quinta-feira, 20 de julho de 2006

Nelly Furtado: Loose

SHE´S ON THE LOOSE...


Foi um pouco a medo que ouvi o novo álbum de Nelly Furtado, "Loose", depois do choque inicial de ter visto (E ouvido) o videoclip de "Maneater".
Enfim, mas eu não julgo um livro pela capa, nem um álbum pelo single de avanço, por isso decidi gastar um tempinho na FNAC a ouvir a luso-canadiana e os novos amigos/colaborações.
Não posso deixar de expressar a minha surpresa acerca desta viragem no percurso da cantora/ compostiora.
Começando pelo início, Nelly Furtado foi a primeira cantora a assinar contracto c0m a DreamWorks, a discográfica de Steven Spielberg, e gravou um disco chamado "Whoa Nelly", o qual (Pessoalmente) nunca me agradou especialmente, com excepção de alguns lampejos de bom gosto, mas que deixava antever uma musicien promissora.
Depois veio a primeira surpresa: o disco "Folklore". Um disco perfeito (Sim, perfeito). Desde o primeiro segundo (Em que os Kronus Quartet iniciam "One Trick Pony") até ao último (Um brilho nostálgico em "Childhood Dreams") o disco toca uma qualidade que eu nunca arriscaria apostar que Nelly atingiria.
Apesar do parcial fracasso de vendas (Suavizado com a escolha de "Força" para Hino do Euro 2004), o disco merecia a tripla (Quintopla) platina, por canções como "Try", "Picture Perfect", "The Grass Is Green" ou o dueto com Caetano Veloso "Island Of Wonder".
Nelly Furtado, folclórica, era a Nelly Furtado como seria bom que ela tivesse continuado.
No entanto, há umas semanas atrás, estava no café com uns amigos, e a nossa atenção é chamada ao ecrã, na MTV, pela imagem da Nelly a correr atrás de um cão. Ficámos curiosos para ver o que aí vinha, e é então que começa a canção.
Não. Não podia ser. Aquela não podia ser a Nelly Furtado que cantava há não muito tempo "Powerless (Say What You Want)". Não podia. Ainda tentámos acreditar que tivéssemos confundido com a Rhianna, mas não havia margem para dúvidas. A açoreana agora deu em devoradora de homens.
Fiquei com a pulga atrás da orelha, e tive que ir ouvir "Loose" do início ao fim para formular uma opinião.
Foi o que fiz.
A ideia da femme fatalle não deve ter sido da Nelly, porque nunca antes lhe tinha visto tais ideias, deve ter sido coisa do Timbaland (Quem não o viu junto ás Pussycat Dolls... enfim), mas a verdade é que acho que a voz doce e potente de Nelly e o tom inocente acada por divergir com as letras provocadoras e os ritmos frenéticos.
Nem tudo é mau, vá lá (A participação de Juanes não correu assim tão mal e algumas baladas merecem ainda uma segunda oportunidade ("God´s Hands"), ainda que soem a um simples regresso ao passado.) mas no final, só duas músicas são realmente boas: Afraid e All The Good Things... duas é pouco.
O resultado final, devo dizer, não está nada á altura do precendente "Folklore", e se eu ontem não tivesse lido uma entrevista com a senhora no JN em que ela afirma que a seguir vai experimentar coisas novas, diria que isto foi uma fortíssima desilusão.
Vamos lá ver o que o futuro reserva...

Veredicto: 10/20

quinta-feira, 6 de julho de 2006

O Espírito



(Natália Correia)


Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas




E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.




Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera




Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.





Imagem: "O Baloiço"1767, de Jean Honoré Frangonard

Natália Correia nasceu em 1923 em Fajã de Baixo, nos Açores. Inserida no contexto do surrealismo, Natália está entre os mais assinaláveis autores da literatura contemporânea, tendo escrito poesia, romances, ensaios, apontamentos políticos, teatro, crónicas, tendo sido também tradutora, editora e jornalista. Morreu em 1993, legando á literatura algumas das mais brilahntes obras que esta já conheceu.

Jean Honoré Fragonard nasceu em Grasse em 1732, estudou brevemente em Itália, e, regressado a França, tornou-se num dos mais emblemáticos pintores do rococó. A obra "O Baloiço" é uma das mais importnates não só do seu trabalho como de toda a pintura rococó.

Morangos com Bolor



Há aquelas músicas que uma pessoa ouve e dá por si mesma a pensar, alto ou baixo, ou sem voz, mas a pensar
“_Vou fazer uma loucura!”
e eu hoje estava a ouvir “Black Rooster” dos The Kills, e pensei para mim mesmo, em segredo
“_Vou fazer uma loucura!”
e fiz mesmo. Então, deixei-me ver os Morangos com Açúcar.
Antes de mais, eu só gostava de fazer um pequeno parêntesis, sobre o Director Geral, o senhor José Eduardo Moniz, que é uma pessoa muito, muito, muito, muito modesta, adoro ver a forma humilde (E principalmente realista) como ele comenta os programas da TVI. (É pena não se poder ver a minha cara de ironia neste momento.)

Então, era a chegada a hora, e eu, com as mãos a tremer de medo, a suar, a olhar discretamente para todos os cantos (Não fosse alguém perceber o que eu estava a ver, seria o meu fim), a pôr a televisão baixinha, só com som suficiente para eu ouvir a voz dos actores (Ou imitações de actores, na maior parte dos casos) e a banda sonora (Um pormenor importante). Os segundos passam, sucedem-se sem pudor, tornam-se minutos, e, em pouco tempo, a série vai para o ar.
Já uma notinha muito negativa para a música do genérico (Mas quem é que escreveu aquilo? Foi por acaso um dos letristas da Claudisabel? Ou terá sido o da Romana? Bem, suponho que até esses escrevem melhor!) porque aquilo não tem nem pés, nem cabeça, nem tronco, nem braços, nem pernas (E as pernas são uma parte muito importante). Enfim, uma treta sem jeito nenhum.

