sábado, 9 de dezembro de 2006

A Toada dos Aguaceiros

Caem aguaceiros
deste céu pesado
Que são mensageiros
dum vento salgado
VIVIANE, "Toada dos Aguceiros" (José Medeiros)
Não me entristece a chuva a bater nas vidraças das janelas. Não me apoquenta o meu nariz vermelho vivo a ameaçar caír tipo Michael Jackson. Não me chateia ter que usar muita roupa para andar na rua. Não tenho medo da trovoada quando ela cai. Não me preocupa a tosse constante. Até gosto de ficar de manhã meio acordado meio a dormir a ouvir o barulho da chuva contra os vidros (Principalmente se os estores taparem a luz e tiver o meu MP3 com a canção Come Away With Me da Norah Jones em repeat.). O nariz é uma parte da cara das pessoas em que raramente reparo (Só no caso de ser ESCANDALOSAMENTE invulgar.). Até gosto que esteja frio porque gosto muito de casacos e é da maneira que já os posso usar. E adoro trovoada. A tosse é como o vento, vem e vai. Agora o que eu não suporto é andar na rua quando chove. E não é porque não goste da rua quando chove. O que me leva á completa loucura são as pessoas. A sério. São tão enervantes. Apetece-me utilizar as técnicas da tortura medieval que se usavam na Inquisição naquelas pessoas irritantes que, não lhes chega ter quarda-chuva como sempre que passam debaixo de um toldo ou de um coberto de uma loja têm que passar lá por baixo. Quer dizer, eles não podem andar á chuva e o guarda-chuva também não? Que merda é essa? Eu devo referir que nunca possuí um guarda chuva por mais do que um dia, pelo que a maior parte das vezes, ando na rua com o capuz do meu casaco, e a meter-me debaixo dos toldos e cobertos das lojas. Isto quando posso. Porque graças a esses anormais, por vezes, eles, com guarda chuva, ficam debaixo dos toldos e eu mantenho-me á chuva. Ainda por cima há aqueles que levam isto ao cúmulo de se deixarem a conversar uns com os outros debiaxo dos toldos, e com guarda-chuvas. Nem passam, nem deixam passar. O garrote era um instrumento da Inquisição. Consistia num cinto com um parafuso na parte interior que era apertado um volta do pescoço das vítimas, até que asfixiassem. Eu que tivesse um...
Aquelas pessoas que passam de carro em passadeiras sem semáforo e, apesar de verem pessoas ali, especadas, debaixo da chuva a quererem atravessar, não têm a gentileza de parar. Para esses reservava um método que consistia em pendurar as pessoas ao tecto pelos pés e serrás-las a partir do meio das pernas. Estando atadas de pernas para o ar, não desmaiavam e por vezes só morriam quando já estavam serradas pelo peito. Era o que esta gente merecia... Está ali um gajo á chuva e de pé, e eles, recolhidos e sentados, não podem parar, que estão com pressa... que crueldade.
Os transportes públicos, que mais do que nunca ficam cheios. As pessoas já os usam para irem do mercado do Bolhão á Trindade (Quem é do Porto sabe que a distância é mínima.), mas, com a chuva, ficam ainda mais preguiçosas e metem-se dentro dos autocarros e do metro que é uma coisa desgraçada. Por sorte, vivendo na Baixa, estou perto da minha escola, de quase todas as lojas que posso precisar... o problema é quando preciso de ir a casa da Catarina M, que vive em Francos, e tenho que ir de Metro, ou pior, quando tenho que ir a Serralves e, como nem Metro há, tenho que ir de autocarro. Há umas semanas fui lá, e, no caminho de regresso á Baixa, vinha a dar letra com a Nita e, ás tantas, no seio de uma brincadeira, eu pus a mão na perna dela. Ok. Má ideia. Uma senhora de cerca de oitenta anos desata a desfiar o terço e nós que a ouvíssemos.
Outra coisa. A cidade fica, em geral, sem esplanadas. E isso é do pior. Espero um dia vir a ser escritor, e, se há sítio onde gosto de escrever é num café, e, se fôr numa esplanada, tanto melhor. Com a chuva, lá se vão elas, e, que remédio, escrevo no interior dos cafés, ou em casa.
Também detesto ter que andar a saltitar nos passeios porque estão cheios de poças de água. Educação Física não é o meu forte, e saltar não é um hobbie.
Tenho, por agora, a ideia do forte romantismo na chuva. Isso não passe.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

The Bitter End


(Brian Molko; Stefan Oldal; Steve Hewitt)

Since we're feeling so anaesthetized
In our comfort zone
Reminds me of the second time
That I followed you home
We're running out of alibis
On the second of May
Reminds me of the summer time
On this winters day

See you at the bitter end
See you at the bitter end

Every step we take that's synchronized
Every broken bone
Reminds me of the second time
That I followed you home
You shower me with lullabies
As you're walking away
Reminds me that it's killing time
On this fateful day

See you at the bitter end
See you at the bitter end

See you at the bitter end
See you at the bitter end

From the time we intercepted
Feels alot like suicide
Slow and sad, going sadder
Arise a sitting mine
(See you at the bitter end)
I love to see you run around
And i can see you now
Running to me
Arms wide out
(See you at the bitter end)
Reach inside
Come on just gotta reach inside
Heard your cry
Six months time
Six months time
Prepare the end
(See you at the bitter end)



all of you... I´ll see you at the bitter end

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

The Gift: Fácil de Entender

OUTRA LOIÇA

Há cerca de uma semana que me encontro no mais pleno extase após o lançamento de "Fácil de Entender" , o primeiro registo ao vivo dos The Gift de Sónia Tavares.
É um livro- DVD- Duplo CD que tem tudo aquilo que um fã poderia desejar. Além dos temas ao vivo, uma selecção irrepreensível, duas músicas novas (645; Nice and Sweet) e duas versões (a versão de estúdio de "Fácil de Entender" e uma versão de "Índios" dos Legião Urbana)
Não posso falar dos Gift sem ser afectado por uma subjectividade óbvia. Poderia escrever milhentas palavras sobre ele, e não ia acertar. Não é possível. Posso tentar.



Acho que os Gift são acima de tudo música e músicas. Boa música e boas músicas. Os Gift são a simplicidade de "Ok! Do You Want Something Simple?" e ao mesmo tempo a complexidade de "Cube", são a festa de "Driving You Slow" e o intimismo de "Me Myself and I", são o dramatismo de "Truth" e a leveza de "Clown", são a suavidade de "The Difference Between Us" e a agressividade de "11:33".
Mas ainda mais do que as canções, este DVD permite ver aquilo que há muito tempo já se tinha percebido: por muito que os discos de estúdio sejam perfeitos, ao vivo a força consegue ser superior. Há alturas (Me Myself and I, 11:33, Cube, My Lovely Mirror) em que até parece ingrato ter um momento tão perfeito num DVD que parece retirar o ênfase á unicidade do momento. Mas por outro lado, essa perfeicção merece estar registada e ser vista vezes e vezes sem conta.


