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domingo, 21 de outubro de 2012

Anathema no Paradise Garage (20.10.12)

Nem sempre acontece que uma banda consiga ter um percurso em que a quantidade de trabalhos conhece uma regularidade na qualidade. Em vinte e dois anos os Anathema produziram duas minicassetes, quatro EPs, nove álbuns e dois álbuns de revisitação própria, enquanto várias vezes alteraram a sua constituição e se atravessaram do doom/death-metal para o rock progressivo, progressivamente. Conquistaram um lugar de culto, tendo alguns dos seus álbuns sido aclamados como sendo dos melhores deste último género.
Quando pensamos que tudo isto é feito por uma banda que, mesmo agora, é uma espécie de banda de família (Os irmãos Cavanagh e os irmãos Douglas.) que, de certa forma, vive a dinâmica de garagem eternamente, é difícil não ficarmos impressionados. A grande solução é, ainda e sempre, a música. Os Anathema são uma feliz rara junção de vários cérebros criativos, que têm sabido, da melhor forma, fazer e crescer daquilo que fazem. Em 'We're Here Because We're Here' (De que falei aqui.) álbum lançado em 2010, ficava claro que a atmosfera depressiva estava, talvez, a desaparecer, dando lugar a ambiências mais luminosas, que mesmo assim não deixavam de ser pesadas. O pesado, aqui, significa profundo. É essa a principal característica da música dos Anathema: parece sondar aquilo que de mais íntimo e verdadeiro trazemos em nós, falam directamente ao âmago dos sentimentos, dos conflitos, das esperanças e dos pensamentos. Nunca foram lamechas, mas foram sempre emotivos.
A passagem, em 2011, pelo Vagos Open Air (Falei dela aqui.) só poderia ter corrido melhor se não tivessem acontecido os desastres técnicos que aconteceram. Em vésperas do lançamento de 'Falling Deeper' (Também dele se falou aqui.) que revisitaria a fase inicial da banda, os Anathema traziam na bagagem 'We're Here Because We're Here', bem como uma série de clássicos, que puderam ser apreciados, ainda assim, independentemente das constantes falhas de som. No entanto, dois álbuns volvidos, incluindo um de originais, o mais recente 'Weather Systems' (Estava-se mesmo a ver que falei dele. Aqui.), os fãs portugueses estavam mesmo em necessidade de um concerto dos Anathema. O facto deste decorrer numa sala fechada e intimista como a do Paradise Garage só podia ser uma boa notícia, uma vez que reuniria a banda de uma forma mais próxima com o público e, bem vistas as coisas, também prometia um maior controlo sobre os aspectos técnicos, completamente diferente do que contece num festival.
A primeira parte do concerto ficou entregue aos californianos Astra. Sinceramente, tenho uma relação estranha com primeiras partes de concertos. É verdade que bandas de que gosto já as fizeram, usando-as como forma de divulgar o seu material, mas o facto é que, na maior parte das vezes, a primeira parte é uma parte que ninguém está completamente interessado em ouvir. Os Black Box Revelation começaram por fazer primeiras partes dos dEUS, e no entanto são uma banda perfeitamente apetecível, mas até conquistarem o direito a concerto próprio, é difícil pensar que tenham sido realmente ouvidos. Os próprios Anathema por aí começaram. Mas, pormenores destes àparte, os Astra apresentaram, ao longo de meia hora um interessante conjunto de canções, em que a sonoridade rock se deixava tocar pelo metal e pelo folk, que deixam certamente a vontade de ouvir mais, particularmente Black Chord.


 
Os Anathema entraram em palco com as duas partes de Untouchable, do álbum mais recente. Numa versão um pouco mais eléctrica do que a de estúdio, a canção brilhou nas suas duas partes, especialmente pela harmonia perfeita entre as vozes de Vincent Cavanagh e de Lee Douglas, que ganha mais destaque na segunda parte da canção. Mas perceber-se-ia logo que seguinda que nem só 'Weather Systems' estava directamente sob o microscópio. De uma assentade, os Anathema tocaram Thin Air, Dreaming Light e Everything, alguns dos pratos-fortes mais luminosos do álbum anterior, que mantiveram a abertura do concerto do lado mais positivo da música dos Anathema, sendo esta última uma boa oportunidade para destacar o trabalho de Daniel Cardoso nos teclados.
Logo a seguir, deu-se uma inversão de atmosfera, com o regresso a 'Judgement', o álbum de 1999, de que se rebuscou, para começar, Deep, uma das canções mais tristes mas mais libertadoras da discografia dos Anathema, e uma das melhores letras de Vincent Cavanagh. Ainda do mesmo álbum, ouviram-se a seguir Emotional Winter e Wings of God, momentos mais calmos, mas bastante mais tristes, que soarem muitíssimo bem antes do regresso a 'We're Here Because We're Here' com A Simple Mistake, onde, além de uma vez mais podermos apreciar a junção das vozes de Vincent e Douglas, contámos com o brilhante solo de guitarra eléctrica de Daniel Cavanagh que termina a canção.
Lee Douglas brilharia ainda, sozinha, a seguir, com Lightning Song, do álbum mais recente, uma canção bela e pesada que o público soube acompanhar devidamente. Esta canção veio confirmar aquilo que já desde há vários anos se pressentia: que Lee Douglas é, de facto, uma mais-valia para os Anathema. Lee haveria de estar presente para The Storm Before the Calm, também do álbum mais recente, uma longa odisseia escrita por John Douglas, o baterista, que dum começo violento chega a momentos de uma beleza contemplativa que em muito representam aquilo que os Anathema estão a fazer agora. Seguiu-se um dos melhores momentos de 'Weather Systems', bem como um dos melhores momentos dos Anathema, The Beginning and The End, uma das canções mais emotivas e mais explosivas de todo o álbum, que resultou muitíssimo bem ao vivo.
Outro regresso a 2010 deu-se com Universal, uma das canções mais orquestrais, mas que não perdeu a sua força na transposição para o palco, bem pelo contrário.
Para o final, os Anathema reservaram três clássicos do álbum de 2003, 'A Natural Disaster': Closer, onde uma vez mais se notou o papel de Daniel Cardoso, A Natural Disaster, outro grande momento de Lee Douglas, e Flying, que termina com mais um esplendoroso solo de guitarra eléctrica de Daniel Cavanagh.