No geral, tenho a dizer umas coisinhas muito más sobre a série. Verosímil? Penso que não. Aquilo é sim uma forma previsível e exagerada de retratar os adolescentes, que parece baseada ou num daqueles livros típicos de senhores e senhoras que pensam que sabem tudo sobre a faixa etária em questão, mas na verdade não sabem nada; ou então numa meia dúzia de exemplares da idade: pegam-lhes na vida e põe ali, como se fosse a vida de todos os adolescentes. (Por favor, eu tenho quase 17 anos, tal como a maior parte dos meus amigos, e nenhum de nós se comporta ou age daquela forma, e somos mesmo MUITOS- só da minha turma somos 30!)

Outro facto: aqueles personagens têm uma sorte de invejar! Não têm pais, nem encarregados de educação, nem nada do género, ninguém a quem justificar as irresponsabilidades que comentem em catadupa. Não há pais que se zangam, que os castigam, que os obrigam a estudar, a trabalhar… enfim, é tudo tão fácil quando somos nós os únicos responsáveis pela nossa pessoa.

Mais um: a história não é sempre a mesma? É que eu acho que sim. É sempre um rapaz/rapariga quem tem respectivamente uma namorada/ namorado, e depois chega outra rapariga/ rapaz, que lhe dá a volta á cabeça. O rapaz/ rapariga acaba a relação actual para se juntar a quem lhe deu a volta á cabeça, e a/o ex. despeitada/o empenha-se a 100% em fazer-lhe a vida negra.
Ora veja-se:
Na primeira série, a Joana namorava com o Ricardo. O Pipo chegou do Porto e deu-lhe a volta á cabeça. Ela acabou tudo com o Ricardo e juntou-se ao Pipo. Depois o Ricardo arranjou outra amiga (A actriz era a Filomena Cautela que agora está simpaticíssima na MTV- assim já gosto dela) para as tropelias e começaram a fazer a vida negra ao Pipo e á Joana.
Na segunda série, o Simão namorava com a Carlota. A Ana Luísa chegou com uma bolsa de estudos e deu-lhe a volta á cabeça. Ele acabou tudo com a Carlota e juntou-se á Ana Luísa. Depois a Carlota arranjou outro amigo (O actor era o Hélio Pestana que agora está a braços com o papel complicadíssimo de um alcoólico em “Dei-te Quase Tudo) para as tropelias e começaram a fazer a vida negra ao Simão e a Ana Luísa.
Na terceira série, tiveram o cuidado de mudar um pormenor ou outro. É que a ex maluca surge no seguimento de uma separação do grande amor. Ou trocado por miúdos: o Tiago e a Matilde amam-se muito. Depois separam-se. Ele começa a andar com a Cláudia. Acabam. E a Cláudia começa a fazer tudo para manter o Tiago separado da Matilde. Entretanto ela desiste e eles juntam-se de novo. Mas, como quem se ama, neste folhetim sem jeito nunca pode ter descanso agora surge uma tal Isabel que os está a tentar separar.
Não é tudo estranhamente parecido???? Eu acho que é.

Continuando nos funny facts:
Não é incrível como os únicos bons actores da série são os veteranos? Ora vejamos, a Ana Zanatti, a Paula Neves e a Sónia Brazão. E se quisermos ir ás épocas antigas, Helena Isabel, Vasco Esparteiro, Dalila Carmo (Actualmente a vestir a pele de uma bêbada em Tempo de Viver- está fantástica), Rita Salema, Carlos Mendes, Joana Seixas (Num papel muito ingrato, ainda assim), Sofia Grillo (Bem, como sempre), Almeno Gonçalves (Mal aproveitado), ou uma (Inexplicável presença de) Lurdes Norberto.
Os actores jovens são na sua infeliz maioria uns tristes sem um pingo de talento, que têm a sorte de terem uma cara e/ou um corpo bonito(s). O problema é que caras bonitas, há muitas, e o que está hoje da moda, amanhã já é do dia anterior.
E estranhamente, todos os jovens actores que passaram pelos Morangos tiveram aí as suas piores prestações, recuperando depois em trabalhos posteriores:
Liliana Santos (Brilhante no papel de Isabel Albuquerque) e Benedita Pereira em Ninguém Como Tu, Hélio Pestana e Marta Melro em Dei-te Quase Tudo, Pedro Teixeira, Ana Guiomar e Dânea Neto em Tempo de Viver e João Catarré e Patrícia Candoso em Mundo Meu (Aquela que se passava no Algarve...). Tenho que salvaguardar aqui duas pessoas:
Rita Pereira como uma excepção muito positiva, já nos Morangos mostrou como é uma excelente actriz, o que confirma agora com um papel muito medíocre, mas boa interpretação em Dei-te Quase Tudo.
E Cláudia Vieira: Infelizmente, voltei a vê-la em televisão a representar (Em “Fala-me de Amor”), e “infelizmente” porque convenhamos que ela estava muito mal, mesmo para os Morangos com Açúcar. Enfim, depois de a ver encarnar tão vergonhosamente o papel de Ana Luísa, vai ser difícil fazer-me acreditar que ela saiba representar (Vai ser preciso um papel muito muito muito muito bom…)

