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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Bailado Básico



paralisadaranha da paixão
desfazendo as costuras dos Universo
como o vestido de caxemira da noite
no mais ébrio dos encontros.
provérbio da pedra.


os macambúzios animais parecidos ficaram por baixo
no púbis purpurado de coisas doentiamente diferentes
taberna tenebra galáctica
o belo dálmata cego no coração da água.
ululando o luxo (corações ao alto)
e as lulas luminosas da lua.
a bijuteria dos humanos para estragar muitas festas.


equitação no leito de soluço
o oblongo sabugo da almofada
sifão serial.


epílogos paralelos como as caudas paralelas de lagarto no bilhar da pradaria tautológica.
em cada haste da erva.

Regina Guimarães
Abaixo da Banalidade, Abastança
1980, ed. Hélastre
pintura de Victor Brauner

sábado, 7 de agosto de 2010

O Poema Ensina a Cair


O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede

até à queda vinda
da lenta volúptia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.

Luiza Neto Jorge

O Seu a Seu Tempo

1966, ed. Ulisseia
pintura de Victor Brauner