Para os encores, ficaram reservados One Last Goodbye, momento emocional por excelência (Recorde-se que se trata de uma despedida à mãe dos irmãos Cavanagh.) que, efectivamente comoveu e, claro, o clássico Fragile Dreams do álbum 'Alternative 4', que foi um final muito à altura de um concerto realmente perfeito.
Em duas horas, os Anathema conseguiram tocar algumas das suas melhores canções. A violência, a emotividade e a profunda beleza das canções falou por si, e se a sala do Paradise Garage era quase pequena demais para o público, para conter a força da música dos Anathema, não parece haver sala grande o suficiente.
 

Untouchable part1/ Untouchable part2/ Thin Air


Dreaming Light


Everything/ Deep

Emotional Winter/ Wings of God

A Simple Mistake/ Lightning Song


The Storm Before the Calm (fragmento1)
The Storm Before the Calm (fragmento2)


The Beginning and the End/ Universal/ Closer
´

A Natural Disaster

Flying

One Last Goodbye

Fragile Dreams

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Were You There?

Estão marcados, finalmente, dois concertos dos Anathema em Portugal, para 2012.
O primeiro, no Hard Rock do Porto, a 19 de Outubro, o segundo a 20 de Outubro no Paradise Garage de Lisboa. Em apresentação ficam os dois álbuns mais recentes, 'Falling Deeper' (2011, de que falei aqui.) e 'Weather Systems' (2012, de que falei aqui.).
Abaixo fica, completo, o concerto na Polónia, de apresentação do álbum 'A Natural Disaster' (2003) editado em DVD em 2004, com o título 'Were You There?'

quinta-feira, 1 de março de 2012

Mísia em Castelo Branco



Desde a morte de Amália Rodrigues que o Fado passou a estar na moda. O estatuto de Património Imaterial da Humanidade é um pouco o culminar desse surto de popularidade de que, durante muitos e muitos anos, o Fado careceu. A nova geração de fadistas traz-nos boas vozes, traz-nos algumas interessantes propostas. No entanto, em 1990, Mísia lança o seu primeiro álbum, homónimo, um álbum de Fado. A escolha era arriscada, e a invulgaridade de Mísia caiu mal a muita gente. Felizmente que as críticas negativas, aliás, reaccionárias, que cedo se fizeram ouvir, não foram suficientes nem para que ela parasse nem para que sequer se inibisse. Pelo contrário, o projecto de Mísia foi-se tornando cada vez mais complexo, mais intelectualmente elaborado. E, proporcionalmente, cresceu a incompreensão portuguesa a um projecto que outros souberam acolher com a devida atenção e a devida admiração.
Essa incompreensão foi muito visível no Sábado passado, 25, no Cine-Teatro de Castelo Branco. Pela primeira vez em muitos anos, Mísia faz em Portugal uma pequena digressão, apresentando um dos seus trabalhos mais ricos e mais belos, o álbum 'Senhora da Noite', lançado no final do ano passado. É recebida por uma plateia apenas meia-cheia e que parecia ter sérias dificuldades em aplaudir com o mínimo de entusiasmo. Sinceramente, eu não podia ter ficado mais desgostoso. Felizmente, Mísia não se deixou abalar e deu um grande concerto realmente.
Entrou na sala com Senhora da Noite, acompanhada de guitarra portuguesa, viola de fado, violino e acordeão. Ao longo da noite, Mísia foi bastante comunicativa, explicando a génese deste seu mais recente álbum e falando um pouco das autoras cantadas ao longo do concerto.
Assim em Ulissipo passámos por Rosa Lobato de Faria, a poeta, escritora e actriz recentemente falecida e a quem o álbum é dedicado, mas ainda pela também fadista Aldina Duarte em Lua Mãe das Noites, por Adriana Calcanhotto que, ao que contou Mísia, venceu finalmente o medo de escrever para Fado e deu a Mísia Que o Meu Coração Se Cansou. Em Que Silêncio é Esta Voz, Mísia cantou brilhantemente versos de Natália Correia, mas nem sempre as quadras que estão na versão de estúdio, criando assim um novo poema, que, mesmo sendo novo, continuava a adequar-se perfeitamente a todo o contexto em que é cantado. Também de Agustina Bessa-Luís se falou, aquando de Garras dos Sentidos II, que, agora fica provado, continua a resistir como grande canção ao ser cantado sobre o Fado Corrido, em vez do Fado Menor, onde era cantado na sua primeira versão. De facto, este é um momento isolado na obra de Agustina que, além de não ter mais nenhum poema (Pelo menos que seja conhecido.) é famosa pelas suas opiniões mais ou menos controversas quanto a poesia. O seu poema é belíssimo e Mísia conseguiu, mais uma vez, entregá-no-lo prodigiosamente.
Seguiu-se uma guitarrada, que manteve, mesmo assim, o acordeão e o violino, criando um momento realmente intenso. Mísia voltou depois, com Simplesmente, de Amélia Muge, um dos momentos mais serenos do álbum, que ao vivo ganhou outra genica, que também lhe assentou bem.
Depois disto foi tempo de conhecermos outra senhora da noite muito concreta, a prostituta de que fala a Sombra, da actriz e letrista Manuela de Freitas. Um dos momentos mais arriscados da noite seria o seguinte, a Tarde Longa, cujo impressionante poema de Lídia Jorge é cantado, no álbum, acompanhado de piano, instrumento que não existiria no concerto. Mísia interpretou-o com os quatro músicos, e a diferença instrumental fez-se sentir, sem, no entanto, destruir a beleza da versão de estúdio e, bem pelo contrário, criando uma espécie de variação muitíssimo forte do original. O poema confirmou aí a sua fulgurância e Mísia brilhou verdadeiramente.
O primeiro regresso ao passado deu-se a seguir, quando Mísia recuperou, do álbum 'Ritual' (2000) a letra que para ele havia escrito, Cor de Lua. Foi uma escolha muitíssimo interessante, uma vez que esta canção é das mais dramáticas e mais intensas de todo o percurso de Mísia, e entrou no espírito de 'Senhora da Noite' com toda a perfeição. Mais ainda, o facto de, a seguir, termos ouvido O Manto da Rainha, também escrito por Mísia, veio mostrar-nos uma certa unidade que denuncia um interessante universo que encontramos em ambas as letras que conhecemos escritas pela fadista.
A canção que abre o álbum, Fado das Violetas, neste concerto chegou quase no final. É um dos momentos mais intensos de todo o reportório de Mísia, pelo que não deverá ter sido surpresa para quem o conheça que este tenha também sido um dos momentos mais intensos de todo o concerto. De facto, os versos de Florbela Espanca são exigentes, e, cantando-os sobre o Fado Hilário, Mísia consegue conferir-lhes toda a emotividade extrema e quase excessiva que eles exigem. Um fado assim talvez só mesmo Mísia o pudesse pensar e cantar, pois ele exige aquilo que precisamente Mísia tem e poucos mais têm: a capacidade de cantar com o corpo todo.
A terminar, a Raposódia Amália, construída com várias quadras escritas por Amália Rodrigues, que teria resultado melhor ao vivo se o público soubesse aderir -o que não foi o caso.
Profissional, claro, Mísia acabou por regressar para cantar mais duas canções, duas que podemos considerar clássicos do seu reportório. Primeiro, Formiga, outro poema de Rosa Lobato de Faria que, ficámos a saber, nos conta metaforicamente a história dos primeiros e dificultuosos anos de carreira da cantora. E, a terminar, Lágrima, mais um poema de Amália Rodrigues, e que Mísia gravara duas vezes: no álbum 'Fado' (1993) e em 'Ritual'. Sendo uma das canções mais interessantes de Amália, Mísia soube dar-lhe nova roupagem e torná-la sua e foi um final muito digno para um espectáculo brutal.
Se neste concerto houve aspectos negativos, eu só vi um: que Mísia não tenha voltado com mais frequência aos álbuns passados. Os regressos foram essencialmente a 'Ritual', mas a verdade é que seria possível ir buscar outros momentos, uma vez que Mísia desde sempre teve mulheres a escrever para ela e, de álbum em álbum, encontramos canções que teriam feito todo o sentido para esta 'Senhora da Noite'.
Em tudo o resto, Mísia brilhou, como esperaria qualquer um que lhe conheça o percurso. Pelo menos para mim, não ficam dúvidas de que Mísia, por mais que a ignorem, continua a ser a maior e a melhor. Take that Portugal!!!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011