Mais: é impressão minha ou três quartos dos personagens são tão inconsequentes que se tornam perfeitamente dispensáveis???
Os meus exemplos preferidos: aqueles quatro besugos, o David, o Zé Milho, o Ruca (Principalmente o Ruca) e o Tópê eram para quê? Para nada. Não havia uma simbologia por trás deles (Mas isso não me surpreende, não há simbologia por trás de nenhum personagem aqui), não havia nada de importante neles, estavam ali para fazer render o peixe: formavam uma banda com nenhuma qualidade, mas sucesso garantido, e dessa forma promoviam a série. Assim sendo, andavam para ali dum lado para o outro, com a mania que eram grandes cantores (No irritante caso do irritante Angélico Vieira, a exibir o corpo também, como se faltassem por aí rapazes que vão ao ginásio) e a encher elenco.
FF, aquele fantástico cantor (Esqueci-me de avisar que sofro da Síndrome da Ironia Constante- deve ser de ouvir o “Ironic” da Alanis Morissette desde os nove anos) é igualmente um personagem previsível e sem interesse
Também o Ed, o Link, o Jota e o Sérgio (Nomes lindos, não haja dúvidas) estão ali para o mesmo efeito, têm igualmente a mania que são grandes músicos, e a música é (Supreenda-se) desprovida de qualquer qualidade.
Mas nem só a cantar são metidos os personagens inúteis, e nem só inúteis são esses personagens. Mimi podia desaparecer (Ainda que Jéssica Athaide mereça uma nota positiva, porque não é qualquer actriz que encarna uma personagem tão enervante), o Manel também podia eclipsar-se (Aquela falsa rebeldia vê-se á distância), a Bia idem aspas (os desesperos dela são desesperantes), o Cristiano (Ainda que o personagem não seja dos piores, também não acrescenta nada), a Catarina (Além do sotaque exasperante, ninguém muda de estilo e aspecto com aquela rapidez, e é das piores actrizes que por ali anda) e o próprio Gil não faz falta alguma (Uma ridicularização dos gordos, eu recusar-me-ia a interpretar tamanha auto-humilhação, eu sei do que falo, que já fui gordo, e nunca me portei daquela forma).

Continuando a desencantar os defeitos da “série juvenil” tenho que falar da banda sonora.
Como é que se consegue fazer SEMPRE uma banda sonora com escolhas tão más?
(Tenho que resguardar o “Shine On” dos meus Blind Zero, mas fora essa, não se consegue resgatar uma única boa canção para amostra.)
Ainda me lembro de quando eles passavam o “Lena” ou o “Hip Hop (Sou Eu e És Tu)” do Boss AC (Deplorável), ou ainda Belinda More, Edyta, Daniel Bedingfield, O-Zone, Blue, Kevin Lyttle, Denzel, Marieke, Paranormal, Os Moleques, Orishas, Gutto, Mito, J-Five, Daddy Yankee, Expensive Soul, Projecto X… quero dizer… enfim, quem é que não fica surdo a ouvir tanto lixo junto… felizmente, é junto, e não muito junto, porque os nomes acima referidos são exemplos contidos ao longo das seis séries que se sucederam nos últimos anos.
Também á nível de música, há que frisar alguns nomes:
Uma Melanie C com um (Comestível) “Better Alone”, acaba por sem querer, sobressair, não pela qualidade da sua canção, mas pela falta de qualidade das outras.
Uma Anna Sahlene muito promissora com “We´re Unbreakable” e “Creeps”. Ainda que não simpatize muito nem com esta loirinha, nem com a música que ela canta, reconheço que está ligeiramente acima dos restantes nomes da banda sonora.
Os Deep Insight, com “Hurricane Season” que consegue ficar á parte (Junto ao “Shine On”) das outras canções, na segunda série.
Os Fingertips que se arriscaram muito ao verem “Picture Of My Own” integrar a segunda série, ao lado de Blue, Skye Sweetnan, Patrícia Candoso e Milénio.
Uma Rita Guerra na primeira série, com “I Thought You Would Leave Your Heart With Me”, ainda que desligado de tudo o resto que esta cantora portuguesa já cantou.
Mas o maior destaque tem que ir para uma rapariga chamada Diana, que eu não sei quem é, mas que canta MUITO bem (peço desculpa, mais uma vez fui atacado pela minha Síndrome). É que ainda que a menina só cantasse mal… o problema é também o que ela canta. Fica aí uma amostra de “Apenas Um Amigo (Tu és)” para que se perceba do que eu estou a falar:

Ó baby estás enganado
Não sonhes mais acordado
Gostaste e eu também
Mas não procuro ter ninguém
Adorei sair contigo
Mas não passas de um amigo
Foi tão bom, tão bom, mas não quero compromisso

Muito bonito, não é? Aposto que depois disto o João Monge e a Sarah McLachlan vão deixar de escrever letras para canções, ao verem como ficam pequeninos, aliás, minúsculos ao lado deste masterpiece do Boss AC e de um/a tal A. Arcada para esta rapariguinha com uma histérica voz mistura de Kelly Clarkson com Spice Girls. Aliás, cantoras como Kátia Guerreiro, Mísia, Mariza… vão começar a encomendar as suas letras aos autores deste “Apenas Um Amigo (Tu És)”, abandonando assim António Lobo Antunes, Vasco Graça Moura, José Luís Peixoto, Pedro Campos, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Fernando Pessoa (Hoje estou que nem posso da minha Síndrome).

