evolução é mais evidente do que nunca. A introdução de ritmos muito demarcados e de uma componente electrónica considerável criam uma atmosfera própria que não se conhecia nos álbuns anteriores (Ainda que em “Absolution” já existissem alguns conceitos confirmados agora, parece que “Assassin” não existiria sem que primeiro existisse “Stokholm Syndrome”.) e também há uma exploração mais alargada dos vários registos da voz de Matthew Bellamy.
Como em qualquer bom disco, não se desgosta de nenhuma, mas há aquelas de que se começa a adoecer. É o caso de “Hoodoo” com um ambiente sonhador, o dramatismo de “City Of Delusion”, “Exo Politics” em ambiente de hospital psiquiátrico, a violência explosiva de guitarras e sintetizadores em “Assassin”, “Supermassive Black Hole” com a parte electrónica vivendo a paredes-meias com um registo sussurrado da voz, e principalmente a perfeição aparentemente inatingível de “Map Of The Problematique”.
As influências são mais que evidentes, Depeche Mode, The Cure, David Bowie, Jimmy Hendrix e ainda Ruffus Wainwright (“Starlight” ou “Soldier´s Poem” não deixam espaço para dúvidas.), e ainda se encontram pontos comuns com os Placebo.
No fim, entre buracos negros e revelações, fica a certeza absoluta de que estamos perante uma GRA NDE banda, e fica a boa notícia de que os Muse visitam a nossa capital a 26 de Outubro de 2006. A má notícia é que ainda falta muito.
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
terça-feira, 19 de setembro de 2006
A Frase
"_You see, baby? This is not just playing with toys!"
"_No, it is better... It´s playing with people!!"
sábado, 19 de agosto de 2006
10 Discos Para o Verão

O primeiro álbum a solo da ex-vocalista dos Entre Aspas (E dos Camaleão Azul e dos Linha da Frente.) produzido pela própria e por Tó Viegas, também ele resgatado dos tempos idos da banda de “Uma Pequena Flor”. Ao longo de 11 canções vamos encontrando autores como Hugo Costa, José Medeiros, Fernando Cabrita, Armindo Marques Araújo, Rui Freire, Nelson Cascais ou Carlos Silva, além da própria Viviane. É fácil perceber as raízes algarvias (!!!) da cantora, pela frescura, luminosidade e leveza das canções. Trunfos como Fado Mambo, Coração Despido, Alma Danada, Toada dos Aguaceiros, Amores (Im)Perfeitos (dueto com José Medeiros), mas principalmente A Vida Não Chega são indispensáveis ao calor do Sol e á proximidade do mar…
Veredicto: 16/20
VANESSA CARLTON “Be Not Nobody” (2003)

Depois de um primeiro disco muito mal sucedido, publicado aos doze anos, Vanessa Carlton fez sucesso com o seu álbum “Be Not Nobody” que dada a qualidade excessiva chegou mesmo aos Grammy Awards de 2003.
A pianista/ cantora é a autora da totalidade das canções (Com excepção feita para a cover de Paint It Black dos Rolling Stones.), canções simples e sofisticadas, essencialmente acústicas, dotadas de um ambiente etéreo ideal para ir ao som do calor. Baladas maioritariamente, claro, desde Sway a Rinse e aos incontornáveis Unsung, Prince e Paradise. A genialidade dos arranjos (Escritos em parceria com o maestro/ produtor executivo/ A&R Ron Fair.) ajuda a abrilhantar a simplicidade sóbria das canções. Excelente, mesmo que (Como eu.) não se suporte ouvir A Thousand Miles, o single de avanço.
Veredicto: 16/20
CORINNE BAILEY RAY “Corinne Bailey Ray” (2006)

“A nova Billie Holliday” e tal… pode até a voz ter semelhanças, mas musicalmente, esta cantora de Leads está a milhas do jazz de Billie Holliday. Quem ainda não ouviu “Put Your Records On” de certeza que não permanecerá nesse estado durante muito mais tempo. A cantora negra de música soul, voz suave e dona de uma inocência mais ou menos evidente estreou-se com um álbum homónimo que caiu imediatamente nas graças da crítica, e que até já começou a gerar burburinho para os Grammy de 2007. Canções simplórias e minimalistas, á base de voz, guitarra, bateria, baixo, teclas e sopros, ideal para aliviar corações em crise por uma ou outra razão.
Veredicto: 14/20
SADE “Lovers Live” (2004)

Em jeito de retrospectiva, esta cantora da Somália apresenta ao longo de um concerto os temas mais marcantes da sua carreira, que já vai longa desde a estreia com “Diamond Life”. Com uma voz dotada de um charme irresistível, e canções muito sensuais, Sade faz desfilar consigo um ambiente etéreo, sonhador e leve. “Paradise”, “Jezebel”, “No Ordinary Love”, “Cherish The Day” e “Somebody Already Broke My Heart” fazem parte do alinhamento, tal como o inevitável “Smooth Operator”. Imperdível. Mesmo.
Veredicto: 17/20
NORAH JONES “Come Away With Me” (2002)

A filha de Ravi Shankar dispensa apresentações, digo eu, principalmente depois de ter arrecadado oito Grammys em 2003, incluindo as categorias mais importantes (Álbum do Ano, Disco do Ano, Canção do Ano, Álbum Pop do Ano, Artista Revelação do Ano). O disco em questão “Come Away With Me” era o primeiro e melhor de dois álbuns que a cantora/ pianista já publicou até agora.
Canções de sonoridade acústica e intimista, quase como que gravadas ao vivo, da autoria de Jesse Harris, Lee Alexander, e da própria Norah Jones, entre outros, além de covers muito interessantes de Turn Me On (Não, não é a do Kevin Lyttle, é de JD Loudermilk) e The Nearness Of You.
Para ouvir debaixo do calor abrasador do sol ou da lua, Cold Cold Heart (cover), Feelin The Same Way, I´ve Got To See You Again, Lonestar, Come Away With Me ou o badaladíssimo Don´t Know Why.
