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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

[Nous voici parvenus à la froidure,]


Nous voici parvenus à la froidure,
qui est gel, neige et boue,
les oisillons restent muets
à chanter aucun n'incline
Les branches sont sèches dans les haies,
ni fleur ni feuille n'y éclot
ni rossignol n'y chante,
lui que j'aime lorsqu'en mai il m'éveille.

J'ai le cœur si désabusé
qu'à tous je suis étrangère ;
je sais que l'on perd
beaucoup plus vite qu'on ne gagne.
Si je donne le change avec des mots sincères,
c'est que d'Orange me vint la douleur
qui me laissa consternée :
j'en perds en partie la joie.

Une dame place très mal son amour
en plaidant contre un homme de haut parage,
de meilleure noblesse qu'un vavasseur
et, en agissant ainsi, elle commet une folie.
On dit en Velay
que l'amour ne s'accommode pas de l'orgueil,
et je tiens pour déshonorée
la dame qui se distingue de cette manière.

Je possède un ami de grand mérite
qui surpasse tout le monde en noblesse ;
ne me montre pas un cœur infidèle
celui qui m'accorde son amour.
J'affirme que mon amour lui revient,
à qui prétend le contraire
que Dieu donne mauvaise fortune,
ar je me sens fort bien protégée.

Bel ami, bien volontiers
je me suis engagée avec vous pour toujours,
courtoise et de belles manières,
à condition que vous ne me réclamiez rien de déshonorant.
Nous en arriverons bientôt à l'essai
où je me mettrai à votre merci ;
vous m'avez fait la promesse
que vous ne me demanderez pas de faillir [à l'honneur].

A Dieu je recommande Beau-Regard
et plus encore la cité d'Orange,
la Gloriette et le château,
et le seigneur de Provence,
et tous ceux qui là-bas veulent mon bien,
et l'arc où sont représentés les exploits
J'ai perdu celui qui détient ma vie,
j'en resterai à jamais affligée.

Jongleur, vous qui avez le cœur gai,
du côté de Narbonne, portez là-bas
ma chanson avec sa chute
à celle à qui Joie et Jeunesse servent de guides.


Azalaïs de Porcairagues
Trata-se de uma das poucas mulheres trovadoras do século XII, de quem sobreviveu até aos dias de hoje apenas um poema, escrito em occitano (provençal), que aqui se apresenta numa tradução para francês moderno.
pintura de Jacek Malczewski

[Nada mais belo e difícil]





















Nada mais belo e difícil
que os olhos de alguém que olha
assim transformando o mundo
em quarto nunca habitado
e em cama sempre estranha.

Se a cobra nos morde a cauda
e a obra nos morde a corda
por instantes quero ver
como quem já só acorda
por excepção e não por regra.

Do invisível vestida
te arrenego castidade
do destino abusadora.
Pois moro dentro do corpo
onde me aperta a demora.

Regina Guimarães
Cadernos do Eclipse 2 (novembro 2008 a janeiro 2009)
2013, ed. Helastre
imagem de Igor Kozlovsky e Marina Sharapova

A Minha Rua


Uma velha invisível trauteando
no reduto a que chama seu jardim
juízos, juras, injúrias,
sem começo meio ou fim.

Fala de um amor refém
ganindo como se visse
entrar em si o ladrão
sem poder escapulir-se

Da mulher que não tem filhos
se diz que não alcançou...
Que dizer desta surpresa
de só conhecer na vida
as cordas do estendal
esticadas em sobrecarga
para que jamais se enrede
seu cordão umbilical?