Em conclusão, o que eu tenho estado a tentar dizer: só o Rui Vilhena é que sabe como é que se escreve uma novela. Ninguém Como Tu e agora Tempo de Viver são as melhores provas. E não é só estarem bem escritas. A nível de direcção de actores e tudo isso… estão muito acima da média. E isto é para mostrar que eu sei fazer mais coisas do que criticar. Senão ainda me vêem como um seguidor da filosofia do Vasco Pulido Valente, e eu não quero muito… enfim, eu sei falar bem (Ainda que me custe apoiar palavras do senhor José Eduardo Moniz…)

Mais umas rectificações antes do final ou (Como diriam os meus Placebo) the bitter end:
Acho uma piada aos dias em que “por acaso” aparece por lá um cantor ou uma cantora! A sério, não é impressionante? Um belo dia, uns minutos após o sol-pôr, quem é que aparece no Bar do Fred (Que nome fantástico, não haja dúvidas)? O Daniel Bedingfield. Mas isso é normal… ele ia a passar pela Praia Azul e lembrou-se
“_Olha, vou ali tomar um café ao Bar do Fred…”
e foi. E depois entrou e apareceu a mal-criadona da filha do Fred e pediu-lhe que cantasse e ele cantou. (Esqueci-me de referir o péssimo exemplo que personagens como a Teresinha constituem… Essa é que devia ser minha filha. Não me falava assim, de certeza absoluta).
Muito bonito.
E as Sugababes? As Sugababes também passaram por lá, na altura do Bar dos Rebeldes.
Elas iam também a passear por Lisboa, como fazem provavelmente todos os dias… e de repente, diz a Keisha
“_Estou cansada, dormi pouco, estou com sono.”
e a Heidi responde
“_Não te preocupes, vamos aqui ao Bar dos Rebeldes e tomas um café…”
e lá foram elas as três, e depois cantaram.
Assim como o vocalista dos Simply Red, que também passou pelo Bar dos Rebeldes. Ele estava na casa dele, e lembrou-se
“_Já sei. Vou tomar um café ao Bar dos Rebeldes.”
e lá foi ele até ao bar do Rafa cantar e tomar café…
Enfim.

E mais uma coisinha:
Depois desta série POR FAVOR não façam mais nenhuma… é que já chega de nadar na mesma pocilga… (É que eu ouvi uns murmúrios preocupantes que diziam que este projecto se vai arrastar por mais uns 7 anos e fiquei logo sem sono…)

Por último: um agradecimento á minha irmã, que me forneceu os dados [CD´s, revistas, nomes de personagens e lugares, resumos do enredo…] todos para dilacerar a imagem de uma das suas novelas preferidas. Obrigado.

sábado, 1 de julho de 2006

Lou Rhodes no Cinema da Batalha

A CANTORA MAIS QUE PERFEITA

Quando, num tema inédito, Lou Rhodes canta “the more I live the less I know of this world” está a generalizar demasiado. Ela pode saber cada vez menos de outras coisas, mas no que toca á música, quanto mais ela vive, mais sabe sobre isso. O concerto de Quinta Feira, no Cinema da Batalha do Porto é a prova dos nove disso.
Ela, que começou com os Lamb há uns longínquos 10 anos (Um álbum homónimo, muito electrónico, de arranjos maximalistas, um tipo de música inédito…) está agora de regresso, em nome próprio, e isto pode trazer complicações.
Lou Rhodes poderia ter muitos problemas ao surgir a solo com um disco como “Beloved One”. Um disco acústico, minimalista, intimista e (muitíssimo) perfeccionista. Ora, com excepção da última qualidade, isto é completamente dissidente dos Lamb. Na sua estreia sem Andy Barlow, Lou abandona os teclados, a electrónica, as coisinhas pequenas, os extensos solos instrumentais… e envereda por um estilo próprio. Na medida em que o que a cantora pretendia era um disco onde não houvesse nada que não precisasse de lá estar, foi muitíssimo bem sucedida. Aliás, sinceramente, penso que foi a decisão correcta. Criando um novo conceito musical, Lou Rhodes impede que a sua música seja vista como Lamb sem Andy Barlow, e sim como simplesmente Lou Rhodes (por acaso tem um nome bonito).
Há alguma coisa de Lamb nestas canções, talvez seja só a voz, talvez outras coisas mais tenham subsistido, mas a essência, o sumo, é completamente inédito. E este concerto, a par com o da Aula Magna do dia anterior vem precisamente confirmar o nascimento de um novo tipo de música.
Surgindo em palco acompanhada com cinco músicos (guitarra acústica, bateria, background vocals, violino e um contrabaixo, tocado por Jon Thorne, trazido dos velhos tempos dos Lamb) Lou começa com um “No Re-Run” ainda a medir o lugar onde está (“It´s a quite beautiful place you´ve got here” começou por dizer) e avança sem medo para “Treat Her Gently”. Acompanhando-se a si mesma na guitarra, vai invadindo a sala com a sua aura angelical, na intimidade revelada de “Fortress” ou na energia de “In´Lakesh”.
Um dos momentos mais Deus-Todo-Poderoso do concerto surge agora, como “Each Moment New”, a voz a elevar-se aos céus, a bateria agressiva, o contrabaixo imparável, e um público a cantar em uníssono. Segue-se “Beloved One”, e um inédito “All We Are”. As irradiações do paraíso continuam em “Save Me”, no luxurioso “Tremble”, em “To Survive” finalmente no desespero de “Why”.
A primeira retirada da banda do palco é seguida de aplausos, assobios e pés a bater no chão, e do inevitável regresso.
Depois da promessa de um segundo disco, feita com “Bloom”, outro inédito, chega um momento indescritível. Com uma guitarra a fazer as vezes do piano, Lou apresenta uma versão totalmente transmutada (Muito mais melancólica, sem nunca perder a energia) de “Gabriel”, afinal o maior hit dos Lamb (Do álbum “What Sound”). Não havia uma única pessoa sentada, todos de pé, e a bater palmas, marcando o ritmo. Até a cantora parecia emocionada, quando terminou.
Saem de novo, para voltarem apenas três (Lou, Jon Thorne e o violinista) para um versão de “Lullaby”, também dos Lamb (Mas do álbum “Fear Of Fours”).