Quem não conhecia os The Gift tem neste uma oportunidade de se redimir e quem não gostava tem uma oportunidade de mudar de opinião.
Não é preciso que o álbum tenha vindo parar directamente ao segundo lugar do top, nem sequer o prémio da MTV para provar que os Gift são o que são: a melhor banda portuguesa e uma das mais sólidas também. Nisto tudo, a única coisa que não é é como é que os Gift ainda não atingiram a plenitude da internacionalização. A vida é um puta e discos bons, são outra loiça.


segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Quelqu´un M´a Dit









(Carla Bruni)

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux
Pourtant quelqu'un m'a dit...


Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors

On me dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Pourtant quelqu'un m'a dit ...

Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit...

Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,
Pourtant quelqu'un m'a dit ...

(os meus conhecimentos de francês reduzem-se praticamente á bela letra desta bela canção desta bela senhora...)


IMAGEM: MARCEL DUCHAMP- O Rei e a Rainha

Blow It All Away

(Autor: Sia Furler; Blair Mackishan; Felix Howard; Kevin Armstrong)

(foto: Alfred Stieglitz)

Without a sound ever heard
Without a lesson I have learned
You are foolish
And diluted
Too many lies have you burned
Where there’s eyes to be found
This seems life’s underground
But even if you had it all
You would find
I could never let you stay
'Cause you blow it all away
You blow it al away
Blow it all away
If you goI will stall
Yes I see it
Yes I feel it
You have no oppressions at all
But if life is truly devoured
I'll strip your bare 'till the truth comes out
But even if you had it all
You would find
You blow it all
You blow it all away
Blow it all away
Blow it all, blow it all, blow it all... away
Forever is your mind to be naive
Remember it will bring us to our years
You blow it all away
But even if you had it all

You would find
You blow it all
You blow it all away
Blow it all away
Blow it all, blow it all, blow it all
Blow it all, blow it all, blow it all
Blow it all away

Blow it all away
Blow it all away
You blow it all away

Circles

(Sarah McLachlan)


There are two of us talking in circles
And one of us who wants to leave
In a world created for only us
An empty cage that has no key
Dont you know were working with flesh and blood
Carving out of jealousy
Crawling into each other its smothering
Every little part of me

What kind of love is this that keeps me
Hanging on
Despite everything its doing to me
What is this love that keeps me coming
Back for more
When it will only end in misery

I know too many people unhappy
In a life from which theyd love to flee
Watching others get everything offered
They're wanton for discovery
Oh my brother my sister my mother
You're loosing your identity
Can't you see that its you in the window
Shining with intensity

What kind of love is this that keeps me
Hanging on
Despite everything its doing to me
What is this love that keeps me coming
Back for more
When it will only end in misery...



da banda sonora da 3º season de "Sete Palmos de Terra

Imagem: Henri Matisse- "A Dança" (1912)

Muse: Black Holes and Revelations

OS DIAS DO FIM


Bem longe de um mundo onde a Floribella vê a vida magicamente resolvida por fadas, sapatilhas, e árvores que não só são a sua mãe como lhe fazem as vontades todas; e onde dos Morangos com Açúcar saem bandas em catadupa, mas com muito poucas qualidades, os Muse lançam um disco que prima por viver neste mundo e não num outro completamente idealizado.
Não escondo a minha longa carreira como fã dos Muse, que poderia facilmente influenciar a minha opinião sobre o quarto álbum de originais da banda britânica. Mas a verdade indiscutível é que “Black Holes and Revelations”, que não tem medo de parecer uma profecia dos últimos dias na Terra, tem qualquer coisa de especial.

São onze temas onde análises sociais/políticas e paranóias futuristas desfilam pela voz de Matthew Bellamy, acompanhadas com guitarras, baixo, bateria, piano e sintetizadores, além dos arranjos de cordas e sopros.
O melhor dos Muse é que evoluem sempre, e aqui a evolução é mais evidente do que nunca. A introdução de ritmos muito demarcados e de uma componente electrónica considerável criam uma atmosfera própria que não se conhecia nos álbuns anteriores (Ainda que em “Absolution” já existissem alguns conceitos confirmados agora, parece que “Assassin” não existiria sem que primeiro existisse “Stokholm Syndrome”.) e também há uma exploração mais alargada dos vários registos da voz de Matthew Bellamy.
Como em qualquer bom disco, não se desgosta de nenhuma, mas há aquelas de que se começa a adoecer. É o caso de “Hoodoo” com um ambiente sonhador, o dramatismo de “City Of Delusion”, “Exo Politics” em ambiente de hospital psiquiátrico, a violência explosiva de guitarras e sintetizadores em “Assassin”, “Supermassive Black Hole” com a parte electrónica vivendo a paredes-meias com um registo sussurrado da voz, e principalmente a perfeição aparentemente inatingível de “Map Of The Problematique”.
As influências são mais que evidentes, Depeche Mode, The Cure, David Bowie, Jimmy Hendrix e ainda Ruffus Wainwright (“Starlight” ou “Soldier´s Poem” não deixam espaço para dúvidas.), e ainda se encontram pontos comuns com os Placebo.
No fim, entre buracos negros e revelações, fica a certeza absoluta de que estamos perante uma GRA NDE banda, e fica a boa notícia de que os Muse visitam a nossa capital a 26 de Outubro de 2006. A má notícia é que ainda falta muito.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Helena Almeida


Seduzir



Dentro de Mim



Tela Habitada



Intus

terça-feira, 19 de setembro de 2006

A Frase






"_You see, baby? This is not just playing with toys!"
"_No, it is better... It´s playing with people!!"




John Cusack e Catherine Keener em
"QUERES SER JOHN MALKOVICH"
realizado por SPIKE JONZE e escrito por CHARLIE KAUFMAN
Imagem: FRANCIS PICABIA "Uma Mulher Feliz"

sábado, 19 de agosto de 2006

10 Discos Para o Verão

VIVIANE “Amores Imperfeitos” (2005)

O primeiro álbum a solo da ex-vocalista dos Entre Aspas (E dos Camaleão Azul e dos Linha da Frente.) produzido pela própria e por Tó Viegas, também ele resgatado dos tempos idos da banda de “Uma Pequena Flor”. Ao longo de 11 canções vamos encontrando autores como Hugo Costa, José Medeiros, Fernando Cabrita, Armindo Marques Araújo, Rui Freire, Nelson Cascais ou Carlos Silva, além da própria Viviane. É fácil perceber as raízes algarvias (!!!) da cantora, pela frescura, luminosidade e leveza das canções. Trunfos como Fado Mambo, Coração Despido, Alma Danada, Toada dos Aguaceiros, Amores (Im)Perfeitos (dueto com José Medeiros), mas principalmente A Vida Não Chega são indispensáveis ao calor do Sol e á proximidade do mar…
Veredicto: 16/20


VANESSA CARLTON “Be Not Nobody” (2003)

