domingo, 8 de julho de 2007
Delta Goodrem: Mistaken Identity
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Maria de Medeiros: A Little More Blue
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Jewel: Goodbye Alice In Wonderland
domingo, 1 de julho de 2007
Vanessa Carlton: Harmonium
Enfim, "Harmonium" é um álbum pop como por vezes desejaríamos que muitos fossem. Vanessa Carlton está de parabéns. Graças a musiciens como ela, ainda conseguimos acreditar que a pop se pode salvar das garras de Britney Spears ou da Rhianna...
Ute Lemper: Punishing Kiss
Neste primeiro álbum em que interpreta autores contemporâneos, Ute Lemper não podia, afinal, ter estado mais irrepreensível: tem a capacidade de nos fazer esquecer a proveniência das canções, e se o seu nome constasse nos créditos como compositora, seria fácil acreditar. É difícil ouvir Nick Cave neste "Little Water Song", como é difícil ouvir Elvis Costello neste "Punishing Kiss".
Se há maus momentos neste álbum, eles estão muito bem camuflados, não damos por eles. Mesmo a última faixa, "Scope J", que poderia pecar por ser demasiado calma para ser a última, não soa mal, nem parece deslocada.
Percebe-se, no final, porque é tão justo que Ute Lemper seja uma diva por excelênica. Primeiro porque, não fosse ela, e a tradição do cabaret alemão era já uma memória, e segundo, porque quem faz álbuns destes, tem que ser reconhecido, senão não há justiça no universo.
Ana Moura: Para Além da Saudade
Ao terceiro álbum, Ana Moura cotinua a confirmar o que afirmava em "Guarda-me a Vida Na Mão" (2002) e "Aconteceu" (2003): que o seu nome é digno de estar entre as fadistas que realmente o são, isto numa fase em que toda a gente quer cantar fado. Não é o caso de Ana Moura. Veio para ficar, o fado está-lhe na alma, e quando assim é, vê-se.
Após uma única audição de "Para Além da Saudade", torna-se fácil perder todas as dúvidas em relação ás razões que levaram Ana Moura aos palcos dos EUA ou da Holanda, entre tantas outras. Um dos melhores discos de fado de 2007, senão de sempre.
sábado, 30 de junho de 2007
Amy Winehouse: Back To Black
Veredicto Final_ 18/20
Tori Amos: American Doll Posse
Como é que no décimo primeiro álbum Tori conseguirá manter a fasquia de qualidade que ela mesma colocou com "American Doll Posse", não sei. Mas acredito dela. Depois disto...
Da esquerda para a direita, Santa, Clyde, Isabel, Tori e Pip
Veredicto Final_ 20/20
domingo, 24 de junho de 2007
Katia Guerreiro: Tudo Ou Nada
CANTO DA FANTASIA
sábado, 9 de junho de 2007
Arcade Fire: Neon Bible
Serve de epígrafe ao romance “O Homem Duplicado” de José Saramago uma frase do “Livro dos Contrários” que diz que “O caos é uma ordem por decifrar”. E não, não me enganei. Este início pertence a um texto sobre o segundo LP dos canadianos Árcade Fire.
Há quatro anos atrás, os nomes de Win Butler ou de Régine Chassagne não diziam nada a ninguém, mas hoje, eles são líderes de uma das bandas mais importantes da cena musical contemporânea, não só pela indiscutível qualidade da sua música, como pelo burburinho que se gerou á volta do septeto.
O álbum “Funeral” (2004), em dez canções, conseguiu fazer correr oceanos de tinta pela imprensa da especialidade, e moveu um sem-número de fãs.
Eis que, em 2007, se dá o aguardado regresso. Chama-se “Neon Bible”. Ao ouvir, sabemos que é Árcade Fire, sabemos que é bom, que é muito bom, sabemos que a pior música de “Néon Bible” consegue ser melhor que a melhor música de muita gente, mas, ao mesmo tempo, sabemos, sem equívoco, que alguma coisa mudou, e que não foi para melhor.