Veredicto: 16/20
DIANA KRALL “The Look Of Love” (2001)

Também Diana Krall dispensa apresentações. Igualmente galardoada nos Grammy Awards constantemente, Diana começou a cantar há muito tempo, exactamente ao mesmo tempo que a sua música começou a ser questionada (Os fãs do Pop dizem que ela canta Jazz, os fãs do Jazz dizem que ela canta Pop, e as pessoas como eu afirmam que ela canta Jazz, ainda que com influencias de outros tipos de música.). “The Look Of Love” viria a ser o último álbum de estúdio a não conter nenhum original (O sucessor “The Girl In The Other Room” conta com canções da autoria de Diana e do marido, Elvis Costello, a par com as versões de Joni Mitchell, Mose Allison, Elvis Costello e ainda o fantástico Love Me Like a Man de Bonnie Raitt.). Aqui se cantam coisas doces como S´Wonderful, Besame Mucho, Maybe You´ll Be There e como o fantástico The Look Of Love, tudo engrandecido por uma orquestra dirigida por Claus Ogerman. Para ouvir repetidamente numa tarde de Sol, e depois, á noite, complementar com “Diana Krall Live In Paris”, onde figuram algumas destas canções, mas ao vivo na cidade da luz.
Veredicto: 17/20
MÍSIA “Drama Box” (2005)

Ao oitavo álbum, Mísia revolta-se. Assume a interpretação de Boleros e Tangos a conviver com os Fados, produzindo sozinha um perfeito álbum de World Music. Neste disco vivem pessoas com dramas, com tristezas e com psicoses, mas todas conscientes disso. Neste disco vivem poemas de Vasco Graça Moura, José Luís Peixoto, Rosa Lobato de Faria, Paulo José Miranda, José Saramago, Natália Correia e Luís Macedo, existem músicas de Armando Manzanero, Astor Piazzola e de muitos outros. Neste disco vivem ainda as vozes de Maria de Medeiros, Fanny Ardant, Ute Lemper, Cármen Maura e Miranda Richardson, as drama queens que interpretam em várias línguas um poema de Vasco Graça Moura que inicia o reportório dos fados do disco, musicado por José Fontes Rocha- Fogo Preso, Feu de Bengale, Firwerk, Fuego Preso e Fireworks, respectivamente. Para ouvir no sol-pôr, principalmente se este coincidir com “Coração Agulha” de Paulo José Miranda e Mário Pacheco.
Veredicto: 20/20
SARAH McLACHLAN “Surfacing” (1997)

Não para um dia de verão, mas para uma noite. Sarah McLachlan é um turbilhão de talento, ela toca vários instrumentos, compõe, escreve e arranja, dá concertos memoráveis ao vivo… enfim. “Surfacing”, o quarto disco de originais desta cantora canadiana foi um grande sucesso, além de ter entrado a matar pelos Grammys.
Sarah conta com uma banda á sua altura em canções muito elaboradas, sem fugirem da simplicidade rock, a par com canções minimalistas em que se acompanha a si mesma no piano, o caso de Do What You Have To Do ou do famosíssimo Angel (Momento alto do filme A Cidade dos Anjos.). Ainda importante é ouvir Building a Mystery, no seu perfeccionismo, Full Of Grace como uma narrativa e ainda o fantástico Black and White, onde Sarah faz praticamente dueto instrumental com Ashwin Sood, baterista e também o seu marido até á data.
Veredicto: 18/20
JEWEL “Spirit” (1998)

Tem oito anos o segundo álbum de Jewel, o primeiro onde a cantora/ guitarrista do Alasca se faz acompanhar por uma banda (Em vez de gravar em directo com a guitarra como na estreia “Pieces Of You”.), mas qualquer apreciador de música, não deixa de gostar dela por ter mais ou menos tempo. “Spirit” é feito quase como que a apalpar terreno, no que diz respeito a explorar instrumentos como o piano, o baixo, a guitarra eléctrica ou a bateria, tudo isto com a ajuda do produtor Patrick Leonard (Que produziu “Ray Of Light” de Madonna, o (Segundo dizem.) melhor disco da rainha da pop.). A sonoridade parece realmente remeter-nos ao mar, desde Deep Water a Barcelona, Do You ou Life Uncommon, mas principalmente Down So Long.
Sem nunca perder de vista o minimalismo que a caracteriza (Esquecendo o devaneio pop de “0304”.), Jewel apresenta uma série de canções muito positivas, adornadas de uma sensação agradável proporcionada pela voz que sopra como se fosse vento.
Veredicto: 16/20
KATE WALSH “Clocktower Park” (2004)

Kate Walsh é uma cantora/ compositora/ guitarrista inglesa de 21 anos. Só muito recentemente conseguiu o reconhecimento que tanto merece pelas terras de Sua Majestade. Ainda que no nosso paísinho não tenha feito nenhum sucesso memorável, já passou por cá várias vezes acompanhada pela sua guitarra acústica. Não sei bem para que momento do dia, mas diria que para o por do sol, fim de tarde… enfim, estas canções têm uma espécie de aura negra, escondida por uma suavidade proeminente, ou seja, Kate Walsh conseguiu por duas sonoridades opostas no mesmo disco, e ás vezes na mesma canção (Veja-se Impressionable, um dos melhores momentos do disco.). Canções simples, acústicas na sua totalidade, com guitarras aos saltos, pianos discretos, baterias fortes e arranjos minimalistas. Memoráveis Animals On Fire, Quicksand, Same Old, Holes In My Jacket e principalmente It´s Never Over.
Veredicto: 17/20
quinta-feira, 20 de julho de 2006
Nelly Furtado: Loose
SHE´S ON THE LOOSE...
Foi um pouco a medo que ouvi o novo álbum de Nelly Furtado, "Loose", depois do choque inicial de ter visto (E ouvido) o videoclip de "Maneater".
Enfim, mas eu não julgo um livro pela capa, nem um álbum pelo single de avanço, por isso decidi gastar um tempinho na FNAC a ouvir a luso-canadiana e os novos amigos/colaborações.
Não posso deixar de expressar a minha surpresa acerca desta viragem no percurso da cantora/ compostiora.
Começando pelo início, Nelly Furtado foi a primeira cantora a assinar contracto c0m a DreamWorks, a discográfica de Steven Spielberg, e gravou um disco chamado "Whoa Nelly", o qual (Pessoalmente) nunca me agradou especialmente, com excepção de alguns lampejos de bom gosto, mas que deixava antever uma musicien promissora.
