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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sobre o rosto da terra (fragmentos)























Sobe da nossa condição uma vontade de brancura. Até ao interior das casas, até à evidência dos rostos. A brancura iguala a liberdade do dia ao ascendermos à planura onde se respira de pé, rosto a rosto, na facilidade do vento.


*
Entre fios luminosos, rasteiros. Perpassa o vento baixo (o solo tem essa rugosidade amorosa que o dedo declina). As narinas respiram a paz na memória longínqua dum galo, fonte de eternidade. Estar, estar assim sobre o rosto da terra.

*
As evidências comovem-se. No acompanhamento do mar, animados pelo sussurro unânime. Os poucos que somos constelamo-nos estrela do mar. Em cada bico geramos um irmão futuro que canta a nossa liberdade.

*
De um quarto quente, corremos a uma varanda, uma praia ou uma janela. O mar visita-nos mesmo no espelho. Ao crepúsculo, um sangue alaranjado aflui ao rosto das casas. Depois do mar, sulcamos a terra, a caminho da noite, viajamos na brisa, na fugitiva liberdade dos nossos sonhos.

*
Escolho a vaga breve, a súbita, que emerge na planura fatigante. A aridez da luz irisa os arabescos móveis. Estendo a rede de sombra, onde os sonhos afluem. O breve tempo de construir a casa de vento onde circula a paz viva entre as clareiras de espaço e corpos libertos.

António Ramos Rosa
Sobre o Rosto da Terra
1961, col. Pedras Brancas
pintura de Howard Hodgkin

quarta-feira, 2 de abril de 2014

[Quem fala]


























Quem fala
não sou eu
é o outro o que me expulsou
da concha do meu sol


É ele que caminha nos meus passos

e eu olho-o e esqueço-o
Quem pode suportar um reflexo?
Quem pode viver contra o seu duplo?


Eu digo eu ainda

mas sou eu que declino
sou eu que caio
com a ferida do sol que ele me arrancou

António Ramos Rosa
Numa folha, leve e livre
2013, ed. Lua de Marfim
fotografia de Ralph Eugene Meatyard

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Escrevo sobre um Muro


J'ecris sur un mur au fond du noir

GUILLEVIC


Escrevo e as portas não se abrem.
Os rios existem, e o mar da rua
existe. Escrevo. E o que espero?
Escrevo em apagados muros, na branca
superfície do muro. Escrevo.


São palavras, palavras. São
palavras.
Não respiram. Não falam.
São desertas.
Não rodam, não batem nos meus pulsos.
E escrevo. Como se esperasse.


Como. Se desertas abrissem.
Para. Para.
Uma vida outra aberta.
Esta e mais nenhuma, a que só temos
sem nunca tê-la, a que seria vida
o que é, e nos sem ela.


Escrevo no muro de palavras,
para respirar, quando não posso,
quando o desejo de viver se tornou ténue,
que não sinto senão na ténue página,
na brancura rara que me tenta,
na água sem jardins ao rés da página
ó sede à beira de nascer, ó água!


Escrevo palavras neste muro. Um muro.
Umas palavras. O mar da rua existe.
As portas não se abrem. E não espero.
Escrevo sobre o muro. Umas palavras.
São as palavras que escrevem esse muro.
São as palavras que escrevem esse muro.
O muro existe. Resiste É bem um muro.
As palavras saltam além do muro.

António Ramos Rosa
Estou Vivo e Escrevo Sol
1966, ed. Ulisseia
fotografia de Nelson d'Aires

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

É Breve o Dia (fragmento)


As nossas armas contemplam. Propagam-se na difusão do ar. Instantâneas, encontram o diamante irrefrangível- a uma explosão estática.
*
No fulgor de uma lágrima, à beira... a rosa, uma, única, única- identifica-me.

*
É breve o dia no quarto. Não na montanha nem no atalho. É longo o esforço, inenarrável o cansaço. No cume, no fundo, na planura, a mão que liga quarto e montanha, o sono do cavador, o sonho da palavra.

*
Aproximamo-nos, instáveis- é a viveza do ar, o redemoinho breve e claro dos seixos, a palavra que surge viva na tranquilidade das ramagens.

*
Eis a secura. É um homem que caminha. Da sua oficina, na surpresa de um crepúsculo. O princípio de uma liberdade breve- a noite. As estrelas estranhas.

António Ramos Rosa
Sobre o Rosto da Terra
1961, colecção Pedras Brancas
pintura de Pablo Picasso

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estou Vivo e Escrevo Sol



Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em frios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol

A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida

Melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maravilha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde






António Ramos Rosa
Estou Vivo e Escrevo Sol
1966, ed. Ulisseia
imagem de Salvador Dalí

terça-feira, 6 de abril de 2010

A (In)Coerência do Fogo



O desenho a fogo: os dedos e o sopro.
As pedras soltas suscitam algo,
uma textura sem segredo, aberta.
Como se não procurasse olho: sempre o deserto?