Depois de um primeiro disco muito mal sucedido, publicado aos doze anos, Vanessa Carlton fez sucesso com o seu álbum “Be Not Nobody” que dada a qualidade excessiva chegou mesmo aos Grammy Awards de 2003.
A pianista/ cantora é a autora da totalidade das canções (Com excepção feita para a cover de Paint It Black dos Rolling Stones.), canções simples e sofisticadas, essencialmente acústicas, dotadas de um ambiente etéreo ideal para ir ao som do calor. Baladas maioritariamente, claro, desde Sway a Rinse e aos incontornáveis Unsung, Prince e Paradise. A genialidade dos arranjos (Escritos em parceria com o maestro/ produtor executivo/ A&R Ron Fair.) ajuda a abrilhantar a simplicidade sóbria das canções. Excelente, mesmo que (Como eu.) não se suporte ouvir A Thousand Miles, o single de avanço.
Veredicto: 16/20



CORINNE BAILEY RAY “Corinne Bailey Ray” (2006)

“A nova Billie Holliday” e tal… pode até a voz ter semelhanças, mas musicalmente, esta cantora de Leads está a milhas do jazz de Billie Holliday. Quem ainda não ouviu “Put Your Records On” de certeza que não permanecerá nesse estado durante muito mais tempo. A cantora negra de música soul, voz suave e dona de uma inocência mais ou menos evidente estreou-se com um álbum homónimo que caiu imediatamente nas graças da crítica, e que até já começou a gerar burburinho para os Grammy de 2007. Canções simplórias e minimalistas, á base de voz, guitarra, bateria, baixo, teclas e sopros, ideal para aliviar corações em crise por uma ou outra razão.
Veredicto: 14/20



SADE “Lovers Live” (2004)

Em jeito de retrospectiva, esta cantora da Somália apresenta ao longo de um concerto os temas mais marcantes da sua carreira, que já vai longa desde a estreia com “Diamond Life”. Com uma voz dotada de um charme irresistível, e canções muito sensuais, Sade faz desfilar consigo um ambiente etéreo, sonhador e leve. “Paradise”, “Jezebel”, “No Ordinary Love”, “Cherish The Day” e “Somebody Already Broke My Heart” fazem parte do alinhamento, tal como o inevitável “Smooth Operator”. Imperdível. Mesmo.
Veredicto: 17/20



NORAH JONES “Come Away With Me” (2002)

A filha de Ravi Shankar dispensa apresentações, digo eu, principalmente depois de ter arrecadado oito Grammys em 2003, incluindo as categorias mais importantes (Álbum do Ano, Disco do Ano, Canção do Ano, Álbum Pop do Ano, Artista Revelação do Ano). O disco em questão “Come Away With Me” era o primeiro e melhor de dois álbuns que a cantora/ pianista já publicou até agora.
Canções de sonoridade acústica e intimista, quase como que gravadas ao vivo, da autoria de Jesse Harris, Lee Alexander, e da própria Norah Jones, entre outros, além de covers muito interessantes de Turn Me On (Não, não é a do Kevin Lyttle, é de JD Loudermilk) e The Nearness Of You.
Para ouvir debaixo do calor abrasador do sol ou da lua, Cold Cold Heart (cover), Feelin The Same Way, I´ve Got To See You Again, Lonestar, Come Away With Me ou o badaladíssimo Don´t Know Why.
Veredicto: 16/20



DIANA KRALL “The Look Of Love” (2001)

Também Diana Krall dispensa apresentações. Igualmente galardoada nos Grammy Awards constantemente, Diana começou a cantar há muito tempo, exactamente ao mesmo tempo que a sua música começou a ser questionada (Os fãs do Pop dizem que ela canta Jazz, os fãs do Jazz dizem que ela canta Pop, e as pessoas como eu afirmam que ela canta Jazz, ainda que com influencias de outros tipos de música.). “The Look Of Love” viria a ser o último álbum de estúdio a não conter nenhum original (O sucessor “The Girl In The Other Room” conta com canções da autoria de Diana e do marido, Elvis Costello, a par com as versões de Joni Mitchell, Mose Allison, Elvis Costello e ainda o fantástico Love Me Like a Man de Bonnie Raitt.). Aqui se cantam coisas doces como S´Wonderful, Besame Mucho, Maybe You´ll Be There e como o fantástico The Look Of Love, tudo engrandecido por uma orquestra dirigida por Claus Ogerman. Para ouvir repetidamente numa tarde de Sol, e depois, á noite, complementar com “Diana Krall Live In Paris”, onde figuram algumas destas canções, mas ao vivo na cidade da luz.
Veredicto: 17/20


MÍSIA “Drama Box” (2005)

Ao oitavo álbum, Mísia revolta-se. Assume a interpretação de Boleros e Tangos a conviver com os Fados, produzindo sozinha um perfeito álbum de World Music. Neste disco vivem pessoas com dramas, com tristezas e com psicoses, mas todas conscientes disso. Neste disco vivem poemas de Vasco Graça Moura, José Luís Peixoto, Rosa Lobato de Faria, Paulo José Miranda, José Saramago, Natália Correia e Luís Macedo, existem músicas de Armando Manzanero, Astor Piazzola e de muitos outros. Neste disco vivem ainda as vozes de Maria de Medeiros, Fanny Ardant, Ute Lemper, Cármen Maura e Miranda Richardson, as drama queens que interpretam em várias línguas um poema de Vasco Graça Moura que inicia o reportório dos fados do disco, musicado por José Fontes Rocha- Fogo Preso, Feu de Bengale, Firwerk, Fuego Preso e Fireworks, respectivamente. Para ouvir no sol-pôr, principalmente se este coincidir com “Coração Agulha” de Paulo José Miranda e Mário Pacheco.
Veredicto: 20/20


SARAH McLACHLAN “Surfacing” (1997)

Não para um dia de verão, mas para uma noite. Sarah McLachlan é um turbilhão de talento, ela toca vários instrumentos, compõe, escreve e arranja, dá concertos memoráveis ao vivo… enfim. “Surfacing”, o quarto disco de originais desta cantora canadiana foi um grande sucesso, além de ter entrado a matar pelos Grammys.
Sarah conta com uma banda á sua altura em canções muito elaboradas, sem fugirem da simplicidade rock, a par com canções minimalistas em que se acompanha a si mesma no piano, o caso de Do What You Have To Do ou do famosíssimo Angel (Momento alto do filme A Cidade dos Anjos.). Ainda importante é ouvir Building a Mystery, no seu perfeccionismo, Full Of Grace como uma narrativa e ainda o fantástico Black and White, onde Sarah faz praticamente dueto instrumental com Ashwin Sood, baterista e também o seu marido até á data.
Veredicto: 18/20


JEWEL “Spirit” (1998)

