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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Dama Verde 1: A Vida




O tempo de bordar uma frase é um tempo novo: surpreendente, completamente distinto do tempo de escrevê-la.
Facilmente se suporá -se pre-suporá -esta afirmação como verdadeira. Sua verdade é nenhuma, enquanto não experimentada. Do pensar ao agir vai o mesmo abismo, o de dois tempos diferentes. A velocidade, e a exploração.
Por exemplo: com suas mãos explorava o tecido, as suas possibilidades. Com seus anseios implorava, ao destino, a felicidade.

MARIA ISABEL BARRENO
A Dama Verde: uma exposição
1983, edições Rolim

imagem de MARIA ISABEL BARRENO

domingo, 8 de maio de 2011

7 Livros de Contos

Desde Irene Lisboa, cuja maioria da obra se encontrava no registo do diário e da novela e dos apontamentos, que percebemos que o público não aceita muito bem qualquer prosa que não seja romance.


Ainda que seja uma coisa de minorias, a poesia sempre conserva uma certa "nobreza", ao passo que os contos frequentemente são vistos como obras menores dos seus autores, e até como textos sem qualquer importância. Discordo deste ponto de vista, e aqui deixo sete propostas, entre muitas outras que poderia deixar, de livros de contos; que são tudo menos obras menores.




António Lobo Antunes: Livro de Crónicas (ed. Dom Quixote)








António Lobo Antunes já conta quatro livros de crónicas. Escolho o primeiro, apenas por ser o primeiro. Qualquer um dos outros poderia estar aqui. Apesar de se apresentarem como crónicas, estes textos, publicados quinzenalmente na "Visão", são curtas narrativas, bastante interessantes e, como todos os textos do autor, interessadas em captar o mundo interior dos seus personagens. Num registo bastante mais curto, no entanto, Lobo Antunes é perfeitamente capaz de recriar a sua voz, ao mesmo tempo que torna consistentes estas personagens, que sempre nos apresentam alguma história momentânea, nem por isso menos capaz de nos surpreender.




Lídia Jorge: Praça de Londres (ed. Dom Quixote)





Com três livros de contos publicados até agora, escolho de Lídia Jorge estes "cinco contos situados", como nos sugere o subtítulo. E escolho por razões meramente pessoais: além da exploração minuciosa e humaníssima que Lídia Jorge sempre opera na sua escrita, nestes contos as cidades têm uma importância crucial, interagindo com os personagens que por ela vagueiam. Uma certa tendência para a narrativa psicológica faz-se sentir nestes textos, anunciando um pouco aquele que viria a ser o romance mais conseguido a esse nível, "A Noite das Mulheres Cantoras". Pautados por uma certa invulgaridade e, por vezes, um certo sentido de mistério, estes contos são alguns dos melhores já escritos por Lídia Jorge.



Luísa Costa Gomes: Setembro e outros contos (ed. Dom Quixote)






Luísa Costa Gomes tem publicado vários romances e também algumas peças de teatro. No entanto, a sua estreia, em 1981, dá-se com os "Treze Contos de Sobressalto" e uma boa parte da sua melhor obra encontra-se, a meu ver, nos contos. "Setembro e outros contos" surge-nos dividido em duas partes. A primeira, "Setembro" apresenta-nos contos mais longos onde as questões da escrita, da criatividade e da introspeção têm papel principal: são contos densos, analíticos, com um olhar cru sobre a realidade. Mais dispersos a nível temático, e mais curtos, mas igualmente pautados por um olhar atento e despido sobre a realidade, os contos de "Outros Contos" completam o livro.