O corpo e essa onda, essa pedra - é uma linha
e o tumulto dos músculos no mar
eis o desejo da perda e do encontro
contra a parede, contra esta página
este deserto - o mar.

O sopro do incêndio da folhagem
esta rasura
no raso da inércia
ó apagada força amor do mar deserto força
reúno ou disperso pedras sobre o mar

ou pedras

Onde o corpo onde o desejo
perante o ventoa frágil força do corpo (aranha inerme?)?

Se eu soprar as vértebras do fogo aqui
se subverter a folha e nu gritar

Eu continuo com estas pedras no deserto - no mar?
Nem são pedras estas pedras mas a garganta
enfrenta o vento - e o deserto,
que corpo que corpo se perde ao rés da página ou terra?

Mas se não fosse o deserto - se fosse a praia a música do corpo
e o vento no mar
e o teu corpo no meu corpo?

Mas tu esperas três palavras
três pedras- e sem o fogo sem a folhagem sem o mar

Se um signo fosse a coluna do sangue
perante a maré perante o fogo
e não a morte cega ao vento
este silêncio contra o peito?

Escrever assim mesmo com os ossos
com a proa no externo
com a proa no externo
com as sílabas deserto

Mas se o silêncio da praia - onde o mar? -o silêncio da página
suscitassem essa música do corpo
aqueles membros brancos
vermelhos

em torno ao centro - e a respiração do mar?

Um braço, uma torção do braço pela violência do vento
um cântico na praia
o corpo contra o corpo amante amado?

Uma sílaba apenas verde ou branca
e não o torso musical
e não a pedra do mar o esplendor da praia?

Ninguém ouve o grito sobre o vento
sobre o ventre de ninguém
nada se ouve entre estas pedras
nada é aqui neste deserto

Mas isto é, isto é, com se
um signo
fosse o sangue da lâmpada?

Desenho as formas vivas na areia
desenho este sulco no meu corpo
soçobro sobre o sulco - em frente ao mar?

Que corpo se levanta? É um corpo, um outro corpo?

Um corpo que se ergue sobre a espuma
ou um sinal apenas sem o sangue?

A boca morde os dentes
a página está deserta
a praia está deserta.

A minha mão ergue-se num sinal vão
como se não desistisse.

As pedras nem são pedras mas palavras
mas o desejo de um contacto incandescente
mas o ardor de um persistente insecto.

Praia, mar, sulcos na areia, vento
ou só deserto

eu vos invoco e vos insuflo a chamada garganta,
eu apelo para o cântico. Caminho?

Mais do que a sílaba do mar
mais do que a flor imprevista
mais do que a sombra sobre o ombro
mais do que a sombra sobre o ombro
mais do que o ouro da areiaeu subscrevo o branco
um novo corpo.

Ainda que nada veja senão as pedras que delimitam o vazio
eu estou à beira de eu sou o intervalo entre a folhagem e o fogo
e o silêncio é um sinal
do corpo.

*

Que diz a forma da pedra - o corpo?

Que diz este silêncio de erva?
Este punhal de feno no meu peito,
esta sílaba trémula, esta sombra fria,
que diz a cor do muro?

A terra tem aos ombros a folhagem
o mar ainda na distância
mas o clamor destes sinais proclama o animaldo fogo

os passos caminham entre as chamas e o apelo das ondas.

A terra é alta como o corpo e baixa
As casas cintiliam mas num contacto sólido
Em todas as estradas o sol caminha com os meus passos.
A folha é escrita como um paisagem

Ainda é o deserto e a noite é próxima!
Mas os sinais despertaram o lugar
onde o silêncio é a congregação da terra.

Escolho a clareira do corpo silencioso.
É um corpo que envolve o corpo.

Posso assinar o rosto deste corpo?
Os sinais sangram enfim e dizem terra.

Escrever é finalmente subscrever o ar das ervas
e desenhar o sopro com os dedos: amar o corpo.

Amar. Dizer amar: amar o mar
na proximidade do próximo, no ombro
do teu corpo ou no parapeito da terra.


António Ramos Rosa
As Marcas no Deserto
1978, ed. &etc
iamgem: Salvador Dalí

sábado, 22 de agosto de 2009

A (In)Coerência do Fogo (fragmento)



Mas se o silêncio da praia- onde o mar?-
o silêncio da página
suscitassem essa música do corpo
aqueles membros brancos
vermelhos
em torno ao centro- e a respitração do mar?