Tem oito anos o segundo álbum de Jewel, o primeiro onde a cantora/ guitarrista do Alasca se faz acompanhar por uma banda (Em vez de gravar em directo com a guitarra como na estreia “Pieces Of You”.), mas qualquer apreciador de música, não deixa de gostar dela por ter mais ou menos tempo. “Spirit” é feito quase como que a apalpar terreno, no que diz respeito a explorar instrumentos como o piano, o baixo, a guitarra eléctrica ou a bateria, tudo isto com a ajuda do produtor Patrick Leonard (Que produziu “Ray Of Light” de Madonna, o (Segundo dizem.) melhor disco da rainha da pop.). A sonoridade parece realmente remeter-nos ao mar, desde Deep Water a Barcelona, Do You ou Life Uncommon, mas principalmente Down So Long.
Sem nunca perder de vista o minimalismo que a caracteriza (Esquecendo o devaneio pop de “0304”.), Jewel apresenta uma série de canções muito positivas, adornadas de uma sensação agradável proporcionada pela voz que sopra como se fosse vento.
Veredicto: 16/20


KATE WALSH “Clocktower Park” (2004)

Kate Walsh é uma cantora/ compositora/ guitarrista inglesa de 21 anos. Só muito recentemente conseguiu o reconhecimento que tanto merece pelas terras de Sua Majestade. Ainda que no nosso paísinho não tenha feito nenhum sucesso memorável, já passou por cá várias vezes acompanhada pela sua guitarra acústica. Não sei bem para que momento do dia, mas diria que para o por do sol, fim de tarde… enfim, estas canções têm uma espécie de aura negra, escondida por uma suavidade proeminente, ou seja, Kate Walsh conseguiu por duas sonoridades opostas no mesmo disco, e ás vezes na mesma canção (Veja-se Impressionable, um dos melhores momentos do disco.). Canções simples, acústicas na sua totalidade, com guitarras aos saltos, pianos discretos, baterias fortes e arranjos minimalistas. Memoráveis Animals On Fire, Quicksand, Same Old, Holes In My Jacket e principalmente It´s Never Over.
Veredicto: 17/20

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Nelly Furtado: Loose

SHE´S ON THE LOOSE...


Foi um pouco a medo que ouvi o novo álbum de Nelly Furtado, "Loose", depois do choque inicial de ter visto (E ouvido) o videoclip de "Maneater".
Enfim, mas eu não julgo um livro pela capa, nem um álbum pelo single de avanço, por isso decidi gastar um tempinho na FNAC a ouvir a luso-canadiana e os novos amigos/colaborações.
Não posso deixar de expressar a minha surpresa acerca desta viragem no percurso da cantora/ compostiora.
Começando pelo início, Nelly Furtado foi a primeira cantora a assinar contracto c0m a DreamWorks, a discográfica de Steven Spielberg, e gravou um disco chamado "Whoa Nelly", o qual (Pessoalmente) nunca me agradou especialmente, com excepção de alguns lampejos de bom gosto, mas que deixava antever uma musicien promissora.
Depois veio a primeira surpresa: o disco "Folklore". Um disco perfeito (Sim, perfeito). Desde o primeiro segundo (Em que os Kronus Quartet iniciam "One Trick Pony") até ao último (Um brilho nostálgico em "Childhood Dreams") o disco toca uma qualidade que eu nunca arriscaria apostar que Nelly atingiria.
Apesar do parcial fracasso de vendas (Suavizado com a escolha de "Força" para Hino do Euro 2004), o disco merecia a tripla (Quintopla) platina, por canções como "Try", "Picture Perfect", "The Grass Is Green" ou o dueto com Caetano Veloso "Island Of Wonder".
Nelly Furtado, folclórica, era a Nelly Furtado como seria bom que ela tivesse continuado.
No entanto, há umas semanas atrás, estava no café com uns amigos, e a nossa atenção é chamada ao ecrã, na MTV, pela imagem da Nelly a correr atrás de um cão. Ficámos curiosos para ver o que aí vinha, e é então que começa a canção.
Não. Não podia ser. Aquela não podia ser a Nelly Furtado que cantava há não muito tempo "Powerless (Say What You Want)". Não podia. Ainda tentámos acreditar que tivéssemos confundido com a Rhianna, mas não havia margem para dúvidas. A açoreana agora deu em devoradora de homens.
Fiquei com a pulga atrás da orelha, e tive que ir ouvir "Loose" do início ao fim para formular uma opinião.
Foi o que fiz.
A ideia da femme fatalle não deve ter sido da Nelly, porque nunca antes lhe tinha visto tais ideias, deve ter sido coisa do Timbaland (Quem não o viu junto ás Pussycat Dolls... enfim), mas a verdade é que acho que a voz doce e potente de Nelly e o tom inocente acada por divergir com as letras provocadoras e os ritmos frenéticos.
Nem tudo é mau, vá lá (A participação de Juanes não correu assim tão mal e algumas baladas merecem ainda uma segunda oportunidade ("God´s Hands"), ainda que soem a um simples regresso ao passado.) mas no final, só duas músicas são realmente boas: Afraid e All The Good Things... duas é pouco.
O resultado final, devo dizer, não está nada á altura do precendente "Folklore", e se eu ontem não tivesse lido uma entrevista com a senhora no JN em que ela afirma que a seguir vai experimentar coisas novas, diria que isto foi uma fortíssima desilusão.
Vamos lá ver o que o futuro reserva...

Veredicto: 10/20

quinta-feira, 6 de julho de 2006

O Espírito



(Natália Correia)


Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas




E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.




Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera




Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.





Imagem: "O Baloiço"1767, de Jean Honoré Frangonard

Natália Correia nasceu em 1923 em Fajã de Baixo, nos Açores. Inserida no contexto do surrealismo, Natália está entre os mais assinaláveis autores da literatura contemporânea, tendo escrito poesia, romances, ensaios, apontamentos políticos, teatro, crónicas, tendo sido também tradutora, editora e jornalista. Morreu em 1993, legando á literatura algumas das mais brilahntes obras que esta já conheceu.

Jean Honoré Fragonard nasceu em Grasse em 1732, estudou brevemente em Itália, e, regressado a França, tornou-se num dos mais emblemáticos pintores do rococó. A obra "O Baloiço" é uma das mais importnates não só do seu trabalho como de toda a pintura rococó.

Morangos com Bolor



Há aquelas músicas que uma pessoa ouve e dá por si mesma a pensar, alto ou baixo, ou sem voz, mas a pensar
“_Vou fazer uma loucura!”
e eu hoje estava a ouvir “Black Rooster” dos The Kills, e pensei para mim mesmo, em segredo
“_Vou fazer uma loucura!”
e fiz mesmo. Então, deixei-me ver os Morangos com Açúcar.
Antes de mais, eu só gostava de fazer um pequeno parêntesis, sobre o Director Geral, o senhor José Eduardo Moniz, que é uma pessoa muito, muito, muito, muito modesta, adoro ver a forma humilde (E principalmente realista) como ele comenta os programas da TVI. (É pena não se poder ver a minha cara de ironia neste momento.)