Luísa Dacosta: Corpo Recusado (ed. Figueirinhas)





O caso de Luísa Dacosta, de que tenho vindo a falar aqui há já algum tempo, é um caso realmente de excepção entre nós: ao contrário do habitual, grande parte da obra de Luísa Dacosta é precisamente escrita em contos e crónicas. Além destas, a publicação de dois diários é ainda assinalável; e, até agora, Luísa Dacosta publicou apenas um romance, "O Planeta Desconhecido e Romance da que Fui Antes de Mim". "Corpo Recusado", de 1985, é o mais recente de três livros de contos que a autora publicou, e escolho-o por razões pessoais, uma vez mais. É neste livro que Luísa Dacosta mais plenamente consegue abordar o tema da solidão humana e do desamparo, construídos os contos, a um tempo, por uma linguagem encantarória que nem por isso é menos realista e crua no seu olhar sobre o real e, principalmente, sobre as pessoas.



Maria Isabel Barreno: Contos Analógicos (ed. Rolim)






"Contos Analógicos" é o primeiro livro de contos de Isabel Barreno, publicado já depois de dois dos seus mais importantes romances: "Os Outros Legítimos Superiores" e "A Morte da Mãe". O seu estilo de escrita pende muito para um lado analítico profundo, que se torna quase ensaístico. No entanto, a transição para textos mais curtos (Um destes contos não chega a ocupar uma página.) não apaga essa dimensão da escrita de Maria Isabel Barreno. Pelo contrário, este livro quase cataloga alguns exemplos de estruturas sociais e humanas e aí mesmo reside a sua maior força: a capacidade que tem de, em muito poucas palavras, despertar todo um sistema filosófico.




Maria Regina Louro: Sapos Vivos e Outros Monstros (ed. Relógio d´Água)




A obra de Maria Regina Louro é, a meu ver uma das mais originais, apesar da falta de visibilidade. Desde as "Novas Bárbaras" que assina com Miguel Serras Pereira até a "À Sombra das Altas Torres do Bugio", Regina Louro confronta-nos com um universo onde todo um imaginário popular se transfigura poeticamente, através não só de uma sensibilidade que não abdica nunca da uma acutilante inteligência e de uma linguagem densa e grotesca.


"Sapos Vivos e Outros Monstros" é o livro que se segue a "Apocalipse", um livro de poemas em prosa. E, nestes contos, em que a figura ou a ideia do monstro é protagonista, nota-se muito essa inclinação para a poesia, sendo que muitos destes contos quase podiam ser poemas em prosa, narrativos. O encontro com o monstro que nos rodeia e que está também dentro de nós é a força que move a escrita destes contos, uma escrita a um tempo irónica e cruel, que por isso mesmo resulta desarmante, no que toca a expor-nos a verdadeira fragilidade de qualquer monstro.





Nuno Júdice: O Tesouro da Raínha de Sabá (ed. Rolim)





Apesar de eu não ser um apreciador da poesia de Nuno Júdice (Excluindo alguns livros que me parecem de uma muito interessante linguagem simbolista.), acho que na ficção, Júdice tem obras bastante interessantes. Este "conto pós-moderno" é um bom exemplo disso, contando com uma narrativa algo futurista, mas sempre através de uma linguagem metafórica e muito poética.



De assinalar é ainda a colecção "Fantástico", das edições Rolim, uma colecção bastante longa e constituida maioritariamente por contos (Ainda que hajam algumas novelas.), contrariando a tendência do mercado para o romance.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Novas Cartas Portuguesas