Penso que de facto a ex-vocalista dos Lamb fez o melhor ao iniciar uma nova sonoridade. Não só nos mostra o grande que é, como mostra que na música alternativa também há espaço para o acústico (Antony and the Johnsons e Sophie Barker já o tinham mostrado também). E grande não quer dizer só que é alta. Quer dizer que canta bem, que sabe dar um concerto, que é uma grande compositora, que é simpática e comunicativa, que é humilde e que é perspicaz.
Agora faltam mais concertos. E mais discos.




sábado, 24 de junho de 2006

Black




Pearl Jam





Sheets of empty canvas, untouched sheets of clay
Were laid spread out before me as her body once did.
All five horizons revolved around her soul
As the earth to the sun
Now the air I tasted and breathed has taken a turn

Ooh, and all I taught her was everything
Ooh, I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands chafe beneath the clouds
Of what was everything.
Oh, the pictures have all been washed in black, tattooed everything...

I take a walk outside
I'm surrounded by some kids at play
I can feel their laughter, so why do I sear?
Oh, and twisted thoughts that spin round my head
I'm spinning, oh, I'm spinning
How quick the sun can drop away

And now my bitter hands cradle broken glass
Of what was everything?
All the pictures have all been washed in black, tattooed everything...

All the love gone bad turned my world to black
Tattooed all I see, all that I am, all I'll be...

I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a sun in somebody else's sky, but why
Why, why can't it be, why can't it be mine????




Música de Stone Gossard, Letra de Eddie Vedder
Os Pearl Jam são considerados os sobreviventes do grunge. O seu primeiro álbum "Ten", ao qual pertence esta canção, foi lançado em 1990. Desde então, a música da banda soma e segue, tendo editados, inclusivé, um álbum ao vivo e um geatest hits. "Black" é uma das canções que mais mexe comigo desde que a ouvi pela primeira vez.
Imagem: "Narciso" de Caravaggio. O seu nome verdadeiro era Michelangelo Merisi, nasceu em 1571, e foi o primeiro grande pintor do Barroco. A sua técnica denominada tenebrismo viria a ser não só umas das maiores marcas da pintura barroca, como uma influência para os artistas da mesma. Teve uma vida atribulada, e só após a sua morte o seu trabalho começou a ser verdadeiramente apreciado.

sábado, 17 de junho de 2006

Retratos do Românico Rural


Estive a fazer um trabalho para História da Cultura das Artes sobre a igreja romância de São Pedro de Rates, e acabei por me fascinar por ela. Linda, não é???? Fica aí uma vista da abside e dos absidíolos e o tímpano do pórtico principal.
Além disto, ainda estive a ouvir um disco de que gosto bastante, "Canto" da Mísia, onde está este poema da Marquesa de Alorna, adaptado por Vasco Graça Moura, que me parece bastante... ligado... por alguma razão, ao ambiente medieval~...



CANÇÃO DE ALCIPE
(Marquesa de Lorna adp. Vasco Graça Moura)

(na foto, Vasco Graça Moura e a Mísia)
Cantiga
Sozinha no bosque fui
Com meus tristes pensamentos,
Lá calei minhas saudades,
E fiz trégua aos meus tormentos.

Olhei então para a lua
Que as sombras já rasgava,
E no tremular das águas
Seus raios soltava
Seus raios soltava.

Nessa torrente
da despedida
vejo assustada
a minha vida.

Do peito as dores
iam cessar,
voa a tristeza
torna o meu penar.

Do peito as dores
iam cessar,
tornam tristezas
a voar.