Regina Guimarães
Cadenos do Eclipse 1 (junho a outubro de 2008)
2013, ed. Hélastre
pintura de Dario Puggioni

segunda-feira, 29 de julho de 2013

[e eis súbito ouço num transporte público:]





















e eis súbito ouço num transporte público:
as luzes todas acesas e ninguém dentro da casa:
sete ou nove metros de labaredas,
e nem um grito, um sussurro, uma palavra:
só a casa ocupada pela grandeza da estrela,
a grandeza primeira

Herberto Helder
Servidões
2012, ed. Assírio e Alvim
pintura de Edward Hopper

terça-feira, 23 de julho de 2013

[Tu tiens l’atlas ouvert sur tes genoux]


Tu tiens l’atlas ouvert sur tes genoux. 
On n’y voit pas ton voyage marqué. 
Or tu voudrais décorer d’un or doux 
Le nom des ports où tu t’es embarqué 

 Et dessiner les plus beaux épisodes 
Comme on faisait sur les cartes anciennes, 
Ta halte ici près de l’enfant qui brode, 
Là des dangers en terre non chrétienne. 

 Va, tu peux bien tracer au crayon bleu 
Ton aventure autour de l’univers; 
Mais ton sillage autrefois écumeux 
N’est pas resté dessiné sur la mer.

Marcel Thiry
L'enfant Prodigue
1927,ed. Thone
desenho de Paula Rego

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Comment voyager


Comment voyager
sans voir le sang
qui a fertilisé la terre
sans voir la sueur
qui a salé la mer
nous piétinons l'histoire
les morts pour rien
des siècles de carnage et d'oppression
sont notre fierté
notre culture notre identité
à en vomir d'être homme
on envie l'immobilité de l'arbre
on voudrait se raccrocher aux oiseaux
on marche au petit bonheur
espérant que toute l'eau de la mousson
suffira
à laver notre passage
effacer notre empreinte

Saguenail
Le Peu de Chose
2009, ed. Hélastre
pintura de Frank Auerbach

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Insónia


Insónia. Abro a janela. Esvaimento
No abismo da solidão estrelada.
É inquietante a paz e um sentimento
De hora nenhuma vai da lua ao nada.

Tem nisto um deus sinistro o instrumento
De submeter-me em morte figurada?
Silêncio astral. Estático tormento
No eterno insone que inspira a hora parada.

Suga-me o sangue um polvo agonizante.
Marginam o pensamento delirante
Espectros de prostitutas na avenida.

Pesam as pálpebras. Apodrece a ideia
De adormecer. O dia já clareia
Num galho tenro da árvore da vida.


Natália Correia
Inéditos (1985-1990)
Poesia Completa
1999, ed. Dom Quixote
pintura de Miguel Leal

sábado, 6 de julho de 2013

Pequenos Poemas Mentais


I
Quem não sai da sua casa,
não atravessa povos, montes, vales,
não vê as cenas bíblicas das eiras,
nem mulheres de infusa, equilibradas,
nem carros lentos chiadores,
nem homens suados,
quem vive como o insecto cativo no seu redondel,
cria mil olhos para nada...
Mil olhos implacáveis!
E um dia diz: odeio o que ontem amava,
sentindo indómitos ódio.
E diz depois: ó tempo vazio, vazio, vazio...
sem amor nem ódio, terrivelmente pobre.
E ainda volta a dizer: mas eu que sei, que sou?
Não sei nem sou, não me reconheço...
Nunca ninguém, sequer, me deteve, me falou, me interrogou.
Sou uma sombra, ou menos.

E o insecto,
ou o quer que é como o insecto no seu redondel, pára.
Pára circunvagando os mil olhos desgostosos
pela païsagem pobre, irrenovada.


IV
Ó luxúria brutal, perversa e felina,
dos outros, alheia,
sem pensamentos nem repouso!
retira-me da frente o venenoso cálice,
a tua peçonha adocicada.
Que a morte, o nirvana, a indiferença
dos longuíssimos anos sem sobressaltos, me retome.

Abro os braços e meço: cá, lá... cá, lá...
solidão, infinita solidão!
E, neste momento, neste balouço, adormeço.
Cá, lá... morte, vida... morte, vida...
Tôdas as ausências, tôdas as negações.