Então, era a chegada a hora, e eu, com as mãos a tremer de medo, a suar, a olhar discretamente para todos os cantos (Não fosse alguém perceber o que eu estava a ver, seria o meu fim), a pôr a televisão baixinha, só com som suficiente para eu ouvir a voz dos actores (Ou imitações de actores, na maior parte dos casos) e a banda sonora (Um pormenor importante). Os segundos passam, sucedem-se sem pudor, tornam-se minutos, e, em pouco tempo, a série vai para o ar.
Já uma notinha muito negativa para a música do genérico (Mas quem é que escreveu aquilo? Foi por acaso um dos letristas da Claudisabel? Ou terá sido o da Romana? Bem, suponho que até esses escrevem melhor!) porque aquilo não tem nem pés, nem cabeça, nem tronco, nem braços, nem pernas (E as pernas são uma parte muito importante). Enfim, uma treta sem jeito nenhum.

No geral, tenho a dizer umas coisinhas muito más sobre a série. Verosímil? Penso que não. Aquilo é sim uma forma previsível e exagerada de retratar os adolescentes, que parece baseada ou num daqueles livros típicos de senhores e senhoras que pensam que sabem tudo sobre a faixa etária em questão, mas na verdade não sabem nada; ou então numa meia dúzia de exemplares da idade: pegam-lhes na vida e põe ali, como se fosse a vida de todos os adolescentes. (Por favor, eu tenho quase 17 anos, tal como a maior parte dos meus amigos, e nenhum de nós se comporta ou age daquela forma, e somos mesmo MUITOS- só da minha turma somos 30!)

Outro facto: aqueles personagens têm uma sorte de invejar! Não têm pais, nem encarregados de educação, nem nada do género, ninguém a quem justificar as irresponsabilidades que comentem em catadupa. Não há pais que se zangam, que os castigam, que os obrigam a estudar, a trabalhar… enfim, é tudo tão fácil quando somos nós os únicos responsáveis pela nossa pessoa.

Mais um: a história não é sempre a mesma? É que eu acho que sim. É sempre um rapaz/rapariga quem tem respectivamente uma namorada/ namorado, e depois chega outra rapariga/ rapaz, que lhe dá a volta á cabeça. O rapaz/ rapariga acaba a relação actual para se juntar a quem lhe deu a volta á cabeça, e a/o ex. despeitada/o empenha-se a 100% em fazer-lhe a vida negra.
Ora veja-se:
Na primeira série, a Joana namorava com o Ricardo. O Pipo chegou do Porto e deu-lhe a volta á cabeça. Ela acabou tudo com o Ricardo e juntou-se ao Pipo. Depois o Ricardo arranjou outra amiga (A actriz era a Filomena Cautela que agora está simpaticíssima na MTV- assim já gosto dela) para as tropelias e começaram a fazer a vida negra ao Pipo e á Joana.
Na segunda série, o Simão namorava com a Carlota. A Ana Luísa chegou com uma bolsa de estudos e deu-lhe a volta á cabeça. Ele acabou tudo com a Carlota e juntou-se á Ana Luísa. Depois a Carlota arranjou outro amigo (O actor era o Hélio Pestana que agora está a braços com o papel complicadíssimo de um alcoólico em “Dei-te Quase Tudo) para as tropelias e começaram a fazer a vida negra ao Simão e a Ana Luísa.
Na terceira série, tiveram o cuidado de mudar um pormenor ou outro. É que a ex maluca surge no seguimento de uma separação do grande amor. Ou trocado por miúdos: o Tiago e a Matilde amam-se muito. Depois separam-se. Ele começa a andar com a Cláudia. Acabam. E a Cláudia começa a fazer tudo para manter o Tiago separado da Matilde. Entretanto ela desiste e eles juntam-se de novo. Mas, como quem se ama, neste folhetim sem jeito nunca pode ter descanso agora surge uma tal Isabel que os está a tentar separar.
Não é tudo estranhamente parecido???? Eu acho que é.

Continuando nos funny facts:
Não é incrível como os únicos bons actores da série são os veteranos? Ora vejamos, a Ana Zanatti, a Paula Neves e a Sónia Brazão. E se quisermos ir ás épocas antigas, Helena Isabel, Vasco Esparteiro, Dalila Carmo (Actualmente a vestir a pele de uma bêbada em Tempo de Viver- está fantástica), Rita Salema, Carlos Mendes, Joana Seixas (Num papel muito ingrato, ainda assim), Sofia Grillo (Bem, como sempre), Almeno Gonçalves (Mal aproveitado), ou uma (Inexplicável presença de) Lurdes Norberto.
Os actores jovens são na sua infeliz maioria uns tristes sem um pingo de talento, que têm a sorte de terem uma cara e/ou um corpo bonito(s). O problema é que caras bonitas, há muitas, e o que está hoje da moda, amanhã já é do dia anterior.
E estranhamente, todos os jovens actores que passaram pelos Morangos tiveram aí as suas piores prestações, recuperando depois em trabalhos posteriores:
Liliana Santos (Brilhante no papel de Isabel Albuquerque) e Benedita Pereira em Ninguém Como Tu, Hélio Pestana e Marta Melro em Dei-te Quase Tudo, Pedro Teixeira, Ana Guiomar e Dânea Neto em Tempo de Viver e João Catarré e Patrícia Candoso em Mundo Meu (Aquela que se passava no Algarve...). Tenho que salvaguardar aqui duas pessoas:
Rita Pereira como uma excepção muito positiva, já nos Morangos mostrou como é uma excelente actriz, o que confirma agora com um papel muito medíocre, mas boa interpretação em Dei-te Quase Tudo.
E Cláudia Vieira: Infelizmente, voltei a vê-la em televisão a representar (Em “Fala-me de Amor”), e “infelizmente” porque convenhamos que ela estava muito mal, mesmo para os Morangos com Açúcar. Enfim, depois de a ver encarnar tão vergonhosamente o papel de Ana Luísa, vai ser difícil fazer-me acreditar que ela saiba representar (Vai ser preciso um papel muito muito muito muito bom…)

Mais: é impressão minha ou três quartos dos personagens são tão inconsequentes que se tornam perfeitamente dispensáveis???
Os meus exemplos preferidos: aqueles quatro besugos, o David, o Zé Milho, o Ruca (Principalmente o Ruca) e o Tópê eram para quê? Para nada. Não havia uma simbologia por trás deles (Mas isso não me surpreende, não há simbologia por trás de nenhum personagem aqui), não havia nada de importante neles, estavam ali para fazer render o peixe: formavam uma banda com nenhuma qualidade, mas sucesso garantido, e dessa forma promoviam a série. Assim sendo, andavam para ali dum lado para o outro, com a mania que eram grandes cantores (No irritante caso do irritante Angélico Vieira, a exibir o corpo também, como se faltassem por aí rapazes que vão ao ginásio) e a encher elenco.
FF, aquele fantástico cantor (Esqueci-me de avisar que sofro da Síndrome da Ironia Constante- deve ser de ouvir o “Ironic” da Alanis Morissette desde os nove anos) é igualmente um personagem previsível e sem interesse
Também o Ed, o Link, o Jota e o Sérgio (Nomes lindos, não haja dúvidas) estão ali para o mesmo efeito, têm igualmente a mania que são grandes músicos, e a música é (Supreenda-se) desprovida de qualquer qualidade.
Mas nem só a cantar são metidos os personagens inúteis, e nem só inúteis são esses personagens. Mimi podia desaparecer (Ainda que Jéssica Athaide mereça uma nota positiva, porque não é qualquer actriz que encarna uma personagem tão enervante), o Manel também podia eclipsar-se (Aquela falsa rebeldia vê-se á distância), a Bia idem aspas (os desesperos dela são desesperantes), o Cristiano (Ainda que o personagem não seja dos piores, também não acrescenta nada), a Catarina (Além do sotaque exasperante, ninguém muda de estilo e aspecto com aquela rapidez, e é das piores actrizes que por ali anda) e o próprio Gil não faz falta alguma (Uma ridicularização dos gordos, eu recusar-me-ia a interpretar tamanha auto-humilhação, eu sei do que falo, que já fui gordo, e nunca me portei daquela forma).