O Conto Para Adultos


Seguindo a linha da crítica destrutiva da última mensagem, hoje tenho que manifestar o meu desgrado pelo conto infantil da Pequena Sereia.
A sério que não entendo onde reside a lógica de lhe chamar um conto infantil. Aquilo é um conto para adultos, e só para aqueles que já sabem distinguir muito bem o certo do errado.
Vejamos:
A história, em traços gerais fala sobre uma princesa sereia que vive no fundo do mar com as irmãs, uma espécie de clã, e, um dia, vai a superficie, vê um barco e apaixona-se por um dos marinheiros. Lá está: que raio de pessoa decente é que logo que sai de um lugar para outro diferente se apaixona pelo primeiro que lhe aparece á frente???
O problema reside no facto de ela ser uma sereia, e ele humano, por isso, ela vai á Medusa, uma espécie de bruxa que lhe faz uma poção para ela ficar com pernas, em troca da sua linda voz. Cá está outro erro: até que ponto é que isto promove o amor verdadeiro? Não é suposto a pessoa que nos ama, amar-nos tal como somos? E mais ainda, até onde é educativo incentivar as crianças a recorrer á prática da bruxaria para atingirem os fins?
Continuando, ela vai ter com ele ao barco e ele apaixona-se por ela, assim, só por vê-la. E isto é outro erro: não é um pouco apelativo á superficialidade que ele se apaixone por ela só pelo físico, sem falar com ela? Quer dizer, o corpo é tudo o que interessa. Ele nem quis saber se a Ariel (?) era burra, se era mal educada, se dizia palavrões, se gostava do Ricky Martin... enfim...
Ora, para apimentar um pouco a história, a Medusa transforma-se numa pessoa e apaixona-se pelo princípe tambem. E faz um feitiço para que quando ele a ouvir cantar com a voz da sereia, se apaixone. Mais erros: de novo a incitação ao amor superficial, de novo um incentivo á prática de bruxaria que deve ser ilegal, e ainda por cima, esta parte inaltece a utilização da voz alheia para fins ilícitos! Um escândalo!
Ele apaixona-se, e isto é mau, porque promove a bigamia, e ela, para defender o que supostamente lhe pertence, tenta matar a Medusa. Outro erro: os duelos são proíbidos por lei, a última vez que verifiquei o Diário da República!
Ainda assim, acaba por ser o próprio principe a matar a Medusa. Mais um erro, e este crasso, promove o homicídio! Uma vergonha, sem comentários.
Além de tudo isto, devo referir que acho doentio que nos contos infantis se dê um incentivo ás relações intraespecíficas (entre individuos de espécies diferentes).
Ou seja: "A Pequena Sereia" é uma história profundamente deseducativa, que devia ser transmitida com uma bolinha vermelha no cantinho do ecrã, aliás, duas. A sério, é um caso perdido, não tem ponta por onde se lhe pegue!!!!

Hoje por fim, relembro Sophia de Mello Breyner Andresen

AS ROSAS/ PROMESSA




Quando á noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendessa entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes
Todo o fulgor das tardes luminosas
O vento bailador das primaveras
A doçura amarga dos poentes
E a exaltação de todas as esperas

Quando á noite desfolho e trinco as rosas
és tu a primavera que eu esperava
A vida multiplicada e brilhante
Em que é pleno e perfeito cada instante

terça-feira, 23 de maio de 2006

A Memória Segundo Faulkner





"A memória acredita antes de o conhecimento poder recordar. Acredita durante mais tempo do que ela se lembra, durante tanto tempo que até espanta o conhecimento. Ela conhece, lembra-se, acredita num corredor povoado de ecos gélidos, de um enorme e longo edifício com empenas, feito de tijolos vermelhos escuros, batido pela fuligem de muitas chaminés para além da sua próprial, situado por trás de uma cerca num terreno sem relva cheio de resíduos de escória, cercado pelos confins de fábricas fumarentas e vedado por uma barreira de arame e aço, como uma penitenciária ou um jardim zoológico, e onde surgem, num caso errático, órfãos vestidos com fardas idênticas de sarja azul, soltando os seus agudos palrares infantis, entrando e dsaindop das recordações, mas constantes no conhecimento, tal como os muros ermos e as janelas solitárias onde a chuva parece tracejar lágrimas negras com a fuligem das chaminés vizinhas."




William Faulkner, "A Luz Em Agosto", cap. 6, 1932
Imagem: "A Madalena Arrependida" de Georges De La Tour.








W.F. nasceu em 1897 no Sul dos Estados Unidos, e venceu o prémio Nobel da Literatura em 1949. Morreu em 1962.
G. d.l. T. nascido a 13 de Março de 1593, em Lorena, França, é um dos mais importantes pintores barrocos. A grande influência nos seus trabalhos é o pintor italiano Caravaggio, em particular pelo uso do tenebrismo.

Retorno




FADO DO RETORNO

(Lídia Jorge)



Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada

Voltaste já voltaste
Já entras como sempre
Abrandas os teus passos
E paras no tapete

Então que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa

Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada

Voltaste, já voltei
Também cheia de pressa
De dar-te na parede
O beijo que me peças

Então que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Tocados pela graça

Amor é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada

Amor, o que será
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
A escolha do mais puro?

Já fuma nosso fumo
Já sobra a nossa manta
Já vem o nosso sono
Fechar-nos a garganta

E então que os círios olhem
E assim a casa seja
A árvore de Outono
Coberta de cerejas



Foto: Henri Cartier Bresson: "Charlotte"

Barbies, Nenucos e Afins

Feliz ou infelizmente (a minha queda é mais para a existência do prefixo) estamos longe do Natal, ou daquela época a que os católicos praticantes gostam de chamar o advento. Logo, não temos que ser plasmados com toda a quela publicidade estúpida de Nenucos e Barbies e Kens e coisas do género.É que isso a mim impressiona-me muito.Por exemplo: como é que a Barbie nunca parece ultrapassar os vinte e poucos anos e tem tantas profissões? Ela é médica, veterinária, mergulhadora, bióloga, e ainda tem tempo para as causas nobres como ser amiga dos animais? Qualquer pessoa normal precisaria de pelo menos 40 anos para fazer esses cursos todos e ainda ter tempo para pensar nos animaizinhos! E logo a Barbie, com aquele aspecto de loira burra (sem ofensa para as loiras) é que é a sobredotada que conseguiu fazer tudo ao mesmo tempo? Sinistro...Já por isso não me surpreende que o Ken não faça nada senão aparecer ao lado dela, qual tia do pseudo jet set! É normal. Com o dinheiro todo que entra na casa só com os 5000000 ofícios da Barbie, não há marido que precise de trabalhar, bem pode ficar em casa a ver Sport TV (o Ken tem todo o aspecto disso) ou a ver filmes.Outro ser impressionante é o Nenuco, que nunca cresce! É incrível. A minha irmã tinha Nenucos quando era pequena, e já fez 14 anos e o Nenuco continua a aparecer na TV com a mesma idade e o mesmo ar impassível. E pior: é incrível como fazem tanto escândalo só porque ele consegue fazer chichi ou porque consegue dizer mãmã e papá!!! Quer dizer... quem é a criança que não faz isso? Se fosse tocar saxofone, dizer interdisciplinariedade, declamar Fiama Hasse Pais Brandão ou entender o que significou em termos políticos o desastre de Chernobyl.... eu ainda admitia o alarido, mas assim... por favor...