Anathema no Vagos Open Air (5.8.11)

WE'RE HERE BECAUSE THEY'RE GREAT


Li não sei onde que, a pessoas como eu, se chama Anathemaniacs. O neologismo é, parece-me, bastante claro, e explicará certamente por que este texto, mais do que o habitual, não é nem poderia ser imparcial.

O concerto dos Anathema no Vagos Open Air 2011 foi na sexta-feira, ao fim da tarde. Desde logo me desagrada que, além de não serem cabeças de cartaz, os Anathema sejam atirados para um horário tão pouco nobre. No entanto, quando a música é boa, o resto não chega a ser nem cantigas e, na verdade, este foi o melhor concerto do primeiro dia do festival.

A banda dos irmãos Cavanagh subiu ao palco com uma longa introdução, que viria a dar origem a “Thin Air”, que é também o tema de abertura do álbum We’re Here Because We’re Here, lançado o ano passado, sendo, até agora, o mais recente. Seguiu-se “Summernight Horizon”, onde Vincent Cavanagh foi acompanhado na voz por Lee Douglas. “Dreaming Light” marca o primeiro momento suave do concerto, para ser logo de seguida compensado pela energia de “Everything”, o primeiro single do álbum de 2010.

Apresentado então o novo teclista dos Anathema, Daniel Cardoso, português, seguiu-se uma boa oportunidade para este brilhar, e também o primeiro regresso ao passado, com “Closer”, do álbum A Natural Disaster de 2003. Por norma, esta canção é tocada como segunda parte de “Balance”. Ainda que eu ache que a junção das duas canções resulta num objecto realmente grandioso, tenho que reconhecer que a escolha dos Anathema para este concerto me surpreendeu pela positiva, uma vez que a canção se mostrou um portento enquanto objecto autónomo.

E pelo passado se continuaria ainda, visitando os álbuns que mais se relacionam com a fase actual dos Anathema, com "Deep" de Judgement (1999), seguido de um regresso a 2010 com "A Simple Mistake", a soar muitíssimo mais forte ao vivo. A minha canção preferida, "Empty" foi uma boa escolha, claro, para representar o álbum Alternative 4 (1998), mas, pela segunda vez, o som é interrompido durante a canção. Tinha acontecido durante "Summernight Horizon" e aconteceu nesta canção três vezes, o que, mesmo assim, não foi suficiente para estragar o momento, já que o público não hesitou em fazer as vezes da guitarra eléctrica.

A Natural Disaster, retirado do álbum homónimo, trouxe a maravilhosa Lee Douglas para a voz principal, numa versão que se transformou numa espécie de grande dueto entre ela e Vincent Cavanagh. Foi, e com toda a justiça, um dos momentos mais aplaudidos da noite. Do mesmo álbum, Flying ainda nos deu um daqueles momentos memoráveis, com o genial solo de guitarra eléctrica com que o genial Daniel Cavanagh fecha a canção.

Depois disso, e seguindo a linha realmente mais melódica que os Anathema pareceram querer deixar para o fim, regressou-se a We're Here Because We're Here com "Universal", canção que vai crescendo discretamente até explodir num final tenso que só pode produzir um grande efeito ao vivo.

Para o encerramento, voltou-se a um dos melhores momentos de Alternative 4, e um dos melhores momentos dos Anathema, com "Fragile Dreams", que acabou por se revelar um apoteótico final.

Dada a pouca aptidão do público português para entender a música dos Anathema, está visto que não tiveram direito a encores, porque só o têm os cabeças de cartaz. Mas a hora e pouco que durou este concerto, onde, como Danny Cavanagh disse no final, tudo correu mal, acabou por resultar num grandioso concerto que nos relembra como a música dos Anathema é bela e violenta e mortífera, mas que nos reconcilia com a vida como nenhuma outra consegue.