Depois veio a primeira surpresa: o disco "Folklore". Um disco perfeito (Sim, perfeito). Desde o primeiro segundo (Em que os Kronus Quartet iniciam "One Trick Pony") até ao último (Um brilho nostálgico em "Childhood Dreams") o disco toca uma qualidade que eu nunca arriscaria apostar que Nelly atingiria.
Apesar do parcial fracasso de vendas (Suavizado com a escolha de "Força" para Hino do Euro 2004), o disco merecia a tripla (Quintopla) platina, por canções como "Try", "Picture Perfect", "The Grass Is Green" ou o dueto com Caetano Veloso "Island Of Wonder".
Nelly Furtado, folclórica, era a Nelly Furtado como seria bom que ela tivesse continuado.
No entanto, há umas semanas atrás, estava no café com uns amigos, e a nossa atenção é chamada ao ecrã, na MTV, pela imagem da Nelly a correr atrás de um cão. Ficámos curiosos para ver o que aí vinha, e é então que começa a canção.
Não. Não podia ser. Aquela não podia ser a Nelly Furtado que cantava há não muito tempo "Powerless (Say What You Want)". Não podia. Ainda tentámos acreditar que tivéssemos confundido com a Rhianna, mas não havia margem para dúvidas. A açoreana agora deu em devoradora de homens.
Fiquei com a pulga atrás da orelha, e tive que ir ouvir "Loose" do início ao fim para formular uma opinião.
Foi o que fiz.
A ideia da femme fatalle não deve ter sido da Nelly, porque nunca antes lhe tinha visto tais ideias, deve ter sido coisa do Timbaland (Quem não o viu junto ás Pussycat Dolls... enfim), mas a verdade é que acho que a voz doce e potente de Nelly e o tom inocente acada por divergir com as letras provocadoras e os ritmos frenéticos.
Nem tudo é mau, vá lá (A participação de Juanes não correu assim tão mal e algumas baladas merecem ainda uma segunda oportunidade ("God´s Hands"), ainda que soem a um simples regresso ao passado.) mas no final, só duas músicas são realmente boas: Afraid e All The Good Things... duas é pouco.
O resultado final, devo dizer, não está nada á altura do precendente "Folklore", e se eu ontem não tivesse lido uma entrevista com a senhora no JN em que ela afirma que a seguir vai experimentar coisas novas, diria que isto foi uma fortíssima desilusão.
Vamos lá ver o que o futuro reserva...
Veredicto: 10/20
quinta-feira, 6 de julho de 2006
O Espírito
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Imagem: "O Baloiço"1767, de Jean Honoré Frangonard
Natália Correia nasceu em 1923 em Fajã de Baixo, nos Açores. Inserida no contexto do surrealismo, Natália está entre os mais assinaláveis autores da literatura contemporânea, tendo escrito poesia, romances, ensaios, apontamentos políticos, teatro, crónicas, tendo sido também tradutora, editora e jornalista. Morreu em 1993, legando á literatura algumas das mais brilahntes obras que esta já conheceu.
Jean Honoré Fragonard nasceu em Grasse em 1732, estudou brevemente em Itália, e, regressado a França, tornou-se num dos mais emblemáticos pintores do rococó. A obra "O Baloiço" é uma das mais importnates não só do seu trabalho como de toda a pintura rococó.
Morangos com Bolor
“_Vou fazer uma loucura!”
e eu hoje estava a ouvir “Black Rooster” dos The Kills, e pensei para mim mesmo, em segredo
“_Vou fazer uma loucura!”
e fiz mesmo. Então, deixei-me ver os Morangos com Açúcar.
Antes de mais, eu só gostava de fazer um pequeno parêntesis, sobre o Director Geral, o senhor José Eduardo Moniz, que é uma pessoa muito, muito, muito, muito modesta, adoro ver a forma humilde (E principalmente realista) como ele comenta os programas da TVI. (É pena não se poder ver a minha cara de ironia neste momento.)
Então, era a chegada a hora, e eu, com as mãos a tremer de medo, a suar, a olhar discretamente para todos os cantos (Não fosse alguém perceber o que eu estava a ver, seria o meu fim), a pôr a televisão baixinha, só com som suficiente para eu ouvir a voz dos actores (Ou imitações de actores, na maior parte dos casos) e a banda sonora (Um pormenor importante). Os segundos passam, sucedem-se sem pudor, tornam-se minutos, e, em pouco tempo, a série vai para o ar.
Já uma notinha muito negativa para a música do genérico (Mas quem é que escreveu aquilo? Foi por acaso um dos letristas da Claudisabel? Ou terá sido o da Romana? Bem, suponho que até esses escrevem melhor!) porque aquilo não tem nem pés, nem cabeça, nem tronco, nem braços, nem pernas (E as pernas são uma parte muito importante). Enfim, uma treta sem jeito nenhum.
No geral, tenho a dizer umas coisinhas muito más sobre a série. Verosímil? Penso que não. Aquilo é sim uma forma previsível e exagerada de retratar os adolescentes, que parece baseada ou num daqueles livros típicos de senhores e senhoras que pensam que sabem tudo sobre a faixa etária em questão, mas na verdade não sabem nada; ou então numa meia dúzia de exemplares da idade: pegam-lhes na vida e põe ali, como se fosse a vida de todos os adolescentes. (Por favor, eu tenho quase 17 anos, tal como a maior parte dos meus amigos, e nenhum de nós se comporta ou age daquela forma, e somos mesmo MUITOS- só da minha turma somos 30!)
Outro facto: aqueles personagens têm uma sorte de invejar! Não têm pais, nem encarregados de educação, nem nada do género, ninguém a quem justificar as irresponsabilidades que comentem em catadupa. Não há pais que se zangam, que os castigam, que os obrigam a estudar, a trabalhar… enfim, é tudo tão fácil quando somos nós os únicos responsáveis pela nossa pessoa.
Mais um: a história não é sempre a mesma? É que eu acho que sim. É sempre um rapaz/rapariga quem tem respectivamente uma namorada/ namorado, e depois chega outra rapariga/ rapaz, que lhe dá a volta á cabeça. O rapaz/ rapariga acaba a relação actual para se juntar a quem lhe deu a volta á cabeça, e a/o ex. despeitada/o empenha-se a 100% em fazer-lhe a vida negra.