sábado, 20 de maio de 2006

António Lobo Antunes: Eu Hei-de Amar Uma Pedra

O PRODÍGIO DO PRODÍGIO


Precisamente quando eu achava que "O Manual dos Inquisidores" seria sempre o meu romance preferido de António Lobo Antunes, "Eu Hei-de Amar Uma Pedra" vem contrariar-me. "Eu Hei-de Amar Uma Pedra" é, desde logo, um romance diferente no processo de escrita. Em vez de uma história imaginada, tem como enredo uma história verídica. António Lobo Antunes encontrava-se a escrever num gabinete de hospital, quando um colega seu, psiquiatra o chamou para ouvir o relato da bizarra história de amor de uma mulher. Descrita no livro como
"Doente de 82 anos, sexo feminino, idade aparente coincidindoi com a real, Orientada no tempo e no espaço, alo e heteropsiquicamente, memória conservada de acordo com os parâmetros etários, contacto adequado, sintónico embora retraído, com dificuldade em verbalizar o motivo da consulta"
é a sua história que faz "Eu Hei-de Amar Uma Pedra".
A mulher, cujo nome nunca sabemos, conhece o homem, de quem também não conheceremos o nome, quando ambos são ainda jovens. Posteriormente, ela é internada num sanatório em Coimbra. Ele escreve-lhe, ela responde-lhe, mas as cartas não são enviadas. Ele deduz que ela morrera.
Casa. Tem duas filhas. Vive em Lisboa, com a família, quando reencontra a mulher, que saíra do Sanatório, e era agora costureira. Iniciam uma bizarra relação.
Durante as férias de Verão que o homem passa em Tavira, Algarve, a mulher está sentada dois toldos adiante, tapada com um interminável crochet. Olham ocasionalmente um para o outro. Ás quartas feiras encontram-se numa pensão rasca na Graça, e, na Primavera, encontram-se por vezes num hotel em Sintra, de onde observam as acácias em flor.
Depois, o homem morre, e a mulher decide consultar um psiquiatra, dado o estado de perfeita melancolia em que mergulha.




É o tipo de história bonita que nunca pensei que António Lobo Antunes fosse escrever. Não me interpretem mal, a dureza e crueza e realismo que são a imagem de marca deste escritor continuam lá, mas agora inseridos numa comovente história de amor.
Analisando as situações através de fotografias, consultas (no psiquiatra), visitas e narrativas, vai modelando os seus personagens, cada um com o seu lado bom, e com o seu lado negro.
A personagem da mulher da praia, é introduzida de uma forma tão discreta que, mais tarde, quando percebemos que se trata da protagonista, é difícil acreditar.
O último capítulo, e o único em que a narradora é essa mulher, é de uma beleza tocante, poética mesmo, e única no contexto dos romances de António Lobo Antunes.
Não é um livro perfeito apenas por perder demasiado tempo com a vida do psiquiatra, que, para o enredo, não interessa rigorosamente nada, mas essa é uma marca a que Lobo Antunes há muito nos habituou, e, devo dizer, não é de todo mau, uma vez que descentraliza o romance, e torna-o mais vívido, mais real, por explorar também a vida de uma pessoa que não está directamente envolvida na intriga principal.
É bonito ver uma relação que durou sessenta anos, que vivia destas pessoas se olharem as tardes que passavam na praia nas férias, e as tardes de quarta-feira numa pensão perdida na capital. Quantos de nós poderiam ter uma relação assim, tão forte, tão estoica? Era verdade que, com tão pouco tempo juntos, acabavam por disfrutar apenas do bom lado da relação, uma vez que não tinham sequer tempo para discutir; mas se virmos bem, esta mulher deu a sua vida toda a este homem, não casou com outro, nunca aceitou dinheiro deste "porque o amava", ou seja, arriscou tudo por ele.
E, sinceramente, não resisto em transcrever apenas um pouquinho do final, como se um poema fosse, porque se não é, poderia ser...


"Se calhar Tavira já não existe. Nem Sintra. Há quanto tempo isto foi? Terei inventado tudo? Sonhado tudo? Demoro na resposta, mas penso que não..."


(António Lobo Antunes, "Eu Hei-de Amar Uma Pedra", Última Narrativa, 2004)

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Camel & Coca Cola

Estava eu na casa de banho, e tinha-me esquecido de levar um livro para ir lendo já que tenho uma boa desculpa para não estar a fazer nada... então comecei a ver as revistas que estão empilhadas no parapeito da janela. Encontrei uma daquelas das pitas, que pertence á minha irmã mais nova. Abri-a. Encontrei umas entrevistas rápidas com perguntas que eu achei interessantes para uma primeira abordagem. Eu teria preferido a Magazine das Artes, ou a Umbigo, mas quem compra isso sou eu, e tenho tudo arrumado algures no meu quarto, e a minha irmã só compra estas corjas...