Aquilo que fazia de “Funeral” indefinível, a sonoridade variada, solta, libertina, todo aquele caos, perdeu-se. É triste e cortante, mas é assim mesmo. “Néon Bible” é a decifração do caos de “Funeral”, e isso não é bom, porque, em certos momentos, por exemplo na faixa que dá nome ao álbum, ficamos com a noção de que os Árcade Fire estão perto de se tornar catalogáveis.
Como objecto individual, este segundo álbum não tem quase nada de negativo. Com a excepção de algumas canções mais previsíveis (“Néon Bible”, “The Well and the Lighthouse”.), o som é maximalista, grandioso (“Intervention”.), enérgico (“No Cars Go”.), fluido (“Windowsill”.) e, sem dúvida, agradável. É, por vezes, demasiado composto, não há muitos solos, e pouquíssimas mudanças repentinas de ritmo (Como víamos acontecer em “Crown Of Love”, por exemplo.). Win Butler cai também no erro de variar menos a tonalidade em que canta.
As comparações com o predecessor são inevitáveis, é a natureza humana: sente-se a falta do caos, da rebelião. Agora, tem-se um caos decifrado, que ainda não é ordem, mas está mais perto do que seria desejável. No entanto, não deixa (Mesmo.) de ter grandes canções, que nos rasgam alguma coisa lá dentro: como ficar indiferente a “My Body Is a Cage”, a “No Cars Go” ou a “Intervention”?
Veredicto final: 19/20
Annie Lennox: Bare
“Bare” é a prova disso: lançado em 2003, ao longo de quatro anos, foi-lhe dada pouca importância. E em 4 anos, chegámos ao cúmulo de o Robbie Williams e os Da Weasel serem capa do Blitz, e nem uma palavra sobre Annie Lennox. Mas esqueçamos as injustiças da indústria musical, e passemos ao álbum em concreto: não se trata de um álbum feito ao acaso, longe disso. Bem pelo contrário: a evidente ausência de arestas mal limadas, e o perfeccionismo técnico de cada faixa confirma aquilo que a própria Annie escreve na contracapa do álbum, “I am not a young artist in their early twenties. I am a mature woman…” e eu acrescentaria “mature musicien”. Autora das onze canções, Lennox consegue com elas as suas melhores composições: além das letras escritas com mestria, boas não só por serem claramente intimistas, como também por estarem bem feitas, formalmente; também nas músicas Annie Lennox atinge em pleno uma característica que procurava desde “Medusa”: mesclar a sonoridade dos 80´s com métodos de produção mais actuais. E se, por um lado, os arranjos nos soam perfeitamente a 2003, os ritmos, muitas vezes, levam-nos a 83(+-). “A Thousand Beautiful Things”, “Oh God (Prayer)” ou “Loneliness” são exemplos claros da sonoridade dos anos 90 a impor-se, ao passo que outras como “Honestly”, “Wonderful” ou “Bitter Pill” vivem mais no passado. Nada contra. Bem pelo contrário.
É, enfim, um regresso em grande, que não é por ter sido ignorado que é menos bom. Um destaque também para a capa, com uma foto da autoria de Allan Martin: um grafismo perfeito. Equilíbrio!!!
Veredicto Final: 17/20
segunda-feira, 19 de março de 2007
Blind Zero- Time Machine: Memories Undone 1993-2007
Ao fim dos primeiros 13 anos de carreira, de seis discos, e de muitos palcos percorridos, os Blind Zero editam "Time Machine: Memories Undone 1993-2007", uma espécie de Best Of ao vivo. O conceito de fazer uma retrospectiva ao vivo não é inédito (Olhemos para "Vivo" dos Clã ou "Fácil de Entender" dos The Gift.) mas merece, claro, o seu mérito, principalmente quando se fala de uma banda como esta, em que os concertos conseguem ultrapassar, e sem dificuldades, os álbuns de estúdio. "MTV Live In Milan" era uma (Literalmente.) pequena demonstração. "Time Machine..." é outra abordagem. Para começar, cobre os álbuns de uma forma mais abrangente, e depois, a selecção é calculada sem atender ao sucesso comercial etc, sendo uma colecção das melhores canções, ou pelo menos, com mais potencial ao vivo, sem a ideia de promover um dos álbuns que é necessária ao alinhamento de um concerto.