Ora veja-se:
Na primeira série, a Joana namorava com o Ricardo. O Pipo chegou do Porto e deu-lhe a volta á cabeça. Ela acabou tudo com o Ricardo e juntou-se ao Pipo. Depois o Ricardo arranjou outra amiga (A actriz era a Filomena Cautela que agora está simpaticíssima na MTV- assim já gosto dela) para as tropelias e começaram a fazer a vida negra ao Pipo e á Joana.
Na segunda série, o Simão namorava com a Carlota. A Ana Luísa chegou com uma bolsa de estudos e deu-lhe a volta á cabeça. Ele acabou tudo com a Carlota e juntou-se á Ana Luísa. Depois a Carlota arranjou outro amigo (O actor era o Hélio Pestana que agora está a braços com o papel complicadíssimo de um alcoólico em “Dei-te Quase Tudo) para as tropelias e começaram a fazer a vida negra ao Simão e a Ana Luísa.
Na terceira série, tiveram o cuidado de mudar um pormenor ou outro. É que a ex maluca surge no seguimento de uma separação do grande amor. Ou trocado por miúdos: o Tiago e a Matilde amam-se muito. Depois separam-se. Ele começa a andar com a Cláudia. Acabam. E a Cláudia começa a fazer tudo para manter o Tiago separado da Matilde. Entretanto ela desiste e eles juntam-se de novo. Mas, como quem se ama, neste folhetim sem jeito nunca pode ter descanso agora surge uma tal Isabel que os está a tentar separar.
Não é tudo estranhamente parecido???? Eu acho que é.
Continuando nos funny facts:
Não é incrível como os únicos bons actores da série são os veteranos? Ora vejamos, a Ana Zanatti, a Paula Neves e a Sónia Brazão. E se quisermos ir ás épocas antigas, Helena Isabel, Vasco Esparteiro, Dalila Carmo (Actualmente a vestir a pele de uma bêbada em Tempo de Viver- está fantástica), Rita Salema, Carlos Mendes, Joana Seixas (Num papel muito ingrato, ainda assim), Sofia Grillo (Bem, como sempre), Almeno Gonçalves (Mal aproveitado), ou uma (Inexplicável presença de) Lurdes Norberto.
Os actores jovens são na sua infeliz maioria uns tristes sem um pingo de talento, que têm a sorte de terem uma cara e/ou um corpo bonito(s). O problema é que caras bonitas, há muitas, e o que está hoje da moda, amanhã já é do dia anterior.
E estranhamente, todos os jovens actores que passaram pelos Morangos tiveram aí as suas piores prestações, recuperando depois em trabalhos posteriores:
Liliana Santos (Brilhante no papel de Isabel Albuquerque) e Benedita Pereira em Ninguém Como Tu, Hélio Pestana e Marta Melro em Dei-te Quase Tudo, Pedro Teixeira, Ana Guiomar e Dânea Neto em Tempo de Viver e João Catarré e Patrícia Candoso em Mundo Meu (Aquela que se passava no Algarve...). Tenho que salvaguardar aqui duas pessoas:
Rita Pereira como uma excepção muito positiva, já nos Morangos mostrou como é uma excelente actriz, o que confirma agora com um papel muito medíocre, mas boa interpretação em Dei-te Quase Tudo.
E Cláudia Vieira: Infelizmente, voltei a vê-la em televisão a representar (Em “Fala-me de Amor”), e “infelizmente” porque convenhamos que ela estava muito mal, mesmo para os Morangos com Açúcar. Enfim, depois de a ver encarnar tão vergonhosamente o papel de Ana Luísa, vai ser difícil fazer-me acreditar que ela saiba representar (Vai ser preciso um papel muito muito muito muito bom…)
Mais: é impressão minha ou três quartos dos personagens são tão inconsequentes que se tornam perfeitamente dispensáveis???
Os meus exemplos preferidos: aqueles quatro besugos, o David, o Zé Milho, o Ruca (Principalmente o Ruca) e o Tópê eram para quê? Para nada. Não havia uma simbologia por trás deles (Mas isso não me surpreende, não há simbologia por trás de nenhum personagem aqui), não havia nada de importante neles, estavam ali para fazer render o peixe: formavam uma banda com nenhuma qualidade, mas sucesso garantido, e dessa forma promoviam a série. Assim sendo, andavam para ali dum lado para o outro, com a mania que eram grandes cantores (No irritante caso do irritante Angélico Vieira, a exibir o corpo também, como se faltassem por aí rapazes que vão ao ginásio) e a encher elenco.
FF, aquele fantástico cantor (Esqueci-me de avisar que sofro da Síndrome da Ironia Constante- deve ser de ouvir o “Ironic” da Alanis Morissette desde os nove anos) é igualmente um personagem previsível e sem interesse
Também o Ed, o Link, o Jota e o Sérgio (Nomes lindos, não haja dúvidas) estão ali para o mesmo efeito, têm igualmente a mania que são grandes músicos, e a música é (Supreenda-se) desprovida de qualquer qualidade.
Mas nem só a cantar são metidos os personagens inúteis, e nem só inúteis são esses personagens. Mimi podia desaparecer (Ainda que Jéssica Athaide mereça uma nota positiva, porque não é qualquer actriz que encarna uma personagem tão enervante), o Manel também podia eclipsar-se (Aquela falsa rebeldia vê-se á distância), a Bia idem aspas (os desesperos dela são desesperantes), o Cristiano (Ainda que o personagem não seja dos piores, também não acrescenta nada), a Catarina (Além do sotaque exasperante, ninguém muda de estilo e aspecto com aquela rapidez, e é das piores actrizes que por ali anda) e o próprio Gil não faz falta alguma (Uma ridicularização dos gordos, eu recusar-me-ia a interpretar tamanha auto-humilhação, eu sei do que falo, que já fui gordo, e nunca me portei daquela forma).
Continuando a desencantar os defeitos da “série juvenil” tenho que falar da banda sonora.
Como é que se consegue fazer SEMPRE uma banda sonora com escolhas tão más?
(Tenho que resguardar o “Shine On” dos meus Blind Zero, mas fora essa, não se consegue resgatar uma única boa canção para amostra.)
