"_You see, baby? This is not just playing with toys!"
"_No, it is better... It´s playing with people!!"










SHE´S ON THE LOOSE...
Foi um pouco a medo que ouvi o novo álbum de Nelly Furtado, "Loose", depois do choque inicial de ter visto (E ouvido) o videoclip de "Maneater".
Enfim, mas eu não julgo um livro pela capa, nem um álbum pelo single de avanço, por isso decidi gastar um tempinho na FNAC a ouvir a luso-canadiana e os novos amigos/colaborações.
Não posso deixar de expressar a minha surpresa acerca desta viragem no percurso da cantora/ compostiora.
Começando pelo início, Nelly Furtado foi a primeira cantora a assinar contracto c0m a DreamWorks, a discográfica de Steven Spielberg, e gravou um disco chamado "Whoa Nelly", o qual (Pessoalmente) nunca me agradou especialmente, com excepção de alguns lampejos de bom gosto, mas que deixava antever uma musicien promissora.
Depois veio a primeira surpresa: o disco "Folklore". Um disco perfeito (Sim, perfeito). Desde o primeiro segundo (Em que os Kronus Quartet iniciam "One Trick Pony") até ao último (Um brilho nostálgico em "Childhood Dreams") o disco toca uma qualidade que eu nunca arriscaria apostar que Nelly atingiria.
Apesar do parcial fracasso de vendas (Suavizado com a escolha de "Força" para Hino do Euro 2004), o disco merecia a tripla (Quintopla) platina, por canções como "Try", "Picture Perfect", "The Grass Is Green" ou o dueto com Caetano Veloso "Island Of Wonder".
Nelly Furtado, folclórica, era a Nelly Furtado como seria bom que ela tivesse continuado.
No entanto, há umas semanas atrás, estava no café com uns amigos, e a nossa atenção é chamada ao ecrã, na MTV, pela imagem da Nelly a correr atrás de um cão. Ficámos curiosos para ver o que aí vinha, e é então que começa a canção.
Não. Não podia ser. Aquela não podia ser a Nelly Furtado que cantava há não muito tempo "Powerless (Say What You Want)". Não podia. Ainda tentámos acreditar que tivéssemos confundido com a Rhianna, mas não havia margem para dúvidas. A açoreana agora deu em devoradora de homens.
Fiquei com a pulga atrás da orelha, e tive que ir ouvir "Loose" do início ao fim para formular uma opinião.
Foi o que fiz.
A ideia da femme fatalle não deve ter sido da Nelly, porque nunca antes lhe tinha visto tais ideias, deve ter sido coisa do Timbaland (Quem não o viu junto ás Pussycat Dolls... enfim), mas a verdade é que acho que a voz doce e potente de Nelly e o tom inocente acada por divergir com as letras provocadoras e os ritmos frenéticos.
Nem tudo é mau, vá lá (A participação de Juanes não correu assim tão mal e algumas baladas merecem ainda uma segunda oportunidade ("God´s Hands"), ainda que soem a um simples regresso ao passado.) mas no final, só duas músicas são realmente boas: Afraid e All The Good Things... duas é pouco.
O resultado final, devo dizer, não está nada á altura do precendente "Folklore", e se eu ontem não tivesse lido uma entrevista com a senhora no JN em que ela afirma que a seguir vai experimentar coisas novas, diria que isto foi uma fortíssima desilusão.
Vamos lá ver o que o futuro reserva...
Veredicto: 10/20
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Imagem: "O Baloiço"1767, de Jean Honoré Frangonard
Natália Correia nasceu em 1923 em Fajã de Baixo, nos Açores. Inserida no contexto do surrealismo, Natália está entre os mais assinaláveis autores da literatura contemporânea, tendo escrito poesia, romances, ensaios, apontamentos políticos, teatro, crónicas, tendo sido também tradutora, editora e jornalista. Morreu em 1993, legando á literatura algumas das mais brilahntes obras que esta já conheceu.
Jean Honoré Fragonard nasceu em Grasse em 1732, estudou brevemente em Itália, e, regressado a França, tornou-se num dos mais emblemáticos pintores do rococó. A obra "O Baloiço" é uma das mais importnates não só do seu trabalho como de toda a pintura rococó.

(na foto, Vasco Graça Moura e a Mísia)
Seguindo a linha da crítica destrutiva da última mensagem, hoje tenho que manifestar o meu desgrado pelo conto infantil da Pequena Sereia.
A sério que não entendo onde reside a lógica de lhe chamar um conto infantil. Aquilo é um conto para adultos, e só para aqueles que já sabem distinguir muito bem o certo do errado.
Vejamos:
A história, em traços gerais fala sobre uma princesa sereia que vive no fundo do mar com as irmãs, uma espécie de clã, e, um dia, vai a superficie, vê um barco e apaixona-se por um dos marinheiros. Lá está: que raio de pessoa decente é que logo que sai de um lugar para outro diferente se apaixona pelo primeiro que lhe aparece á frente???
O problema reside no facto de ela ser uma sereia, e ele humano, por isso, ela vai á Medusa, uma espécie de bruxa que lhe faz uma poção para ela ficar com pernas, em troca da sua linda voz. Cá está outro erro: até que ponto é que isto promove o amor verdadeiro? Não é suposto a pessoa que nos ama, amar-nos tal como somos? E mais ainda, até onde é educativo incentivar as crianças a recorrer á prática da bruxaria para atingirem os fins?
Continuando, ela vai ter com ele ao barco e ele apaixona-se por ela, assim, só por vê-la. E isto é outro erro: não é um pouco apelativo á superficialidade que ele se apaixone por ela só pelo físico, sem falar com ela? Quer dizer, o corpo é tudo o que interessa. Ele nem quis saber se a Ariel (?) era burra, se era mal educada, se dizia palavrões, se gostava do Ricky Martin... enfim...
Ora, para apimentar um pouco a história, a Medusa transforma-se numa pessoa e apaixona-se pelo princípe tambem. E faz um feitiço para que quando ele a ouvir cantar com a voz da sereia, se apaixone. Mais erros: de novo a incitação ao amor superficial, de novo um incentivo á prática de bruxaria que deve ser ilegal, e ainda por cima, esta parte inaltece a utilização da voz alheia para fins ilícitos! Um escândalo!
Ele apaixona-se, e isto é mau, porque promove a bigamia, e ela, para defender o que supostamente lhe pertence, tenta matar a Medusa. Outro erro: os duelos são proíbidos por lei, a última vez que verifiquei o Diário da República!
Ainda assim, acaba por ser o próprio principe a matar a Medusa. Mais um erro, e este crasso, promove o homicídio! Uma vergonha, sem comentários.
Além de tudo isto, devo referir que acho doentio que nos contos infantis se dê um incentivo ás relações intraespecíficas (entre individuos de espécies diferentes).
Ou seja: "A Pequena Sereia" é uma história profundamente deseducativa, que devia ser transmitida com uma bolinha vermelha no cantinho do ecrã, aliás, duas. A sério, é um caso perdido, não tem ponta por onde se lhe pegue!!!!
Hoje por fim, relembro Sophia de Mello Breyner Andresen
AS ROSAS/ PROMESSA

Quando á noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendessa entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes
Todo o fulgor das tardes luminosas
O vento bailador das primaveras
A doçura amarga dos poentes
E a exaltação de todas as esperas
Quando á noite desfolho e trinco as rosas
és tu a primavera que eu esperava
A vida multiplicada e brilhante
Em que é pleno e perfeito cada instante