Nome: jKAKSDJEJIFJIIDJOEIJRIOWJFJKLÇSLKKSWERTHGTI (Se não conhecem o nome, deviam)
Nasceu... em Braga, num hospital que tem uma Igreja Barroca algures quando os Massive Attack preparavam o primeiro álbum
Signo: Peixes e por acaso sei nadar, ainda que não utilize tal conhecimento no dia-a-dia
Nickname: Molko
Altura: a última vez que me medi tinha 1,77
Prato Favorito: bife com batatas fritas... nisso não sou nada original... ah!!! Também gosto de Lasanha e essas coisas todas que levem massa e queijo...
Cor Favorita: vou ter que responder preto, apesar da minha mãe lutar afincadamente contra isso
Quando era pequeno, lembra-se de... partir o queixo
Cidade onde gostaria de viver... Tavira... mantendo o Porto, claro
Lojas onde gastar dinheiro... (Pergunta estúpida.) Fnac, Levis, a Loja de Serralves
Acessórios que usa todos os dias: as palavras
Um dos prazeres da vida é... pessoal. Sei lá que amigo meu (Ou pior, familiar.) vai ler isto?
Se pudesse ter um superpoder seria... desaparecer por umas horas
A tarefa doméstica que mais detesto... uma por uma, todas elas.
Época preferida do ano... Natal
Palavras/ frases que uso muitas vezes... "Não acho normal", "Ó minha senhora que seca", "Que aparato", "Que postura", "Que situação", "Vai por mim...", "Isso é falso!"
O seu interesse mais recente é... um certo blog
Influencias musicais... é melhor ser sitético: The Gift, Placebo, Muse
Istrumento que aprendeu a tocar: piano
Piores hábitos: andar muito depressa, não arrumar o quarto, dizer coisas que não fazem ninguém mais feliz, nem acrescentam nada, mas fazem alguém sentir-se mal...
Objectivo para o próximo ano: andar mais devagar, arrumar o quarto e deixar de dizer coisas que não fazem ninguém mais feliz, nem acrescentam nada, mas fazem alguém sentir-se mal...
No futuro quer: conseguir achar que estas perguntas fazem um pouco de sentido...
O seu ídolo é... sei lá... depende da área. A Sónia Tavares, o Brian Molko, o Mathhew Bellamy... mudando de registo, a Helena Almeida, o Siza Vieira, o Lloyd Wright... sei lá... já sei: a minha stora de História da Cultura e da Arte. Definitivamente
Lar Doce Lar... é o Porto.
Tatoos... (Que estupidez.) já que ainda não sou maior de idade e o meu pai é conservador, estou á espera dos 18 para fazer uma no alto das costas
Nos pés... All Stars. Vou trocando a cor, para não ser sempre igual...
Cabelo: Tenho uma gedelha indomável, uns caracóis que não compreendo, nem eu, nem nenhum cabeleireiro que se aproxime de mim
Como se Define: com palavras, certamente... talvez com músicas...
Rapaz Ideal: Não sou, não fui, e duvido que alguma vez vá ser. Aliás, tenho a certeza...
Videoclips: Os meus eleitos têm mesmo que ser "11:33" dos The Gift, "The Bitter End" dos Placebo e "Inertia Creeps" dos Massive Attack
Série de TV: Donas de Casa Desesperadas, Sete Palmos de Terra, Senhora Prseidente, Roswell, Três Irmãs, CSI
Filmes: curtas, filmes de terror, filmes daqueles que toda a gente na parvónia me pede para repetir o nome e quando eu introduzo o assunto, eles comentam
"_Coisas demasiado intelectuais para serem boas"
e eu penso
"_Fode-te."
adiante...
Detesta: crianças, animais, hip hop e computadores
Irmãos: se não tivesse uma, não estava a escrever esta treta
O Amor é... boa pergunta. Aposto que a Sarah McLachlan sabe...
Lema de Vida: Para a frente que atrás vem gente... dá jeito pensar assim quando se está a fugir de um assaltante...
Timidez: tenho bastante. Se quiserem comprar, o meu e-mail está no profile, e não paga impostos
Olhos: dois
Perfume: Calvin Klein Crave, uma vez que já usava o Boss In Motion há bastante tempo...
Hobby: escrever coisas em blogs...
Um Defeito: obstinado
Animais Domésticos: um pesadelo
Parte do corpo: é melhor não entrar por aí... bem, talvez as clavículas...
Viagem de Sonho: No outro dia falaram-me das Barbados, mas eu continuo a querer o Japão
Uma Virtude: estoicismo


Camel e Coca Cola. Uma receita para o prazer e não para a felicidade.
Não para o paraíso.
Dizia Sade:

PARADISE
(Sade Adu/ Sade Adu- R St John)

I'd wash the sand off the shore
Give you the world if it was mine
Blow you right to my door
Feels fine

Feels like
You're mine
Feels right
So fine
I'm Yours
You're mine
Like Paradise

I'd give the world if it was mine
Feels fine
Feels like
You're mine
I'm Yours
So fine
Like Paradise

I'd wash the sand off the shore
Give you the world if it was mine
Blow you right to my door
Feels fine

Feels like
You're mine
Feels right
So fine
I'm Yours
You're mine
Like Paradise

Oooh what a life
Oooh what a life
Oooh what a life
Oooh what a life

I wanna share my life
Wanna share my life with you
Wanna share my life
I wanna share my life
Wanna share my life with you
Wanna share my life
Oooh what a life
Like paradise