Irene Lisboa
'Pequenos Poemas Mentais'
Revista de Portugal, nº 3, Abril de 1938
pintura de James Ensor

sexta-feira, 21 de junho de 2013

[um fragmento]


Faz um dia muito bonito. Chove uma chuva muito fina, o céu está escuro e o mar revoltado. As almas esvoaçam no cemitério, os vampiros estão soltos, os morcegos encolhidos nas cavernas. Aconchego de mistério e terror. Se de repente o sol aparecesse eu daria um grito de pasmo e um mundo desabaria e nem daria tempo de todos fugirem da claridade. Os seres que se alimentam das trevas.
Só me interessa escrever quando eu me surpreendo com o que escrevo. Eu prescindo da realidade porque posso ter tudo através do pensamento.
A realidade não me surpreende. Mas não é verdade; de repente tenho uma tal fome de «coisa acontecer mesmo» que mordo num grito a realidade com os dentes dilacerantes. E depois suspiro sobre a presa cuja carne comi. E por muito tempo, de novo, prescindo da realidade real e me aconchego em viver da imaginação.

Clarice Lispector
Um Sopro de Vida (Pulsações)
1978
pintura de Júlio Pomar

terça-feira, 16 de abril de 2013

Naufrágio


No fundo do mar,
perdidos,
estão os sonhos,
dia a dia, inutilmente, dobados.
Carne de medusa,
lacerada pelos corais,
oculta entre as algas,
quem poderá sabê-los?
ou encontrá-los?

Luísa Dacosta
A Maresia e o Sargaço dos Dias
2002, ed. Asa
pintura de Luis Caballero

sexta-feira, 22 de março de 2013

Harmonia das Esferas


Pelas grades das persianas a lua cheia desembolsa
Em pleno no meu quarto, vómitos jorram até manchar a cama.
Nela deitado ardo como um olho que nunca mais pode fechar,
Uma pequena poça de carne, um órfão do tamanho de uma orelha.

Lá em baixo adolescentes dão estoiros nas garagens, expõem
Com gritos as partes pudendas niqueladas num regaço
De tijolo, dão cabo das janelas e matraqueiam com taipais
Para chatear a noite, mais o bairro, toda a danada da criação.

Mais tarde o torturante gotejar dos segundos
Nas goteiras de zinco. Tlipe. Tlipe. Plom. E lá ao fundo
Nos jardins carbonizados e ermos
A invisibilidade uivante dos gatos no cio.

Desde que moro aqui, mando longas cartas
Para a casa anterior. Lá, podia dormir, vigiar, silêncio
E escuridão aí reinavam, como no sedutor vazio rítmico
E opressivo de poemas por escrever.

Leonard Nolens
trad. do neerlandês flamengo por Catherine Barel
Uma Migalha na Saia do Universo (Antologia de Poesia Neerlandesa  do Século Vinte)
ed. Assírio e Alvim
pintura de Isabel de Sá

terça-feira, 5 de março de 2013

Sextina


Foge-me, pouco a pouco, a curta vida,
Se por caso é verdade que inda vivo;
Vai-se-me o breve tempo de ante os olhos;
Choro pelo passado; e, enquanto falo,
Se me passam os dias passo a passo.
Vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena.

Que maneira tão áspera de pena!
Pois nunca uma hora viu tão longa vida
Em que possa do mal mover-se um passo.
Que mais me monta ser morto que vivo?
Para que choro? Enfim, para que falo?
Se lograr-me não pude de meus olhos?

Ó fermosos, gentis e claros olhos,
Cuja ausência me move a tanta pena
Quanta se não compreende enquanto falo!
Se, no fim de tão longa e curta vida,
De vós me inda inflamasse o raio vivo,
Por bem teria tudo quanto passo.

Mas bem sei que primeiro o extremo passo
Me há de vir a cerrar os tristes olhos,
Que Amor me mostre aqueles por que vivo.
Testemunhas serão a tinta e pena,
Que escreverão de tão molesta vida
O menos que passei, e o mais que falo.