No final, ainda houve uma muito simpática sessão de autógrafos, e a boa promessa do álbum Falling Deeper que será editado em Setembro e que agoira nova visita desta banda britânica a Portugal. São boas notícias, definitivamente.











quarta-feira, 15 de junho de 2011

Lamb no CCB (11.6.11)

O aguardado regresso dos Lamb a Portugal contou com três concertos, no Algarve, em Lisboa no Porto. Aquele a que assisti, no CCB é, de facto, merecedor de algumas notas.
Para alguém como eu, um concerto destes só pode ser boa notícia. Não só porque "5" me pareceu um bom retorno da banda, pelo qual valeu a pena esperar seis anos, como porque detesto os santos populares e um concerto destes é uma excelentíssima alternativa.
Depois da primeira parte, entregue a Jay Leighton, os Lamb entraram no palco acompanhados apenas por Jon Thorne, contrabaixista. Lou Rhodes vinha, claro, lindíssima, ela sim, verdadeiramente angelical, e Andy Barlow bem-disposto, como esperaria qualquer um que já tenha assistido aos Lamb ao vivo.

A entrada em palco foi feita com Another Language, o tema que abre "5". A escolha não podia ser mais acertada. Um regresso depois de um hiato em que os Lamb anunciaram o seu fim, não pode senão marcar-se pela busca de algo novo; e essa ideia fica muito bem explicada por esta canção.
O álbum "5" seria o protagonista da noite, contrariando a tendência natural da revisitação dos clássicos, que até seria natual numa banda que tem bastantes, como é o caso dos Lamb.
Regressos ao passado aconteceram com Little Things e Lusty do álbum "Fear of Fours", com Gabriel e What Sound de "What Sound" e com Gorecki e Trans Fatty Acid de "Lamb". De fora, com muita pena minha, ficou "Between Darkness and Wonder".
Repare-se ainda que Trans Fatty Acid vem terminar o concerto: isto mostra-nos como, de facto, em "5" não deixa de haver um certo retorno àquilo que foram as origens dos Lamb, mais ligados a uma crueza e acidez que, entretanto, se foi suavizando e ganhando outras matizes.
E fica também claro que, ainda assim, "5" está muito longe de ser uma mera repetição daquilo que já fora feito. O público manteve-se de pé a maior parte do tempo, abanando-se muito ligeiramente, mas demonstrando, de qualquer forma, alguma receptividade ou até mesmo algum agrado por canções novas como Strong the Root, Wise Enough, Butterfly Effect, She Walks, Existencial Itch ou The Spectacle. O que continua a desagradar-me nos concertos dos Lamb, e este não foi excepção, é a obsessão que o público tem por ouvir Gabriel, dando a nítida impressão de não se interessar por ouvir mais nada. No entanto, para aqueles que se interessem realmente pela banda, este concerto terá sido bastante positivo.
A meu ver, esta actuação pecou apenas pela escolha de utilizar quase na íntegra todos os samplers que constituem as versões de estúdio das canções. Ao contrário do que aconteceu na digressão de "Between Darkness and Wonder", de que assisti a um concerto no ido ano de 2004, desta vez os Lamb não tocam com uma banda, apenas com um contrabaixista. E esta teria sido uma boa oportunidade de dar ao público um outro lado das canções, mais acústico ou mais simplificado, que talvez tivesse bastante interesse. E estranho mais ainda esta situação ao lembrar-me que Lou Rhodes fez precisamente o contrário com os seus primeiros dois trabalhos a solo: ao passo que em "Beloved One", em estúdio, estava quase sempre sozinha, em palco apresentou-se com banda, invertendo depois essas situações em "Bloom".
É uma opção, esta de usar o samplers, discutível portanto.
Fora isso e o facto do concerto ter durado apenas cerca de uma hora, nada a dizer. Valeu a pena esperar.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Lamb no CCB (11.6.11) alguns vídeos



"Wise Enough" do álbum "5" (2011)



"What Sound" do álbum "What Sound" (2001)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

É já amanhã



Lamb: Wise Enough (do álbum "5", 2011)

15:00 showcase na Fnac do CC Colombo
21:00 concerto no Grande Auditório do CCB (primeira parte: Jay Leighton)

sábado, 26 de março de 2011

The Gift no Tivoli (25.3.11)