Algumas canções, obrigatórias, estão presentes ("The Down Set Is Tonight", "Skull".), outras surgem, ainda que não fosse previsível, mas ainda bem ("Absent Without Permission"; "Another One") e algumas... faltam... claro que isto é só uma opinião pessoal, mas faltava ali "Criminal Grace" ou "Nothing Else Goes", ou uma das minhas preferidas de sempre: "Wish Tonight". O álbum está muito bem equilibrado entre as canções mais melancólicas, as mais calmas ("Super8") e as mais agressivas ("You Owe Us Blood"), e é de notar a presença de um dos momentos mais intimista (Senão o mais intimista.) de toda a discografia da banda do Porto, "Sad Empire", numa versão que tem um interessante efeito secundário: perguntamo-nos qual das versões é a melhor: a de estúdio ou esta?
No fim... nem todas as bandas se podem orgulhar de memórias assim. As escolhas da banda de Miguel Guedes podem nem sempre ter sido as mais óbvias, mas acabaram sempre por se revelar tão coerentes como decisivas na evolução que a banda atravessou e que, neste álbum, mais do que nunca, se torna evidente. Só essa visão periférica já faz a compilação valer a pena. Mas este disco é algo mais... um retrato de momentos dispersos que, ao serem colocados juntos, como uma manta de patchwork, conseguem, sem dificuldade fazer uma unidade. Ainda bem.
Juízo Final_ 19/20
segunda-feira, 1 de janeiro de 2007
Arcade Fire: Funeral
A vida é mesmo assim, há discos menos felizes e outros mais. O primeiro LP dos canadianos Arcade Fire é um bom exemplo de um disco muito feliz. E este feliz não quer dizer que o som de "Funeral" é sempre alegre, ao longo das dez canções que o constituem, mas sim que a qualidade é omnipresente. O som é rock, um rock caótico, agressivo, enérgico, sobrexaltado, esquizofrénico e acentuado. No entanto, não estamos perante um álbum simples e muito menos minimalista... todas as canções vivem de grandiosos arranjos de cordas, de pequenos pormenores criados com a harpa, o xilofone ou o upright bass. Os Arcade Fire são seis, mas fazem-se acompanhar por mais nove músicos, logo, a nenhum momento do álbum falta complexidade. Como em qualquer álbum, há canções melhores que outras, sem que nenhuma seja má. "Neighborhood #2 (Laïka)" é um excelente representante dos conceitos-base da música dos Arcade Fire, "Neighborhood #3 (Power Out)" idem aspas, "Neighborhood #1 (Tunnels)" (Bonita história de amor.) ou "Wake Up" são indispensáveis, sem dúvida.
No final do disco, o que fica é uma sensação de satisfação que dá vontade de ouvir de novo. De discos assim é feita a música alternativa. A prova disso são as críticas tão positivas a projecção que os Arcade Fire adquiriram desde o lançamento de "Funeral", além de terem dado também visibilidade a músicos que colaboram neste, o exemplo de Owen Pallett aka Final Fantasy, violinista, que publicou em Julho de 2006 o seu segundo álbum de originais, "He Poos Clouds".
O próximo álbum dos Arcade Fire tem de título provisório "Neon Bible", e está a ser gravado numa igreja. Independentemente do resultado, uma coisa os Arcade Fire já têm: uma estreia como poucas, e a oportunidade de, mantendo a fasquia, terem o nome entre os nomes dos grandes. Veremos...
Veredicto-20/20
domingo, 31 de dezembro de 2006
Maria Rita: Segundo
De Maria Rita já se disseram maravilhas, e já se disseram palavras menos boas. A estreia da filha de Elis Regina aconteceu há três anos atrás, com um álbum homónimo muito bem sucedido. O disco não era nada mau, ainda que não fosse exactamente a maravilha que muitos proclamavam. O reportório era coerente, e cada canção era obviamente escolhida a dedo. Um problema: Maria Rita tentava levar a sua voz para lugares onde ela não pode chegar. Sim, isso era um problema, e principalmente ao vivo. Não é que a menina desafine, mas a voz é que se nota muito mais insegura, e claramente inadaptada. Em "Segundo", as coisas mudam um pouco de figura, mas só algumas coisas.