Oh! que não sei que escrevo, nem que falo!
Que se de um pensamento noutro passo,
Vejo tão triste género de vida
Que, se lhe não valerem tanto os olhos,
Não posso imaginar qual seja a pena
Que traslade esta pena com que vivo.

Na alma tenho um contínuo fogo vivo,
Que, se não respirasse no que falo,
Estaria já feita cinza a pena;
Mas, sobre a maior dor que sofro e passo,
Me temperam as lágrimas dos olhos;
Com que, fugindo, não se acaba a vida.

Morrendo estou na vida, e em morte vivo;
Vejo sem olhos, e sem língua falo;
E juntamente passo glória e pena.


Luís de Camões
pintura de Michele del Campo

sábado, 2 de março de 2013

A Terceira Miséria


32.
                                      Estão as praças,
Como ágoras de outrora, estonteadas
Pela concentração dos organismos,
Pelo uso da palavra, a fervilhante
Palavra própria da democracia,
Essa que dá a volta e ilumina
O que, por um instante, a empunhou.
Oh, os amigos, os abandonados,
Esses, os desatinados ao extermínio,
Esses os belos despojados, nus,
Os que, mesmo nascendo no Inverno,
Pouco sabem do frio, gente que dorme
Na sombra do meio-dia, ouvindo o canto
Das cigarras, o canto sobre o qual
Hesíodo escreveu. Gente do Sul
Gente que um dia se desnorteou.


33.
De que armas disporemos, senão destas
Que estão dentro do corpo: o pensamento,
A ideia de polis, resgatada
De um grande abuso, uma noção de casa
E de hospitalidade e de barulho
Atrás do qual vem o poema, atrás
Do qual virá a colecção dos feitos
E defeitos humanos, um início.

Hélia Correia
A Terceira Miséria
2012, ed. Relógio d'Água
pintura de Paula Rego

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quando os dias se movem


usamos nalgumas coisas uma violência simples
isso é romper os símbolos que envidraçam o resto
mas parte quem amamos quando os dias se movem
e se escolheu os limites para a pele aderir

no fundo de nós mesmos omitem-se tais coisas
e criam-se ficções, defesas, crueldades
dos jogos da aparêcia (à vista nos perdemos)
e movem-se nos dias seus múltiplos contrários

e contudo se movem se quem amamos fere
e o faz de razão fria ou esquecidamente
e a alegria se torna um torpe imaginário
quem muito amamos mata: vai-nos desinventando

Vasco Graça Moura
Instrumentos para a Melancolia
1980, ed. O Oiro do Dia
pintura de Mário Botas

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Todos por Um


A manhã está triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos com certeza

Santos
Mártires
e Heróis

Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.

Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de recorrer à vala comum.

Mário Cesariny de Vasconcelos
Nobilíssima Visão
3a edição Assírio e Alvim,  1991
pintura de Kazemir Malevich

Decomposição das Almas


A eternidade começa na decomposição pessoal.
Quando era pequena as galinhas que passavam
sem cabeça pareciam dirigir-se a qualquer lado.
Iam apressadas na ignorância de que as galinhas mortas
estão fora do tempo porque a eternidade
só decompõe a alma.  Sacrificam-nas pelo pescoço
e o sangue espalhado guarda-se numa bacia.
Não se serve em cálice, que as galinhas não são crucificadas.
Mas graças a ti todos os dias ressuscitam no aviário.
Tal como tu, Senhor, elas também não ocupam espaço.

Rosa Alice Branco
O Gado do Senhor
2009, ed. Espiral Maior
pintura de Theodore Géricaut

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Eléctrico


XI


(Que vontade de esbofetear estes palermas
a meu lado nos cafés e nos eléctricos, a
fingirem Vida Acesa!)


Antes os mortos hirtos, de pé, por dentro dos ciprestes
a beijarem a caveira da lua,
do que estes, do que estes
a nosso lado na rua.