Continuando a desencantar os defeitos da “série juvenil” tenho que falar da banda sonora.
Como é que se consegue fazer SEMPRE uma banda sonora com escolhas tão más?
(Tenho que resguardar o “Shine On” dos meus Blind Zero, mas fora essa, não se consegue resgatar uma única boa canção para amostra.)
Ainda me lembro de quando eles passavam o “Lena” ou o “Hip Hop (Sou Eu e És Tu)” do Boss AC (Deplorável), ou ainda Belinda More, Edyta, Daniel Bedingfield, O-Zone, Blue, Kevin Lyttle, Denzel, Marieke, Paranormal, Os Moleques, Orishas, Gutto, Mito, J-Five, Daddy Yankee, Expensive Soul, Projecto X… quero dizer… enfim, quem é que não fica surdo a ouvir tanto lixo junto… felizmente, é junto, e não muito junto, porque os nomes acima referidos são exemplos contidos ao longo das seis séries que se sucederam nos últimos anos.
Também á nível de música, há que frisar alguns nomes:
Uma Melanie C com um (Comestível) “Better Alone”, acaba por sem querer, sobressair, não pela qualidade da sua canção, mas pela falta de qualidade das outras.
Uma Anna Sahlene muito promissora com “We´re Unbreakable” e “Creeps”. Ainda que não simpatize muito nem com esta loirinha, nem com a música que ela canta, reconheço que está ligeiramente acima dos restantes nomes da banda sonora.
Os Deep Insight, com “Hurricane Season” que consegue ficar á parte (Junto ao “Shine On”) das outras canções, na segunda série.
Os Fingertips que se arriscaram muito ao verem “Picture Of My Own” integrar a segunda série, ao lado de Blue, Skye Sweetnan, Patrícia Candoso e Milénio.
Uma Rita Guerra na primeira série, com “I Thought You Would Leave Your Heart With Me”, ainda que desligado de tudo o resto que esta cantora portuguesa já cantou.
Mas o maior destaque tem que ir para uma rapariga chamada Diana, que eu não sei quem é, mas que canta MUITO bem (peço desculpa, mais uma vez fui atacado pela minha Síndrome). É que ainda que a menina só cantasse mal… o problema é também o que ela canta. Fica aí uma amostra de “Apenas Um Amigo (Tu és)” para que se perceba do que eu estou a falar:

Ó baby estás enganado
Não sonhes mais acordado
Gostaste e eu também
Mas não procuro ter ninguém
Adorei sair contigo
Mas não passas de um amigo
Foi tão bom, tão bom, mas não quero compromisso

Muito bonito, não é? Aposto que depois disto o João Monge e a Sarah McLachlan vão deixar de escrever letras para canções, ao verem como ficam pequeninos, aliás, minúsculos ao lado deste masterpiece do Boss AC e de um/a tal A. Arcada para esta rapariguinha com uma histérica voz mistura de Kelly Clarkson com Spice Girls. Aliás, cantoras como Kátia Guerreiro, Mísia, Mariza… vão começar a encomendar as suas letras aos autores deste “Apenas Um Amigo (Tu És)”, abandonando assim António Lobo Antunes, Vasco Graça Moura, José Luís Peixoto, Pedro Campos, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Fernando Pessoa (Hoje estou que nem posso da minha Síndrome).

Em conclusão, o que eu tenho estado a tentar dizer: só o Rui Vilhena é que sabe como é que se escreve uma novela. Ninguém Como Tu e agora Tempo de Viver são as melhores provas. E não é só estarem bem escritas. A nível de direcção de actores e tudo isso… estão muito acima da média. E isto é para mostrar que eu sei fazer mais coisas do que criticar. Senão ainda me vêem como um seguidor da filosofia do Vasco Pulido Valente, e eu não quero muito… enfim, eu sei falar bem (Ainda que me custe apoiar palavras do senhor José Eduardo Moniz…)

Mais umas rectificações antes do final ou (Como diriam os meus Placebo) the bitter end:
Acho uma piada aos dias em que “por acaso” aparece por lá um cantor ou uma cantora! A sério, não é impressionante? Um belo dia, uns minutos após o sol-pôr, quem é que aparece no Bar do Fred (Que nome fantástico, não haja dúvidas)? O Daniel Bedingfield. Mas isso é normal… ele ia a passar pela Praia Azul e lembrou-se
“_Olha, vou ali tomar um café ao Bar do Fred…”
e foi. E depois entrou e apareceu a mal-criadona da filha do Fred e pediu-lhe que cantasse e ele cantou. (Esqueci-me de referir o péssimo exemplo que personagens como a Teresinha constituem… Essa é que devia ser minha filha. Não me falava assim, de certeza absoluta).
Muito bonito.
E as Sugababes? As Sugababes também passaram por lá, na altura do Bar dos Rebeldes.
Elas iam também a passear por Lisboa, como fazem provavelmente todos os dias… e de repente, diz a Keisha
“_Estou cansada, dormi pouco, estou com sono.”
e a Heidi responde
“_Não te preocupes, vamos aqui ao Bar dos Rebeldes e tomas um café…”
e lá foram elas as três, e depois cantaram.
Assim como o vocalista dos Simply Red, que também passou pelo Bar dos Rebeldes. Ele estava na casa dele, e lembrou-se
“_Já sei. Vou tomar um café ao Bar dos Rebeldes.”
e lá foi ele até ao bar do Rafa cantar e tomar café…
Enfim.