Há, numa primeira audição, a sensação de que "Segundo" intenta ser a versão corrigida e refeita de "Maria Rita". Vejamos: os músicos são os mesmos, o principal compositor continua a ser Marcelo Camelo, e a sonoridade mantém a complicada mescla de MPB com jazz. E em "Segundo", Maria Rita repete até um tiro no escuro (Que não acerta em bom sítio, por sinal.) que já tinha dado no primeiro disco: cantar em castelhano. Em "Maria Rita", "Dos Gardenias" já soava a um intervalo para descansar, e o sotaque da cantora já deitava por terra a genuinidade da canção. Em "Segundo", a diferença é que o intervalo com "Mal Intento" chega uma faixa mais cedo.
Apesar deste aspecto, há que referir que o segundo álbum de Maria Rita não é mau, e, em certos aspectos, consegue até utrapassar o seu antecessor. A questão dos terrenos que a voz desta brasileira explora é agora abordada de uma forma mais realista, contentando-se a cantora com os registos adequados ao seu timbre. A sonoridade, de um modo geral, não regista muitas diferenças, o que não é bom, a não ser a nível do ritmo, que é aqui muito mais forte.
No fim, a ideia principal de "Segundo" é a oscilação. Somadas e/ou subtraídas todas as correcções, todas as aceitações, todas as mudanças, e todos os conceitos mantidos, o resultado tanto dá em canções muito boas, o caso da abertura com "Caminho das águas", "Ciranda do Mundo" e principalmente "Muito Pouco", como resulta em momentos indefinidos ("Despedida".) ou até mesmo momentos maus, como "Sem Aviso" ou "Feliz".
Em geral, "Segundo" parece, em certos momentos, ser melhor que "Maria Rita", mas, bem vistos todos os aspectos, esta colecção de canções, colocada ao lado da primeira que incluia pérolas como "A Festa", "Santa Chuva", "Pagu" ou "Agora Só Falta Você", pode no máximo igualá-la, mas ultrapassá-la... ultrpassá-la ainda não.
Juízo final: 14/20
sábado, 30 de dezembro de 2006
Massive Attack: Collected
Tenho que falar de um disco que me ofereceram no Natal, e que, por acaso, eu já devia ter adquirido há muito tempo, ou não fosse uma colectânea do melhor de uma das minhas bandas de eleição e numa edição excelente. Falo de "Collected" dos Massive Attack, ou dos senhores Robert Del Naja (3D), Grant Marshall (Daddy G) e Andrew Vowles (Mushroom).
A edição especial contém, além do disco do best of, um outro dual side, que é um DVD com a videografia completa do trio que depois ficou duo, e um CD com inéditos, raridades e temas de OSTs.
Aparentemente, seria incoerente juntar canções do longínquo "Blue Lines" (1990) com "100th Window" (2003), mas, a verdade é que até nem soa mal. Bem pelo contrário. Traça-se uma evolução jeitosa, e temas antigos como "Safe From Harm" ou "Unfinished Sympathy" não ficam mal perante outras como "Butterfly Caught" ou "Special Cases". Pelo meio há "Protection" (1994) e "Mezannine" (1998).
O álbum cobre quase todos os vocalistas que já trabalharam com a banda: Shara Nelson (Que entretanto segue uma carreira a solo.), Horace Andy (Emblemático músico da Jamaica, tocou no Porto há pouco tempo.), Tricky (Colaborou com Björk em "Post".), Liz Fraser (Cocteau Twins.), Tracey Thorn (Anything But The Girl.), Nicolette (Nigeriana/ Escocesa, tem uma carreira a solo no acid jazz.), Terry Callier (Guitarrista de Jazz e Funk.), Sinead O´Connor (Quem não a ouviu em "Nothing Compares 2 U"?) e Mos Def (Rapper com pouca projecção em Portugal, ainda assim.), além de outras vozes que participam aqui por outras razões, o caso de Madonna em "I Want You", e de Damon Albarn (Blur, Gorillaz.) em "Small Time Shotin Em Up". Fica de fora Sara Jay, a minha preferida em "Dissolved Girl" e isso é pena.