São mortos sem cemitério,
mortos da Morte Arrefecida
_a quem tiraram todo o mistério
para lhe chamarem vida.

José Gomes Ferreira
Eléctrico
1956, Iniciativas editoriais
pintura de James Ensor

domingo, 13 de janeiro de 2013

A Pequena Morte (9)


Pode a serenidade destas rosas
atravessar a noite
sem que a esfolhem
os comovidos ares?

Sem que este perigo
_este sabor a perigo_
empalideça as mais
sombrias pétalas?

Ou esperarão, acaso,
com seus olhos
impotentes de flor,
com seu disforme e pútrido
alimento,
esperarão, inclinados,
exalando perfumes tumulares?

Vigiarão teu cerco, salivando,
escorrendo ânsias carnais;
seguirão o teu corpo,
palpitando
inchadas como um sexo
ouvindo as garras?

Assistindo ao amor,
aos instrumentos
e paixões do amor,
à crueldade,

mordem, pedindo sangue,
essas obscenas,
ferozes bocas:

com sua antiga vocação
de rosas
_a de vestir
cadáveres,
a de ornar
os vencidos despojos,
virão, sorrindo,
sobre a minha morte.

Hélia Correia
A Pequena Morte
(publicado com 'Esse Eterno Canto' de Jaime Rocha)
1986, ed. Black Sun
pintura de Constant Montald

[Um fragmento]


    Sentada
no adro, vejo a igreja de São Martinho aberta,
mas tão aberta
que a Física explode. O ar é puro. O ar é raro. De uma grande raridade humana por entre as árvores de que preciso saber os nomes. O lápis corre rápido com o que tem a dizer ao espaço vazio que lá dentro guarda o segredo do humano
escreve rápido, pede-lhe o ar

bem-aventurados os alucinados, porque deles será o real
bem-aventurados os desiludidos, porque neles o pensamento se fará humano
bem-aventurados os corpos que morrem, porque deles será a sensualidade do invisível
bem-aventurados os desesperados, porque deles será a restante esperança
bem-aventurado sejas tu, ó texto, porque nos abres a geografia dos mundos
bem-aventurada sejas tu, ó Terra, porque tua será a explosão que levará o vivo a todo o Universo.

   Imóvel, fico-vos a olhar, Teresa, ou Hadewijch,
mas vós não vos inquietais,
correis sobre o vivo _e arrastando o vivo que vos investe.
Peixes, no rio do tempo.
    A figura intermédia, pelo ler saudada,

é o vosso Joshua.

Maria Gabriela Llansol
Ardente Texto Joshua
1998, ed. Relógio d'Água
pintura de El Greco

domingo, 23 de dezembro de 2012

[The devil also offers his spirit]


The devil also offers his spirit
To those who in hatred and proud desire
Are ready for the worst.
Such know not that love leads to all good,
They become poor from hatred
And the fury of the devil,
So that it becomes impossible
They should ever again find or follow
The love of God.
True love praises God constantly;
Longing love gives the pure heart sweet sorrow;
Seeking love belongs to itself alone;
Understanding love loves all in common;
Enlightening love is mingled and sadness;
Selfless love bears fruit without effort;
It functions so quietly
That the body knows nothing of it.
Clear love is still, in God alone,
Seeing that both have one will
And there is no creature so noble
That it can hinder them.
     This is written by Knowledge
Out of the everlasting book.
Gold is often heavily flecked by copper,
Just as falseness and vain honor
Blot out virtue from the human soul.
The ignoble soul to whom passing things are so dear
That it never trembled before Love
Never heard God speak lovingly in it --
Alas! to such this life is darkness!



Mechtild von Magdebourg
trad. Lucy Menzies
in 'German Mystical Writings: Hildgard von Bingen, Meister Eckhart, Jacob Boehme and others'
1991, ed. Continuum
pintura de Marianne von Werefkin