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sábado, 4 de janeiro de 2014

[Estou sozinho, coloco a flor de cinza]




















Estou sozinho, coloco a flor de cinza
no corpo cheio de negrume amadurecido. Boca de irmã,
tu dizes uma palavra que sobrevive diante das janelas,
e sem ruído trepa, o que eu sonhei, por mim a cima.

Estou de pé na profusão das horas murchas
e poupo uma resina para um pássaro tardio:
ele traz o floco de neve nas penas vermelho-vivo;
com o grão de gelo no bico, atravessa o verão.

Paul Celan
trad. Yvette K. Centeno
Papoila e Memória
in Sete Rosas Mais Trade
1993, ed. Cotovia
pintura de Guy Denning

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um poema

Que aconteceu? A pedra saiu do monte.

Quem despertou? Tu e eu.

Linguagem, linguagem. Co-estrela. Terra-próxima.

Mais pobre. Aberta. Pátria.



Para onde foi? Para o que não se perdeu.

Foi com a pedra, com nós dois.

Coração e coração. Que achámos pesado demais.

Tornar-se mais pesado. Ser mais leve.

Paul Celan

trad. Yvette K. Centeno

Poemas de Paul Celan

1979, ed. Inova

água-forte de Gisèle Celan-Lestrange

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Elogio da Distância


Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Aqui, coração
que andou entre os homens, arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro, estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou eu.

Na fonte dos teus olhos
ando à deriva sonhando o rapto.

Um fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estrangula o baraço.


Paul Celan (trad. Yvette K. Centeno)
Papoila e Memória