Um braço, uma torção do braço pela violência do vento
um cântico na praia
o corpo contra o corpo amante amado?

Uma sílaba apenas verde ou branca
e não o torso musical
e não a pedra do mar o esplendor da praia?

Ninguém ouve o grito sobre o vento
sobre o ventre de ninguém
nada se ouve entre estas pedras
nada e aqui neste deserto
António Ramos Rosa
"As Marcas no Deserto"
&etc, 1978


imagem: Barbara Walraven

sexta-feira, 10 de abril de 2009

o boi da paciência



Noite dos limites e das esquinas nos ombros
noite por de mais aguentada com filosofia a mais
que faz o boi da paciência aqui?
que fazemos nós aqui?
este espectáculo que não vem anunciado
todos os dias cumprido com as leis do diabo
todos os dias metido pelos olhos adentro
numa evidência que nos cega
até quando?
Era tempo de começar a fazer qualquer coisa
os meus nervos estão presos na encruzilhada
e o meu corpo não é mais que uma cela ambulante
e a minha vida não é mais que um teorema
por demais sabido!



Na pobreza do meu caderno
como inscrever este céu que suspeito
como amortecer um pouco a vertigem desta órbita
e todo o entusiasmo destas mãos de universo
cuja carícia é um deslizar de estrelas?
Há uma casa que me espera
para uma festa de irmãos
há toda esta noite a negar que me esperam
e estes rostos de insónia
e o martelar opaco num muro de papel
e o arranhar persistente duma pena implacável
e a surpresa subornada pela rotina
e o muro destrutível destruindo as nossas vidas
e o marcar passo à frente deste muro
e a força que fazemos no silêncio para derrubar o muro
até quando? até quando?



Teoricamente livre para navegar entre estrelas
minha vida tem limites assassinos
Supliquei aos meus companheiros. Mas fuzilem-me!
Inventei um deus só para que me matasse
Muralhei-me de amor e o amor desabrigou-me
Escrevi cartas a minha mãe desesperadas
colori mitos e distribuí-me em segredo
e ao fim ao cabo

recomeçar
Mas estou cansado de recomeçar!
Quereria gritar:
Dêem árvores para um novo recomeço!
Aproximem-me a natureza até que a cheire!
Desertem-me este quarto onde me perco!
Deixem-me livre por um momento em qualquer parte
para uma meditação mais natural e fecunda
que me limpe o sangue!
Recomeçar!



Mas originalmente com uma nova respiração
que me limpe o sangue deste polvo de detritos
que eu sinta os pulmões com duas velas pandas
e que eu diga em nome dos mortos e dos vivos
em nome do sofrimento e da felicidade
em nome dos animais e dos utensílios criadores
em nome de todas as vidas sacrificadas
em nome dos sonhos
em nome das colheitas
em nome das raízes
em nome dos países
em nome das crianças
em nome da paz
que a vida vale a pena que ela é a nossa medida
que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias
que o reino da bondade dos olhos dos poetas
vai começar na terra sobre o horror e a miséria
que o nosso coração se deve engrandecer
por ser tamanho de todas as esperanças
e tão claro como os olhos das crianças
e tão pequenino que uma delas possa brincar com ele

Mas o homenzinho diário recomeça
no seu giro de desencontros
A fadiga substituiu-lhe o coração
As cores da inércia giram-lhe nos olhos
Um quarto de aluguer
Como perservar este amorostentando-o na sombra
Somos colegas forçados
Os mais simples são os melhores
nos seus limites conservam a humanidade
Mas este sedento lúcido e implacável
familiar do absurdo que o envolve
como uma vida de relógio a funcionar
e um mapa da terra com rios verdadeiros
correndo-lhe na cabeça
como poderá suportar viver na contenção total
na recusa permanente a este absurdo vivo?
Ó boi da paciência que fazes tu aqui?
Quis tornar-te amável ser teu familiar
fabriquei projectos com teus cornos
lambi o teu focinho acariciei-te em vão

A tua marcha lenta enerva-me e satura-me
As constelações são mais rápidas nos céus
a terra gira com um ritmo mais verde que o teu passo
Lá fora os homens caminham realmente
Há tanta coisa que eu ignoro
e é tão irremediável este tempo perdido!
Ó boi da paciência sê meu amigo!