Quanto aos vídeos, encontramos aqui Dani Levi, Michael Gondy, Wiz... mas uma colecção muito equilibrada, e cuja evolução acompanha a evolução da música.
Ainda apesar de tudo isto, "Collected" prima por mostrar as várias vertentes e contaminações da música dos Massive Attack, desde o soul de "Live With Me", "Safe From Harm" ou "Unfinished Sympathy", até ao hip hop em "Karmacoma" ou "Daydreaming" (Só presente em vídeo.), á electronica de "Butterfly Caught" ou "Inertia Creeps", ás influências orientais de "Sly" com Nicolette á voz, até sons mais melodiosos, como em "Protection" ou "Teardrop" a outros mais agressivos como em "Five Man Army" ou "Future Proof".
domingo, 24 de dezembro de 2006
Royksöpp: The Understanding
"Melody AM", o filho promogénito de Svein Berge e Torbjorn Brundtland, era feito com ritmos suaves mas fortes, e com melodias tristes, essencialmente. Desde então até "The Understanding", os tirmos é que se tornaram menos suaves, e a melancolia acentuou-se.
"Only This Moment" ou "Follow My Ruin" são, de facto, as provas de que a tristeza é dançável, e muito dançável. Obviamente que não é um disco perfeito para ouvir em casa, mas, num bar, num café... algures fora de casa, a história é outra.
O início engana quem ouve: o piano acústico dá o mote em "Triumphant", os sintetizadores engrandecem a coisa, mas em "Only This Moment", tudo muda de figura, o registo é agitado, electonico, faz lembrar os bares do underground de que eu tanto gosto. "49%" é o pior momento do álbum, mas é logo compensado por "Sombre Detune" e a música mantém-se oscilando entre o bom e o medíocre até fechar com "Tristesse Globale", um talvez regresso a "Triumphant". Não é um disco de que se goste á primeira. Á primeira audição, gostei apenas de "Triumphant" e "Only This Moment". Mas, á medida que se ouve, coisas como "Circuit Breaker", "Alpha Male" ou "Someone Like Me" vão ganhando consistência...
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
The Gift: Fácil de Entender
Há cerca de uma semana que me encontro no mais pleno extase após o lançamento de "Fácil de Entender"
É um livro- DVD- Duplo CD que tem tudo aquilo que um fã poderia desejar. Além dos temas ao vivo, uma selecção irrepreensível, duas músicas novas (645; Nice and Sweet) e duas versões (a versão de estúdio de "Fácil de Entender"
Não posso falar dos Gift sem ser afectado por uma subjectividade óbvia. Poderia escrever milhentas palavras sobre ele, e não ia acertar. Não é possível. Posso tentar.
Acho que os Gift são acima de tudo música e músicas. Boa música e boas músicas. Os Gift são a simplicidade de "Ok! Do You Want Something Simple?" e ao mesmo tempo a complexidade de "Cube", são a festa de "Driving You Slow" e o intimismo de "Me Myself and I", são o dramatismo de "Truth" e a leveza de "Clown", são a suavidade de "The Difference Between Us" e a agressividade de "11:33".
Mas ainda mais do que as canções, este DVD permite ver aquilo que há muito tempo já se tinha percebido: por muito que os discos de estúdio sejam perfeitos, ao vivo a força consegue ser superior. Há alturas (Me Myself and I, 11:33, Cube, My Lovely Mirror) em que até parece ingrato ter um momento tão perfeito num DVD que parece retirar o ênfase á unicidade do momento. Mas por outro lado, essa perfeicção merece estar registada e ser vista vezes e vezes sem conta.
Quem não conhecia os The Gift tem neste
Não é preciso que o álbum tenha vindo parar directamente ao segundo lugar do top, nem sequer o prémio da MTV para provar que os Gift são o que são: a melhor banda portuguesa e uma das mais sólidas também. Nisto tudo, a única coisa que não é
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
Muse: Black Holes and Revelations
Bem longe de um mundo onde a Floribella vê a vida magicamente resolvida por fadas, sapatilhas, e árvores que não só são a sua mãe como lhe fazem as vontades todas; e onde dos Morangos com Açúcar saem bandas em catadupa, mas com muito poucas qualidades, os Muse lançam um disco que prima por viver neste mundo e não num outro completamente idealizado.