Chego agora a casa do concerto dos The Gift no Tivoli. Com datas a serem acrescentadas aos dois concertos originalmente planeados, há que dizer que tive sorte, pois, em terem-se feito apenas esses dois, eu não poderia assistir a nenhum. Ainda bem que assim não foi.
Quem tiver lido o texto que escrevi acerca de "Explode", há bem pouco tempo, terá percebido que, ainda que eu ache tratar-se de um grande álbum, tinha em relação a ele algumas reservas. E, se este concerto teve uma coisa boa é que me dissipou essas reservas.
Agora posso afirmar sem sombra de dúvida que estas canções são realmente boas e que os The Gift estão numa muito boa fase do seu percurso.
Confesso que achei a escolha de "Aquatica" para abertura do concerto bastante arriscada. Ainda que a canção esteja longe de ser uma das mais marcantes de "Explode", há que reconhecer que os Gift souberam dar-lhe a volta e torná-la uma boa introdução para o que se seguiria.
Uma das dúvias com que eu ficava relativamente a algumas (Só algumas.) canções do álbum era se não monosprezariam a voz de Sónia Tavares. Claramente não é o caso, e, ao vivo, ela ganha a devida relevância, pois trata-se de uma voz fortíssima e de um extremo perfeccionismo, e, entre nós, ainda uma voz nova, mesmo passados tantos anos.
"RGB" surpreendeu por surgir tão cedo no alinhamento, pois, tratando-se de uma espécie de cartão de visita de "Explode", seria de esperar que fosse tocado mais tarde (E sê-lo-ia, em repetição, no segundo encore.), mas era exactamente a canção necessária para espicaçar um pouco o público já que "Aquatica" é, mesmo assim, uma canção mais serena.
Seguiu-se "My Sun" que foi a única em que se sentiu uma certa deficiência sonora, na voz de Nuno Gonçalves, que soava pouco nítida. Fora essa ocasião, não me pareceu haver problemas a assinalar. "My Sun" seguiu bastante a linha de "RGB", com um ritmo contagiante que, mesmo num concerto com lugares sentados exclusivamente, fica sempre bem.
"Suit Full Of Colours" está mais na linha de "Aquatica" e é interessante que surja na parte ainda inicial do concerto pois, pelo menos a nível da letra, parece ser bem representativo da nova fase dos The Gift, ainda que, em termos de música, seja mais melancólica do que a maioria das canções que agora nos são propostas.
Depois disto, lançaram-se em "Primavera", canção cantada em português, sendo que Sónia Tavares teve o cuidado de relembrar que essa escolha de gravar em português é tudo menos recente (Relembremos "Ouvir", que pertencia a "Vinyl", o álbum de estreia.). O primeiro retorno ao passado veio a seguir, com "Fácil de Entender", louvavelmente tocado na sua versão original, apenas com voz e piano.
Ainda em regressos ao passado, seguiu-se "645", um dos dois originais de "Fácil de Entender" que, assim se confirma, anunciava já a mudança de percurso que "Explode" representaria. Escusado será dizer que foi um dos melhores momentos da noite, e aquele em que, finalmente, o público se levantou.
Depois disto, regressou-se, de vez, a "Explode", com "Made For You", que, acrescento, soa muitíssimo melhor ao vivo do que em estúdio (Mas muito melhor mesmo.), o mesmo se passando com "Mermaid Song", que aqui se torna mais perceptível, principalmente no que ao ritmo diz respeito.
"Race Is Long" era já um dos melhores momentos do álbum, e ao vivo manteve-se como um dos pratos fortes, notando-se uma grande aderência do público.
Aquela que, para mim, é a melhor canção de "Explode" e, possivelmente, a melhor canção de sempre dos The Gift, "Always Better if you Wait for the Sunrise", foi guardada para o fim do concerto, tendo Sónia Tavares assinalando, entre brincadeiras sobre os The Cure, que ela marca o lado melancólico que, justiça se faça, sempre foi uma parte crucial da música dos The Gift. Como disse, foi a canção que mais me chamou a atenção em "Explode", mas aquilo que ganha ao vivo é indescritível. Torna-se evidente que se trata de uma canção infinita, riquíssima e realmente inesquecível. Para mim, foi também o melhor momento de uma noite que, mesmo assim, não foi parca em momentos memoráveis.
Para o primeiro encore, ficaram "Let It Be By Me", a abertura do álbum e que, ao vivo, parece ainda mais astronómica e "The Singles", a famosa canção de 12 minutos, cheia de mudanças de ritmo e de estrutura. Ao vivo, tem o condão de parecer ainda mais bem articulada.
Para o segundo encore ficou a repetição de "RGB" que, pela atitude finalmente frenética do público, foi bastante melhor que a primeira interpretação, no início do concerto.
Momentos destes relembram-nos por que os The Gift são uma das nossas bandas mais originais e mais criativas e mais capazes de fazer de um concerto um momento forte.
Outro reparo que quero fazer: dizia eu no texto sobre "Explode" que, ao princípio, nos poderia parecer que este álbum assumia com mais facilidade as suas influências. Dizia no mesmo texto, no entanto, que uma audição mais atenta nos mostraria que assim não era. E, de facto, ao vivo, isso entende-se ainda mais claramente. Notamos aqui a mesma dinâmica de sempre dos Gift e quem, como eu, os acompanha desde o princípio, percebe isso muito facilmente. No fundo, nunca se repetiram, e continuam a apostar nisso. Palmas para eles.

domingo, 18 de julho de 2010

Marés Vivas: Editors

FOGO SUSPENSO

O último dia do festival Marés Vivas é em definitivo a cereja em cima do bolo: um bolo de São João cheio de cantigas populares e ambiente hedonista a que não faltam bailaricos, farturas e claro, cereveja. Refiro-me ao ambiente e à organização, claro. No que respeita os concertos, há que dizer que o dos dEUS foi definitivamente excelente, ainda que fosse o de Ben Harper o mais aguardado.
Por volta das onze e meia devia haver onze pessoas e meia realmente interessadas em ouvir os Editors, que regressam a Portugal ainda com "In This Light and On This Evening", o melhor de três álbum que a banda britânica já produziu. O concerto de Ben Harper também iria estar cheio, mas por motivos diferentes...
E se por cerca de vinte minutos pareceu a essas onze pessoas e meia que iriam ter um grande concerto: o som estava excelente, Tom Smith e companhia estavam a tocar um alinhamento inteligente e com toda a qualidade mas... foi caso para realmente se desenganarem.


Mas comecemos pelo princípio. Os Editors entraram em palco com a canção "In This Light and On This Evening" cantada numa escala mais aguda do que a do disco. Prosseguiram para "An End Has a Start" resgatado ao disco anterior.
É evidente que todas as bandas com mais do que um disco sempre aproveitam os concertos para fazer uma espécie de retrospectiva, mas no caso dos Editors quanto menos saudosismo melhor, porque o terceiro álbum é que representa realmente uma identidade para a banda que hoje se pode afirmar realmente original. A confirmação chega com estas canções que tocadas ao vivo soam ainda melhor como "Eat Raw Meat/ Blood Drool" que é mesmo mesmo uma grande canção. Mais ainda, momentos como "Fingers In The Factories", "Bones" ou o fantástico "Blood" continuam a fazer todo o sentido, bem como "The Racing Rats" que poderia perfeitamente fazer parte do álbum mais recente. "Smokers Outside The Hospital Doors" seria outro momento de apoteose até que... Tom Smith começa a emitir sinais furiosamente para o técnico de som. Recomeço. Tom Smith levanta-se e atira com a guitarra para o chão. Saem todos de palco.
Durante cerca de vinte minutos, aquelas onze pessoas e meia perguntam-se se o concerto prosseguirá ou ficarão por ali, enquanto as outras vaiavam e berravam insultos para um palco vazio. Eu cá só fiquei impressionado com isto: como é que se pode fazer um festival de música e tratar os músicos com tão pouca dignidade como fez a organização do Marés Vivas? Qual é o músico sério que gosta que se seja tão pouco sério com ele? No meio disto, penso que Tom Smith teve toda a razão, e estou certo de que se fosse eu nem voltaria para cima do palco.

Mesmo assim, os Editors acabaram por de novo entrar em palco, atalhando para "Bricks and Mortar" e o obrigatório "Papillon". Tom Smith refere os choques eléctricos de que estaria a ser vítima, razão por que havia saído, e desculpam-se por ter que abandonar mais cedo o palco.
Foi muito bom enquanto durou, nas duas partes, mas a verdade é que foi insuficiente para o ter sido realmente. Momentos do disco mais recente como "You Don´t Know Love" ou "The Big Exit" faziam realmente falta a um concerto de que se espera tanto, ou pelo menos o muito a que "In This Light and On This Evening" obriga.