Ainda me lembro de quando eles passavam o “Lena” ou o “Hip Hop (Sou Eu e És Tu)” do Boss AC (Deplorável), ou ainda Belinda More, Edyta, Daniel Bedingfield, O-Zone, Blue, Kevin Lyttle, Denzel, Marieke, Paranormal, Os Moleques, Orishas, Gutto, Mito, J-Five, Daddy Yankee, Expensive Soul, Projecto X… quero dizer… enfim, quem é que não fica surdo a ouvir tanto lixo junto… felizmente, é junto, e não muito junto, porque os nomes acima referidos são exemplos contidos ao longo das seis séries que se sucederam nos últimos anos.
Também á nível de música, há que frisar alguns nomes:
Uma Melanie C com um (Comestível) “Better Alone”, acaba por sem querer, sobressair, não pela qualidade da sua canção, mas pela falta de qualidade das outras.
Uma Anna Sahlene muito promissora com “We´re Unbreakable” e “Creeps”. Ainda que não simpatize muito nem com esta loirinha, nem com a música que ela canta, reconheço que está ligeiramente acima dos restantes nomes da banda sonora.
Os Deep Insight, com “Hurricane Season” que consegue ficar á parte (Junto ao “Shine On”) das outras canções, na segunda série.
Os Fingertips que se arriscaram muito ao verem “Picture Of My Own” integrar a segunda série, ao lado de Blue, Skye Sweetnan, Patrícia Candoso e Milénio.
Uma Rita Guerra na primeira série, com “I Thought You Would Leave Your Heart With Me”, ainda que desligado de tudo o resto que esta cantora portuguesa já cantou.
Mas o maior destaque tem que ir para uma rapariga chamada Diana, que eu não sei quem é, mas que canta MUITO bem (peço desculpa, mais uma vez fui atacado pela minha Síndrome). É que ainda que a menina só cantasse mal… o problema é também o que ela canta. Fica aí uma amostra de “Apenas Um Amigo (Tu és)” para que se perceba do que eu estou a falar:
Não sonhes mais acordado
Gostaste e eu também
Mas não procuro ter ninguém
Adorei sair contigo
Mas não passas de um amigo
Foi tão bom, tão bom, mas não quero compromisso
Muito bonito, não é? Aposto que depois disto o João Monge e a Sarah McLachlan vão deixar de escrever letras para canções, ao verem como ficam pequeninos, aliás, minúsculos ao lado deste masterpiece do Boss AC e de um/a tal A. Arcada para esta rapariguinha com uma histérica voz mistura de Kelly Clarkson com Spice Girls. Aliás, cantoras como Kátia Guerreiro, Mísia, Mariza… vão começar a encomendar as suas letras aos autores deste “Apenas Um Amigo (Tu És)”, abandonando assim António Lobo Antunes, Vasco Graça Moura, José Luís Peixoto, Pedro Campos, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Fernando Pessoa (Hoje estou que nem posso da minha Síndrome).
Em conclusão, o que eu tenho estado a tentar dizer: só o Rui Vilhena é que sabe como é que se escreve uma novela. Ninguém Como Tu e agora Tempo de Viver são as melhores provas. E não é só estarem bem escritas. A nível de direcção de actores e tudo isso… estão muito acima da média. E isto é para mostrar que eu sei fazer mais coisas do que criticar. Senão ainda me vêem como um seguidor da filosofia do Vasco Pulido Valente, e eu não quero muito… enfim, eu sei falar bem (Ainda que me custe apoiar palavras do senhor José Eduardo Moniz…)
Mais umas rectificações antes do final ou (Como diriam os meus Placebo) the bitter end:
Acho uma piada aos dias em que “por acaso” aparece por lá um cantor ou uma cantora! A sério, não é impressionante? Um belo dia, uns minutos após o sol-pôr, quem é que aparece no Bar do Fred (Que nome fantástico, não haja dúvidas)? O Daniel Bedingfield. Mas isso é normal… ele ia a passar pela Praia Azul e lembrou-se
“_Olha, vou ali tomar um café ao Bar do Fred…”
e foi. E depois entrou e apareceu a mal-criadona da filha do Fred e pediu-lhe que cantasse e ele cantou. (Esqueci-me de referir o péssimo exemplo que personagens como a Teresinha constituem… Essa é que devia ser minha filha. Não me falava assim, de certeza absoluta).
Muito bonito.
E as Sugababes? As Sugababes também passaram por lá, na altura do Bar dos Rebeldes.
Elas iam também a passear por Lisboa, como fazem provavelmente todos os dias… e de repente, diz a Keisha
“_Estou cansada, dormi pouco, estou com sono.”
e a Heidi responde
“_Não te preocupes, vamos aqui ao Bar dos Rebeldes e tomas um café…”
e lá foram elas as três, e depois cantaram.
Assim como o vocalista dos Simply Red, que também passou pelo Bar dos Rebeldes. Ele estava na casa dele, e lembrou-se
“_Já sei. Vou tomar um café ao Bar dos Rebeldes.”
e lá foi ele até ao bar do Rafa cantar e tomar café…
Enfim.
E mais uma coisinha:
Depois desta série POR FAVOR não façam mais nenhuma… é que já chega de nadar na mesma pocilga… (É que eu ouvi uns murmúrios preocupantes que diziam que este projecto se vai arrastar por mais uns 7 anos e fiquei logo sem sono…)
Por último: um agradecimento á minha irmã, que me forneceu os dados [CD´s, revistas, nomes de personagens e lugares, resumos do enredo…] todos para dilacerar a imagem de uma das suas novelas preferidas. Obrigado.
sábado, 1 de julho de 2006
Lou Rhodes no Cinema da Batalha
Quando, num tema inédito, Lou Rhodes canta “the more I live the less I know of this world” está a generalizar demasiado. Ela pode saber cada vez menos de outras coisas, mas no que toca á música, quanto mais ela vive, mais sabe sobre isso. O concerto de Quinta Feira, no Cinema da Batalha do Porto é a prova dos nove disso.
Ela, que começou com os Lamb há uns longínquos 10 anos (Um álbum homónimo, muito electrónico, de arranjos maximalistas, um tipo de música inédito…) está agora de regresso, em nome próprio, e isto pode trazer complicações.