E mais uma coisinha:
Depois desta série POR FAVOR não façam mais nenhuma… é que já chega de nadar na mesma pocilga… (É que eu ouvi uns murmúrios preocupantes que diziam que este projecto se vai arrastar por mais uns 7 anos e fiquei logo sem sono…)

Por último: um agradecimento á minha irmã, que me forneceu os dados [CD´s, revistas, nomes de personagens e lugares, resumos do enredo…] todos para dilacerar a imagem de uma das suas novelas preferidas. Obrigado.

sábado, 1 de julho de 2006

Lou Rhodes no Cinema da Batalha

A CANTORA MAIS QUE PERFEITA

Quando, num tema inédito, Lou Rhodes canta “the more I live the less I know of this world” está a generalizar demasiado. Ela pode saber cada vez menos de outras coisas, mas no que toca á música, quanto mais ela vive, mais sabe sobre isso. O concerto de Quinta Feira, no Cinema da Batalha do Porto é a prova dos nove disso.
Ela, que começou com os Lamb há uns longínquos 10 anos (Um álbum homónimo, muito electrónico, de arranjos maximalistas, um tipo de música inédito…) está agora de regresso, em nome próprio, e isto pode trazer complicações.
Lou Rhodes poderia ter muitos problemas ao surgir a solo com um disco como “Beloved One”. Um disco acústico, minimalista, intimista e (muitíssimo) perfeccionista. Ora, com excepção da última qualidade, isto é completamente dissidente dos Lamb. Na sua estreia sem Andy Barlow, Lou abandona os teclados, a electrónica, as coisinhas pequenas, os extensos solos instrumentais… e envereda por um estilo próprio. Na medida em que o que a cantora pretendia era um disco onde não houvesse nada que não precisasse de lá estar, foi muitíssimo bem sucedida. Aliás, sinceramente, penso que foi a decisão correcta. Criando um novo conceito musical, Lou Rhodes impede que a sua música seja vista como Lamb sem Andy Barlow, e sim como simplesmente Lou Rhodes (por acaso tem um nome bonito).
Há alguma coisa de Lamb nestas canções, talvez seja só a voz, talvez outras coisas mais tenham subsistido, mas a essência, o sumo, é completamente inédito. E este concerto, a par com o da Aula Magna do dia anterior vem precisamente confirmar o nascimento de um novo tipo de música.
Surgindo em palco acompanhada com cinco músicos (guitarra acústica, bateria, background vocals, violino e um contrabaixo, tocado por Jon Thorne, trazido dos velhos tempos dos Lamb) Lou começa com um “No Re-Run” ainda a medir o lugar onde está (“It´s a quite beautiful place you´ve got here” começou por dizer) e avança sem medo para “Treat Her Gently”. Acompanhando-se a si mesma na guitarra, vai invadindo a sala com a sua aura angelical, na intimidade revelada de “Fortress” ou na energia de “In´Lakesh”.
Um dos momentos mais Deus-Todo-Poderoso do concerto surge agora, como “Each Moment New”, a voz a elevar-se aos céus, a bateria agressiva, o contrabaixo imparável, e um público a cantar em uníssono. Segue-se “Beloved One”, e um inédito “All We Are”. As irradiações do paraíso continuam em “Save Me”, no luxurioso “Tremble”, em “To Survive” finalmente no desespero de “Why”.
A primeira retirada da banda do palco é seguida de aplausos, assobios e pés a bater no chão, e do inevitável regresso.
Depois da promessa de um segundo disco, feita com “Bloom”, outro inédito, chega um momento indescritível. Com uma guitarra a fazer as vezes do piano, Lou apresenta uma versão totalmente transmutada (Muito mais melancólica, sem nunca perder a energia) de “Gabriel”, afinal o maior hit dos Lamb (Do álbum “What Sound”). Não havia uma única pessoa sentada, todos de pé, e a bater palmas, marcando o ritmo. Até a cantora parecia emocionada, quando terminou.
Saem de novo, para voltarem apenas três (Lou, Jon Thorne e o violinista) para um versão de “Lullaby”, também dos Lamb (Mas do álbum “Fear Of Fours”).

Penso que de facto a ex-vocalista dos Lamb fez o melhor ao iniciar uma nova sonoridade. Não só nos mostra o grande que é, como mostra que na música alternativa também há espaço para o acústico (Antony and the Johnsons e Sophie Barker já o tinham mostrado também). E grande não quer dizer só que é alta. Quer dizer que canta bem, que sabe dar um concerto, que é uma grande compositora, que é simpática e comunicativa, que é humilde e que é perspicaz.
Agora faltam mais concertos. E mais discos.




sábado, 24 de junho de 2006

Black




Pearl Jam





Sheets of empty canvas, untouched sheets of clay
Were laid spread out before me as her body once did.
All five horizons revolved around her soul
As the earth to the sun
Now the air I tasted and breathed has taken a turn

Ooh, and all I taught her was everything
Ooh, I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands chafe beneath the clouds
Of what was everything.
Oh, the pictures have all been washed in black, tattooed everything...

I take a walk outside
I'm surrounded by some kids at play
I can feel their laughter, so why do I sear?
Oh, and twisted thoughts that spin round my head
I'm spinning, oh, I'm spinning
How quick the sun can drop away

And now my bitter hands cradle broken glass
Of what was everything?
All the pictures have all been washed in black, tattooed everything...

All the love gone bad turned my world to black
Tattooed all I see, all that I am, all I'll be...

I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a sun in somebody else's sky, but why
Why, why can't it be, why can't it be mine????




Música de Stone Gossard, Letra de Eddie Vedder
Os Pearl Jam são considerados os sobreviventes do grunge. O seu primeiro álbum "Ten", ao qual pertence esta canção, foi lançado em 1990. Desde então, a música da banda soma e segue, tendo editados, inclusivé, um álbum ao vivo e um geatest hits. "Black" é uma das canções que mais mexe comigo desde que a ouvi pela primeira vez.
Imagem: "Narciso" de Caravaggio. O seu nome verdadeiro era Michelangelo Merisi, nasceu em 1571, e foi o primeiro grande pintor do Barroco. A sua técnica denominada tenebrismo viria a ser não só umas das maiores marcas da pintura barroca, como uma influência para os artistas da mesma. Teve uma vida atribulada, e só após a sua morte o seu trabalho começou a ser verdadeiramente apreciado.

sábado, 17 de junho de 2006

Retratos do Românico Rural


Estive a fazer um trabalho para História da Cultura das Artes sobre a igreja romância de São Pedro de Rates, e acabei por me fascinar por ela. Linda, não é???? Fica aí uma vista da abside e dos absidíolos e o tímpano do pórtico principal.
Além disto, ainda estive a ouvir um disco de que gosto bastante, "Canto" da Mísia, onde está este poema da Marquesa de Alorna, adaptado por Vasco Graça Moura, que me parece bastante... ligado... por alguma razão, ao ambiente medieval~...



CANÇÃO DE ALCIPE
(Marquesa de Lorna adp. Vasco Graça Moura)

(na foto, Vasco Graça Moura e a Mísia)
Cantiga
Sozinha no bosque fui
Com meus tristes pensamentos,
Lá calei minhas saudades,
E fiz trégua aos meus tormentos.

Olhei então para a lua
Que as sombras já rasgava,
E no tremular das águas
Seus raios soltava
Seus raios soltava.

Nessa torrente
da despedida
vejo assustada
a minha vida.

Do peito as dores
iam cessar,
voa a tristeza
torna o meu penar.

Do peito as dores
iam cessar,
tornam tristezas
a voar.