Fotos: BLITZ




In This Light and On This Evening





Blood




Papillon

sábado, 17 de julho de 2010

Marés Vivas: Placebo

BATTLE FOR THE SOUND

O segundo dia do Marés Vivas contribuiu consideravelmente para a atmosfera de amadorismo que me pareceu tão evidente no primeiro dia.
Eram cerca de onze e meia quando os Placebo entraram em palco, tendo saido pouco mais de uma hora depois. E quem já teve oportunidade de assistir a outros concertos só pode ter ficado desiludido. O concerto no Marés Vivas é bem capaz de ter ficado aquém do polémico concerto no Creamfields (2007) em que Brian Molko abandonou o palco ao fim de 50 minutos supostamente por ter ficado sem voz, apesar de todos terem percebido que os problemas de som foram a razão que o fez virar as costas.



A verdade é que este concerto está muito proporcional a todo o espírito do festival da Praia da Afurada, mas é muito ingrato para um álbum como "Battle For The Sun" (2009), que contém algumas das canções mais interessantes dos Placebo.
Destas canções foi possível ouvir "Ashtray Heart", "Battle For The Sun", "Breathe Underwater" ou "The Never Ending Why". Apesar de no fundo me lamentar um pouco por não ter ouvido momentos como "Come Undone" ou "Kitty Litter", o problema do concerto de ontem não foi o álbum mais recente, mas a incisão nos álbuns passados que pode ter resultado muito bem em "Nancy Boy" e até em "Bionic" (Isto falando dos mais recuados porque já se sabe que outros como "Every You and Every Me" ou "The Bitter End" nunca deixaram de ser apoteóticos.), a verdade é que noutros momentos soou frouxo, como se os Placebo estivessem a tentar reavivar um passado que, para o bem e para o mal, não faz parte do melhor que a banda tem para oferecer, pelo menos ao vivo num festival onde, já se sabe, sempre são mais convenientes as canções mais fortes e talvez imediatas.


No entanto, para um ouvido atento e conhecedor da música dos Placebo, o alinhamento foi um mal menor em comparação com os problemas de som que roçavam o insultuoso: a voz de Brian Molko apagava-se constantemente quando se ouviam os sintetizadores, as notas altas em que o vocalista é tão perito quase perfuravam os tímpanos, e em canções como "Taste In Men" ou "Meds" ou "Post Blue" as guitarras sofreram de uma incomodativa falta de nitidez.
Surpreendente foi também a simpatia de Brian Molko, de longe muitíssimo mais comunicativo do que o habitual (Good evening, Molko boys and Molko girls...), e até cómico por vezes.
Refira-se ainda o momento brutal que foi "Trigger Happy" e a cover de "All Apologies" tão surpreendente como bem inserida.
Podia ter sido pior, mas a verdade é que noutro festival facilmente seria melhor. Não deixa de ser estranho que um concerto de um álbum tão bom possa ser arruinado pela falta de profissionalismo da organização. Esperemos que "Battle For The Sun" seja tocado uma vez mais em Portugal, de preferência onde seja BEM ouvido. É que no Marés Vivas tem que se batalhar mais pelo som do que propriamente pelo sol, e isso não convém a uma boa banda.

Fotos: BLITZ



Every You and Every Me


Battle For The Sun


Trigger Happy


All Apologies

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Marés Vivas: Goldfrapp

ELECTRO-CHOQUES


Além do amadorismo da organização e do ambiente a roçar o são-joanino, o primeiro dia do festival Marés Vivas (Vila Nova de Gaia) foi marcado, em termos de música, pelo regresso de Skye Edwards aos Morcheeba e pelo concerto dos Goldfrapp, que regressam a Portugal para apresentar "Head First".
Este concerto, com dois anos de distância do anterior, no Sudoeste, vem provar duas coisas: a primeira é que os Goldfrapp são uma grande banda, a segunda é que o público português não percebe muito do assunto, e o do Marés Vivas menos ainda. A noite foi, em comparação ao SW, parada e aborrecida, o que não deixa de ser estranho porque me quer parecer que o alinhamento deste concerto era mais "festivaleiro" do que o do SW.


Mas esqueçamos o público e foquemo-nos no concerto. A verdade é que "Head First" é um disco que vem recuperar o fôlego onde o seu antecessor, "Seventh Tree" respirava calmamente. As canções, onde não deixa de ser notório um rumor de anos 80, intercalaram-se neste concerto com canções passadas que são agora transformadas, trazidas essencialmente de "Black Cherry" (2003) e "Supernature" (2006).
E talvez tenha mesmo sido "Supernature" o maior problema deste concerto: as canções são poderosas, sonantes e verdadeiramente chamativas, mas a verdade é que passaram dois discos deste esse e "Supernature" ainda é obrigatório. Se por um lado isso é um evidente sinal de que os Goldfrapp têm (pelo menos) aí um grande álbum, por outro um concerto de apresentação deixa de o ser propriamente. Claramente este era um concerto de dança, mais que outra coisa qualquer, e a melhor prova continua a ser o facto de em "Felt Mountain" (2000) e em "Seventh Tree" (2008) não se ter tocado.




Fora isso, os Goldfrapp souberam seleccionar as canções mais festivas e mais do lado electropop, tanto do álbum mais recente, como "Alive", "Dreaming", "Shiny and Warm" além do obrigatório "Rocket", quer do passado, como "Train", "Cristalline Green" que abriu o concerto em grande estilo, "Ride On a White Horse", "Number One", "U Never Know" ou o evidente "Ooh La La". Para o fim ficou a nova versão de "Strict Machine" que foi o culminar de todos os electrochoques que marcam o estilo dos Goldfrapp. Apesar do som estar demasiado alto, pareceu-me, estava assinalavelmente nítido, com a distinção perfeita entre os vários instrumentos e os vários sintetizadores, tocados pela banda vestida à anos 80.
Foi de lamentar que não houvesse encore.
Allison Goldfrapp estava fantástica como sempre, Shiny and Warm no seu poncho preto e prata e o seu estilo ébrio/perverso. Falando pouco, acabou por comunicar bem com o público através do movimento e de pequenos comentários. Escusado será dizer que apoteose foi em "Ooh La La", o único momento em que o festival se assemelhou minimamente a um festival. Não deixa de ser estranho, porque afinal a música dos Goldfrapp celebra a vida.
Como sempre, excelente.