Lou Rhodes poderia ter muitos problemas ao surgir a solo com um disco como “Beloved One”. Um disco acústico, minimalista, intimista e (muitíssimo) perfeccionista. Ora, com excepção da última qualidade, isto é completamente dissidente dos Lamb. Na sua estreia sem Andy Barlow, Lou abandona os teclados, a electrónica, as coisinhas pequenas, os extensos solos instrumentais… e envereda por um estilo próprio. Na medida em que o que a cantora pretendia era um disco onde não houvesse nada que não precisasse de lá estar, foi muitíssimo bem sucedida. Aliás, sinceramente, penso que foi a decisão correcta. Criando um novo conceito musical, Lou Rhodes impede que a sua música seja vista como Lamb sem Andy Barlow, e sim como simplesmente Lou Rhodes (por acaso tem um nome bonito).
Há alguma coisa de Lamb nestas canções, talvez seja só a voz, talvez outras coisas mais tenham subsistido, mas a essência, o sumo, é completamente inédito. E este concerto, a par com o da Aula Magna do dia anterior vem precisamente confirmar o nascimento de um novo tipo de música.
Surgindo em palco acompanhada com cinco músicos (guitarra acústica, bateria, background vocals, violino e um contrabaixo, tocado por Jon Thorne, trazido dos velhos tempos dos Lamb) Lou começa com um “No Re-Run” ainda a medir o lugar onde está (“It´s a quite beautiful place you´ve got here” começou por dizer) e avança sem medo para “Treat Her Gently”. Acompanhando-se a si mesma na guitarra, vai invadindo a sala com a sua aura angelical, na intimidade revelada de “Fortress” ou na energia de “In´Lakesh”.
Um dos momentos mais Deus-Todo-Poderoso do concerto surge agora, como “Each Moment New”, a voz a elevar-se aos céus, a bateria agressiva, o contrabaixo imparável, e um público a cantar em uníssono. Segue-se “Beloved One”, e um inédito “All We Are”. As irradiações do paraíso continuam em “Save Me”, no luxurioso “Tremble”, em “To Survive” finalmente no desespero de “Why”.
A primeira retirada da banda do palco é seguida de aplausos, assobios e pés a bater no chão, e do inevitável regresso.
Depois da promessa de um segundo disco, feita com “Bloom”, outro inédito, chega um momento indescritível. Com uma guitarra a fazer as vezes do piano, Lou apresenta uma versão totalmente transmutada (Muito mais melancólica, sem nunca perder a energia) de “Gabriel”, afinal o maior hit dos Lamb (Do álbum “What Sound”). Não havia uma única pessoa sentada, todos de pé, e a bater palmas, marcando o ritmo. Até a cantora parecia emocionada, quando terminou.
Saem de novo, para voltarem apenas três (Lou, Jon Thorne e o violinista) para um versão de “Lullaby”, também dos Lamb (Mas do álbum “Fear Of Fours”).
Penso que de facto a ex-vocalista dos Lamb fez o melhor ao iniciar uma nova sonoridade. Não só nos mostra o grande que é, como mostra que na música alternativa também há espaço para o acústico (Antony and the Johnsons e Sophie Barker já o tinham mostrado também). E grande não quer dizer só que é alta. Quer dizer que canta bem, que sabe dar um concerto, que é uma grande compositora, que é simpática e comunicativa, que é humilde e que é perspicaz.
Agora faltam mais concertos. E mais discos.
sábado, 24 de junho de 2006
Black
Pearl Jam
Sheets of empty canvas, untouched sheets of clay
Were laid spread out before me as her body once did.
All five horizons revolved around her soul
As the earth to the sun
Now the air I tasted and breathed has taken a turn
Ooh, and all I taught her was everything
Ooh, I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands chafe beneath the clouds
Of what was everything.
Oh, the pictures have all been washed in black, tattooed everything...
I take a walk outside
I'm surrounded by some kids at play
I can feel their laughter, so why do I sear?
Oh, and twisted thoughts that spin round my head
I'm spinning, oh, I'm spinning
How quick the sun can drop away
And now my bitter hands cradle broken glass
Of what was everything?
All the pictures have all been washed in black, tattooed everything...
All the love gone bad turned my world to black
Tattooed all I see, all that I am, all I'll be...
I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a sun in somebody else's sky, but why
Why, why can't it be, why can't it be mine????
sábado, 17 de junho de 2006
Retratos do Românico Rural

Estive a fazer um trabalho para História da Cultura das Artes sobre a igreja romância de São Pedro de Rates, e acabei por me fascinar por ela. Linda, não é???? Fica aí uma vista da abside e dos absidíolos e o tímpano do pórtico principal.
Além disto, ainda estive a ouvir um disco de que gosto bastante, "Canto" da Mísia, onde está este poema da Marquesa de Alorna, adaptado por Vasco Graça Moura, que me parece bastante... ligado... por alguma razão, ao ambiente medieval~...
CANÇÃO DE ALCIPE
(Marquesa de Lorna adp. Vasco Graça Moura)
(na foto, Vasco Graça Moura e a Mísia)Cantiga
Sozinha no bosque fui
Com meus tristes pensamentos,
Lá calei minhas saudades,
E fiz trégua aos meus tormentos.
Olhei então para a lua
Que as sombras já rasgava,
E no tremular das águas
Seus raios soltava
Seus raios soltava.
Nessa torrente
da despedida
vejo assustada
a minha vida.
Do peito as dores
iam cessar,
voa a tristeza
torna o meu penar.
Do peito as dores
iam cessar,
tornam tristezas
a voar.
O Conto Para Adultos

Seguindo a linha da crítica destrutiva da última mensagem, hoje tenho que manifestar o meu desgrado pelo conto infantil da Pequena Sereia.
A sério que não entendo onde reside a lógica de lhe chamar um conto infantil. Aquilo é um conto para adultos, e só para aqueles que já sabem distinguir muito bem o certo do errado.
Vejamos:
A história, em traços gerais fala sobre uma princesa sereia que vive no fundo do mar com as irmãs, uma espécie de clã, e, um dia, vai a superficie, vê um barco e apaixona-se por um dos marinheiros. Lá está: que raio de pessoa decente é que logo que sai de um lugar para outro diferente se apaixona pelo primeiro que lhe aparece á frente???