Não escondo a minha longa carreira como fã dos Muse, que poderia facilmente influenciar a minha opinião sobre o quarto álbum de originais da banda britânica. Mas a verdade indiscutível é que “Black Holes and Revelations”, que não tem medo de parecer uma profecia dos últimos dias na Terra, tem qualquer coisa de especial.
São onze temas onde análises sociais/políticas e paranóias futuristas desfilam pela voz de Matthew Bellamy, acompanhadas com guitarras, baixo, bateria, piano e sintetizadores, além dos arranjos de cordas e sopros.
O melhor dos Muse é que evoluem sempre, e aqui a evolução é mais evidente do que nunca. A introdução de ritmos muito demarcados e de uma componente electrónica considerável criam uma atmosfera própria que não se conhecia nos álbuns anteriores (Ainda que em “Absolution” já existissem alguns conceitos confirmados agora, parece que “Assassin” não existiria sem que primeiro existisse “Stokholm Syndrome”.) e também há uma exploração mais alargada dos vários registos da voz de Matthew Bellamy.
Como em qualquer bom disco, não se desgosta de nenhuma, mas há aquelas de que se começa a adoecer. É o caso de “Hoodoo” com um ambiente sonhador, o dramatismo de “City Of Delusion”, “Exo Politics” em ambiente de hospital psiquiátrico, a violência explosiva de guitarras e sintetizadores em “Assassin”, “Supermassive Black Hole” com a parte electrónica vivendo a paredes-meias com um registo sussurrado da voz, e principalmente a perfeição aparentemente inatingível de “Map Of The Problematique”.
As influências são mais que evidentes, Depeche Mode, The Cure, David Bowie, Jimmy Hendrix e ainda Ruffus Wainwright (“Starlight” ou “Soldier´s Poem” não deixam espaço para dúvidas.), e ainda se encontram pontos comuns com os Placebo.
No fim, entre buracos negros e revelações, fica a certeza absoluta de que estamos perante uma GRA NDE banda, e fica a boa notícia de que os Muse visitam a nossa capital a 26 de Outubro de 2006. A má notícia é que ainda falta muito.
sábado, 19 de agosto de 2006
10 Discos Para o Verão

O primeiro álbum a solo da ex-vocalista dos Entre Aspas (E dos Camaleão Azul e dos Linha da Frente.) produzido pela própria e por Tó Viegas, também ele resgatado dos tempos idos da banda de “Uma Pequena Flor”. Ao longo de 11 canções vamos encontrando autores como Hugo Costa, José Medeiros, Fernando Cabrita, Armindo Marques Araújo, Rui Freire, Nelson Cascais ou Carlos Silva, além da própria Viviane. É fácil perceber as raízes algarvias (!!!) da cantora, pela frescura, luminosidade e leveza das canções. Trunfos como Fado Mambo, Coração Despido, Alma Danada, Toada dos Aguaceiros, Amores (Im)Perfeitos (dueto com José Medeiros), mas principalmente A Vida Não Chega são indispensáveis ao calor do Sol e á proximidade do mar…
Veredicto: 16/20
VANESSA CARLTON “Be Not Nobody” (2003)

Depois de um primeiro disco muito mal sucedido, publicado aos doze anos, Vanessa Carlton fez sucesso com o seu álbum “Be Not Nobody” que dada a qualidade excessiva chegou mesmo aos Grammy Awards de 2003.
A pianista/ cantora é a autora da totalidade das canções (Com excepção feita para a cover de Paint It Black dos Rolling Stones.), canções simples e sofisticadas, essencialmente acústicas, dotadas de um ambiente etéreo ideal para ir ao som do calor. Baladas maioritariamente, claro, desde Sway a Rinse e aos incontornáveis Unsung, Prince e Paradise. A genialidade dos arranjos (Escritos em parceria com o maestro/ produtor executivo/ A&R Ron Fair.) ajuda a abrilhantar a simplicidade sóbria das canções. Excelente, mesmo que (Como eu.) não se suporte ouvir A Thousand Miles, o single de avanço.