Foi em 1973, num país atrasado chamado Portugal, que apareceu um livro chamado "Novas Cartas Portuguesas". Na capa, assinavam Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa.
Maria Isabel Barreno, após várias participações em volumes colectivos de estudos, que não raro já incluiam análises à condição da mulher portuguesa, estreara-se no romance apenas em 1968, com "De Noite as Árvores São Negras", a que se seguira, em 1970 "Os Outros Legítimos Superiores".
Maria Teresa Horta estreara-se bastante mais cedo, em 1960, com o livro de poesia "Espelho Inicial". Passara já pela Poesia 61, pela colecção Pedras Brancas e fôra uma das autoras "efectivas" na Guimarães editores, no tempo da Colecção Poesia e Verdade. O seu primeiro romance, "Ambas as Mãos Sobre o Corpo", viera a lume em 1970, e em 1971, "Minha Senhora de Mim", um livro de poemas, levanta graves problemas à pide, por abordar de forma muito directa a sexualidade feminina.
Maria Velho da Costa, entre traduções, artigos e estudos, publica o primeiro romance em 1966, "O Lugar Comum". Mas seria "Maina Mendes", de 1969, que projectaria Maria de Fátima Bivar Velho da Costa para o reconhecimento, merecido, de uma das obras de prosa mais importantes do século.
Na consequência dos problemas de Maria Teresa Horta com o regime, surge a ideia de um livro escrito pelas três. Assim nasceriam as "Novas Cartas Portuguesas".
Para a edição, uma outra grande mulher se lhes junta. Natália Correia, poeta, romancista, ensaísta e directora do conselho de leitura da Estúdios Côr é a única que se arrisca a dar o nome pelas escritoras que passariam a ser conhecidas como As Três Marias.
O livro, cedo detectado e apreendido pela pide, daria origem a um longo processo judicial, que incluia acusações de pornografia e ofensa à moral pública. Com a sentença pronta a ser dada em Abril de 1974, as Marias acabaram por ver o assunto resolvido pela Revolução.
Mas há que referir que, ao longo do processo, as Novas Cartas juntaram os mais variados movimentos feministas internacionais, a apoiar as escritoras, com vigílias, marchas e manifestações, em que estiveram incluidas verdadeiras figuras históricas como Marguerite Duras e Simone de Bouvoir.
"Novas Cartas Portuguesas- Ou de como Maina Mendes pôs Ambas as Mãos Sobre o Corpo e deu um pontapé no cu dos Outros Legítimos Superiores" é uma obra escrita em prosa e poesia, que vai buscar a sua génese às "Cartas Portuguesas" atribuidas a Soror Marianna Alcoforado, freira que, após escrever cinco cartas ao seu amado Marquês de Chamilly, terá morrido de amor. Rainer Maria Rilke, que descobriu as cartas, descreve-as como testemunhos de um amor "grande demais para caber numa pessoa só". Ao longo do livro das três Marias, perde relevância Marianna e ganha-a Maria, enquanto nome que poderia representar o comum da mulher portuguesa, essa sim, verdadeiro objecto de análise deste livro. É hoje sabido que cada carta terá sido escrita por uma das autoras, ainda que nunca elas tenham dito quais cartas pertencem a qual Maria. Dado o mistério, ao longo dos anos, têm surgido vários estudos literários que tentam atribuir as cartas, com base em comparações com a obra individual de cada uma das escritoras mas, já por várias vezes, as próprias comentaram que ainda ninguém acertou realmente.
Em 2010, temos nova edição, da Dom Quixote, a quinta, e que vem preencher uma lacuna gravíssima, dado que a quarta edição há muitos anos se encontrava indisponível. O prefácio está a cargo da escritora e ensaísta Ana Luísa Amaral.
Li o livro no ano passado (Consegui a segunda edição num alfarrabista.), e parece-me um texto obrigatório, para uma compreensão da situação da mulher no tempo em que o livro foi escrito mas, mais dramático ainda, é que este livro pode muito bem servir para entender a posição da mulher actual na sociedade de agora. A modernidade do livro é assustadora. Obra a um tempo sensível e inteligente, "Novas Cartas Portuguesas" regressa hoje às livrarias, para de novo se declarar contra a moral pública de 2010.
Acrescento que o "grupo" das Marias sofreu posteriormente uma cisão, com a "demarcação" de Maria Velho da Costa. Ainda que as três tenham seguido por obras individuais muito específicas, as "Novas Cartas Portuguesas" continuam a ser uma referência obrigatória para analisar a obra e o pensamento de Maria Isabel Barreno, de Maria Teresa Horta e de Maria Velho da Costa.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma Citação

de mim sobra sempre a maior parte

Maria Isabel Barreno

terça-feira, 6 de abril de 2010

a razão

em Portugal as pessoas não estudam, não lêem, não se informam mas dão opinião com base no "Eu acho que..."

Maria Isabel Barreno