O problema reside no facto de ela ser uma sereia, e ele humano, por isso, ela vai á Medusa, uma espécie de bruxa que lhe faz uma poção para ela ficar com pernas, em troca da sua linda voz. Cá está outro erro: até que ponto é que isto promove o amor verdadeiro? Não é suposto a pessoa que nos ama, amar-nos tal como somos? E mais ainda, até onde é educativo incentivar as crianças a recorrer á prática da bruxaria para atingirem os fins?
Continuando, ela vai ter com ele ao barco e ele apaixona-se por ela, assim, só por vê-la. E isto é outro erro: não é um pouco apelativo á superficialidade que ele se apaixone por ela só pelo físico, sem falar com ela? Quer dizer, o corpo é tudo o que interessa. Ele nem quis saber se a Ariel (?) era burra, se era mal educada, se dizia palavrões, se gostava do Ricky Martin... enfim...
Ora, para apimentar um pouco a história, a Medusa transforma-se numa pessoa e apaixona-se pelo princípe tambem. E faz um feitiço para que quando ele a ouvir cantar com a voz da sereia, se apaixone. Mais erros: de novo a incitação ao amor superficial, de novo um incentivo á prática de bruxaria que deve ser ilegal, e ainda por cima, esta parte inaltece a utilização da voz alheia para fins ilícitos! Um escândalo!
Ele apaixona-se, e isto é mau, porque promove a bigamia, e ela, para defender o que supostamente lhe pertence, tenta matar a Medusa. Outro erro: os duelos são proíbidos por lei, a última vez que verifiquei o Diário da República!
Ainda assim, acaba por ser o próprio principe a matar a Medusa. Mais um erro, e este crasso, promove o homicídio! Uma vergonha, sem comentários.
Além de tudo isto, devo referir que acho doentio que nos contos infantis se dê um incentivo ás relações intraespecíficas (entre individuos de espécies diferentes).
Ou seja: "A Pequena Sereia" é uma história profundamente deseducativa, que devia ser transmitida com uma bolinha vermelha no cantinho do ecrã, aliás, duas. A sério, é um caso perdido, não tem ponta por onde se lhe pegue!!!!
Hoje por fim, relembro Sophia de Mello Breyner Andresen
AS ROSAS/ PROMESSA

Quando á noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendessa entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes
Todo o fulgor das tardes luminosas
O vento bailador das primaveras
A doçura amarga dos poentes
E a exaltação de todas as esperas
Quando á noite desfolho e trinco as rosas
és tu a primavera que eu esperava
A vida multiplicada e brilhante
Em que é pleno e perfeito cada instante
terça-feira, 23 de maio de 2006
A Memória Segundo Faulkner
Retorno

FADO DO RETORNO
(Lídia Jorge)
Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Voltaste já voltaste
Já entras como sempre
Abrandas os teus passos
E paras no tapete
Então que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa
Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Voltaste, já voltei
Também cheia de pressa
De dar-te na parede
O beijo que me peças
Então que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Tocados pela graça
Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Amor, o que será
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
A escolha do mais puro?
Já fuma nosso fumo
Já sobra a nossa manta
Já vem o nosso sono
Fechar-nos a garganta
E então que os círios olhem
E assim a casa seja
A árvore de Outono
Coberta de cerejas
Foto: Henri Cartier Bresson: "Charlotte"
Barbies, Nenucos e Afins
sábado, 20 de maio de 2006
António Lobo Antunes: Eu Hei-de Amar Uma Pedra
"Doente de 82 anos, sexo feminino, idade aparente coincidindoi com a real, Orientada no tempo e no espaço, alo e heteropsiquicamente, memória conservada de acordo com os parâmetros etários, contacto adequado, sintónico embora retraído, com dificuldade em verbalizar o motivo da consulta"
é a sua história que faz "Eu Hei-de Amar Uma Pedra".
A mulher, cujo nome nunca sabemos, conhece o homem, de quem também não conheceremos o nome, quando ambos são ainda jovens. Posteriormente, ela é internada num sanatório em Coimbra. Ele escreve-lhe, ela responde-lhe, mas as cartas não são enviadas. Ele deduz que ela morrera.
Casa. Tem duas filhas. Vive em Lisboa, com a família, quando reencontra a mulher, que saíra do Sanatório, e era agora costureira. Iniciam uma bizarra relação.
Durante as férias de Verão que o homem passa em Tavira, Algarve, a mulher está sentada dois toldos adiante, tapada com um interminável crochet. Olham ocasionalmente um para o outro. Ás quartas feiras encontram-se numa pensão rasca na Graça, e, na Primavera, encontram-se por vezes num hotel em Sintra, de onde observam as acácias em flor.
Depois, o homem morre, e a mulher decide consultar um psiquiatra, dado o estado de perfeita melancolia em que mergulha.
É o tipo de história bonita que nunca pensei que António Lobo Antunes fosse escrever. Não me interpretem mal, a dureza e crueza e realismo que são a imagem de marca deste escritor continuam lá, mas agora inseridos numa comovente história de amor.
Analisando as situações através de fotografias, consultas (no psiquiatra), visitas e narrativas, vai modelando os seus personagens, cada um com o seu lado bom, e com o seu lado negro.
A personagem da mulher da praia, é introduzida de uma forma tão discreta que, mais tarde, quando percebemos que se trata da protagonista, é difícil acreditar.
O último capítulo, e o único em que a narradora é essa mulher, é de uma beleza tocante, poética mesmo, e única no contexto dos romances de António Lobo Antunes.
Não é um livro perfeito apenas por perder demasiado tempo com a vida do psiquiatra, que, para o enredo, não interessa rigorosamente nada, mas essa é uma marca a que Lobo Antunes há muito nos habituou, e, devo dizer, não é de todo mau, uma vez que descentraliza o romance, e torna-o mais vívido, mais real, por explorar também a vida de uma pessoa que não está directamente envolvida na intriga principal.
É bonito ver uma relação que durou sessenta anos, que vivia destas pessoas se olharem as tardes que passavam na praia nas férias, e as tardes de quarta-feira numa pensão perdida na capital. Quantos de nós poderiam ter uma relação assim, tão forte, tão estoica? Era verdade que, com tão pouco tempo juntos, acabavam por disfrutar apenas do bom lado da relação, uma vez que não tinham sequer tempo para discutir; mas se virmos bem, esta mulher deu a sua vida toda a este homem, não casou com outro, nunca aceitou dinheiro deste "porque o amava", ou seja, arriscou tudo por ele.