Number One


Ooh La La


Rocket

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Muse no Rock In Rio

Evidentemente, não fui a todos os dias do Rock In Rio, não me interesso particularmente pela Leona Lewis nem pelo Elton John, eles que me desculpem.
Fui, isso sim, ao dia dos Muse. Diga-se de passagem que o dia em si foi uma seca: o concerto dos Fonzie a roçar uma fragilidade quase penosa, o concerto dos Xutos a decadência que sempre me parece. Irritante também é aquela mentalidade de negócio no recinto: da comida às bebidas, tudo caríssimo e cheio de filas, booms de publicidade por todo o lado, enfim, mais do que um festival de música, o Rock in Rio é um negócio que nem se esforça muito por se disfarçar de evento musical.
Antes de passar à parte boa do dia, ou melhor, da noite, o concerto dos Muse, uma pequena nota para os Snow Patrol de quem esperava um concerto vulgaríssimo e que, afinal, até nem foi mau de todo, pelo menos na parte que eu ouvi enquanto furava pela multidão.

Agora sim, o concerto dos Muse. Foi do outro mundo. Matt Bellamy, ao entrar no palco, fez essa expressão ser literal: completamente vestido de brilhantes prateados e com um óculos engraçadíssimos.
Além do visual de Bellamy, referência ao palco, onde os ecrãs em forma de favos transmitiam imagens que facilmente se podem tomar por video-art, e a iluminação, também profusa e delirante.
Delirante será talvez a palavra de ordem para falar do espectáculo dos Muse. Um espectáculo que excede largamente o conceito de “concerto” e se transforma em algo mais, que tem algo de teatro, de performance, de manifesto, enfim, algo que revela uma personalidade profundamente artística.
A abertura foi feita com “MK Ultra”, que, não sendo definitivamente um dos momentos mais fortes do concerto, teve um enormíssimo impacto por ser a entrada em palco. Mas mais assinaláveis foram os momentos seguintes: “Map Of The Problematique”, resgatado do álbum anterior, e “Uprising” que lançou este “The Resistance”.
Aliás, o impacto brutal que “Uprising” teve no público lembrou-me uma outra canção de uma outra banda. Refiro-me ao “Zombie” dos The Cranberries, uma música que marcou em definitivo uma geração, e que foi um hino a um tempo musical e político que falou por essa geração. “Uprising” pode muito bem ser um sucessor de “Zombie”, porque fala também musical e politicamente pelo seu tempo, pela sua geração. Porque se muitas vezes Matt Bellamy é subtil ao escrever sobre política, em “Uprising” é inquestionável a tónica política e mesmo revolucionária. Mas sobre isto, já falei quando o disco foi lançado (“
Política Lírica”.) e não me parece oportuno repetir tudo o que já disse.
Um aspecto interessante neste concerto, e que não é de todo mau, foi o carácter antológico do alinhamento. Não se tratava de um concerto da digressão de “The Resistance”, mas uma espécie de “best of”, que é sempre o mais conveniente para os festivais, dado que costuma haver tanto de fãs como de apenas-festivaleiros; se bem que no caso deste concerto dos Muse não parecia ser o caso, pois as letras eram acompanhadas pelo público em geral, e não só os singles.
Outros momentos de referência foram sem dúvida “Supermassive Black-Hole”, completamente alucinado, “Time Is Running Out”, “Starlight” (De longe o tema mais radio-friendly dos Muse.) ou “Citizen Erased”. Em relação a canções do disco mais recente, além de “Uprising”, tocaram “Undisclosed Desires” e “Resistance”, os singles, "United States of Eurasia" e "MK Ultra".
O encore marcou-se com “Plug-In Baby” e a fechar uma versão re-arranjada de “Knights Of Cydonia”, outra letra inquestionavelmente política.
Não se pode dizer que tenham sido muito comunicativos, Matt Bellamy e Chris Wolstenholme dirigiram-se ao público raramente, mas, verdade se diga, não foi necessário haver muitas falas para o público porque a força da música criou toda a adesão necessária, e interacção não faltou, mesmo em momentos mais “calmos” como foi o caso de “United States of Eurasia”. E, se há alguma coisa a questionar em relação às opções dos Muse para este concerto, é até que ponto o “tronco” do alinhamento não era constituido por canções desse álbum. É verdade que foi marcante, e que fixou definitivamente o nome dos Muse como uma banda incontornável, mas é também verdade que ainda que só com ele tenha vindo a aceitação crítica, em termos de público, os álbuns anteriores criaram a “fama” dos Muse. Refiro-me a canções que poderiam ter sido tocadas de “Origin of Symmetry” ou “Absolution” principalmente.
O concerto terminou ao fim de quase duas horas com muito muito fumo, mas certamente não se “esfumará” tão facilmente da memória de quem assistiu.





Uprising





Resistance

domingo, 7 de março de 2010

e ainda sobre a Björk, estes momentos também me emocionaram, por motivos evidentemente diferentes


a entrada em palco no Sudoeste 2008 com "Earth Intruders" e outros momentos, como "Hunter"


ou "Pagan Poetry"


terça-feira, 14 de julho de 2009

Placebo: Battle For The Sun no Optimus Alive ´09

Significativamente, na música de abertura de "Battle For The Sun", Brian Molko diz I need a change of skin. De facto, as restantes componentes do sexto álbum de originais dos Placebo confirmam esta "mudança de pele", para a qual contribuem muitas coisas: a entrada do novo baterista, Steve Forrest, que é de longe mais agressivo e "pesado" do que Steven Hewitt; uma aparente vontade de tornar a música mais polida, negra e depressiva, e ao mesmo tempo mais elaborada e melódica; e por fim as letras de Brian Molko que, continuando no seu estilo depressivo-sexual-agressivo se nos apresentam agora melhores do que nunca.

Assim, ainda que á primeira vista a sonoridade do rock pesado seja a única escolha de "Battle For The Sun", uma audição atenta demonstra que isto é apenas uma primeira impressão. As músicas melódicas que fomos encontrando ao longo dos álbuns anteriores, como sejam "Follow The Cops Back Home", "Soulmates Never Die", "Blue American", "My Sweet Prince" ou "I Know", continuam a existir, mas elaboradas de outra forma, o que só prova que a melodia não tem que ser suave. "Come Undone" ou "Devil In The Details" são bons exemplos disto.