Veredicto: 16/20
CORINNE BAILEY RAY “Corinne Bailey Ray” (2006)

“A nova Billie Holliday” e tal… pode até a voz ter semelhanças, mas musicalmente, esta cantora de Leads está a milhas do jazz de Billie Holliday. Quem ainda não ouviu “Put Your Records On” de certeza que não permanecerá nesse estado durante muito mais tempo. A cantora negra de música soul, voz suave e dona de uma inocência mais ou menos evidente estreou-se com um álbum homónimo que caiu imediatamente nas graças da crítica, e que até já começou a gerar burburinho para os Grammy de 2007. Canções simplórias e minimalistas, á base de voz, guitarra, bateria, baixo, teclas e sopros, ideal para aliviar corações em crise por uma ou outra razão.
Veredicto: 14/20
SADE “Lovers Live” (2004)

Em jeito de retrospectiva, esta cantora da Somália apresenta ao longo de um concerto os temas mais marcantes da sua carreira, que já vai longa desde a estreia com “Diamond Life”. Com uma voz dotada de um charme irresistível, e canções muito sensuais, Sade faz desfilar consigo um ambiente etéreo, sonhador e leve. “Paradise”, “Jezebel”, “No Ordinary Love”, “Cherish The Day” e “Somebody Already Broke My Heart” fazem parte do alinhamento, tal como o inevitável “Smooth Operator”. Imperdível. Mesmo.
Veredicto: 17/20
NORAH JONES “Come Away With Me” (2002)

A filha de Ravi Shankar dispensa apresentações, digo eu, principalmente depois de ter arrecadado oito Grammys em 2003, incluindo as categorias mais importantes (Álbum do Ano, Disco do Ano, Canção do Ano, Álbum Pop do Ano, Artista Revelação do Ano). O disco em questão “Come Away With Me” era o primeiro e melhor de dois álbuns que a cantora/ pianista já publicou até agora.
Canções de sonoridade acústica e intimista, quase como que gravadas ao vivo, da autoria de Jesse Harris, Lee Alexander, e da própria Norah Jones, entre outros, além de covers muito interessantes de Turn Me On (Não, não é a do Kevin Lyttle, é de JD Loudermilk) e The Nearness Of You.
Para ouvir debaixo do calor abrasador do sol ou da lua, Cold Cold Heart (cover), Feelin The Same Way, I´ve Got To See You Again, Lonestar, Come Away With Me ou o badaladíssimo Don´t Know Why.
Veredicto: 16/20
DIANA KRALL “The Look Of Love” (2001)

Também Diana Krall dispensa apresentações. Igualmente galardoada nos Grammy Awards constantemente, Diana começou a cantar há muito tempo, exactamente ao mesmo tempo que a sua música começou a ser questionada (Os fãs do Pop dizem que ela canta Jazz, os fãs do Jazz dizem que ela canta Pop, e as pessoas como eu afirmam que ela canta Jazz, ainda que com influencias de outros tipos de música.). “The Look Of Love” viria a ser o último álbum de estúdio a não conter nenhum original (O sucessor “The Girl In The Other Room” conta com canções da autoria de Diana e do marido, Elvis Costello, a par com as versões de Joni Mitchell, Mose Allison, Elvis Costello e ainda o fantástico Love Me Like a Man de Bonnie Raitt.). Aqui se cantam coisas doces como S´Wonderful, Besame Mucho, Maybe You´ll Be There e como o fantástico The Look Of Love, tudo engrandecido por uma orquestra dirigida por Claus Ogerman. Para ouvir repetidamente numa tarde de Sol, e depois, á noite, complementar com “Diana Krall Live In Paris”, onde figuram algumas destas canções, mas ao vivo na cidade da luz.