E, sinceramente, não resisto em transcrever apenas um pouquinho do final, como se um poema fosse, porque se não é, poderia ser...
"Se calhar Tavira já não existe. Nem Sintra. Há quanto tempo isto foi? Terei inventado tudo? Sonhado tudo? Demoro na resposta, mas penso que não..."
(António Lobo Antunes, "Eu Hei-de Amar Uma Pedra", Última Narrativa, 2004)
segunda-feira, 8 de maio de 2006
Camel & Coca Cola
Nome: jKAKSDJEJIFJIIDJOEIJRIOWJFJKLÇSLKKSWERTHGTI (Se não conhecem o nome, deviam)
Nasceu... em Braga, num hospital que tem uma Igreja Barroca algures quando os Massive Attack preparavam o primeiro álbum
Signo: Peixes e por acaso sei nadar, ainda que não utilize tal conhecimento no dia-a-dia
Nickname: Molko
Altura: a última vez que me medi tinha 1,77
Prato Favorito: bife com batatas fritas... nisso não sou nada original... ah!!! Também gosto de Lasanha e essas coisas todas que levem massa e queijo...
Cor Favorita: vou ter que responder preto, apesar da minha mãe lutar afincadamente contra isso
Quando era pequeno, lembra-se de... partir o queixo
Cidade onde gostaria de viver... Tavira... mantendo o Porto, claro
Lojas onde gastar dinheiro... (Pergunta estúpida.) Fnac, Levis, a Loja de Serralves
Acessórios que usa todos os dias: as palavras
Um dos prazeres da vida é... pessoal. Sei lá que amigo meu (Ou pior, familiar.) vai ler isto?
Se pudesse ter um superpoder seria... desaparecer por umas horas
A tarefa doméstica que mais detesto... uma por uma, todas elas.
Época preferida do ano... Natal
Palavras/ frases que uso muitas vezes... "Não acho normal", "Ó minha senhora que seca", "Que aparato", "Que postura", "Que situação", "Vai por mim...", "Isso é falso!"
O seu interesse mais recente é... um certo blog
Influencias musicais... é melhor ser sitético: The Gift, Placebo, Muse
Istrumento que aprendeu a tocar: piano
Piores hábitos: andar muito depressa, não arrumar o quarto, dizer coisas que não fazem ninguém mais feliz, nem acrescentam nada, mas fazem alguém sentir-se mal...
Objectivo para o próximo ano: andar mais devagar, arrumar o quarto e deixar de dizer coisas que não fazem ninguém mais feliz, nem acrescentam nada, mas fazem alguém sentir-se mal...
No futuro quer: conseguir achar que estas perguntas fazem um pouco de sentido...
O seu ídolo é... sei lá... depende da área. A Sónia Tavares, o Brian Molko, o Mathhew Bellamy... mudando de registo, a Helena Almeida, o Siza Vieira, o Lloyd Wright... sei lá... já sei: a minha stora de História da Cultura e da Arte. Definitivamente
Lar Doce Lar... é o Porto.
Tatoos... (Que estupidez.) já que ainda não sou maior de idade e o meu pai é conservador, estou á espera dos 18 para fazer uma no alto das costas
Nos pés... All Stars. Vou trocando a cor, para não ser sempre igual...
Cabelo: Tenho uma gedelha indomável, uns caracóis que não compreendo, nem eu, nem nenhum cabeleireiro que se aproxime de mim
Como se Define: com palavras, certamente... talvez com músicas...
Rapaz Ideal: Não sou, não fui, e duvido que alguma vez vá ser. Aliás, tenho a certeza...
Videoclips: Os meus eleitos têm mesmo que ser "11:33" dos The Gift, "The Bitter End" dos Placebo e "Inertia Creeps" dos Massive Attack
Série de TV: Donas de Casa Desesperadas, Sete Palmos de Terra, Senhora Prseidente, Roswell, Três Irmãs, CSI
Filmes: curtas, filmes de terror, filmes daqueles que toda a gente na parvónia me pede para repetir o nome e quando eu introduzo o assunto, eles comentam
"_Coisas demasiado intelectuais para serem boas"
e eu penso
"_Fode-te."
adiante...
Detesta: crianças, animais, hip hop e computadores
Irmãos: se não tivesse uma, não estava a escrever esta treta
O Amor é... boa pergunta. Aposto que a Sarah McLachlan sabe...
Lema de Vida: Para a frente que atrás vem gente... dá jeito pensar assim quando se está a fugir de um assaltante...
Timidez: tenho bastante. Se quiserem comprar, o meu e-mail está no profile, e não paga impostos
Olhos: dois
Perfume: Calvin Klein Crave, uma vez que já usava o Boss In Motion há bastante tempo...
Hobby: escrever coisas em blogs...
Um Defeito: obstinado
Animais Domésticos: um pesadelo
Parte do corpo: é melhor não entrar por aí... bem, talvez as clavículas...
Viagem de Sonho: No outro dia falaram-me das Barbados, mas eu continuo a querer o Japão
Uma Virtude: estoicismo
Camel e Coca Cola. Uma receita para o prazer e não para a felicidade.
Não para o paraíso.
Dizia Sade:
PARADISE
(Sade Adu/ Sade Adu- R St John)
I'd wash the sand off the shore
Give you the world if it was mine
Blow you right to my door
Feels fine
Feels like
You're mine
Feels right
So fine
I'm Yours
You're mine
Like Paradise
I'd give the world if it was mine
Feels fine
Feels like
You're mine
I'm Yours
So fine
Like Paradise
I'd wash the sand off the shore
Give you the world if it was mine
Blow you right to my door
Feels fine
Feels like
You're mine
Feels right
So fine
I'm Yours
You're mine
Like Paradise
Oooh what a life
Oooh what a life
Oooh what a life
Oooh what a life
I wanna share my life
Wanna share my life with you
Wanna share my life
I wanna share my life
Wanna share my life with you
Wanna share my life
Oooh what a life
Like paradise