António Ramos Rosa, "Viagem Através de Uma Nebulosa", 1960
imagem: Kazemir Malevich

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

António Ramos Rosa: O Aprendiz Secreto

A CONSTRUÇÃO DA METÁFORA

Nascido em Faro, em 1924, António Ramos Rosa é um dos autores mais importantes e de mais merecido reconhecimento entre os poetas portugueses. Estreou-se em 1958, com o folheto “O Grito Claro”, na colecção A Palavra, na qual figurariam ainda Casimiro de Brito, Fiama Hasse Pais Brandão e o primeiro livro de Luiza Neto Jorge. Seguiu-se em 1961 “Viagem Através de Uma Nebulosa” (Que engolbava o primeiro folheto.) e até à actualidade, contando com antologias e colaborações, a obra de Ramos Rosa conta quase cem títulos, dos quais destaco, por motivos meramente pessoais, “As Marcas No Deserto” (1978), “Estou Vivo e Escrevo Sol” (1966), “Voz Inicial” (1960), “Figura: Fragmentos” (1980), “A Rosa Esquerda” (1991) ou “O Incêndio dos Aspectos” (1980).


Acabo agora de ler o volume de prosas poéticas “O Aprendiz Secreto”, publicado pela Quasi em 2001. Tendo em conta que ao longo destes poemas António Ramos Rosa analisa o construtor e a construção, é para mim, enquanto leitor e enquanto estudante de Arquitectura, duplamente interessante.
De uma forma mais precisa: este é um conjunto de cerca de 57 poemas em prosa que relatam o percurso psicológico e físico de um construtor que constroi a sua casa. No entanto, e essa será a força maior do livro, estas são ideias a não levar à letra, são, essencialmente, metáforas: quem entende o construtor a constuir a sua casa, pode entender a pessoa que se constroi a si mesma, o poeta que escreve, e muitas outras relações entre um individuo que constroi alguma coisa. Ou então, podemos recuperar uma ideia que surge em “A Construção do Corpo” de 1969, de que o próprio corpo é uma construção.
Logo num dos primeiros poemas, lemos “Tudo será construído no silêncio, pela força do silêncio, mas o pilar mais forte da construção será uma palavra. Tão viva e densa como o silêncio e que, nascida do silêncio, ao silêncio conduzirá.” (pag.11): estamos, pois, perante, a génese da construção, quer do construtor, quer do próprio poeta ao iniciar o seu relato.

Assim inicia: primeiro as dúvidas- “A vivacidade de uma festa no deserto poderá ainda actualizar a festa de outrora, a festa do princípio de todos os princípios?” (pag.18), depois, o início da construção, e, por fim, o seu usofruto, ou, pelo menos, a sua conclusão. Acrescento que esta ideia da “festa no deserto” foi anteriormente explorada pelo autor em “As Marcas no Deserto”, exactamente no capítulo intitulado “Para o Incêndio da Festa”.
No entanto, o que é de notar neste livro é que mais do que nunca, a poesia de Ramos Rosa se nos apresenta analítica e até mesmo filosófica.
É neste registo que analisa as relações entre o corpo e a psique que constroem e o que é construido.
Característico da poesia deste autor é também a repetição de determinadas palavras, e a capacidade que ele encontra de lhes dar variados sentidos (O “deserto” acima citado não corresponde, de todo, ao “deserto” de “As Marcas no Deserto”, por exemplo.), o que aqui acontece a um nível intratextual, como também a um nível intertextual, indo buscar palavras como “branco”, “solidão” ou “silêncio” que podemos considerar omnipresentes ao longo da sua obra. Estas são palavras esseciais para uma compreensão da poesia de Ramos Rosa, mas, como disse, vão assumindo vários sentidos. No caso destas palavras, elas aqui convergem, na edificação de algo onde nada existe, o “deserto” “branco” onde está o construtor, que dentro da “solidão” e do “silêncio” constroi alguma coisa.
Se é verdade que a poesia de António Ramos Rosa se vai organizando mais ou menos por alguns ciclos, “O Aprendiz Secreto” marca certamente um novo ciclo, menos num registo de captação de emoções ou momentos isolados no tempo, como acontece, por exemplo, em “Viagem Através de Uma Nebulosa” ou “Boca Incompleta”; e mais num estilo que roça o romance, primeiro pela utilização do poema em prosa (Já presente em obras prévias.) e depois pelo estilo mais repetitivo ou prosaico que todos os poemas apresentam, como quem conta uma história, o que, de facto, parece acontecer.
É portanto, um livro insólito e único na vasta bibliografia do poeta, um pouco como acontece em “Pátria Soberana”, onde Ramos Rosa fala de Portugal, sendo “O Aprendiz Secreto”, na minha opinião, mais interessante, invulgar e bem conseguido.
Como aspecto negativo, posso apenas dizer que os poemas são aqui em grande número e, em alguns casos, repetem demasiado a mesma ideia, a mesma “fase” da construcção, havendo cerca de meia dúzia que poderiam ser retirados sem que o livro ficasse a perder.