De certa maneira, a componente electrónica que encontrámos essencialmente entre "Black Market Music" e "Meds" foi agora praticamente eliminada, dando lugar às secções de cordas e sopros que muito raramente os Placebo usavam no passado. "Battle For The Sun", "The Never Ending Why" ou "Julien" marcam o ponto.

Talvez um tanto histérico, mas parece-me que este é o melhor álbum dos Placebo. Claro que, ao passar os olhos pela crítica de música, distraídamente como sempre faço, já encontrei alguns textos onde se critica a falta de momentos calmos a lembrar "Centrefolds" ou "In The Cold Light Of Morning". Parece-me que isto não é muito exacto, em dois sentidos: primeiro porque, como já disse, me parece que um momento de "beleza" melódica não tem que ser mais silencioso, pode sê-lo usando uma sonoridade suja e agressiva; e segundo porque me parece que uma banda tem que, a certa altura, fazer opções, e a dos Placebo foi exactamente esta, e não há porque não aprovar, logo que seja boa.

O concerto no Optimus Alive '09 comprova tudo isto. Tanto nas músicas mais recentes, como nas antigas, definitivamente interpretadas com uma nova roupagem, que as traz de encontro ao novo álbum.

Brian Molko, Stefan Olsdal e Steve Forrest fazem-se acompanhar de mais três músicos, o que, além da guitarras adicionais, assegura a presença dos teclados e do violino. Na bateria lê-se "WE COME IN PEACE".

O concerto chama o público como nenhum outro. Se, de acordo com António Lobo Antunes, "a melhor é a única boa", o concerto dos Placebo foi o bom. Aliás, chateia-me que seja a segunda vez que os Placebo tocam no mesm palco dos Prodigy e estes últimos são cabeça de cartaz, quando, bem vistas as coisas, por mais que a música dos Prodigy até fosse boa em disco (Do que tenho sérias dúvidas.), a verdade é que em palco perde toda a força, parecendo que estão durante quase duas horas a tocar a mesma música e não muito bem.

Concrectamente sobre "Battle For The Sun", a prova de que estamos perante um muito bom álbum é a seguinte: do alinhamento faziam parte "Kitty Litter", "My Ahstray Heart", "Battle For The Sun", "For What It´s Worth", "Come Undone" e "The Never-Ending Why". No entanto, se fosse "Julien" ou "Happy You´re Gone" ou "Kings Of Medicine" também estaria bem, o concerto não ficaria a perder.

Sobre as restantes, só há que dizer que nunca canções como "The Bitter End", "Special K", "Taste In Men" ou "Every Me Every You" soaram assim.

They came in peace, let them come back...






1. kitty litter






2. ashtray heart






3. battle for the sun

terça-feira, 19 de maio de 2009

Antony and The Johnsons no Coliseu do Porto

Escusado será dizer que foi perfeito.


"fistfull of love"




"shake the devil"

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ela vai voltar...

as boas notícias: Aimee Mann estará em breve no Coliseu de Lisboa

"One" da b.s.o. de Magnólia, sempre excelente...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Passagem pelo Sudoeste 3 (algumas fotos)

bjork


Passagem pelo Sudoeste 1 (os concertos)

CLÃ
dia 7

Os Clã são certamente uma das melhores bandas portuguesas, mais do que afirmadas. Este concerto foi mais uma prova. Com passagem por vários dos pontos altos da sua carreira, de "Sopro do Coração" a "Tira a Teima", Manuela Azevedo e comparsas não deixaram de brilhar.
Além da versão a guitarra acústica e voz de "Sopro do Coração", destaque para "h2omem", com Arnaldo Antunes como convidado, "GTI", previsivelmente um dos melhores momentos e "Dançar na Corda Bamba", que o público parecia esperar desde o início.



BJORK
dia 7




Claramente o melhor momento de todo o festival, Bjork entrou no palco após um espectáculo de marionetas vivas suspensas sobre o público com percussão e uma trapezista. Dentro de um escultórico vestido (ou kimono) que lhe dava um dos aspectos mais invulgares que já teve, entrou com "Earth Intruders", single de avanço de "Volta", que haveria de dar o mote para uma autentica manifestação tribal do mais bizarro possível.
Sofrendo incríveis transmutações, a noite permitiu-nos ouvir clássicos como "Army Of Me" mais rock que outra coisa, "Hyperballad" com ritmo dançável a terminar, "Pluto" mais agressivo do que o normal, "Pagan Poetry" indescritível, "Immature" sempre interessante, "I Miss You" absolutamente inesperado, "Hunter" um verdadeiro transe, "Who Is It" mais ritmado, "Vokuro" comovente, "All Is Full Of Love" agora com um cravo a marcar o ritmo, "Pleasure Is All Mine" do controverso "Medulla", agora mais sinistro do que nunca, entre as canções do mais recente "Volta", que incluiam "Wanderlust" e "Hope", onde se fez acompanhar por Toumani Diabaté em deliciosos solos de kora. Para os aopteóticos encores, reservou "The Anchor Song" e "Declare Independence", onde as minhas cordas vocais se danificaram consideravelmente.
Sobre Bjork, uma palavra: deus!
É caso para lhe dizer "OBRIGADO", se possível com o mesmo sotaque giríssimo com que ela foi dizendo, em várias entoações.



GOLDFRAPP
dia 8

Allison Goldfrapp e Will Gregory, acompanhados pela sua banda, registaram o momento alto do segundo dia de festival. Ainda que, infelizmente, a maioria do público estivesse à frente do palco apenas para assegurar um bom lugar em Chemical Brothers, o concerto dos Goldfrapp valeu por si próprio.
Começando com "Utopia", fez passagem pelos restantes três álbuns da banda. O defeito é que este concerto parecia promover "Supernature", em vez de "Seventh Tree", apesar da interessantíssima decoração do palco.
Fora isto, nada se pode apontar à performance da banda, em momentos tão bons como "A&E", "Satin Chic", "Train" ou "Number1". Destaque, no entanto, para "Ooh La La" e "Strict Machine", a terminar em grande. Uma pena ter sido tão curto.