O Conto Para Adultos


Seguindo a linha da crítica destrutiva da última mensagem, hoje tenho que manifestar o meu desgrado pelo conto infantil da Pequena Sereia.
A sério que não entendo onde reside a lógica de lhe chamar um conto infantil. Aquilo é um conto para adultos, e só para aqueles que já sabem distinguir muito bem o certo do errado.
Vejamos:
A história, em traços gerais fala sobre uma princesa sereia que vive no fundo do mar com as irmãs, uma espécie de clã, e, um dia, vai a superficie, vê um barco e apaixona-se por um dos marinheiros. Lá está: que raio de pessoa decente é que logo que sai de um lugar para outro diferente se apaixona pelo primeiro que lhe aparece á frente???
O problema reside no facto de ela ser uma sereia, e ele humano, por isso, ela vai á Medusa, uma espécie de bruxa que lhe faz uma poção para ela ficar com pernas, em troca da sua linda voz. Cá está outro erro: até que ponto é que isto promove o amor verdadeiro? Não é suposto a pessoa que nos ama, amar-nos tal como somos? E mais ainda, até onde é educativo incentivar as crianças a recorrer á prática da bruxaria para atingirem os fins?
Continuando, ela vai ter com ele ao barco e ele apaixona-se por ela, assim, só por vê-la. E isto é outro erro: não é um pouco apelativo á superficialidade que ele se apaixone por ela só pelo físico, sem falar com ela? Quer dizer, o corpo é tudo o que interessa. Ele nem quis saber se a Ariel (?) era burra, se era mal educada, se dizia palavrões, se gostava do Ricky Martin... enfim...
Ora, para apimentar um pouco a história, a Medusa transforma-se numa pessoa e apaixona-se pelo princípe tambem. E faz um feitiço para que quando ele a ouvir cantar com a voz da sereia, se apaixone. Mais erros: de novo a incitação ao amor superficial, de novo um incentivo á prática de bruxaria que deve ser ilegal, e ainda por cima, esta parte inaltece a utilização da voz alheia para fins ilícitos! Um escândalo!
Ele apaixona-se, e isto é mau, porque promove a bigamia, e ela, para defender o que supostamente lhe pertence, tenta matar a Medusa. Outro erro: os duelos são proíbidos por lei, a última vez que verifiquei o Diário da República!
Ainda assim, acaba por ser o próprio principe a matar a Medusa. Mais um erro, e este crasso, promove o homicídio! Uma vergonha, sem comentários.
Além de tudo isto, devo referir que acho doentio que nos contos infantis se dê um incentivo ás relações intraespecíficas (entre individuos de espécies diferentes).
Ou seja: "A Pequena Sereia" é uma história profundamente deseducativa, que devia ser transmitida com uma bolinha vermelha no cantinho do ecrã, aliás, duas. A sério, é um caso perdido, não tem ponta por onde se lhe pegue!!!!

Hoje por fim, relembro Sophia de Mello Breyner Andresen

AS ROSAS/ PROMESSA




Quando á noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendessa entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes
Todo o fulgor das tardes luminosas
O vento bailador das primaveras
A doçura amarga dos poentes
E a exaltação de todas as esperas

Quando á noite desfolho e trinco as rosas
és tu a primavera que eu esperava
A vida multiplicada e brilhante
Em que é pleno e perfeito cada instante

terça-feira, 23 de maio de 2006

A Memória Segundo Faulkner





"A memória acredita antes de o conhecimento poder recordar. Acredita durante mais tempo do que ela se lembra, durante tanto tempo que até espanta o conhecimento. Ela conhece, lembra-se, acredita num corredor povoado de ecos gélidos, de um enorme e longo edifício com empenas, feito de tijolos vermelhos escuros, batido pela fuligem de muitas chaminés para além da sua próprial, situado por trás de uma cerca num terreno sem relva cheio de resíduos de escória, cercado pelos confins de fábricas fumarentas e vedado por uma barreira de arame e aço, como uma penitenciária ou um jardim zoológico, e onde surgem, num caso errático, órfãos vestidos com fardas idênticas de sarja azul, soltando os seus agudos palrares infantis, entrando e dsaindop das recordações, mas constantes no conhecimento, tal como os muros ermos e as janelas solitárias onde a chuva parece tracejar lágrimas negras com a fuligem das chaminés vizinhas."




William Faulkner, "A Luz Em Agosto", cap. 6, 1932
Imagem: "A Madalena Arrependida" de Georges De La Tour.








W.F. nasceu em 1897 no Sul dos Estados Unidos, e venceu o prémio Nobel da Literatura em 1949. Morreu em 1962.
G. d.l. T. nascido a 13 de Março de 1593, em Lorena, França, é um dos mais importantes pintores barrocos. A grande influência nos seus trabalhos é o pintor italiano Caravaggio, em particular pelo uso do tenebrismo.

Retorno




FADO DO RETORNO

(Lídia Jorge)



Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada

Voltaste já voltaste
Já entras como sempre
Abrandas os teus passos
E paras no tapete

Então que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa

Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada

Voltaste, já voltei
Também cheia de pressa
De dar-te na parede
O beijo que me peças

Então que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Tocados pela graça

Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada

Amor, o que será
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
A escolha do mais puro?

Já fuma nosso fumo
Já sobra a nossa manta
Já vem o nosso sono
Fechar-nos a garganta

E então que os círios olhem
E assim a casa seja
A árvore de Outono
Coberta de cerejas



Foto: Henri Cartier Bresson: "Charlotte"

Barbies, Nenucos e Afins

Feliz ou infelizmente (a minha queda é mais para a existência do prefixo) estamos longe do Natal, ou daquela época a que os católicos praticantes gostam de chamar o advento. Logo, não temos que ser plasmados com toda a quela publicidade estúpida de Nenucos e Barbies e Kens e coisas do género.É que isso a mim impressiona-me muito.Por exemplo: como é que a Barbie nunca parece ultrapassar os vinte e poucos anos e tem tantas profissões? Ela é médica, veterinária, mergulhadora, bióloga, e ainda tem tempo para as causas nobres como ser amiga dos animais? Qualquer pessoa normal precisaria de pelo menos 40 anos para fazer esses cursos todos e ainda ter tempo para pensar nos animaizinhos! E logo a Barbie, com aquele aspecto de loira burra (sem ofensa para as loiras) é que é a sobredotada que conseguiu fazer tudo ao mesmo tempo? Sinistro...Já por isso não me surpreende que o Ken não faça nada senão aparecer ao lado dela, qual tia do pseudo jet set! É normal. Com o dinheiro todo que entra na casa só com os 5000000 ofícios da Barbie, não há marido que precise de trabalhar, bem pode ficar em casa a ver Sport TV (o Ken tem todo o aspecto disso) ou a ver filmes.Outro ser impressionante é o Nenuco, que nunca cresce! É incrível. A minha irmã tinha Nenucos quando era pequena, e já fez 14 anos e o Nenuco continua a aparecer na TV com a mesma idade e o mesmo ar impassível. E pior: é incrível como fazem tanto escândalo só porque ele consegue fazer chichi ou porque consegue dizer mãmã e papá!!! Quer dizer... quem é a criança que não faz isso? Se fosse tocar saxofone, dizer interdisciplinariedade, declamar Fiama Hasse Pais Brandão ou entender o que significou em termos políticos o desastre de Chernobyl.... eu ainda admitia o alarido, mas assim... por favor...