Veredicto: 17/20
MÍSIA “Drama Box” (2005)

Ao oitavo álbum, Mísia revolta-se. Assume a interpretação de Boleros e Tangos a conviver com os Fados, produzindo sozinha um perfeito álbum de World Music. Neste disco vivem pessoas com dramas, com tristezas e com psicoses, mas todas conscientes disso. Neste disco vivem poemas de Vasco Graça Moura, José Luís Peixoto, Rosa Lobato de Faria, Paulo José Miranda, José Saramago, Natália Correia e Luís Macedo, existem músicas de Armando Manzanero, Astor Piazzola e de muitos outros. Neste disco vivem ainda as vozes de Maria de Medeiros, Fanny Ardant, Ute Lemper, Cármen Maura e Miranda Richardson, as drama queens que interpretam em várias línguas um poema de Vasco Graça Moura que inicia o reportório dos fados do disco, musicado por José Fontes Rocha- Fogo Preso, Feu de Bengale, Firwerk, Fuego Preso e Fireworks, respectivamente. Para ouvir no sol-pôr, principalmente se este coincidir com “Coração Agulha” de Paulo José Miranda e Mário Pacheco.
Veredicto: 20/20
SARAH McLACHLAN “Surfacing” (1997)

Não para um dia de verão, mas para uma noite. Sarah McLachlan é um turbilhão de talento, ela toca vários instrumentos, compõe, escreve e arranja, dá concertos memoráveis ao vivo… enfim. “Surfacing”, o quarto disco de originais desta cantora canadiana foi um grande sucesso, além de ter entrado a matar pelos Grammys.
Sarah conta com uma banda á sua altura em canções muito elaboradas, sem fugirem da simplicidade rock, a par com canções minimalistas em que se acompanha a si mesma no piano, o caso de Do What You Have To Do ou do famosíssimo Angel (Momento alto do filme A Cidade dos Anjos.). Ainda importante é ouvir Building a Mystery, no seu perfeccionismo, Full Of Grace como uma narrativa e ainda o fantástico Black and White, onde Sarah faz praticamente dueto instrumental com Ashwin Sood, baterista e também o seu marido até á data.
Veredicto: 18/20
JEWEL “Spirit” (1998)

Tem oito anos o segundo álbum de Jewel, o primeiro onde a cantora/ guitarrista do Alasca se faz acompanhar por uma banda (Em vez de gravar em directo com a guitarra como na estreia “Pieces Of You”.), mas qualquer apreciador de música, não deixa de gostar dela por ter mais ou menos tempo. “Spirit” é feito quase como que a apalpar terreno, no que diz respeito a explorar instrumentos como o piano, o baixo, a guitarra eléctrica ou a bateria, tudo isto com a ajuda do produtor Patrick Leonard (Que produziu “Ray Of Light” de Madonna, o (Segundo dizem.) melhor disco da rainha da pop.). A sonoridade parece realmente remeter-nos ao mar, desde Deep Water a Barcelona, Do You ou Life Uncommon, mas principalmente Down So Long.
Sem nunca perder de vista o minimalismo que a caracteriza (Esquecendo o devaneio pop de “0304”.), Jewel apresenta uma série de canções muito positivas, adornadas de uma sensação agradável proporcionada pela voz que sopra como se fosse vento.
Veredicto: 16/20
KATE WALSH “Clocktower Park” (2004)

Kate Walsh é uma cantora/ compositora/ guitarrista inglesa de 21 anos. Só muito recentemente conseguiu o reconhecimento que tanto merece pelas terras de Sua Majestade. Ainda que no nosso paísinho não tenha feito nenhum sucesso memorável, já passou por cá várias vezes acompanhada pela sua guitarra acústica. Não sei bem para que momento do dia, mas diria que para o por do sol, fim de tarde… enfim, estas canções têm uma espécie de aura negra, escondida por uma suavidade proeminente, ou seja, Kate Walsh conseguiu por duas sonoridades opostas no mesmo disco, e ás vezes na mesma canção (Veja-se Impressionable, um dos melhores momentos do disco.). Canções simples, acústicas na sua totalidade, com guitarras aos saltos, pianos discretos, baterias fortes e arranjos minimalistas. Memoráveis Animals On Fire, Quicksand, Same Old, Holes In My Jacket e principalmente It´s Never Over.
Veredicto: 17/20
quinta-feira, 20 de julho de 2006
Nelly Furtado: Loose
SHE´S ON THE LOOSE...
Foi um pouco a medo que ouvi o novo álbum de Nelly Furtado, "Loose", depois do choque inicial de ter visto (E ouvido) o videoclip de "Maneater".
Enfim, mas eu não julgo um livro pela capa, nem um álbum pelo single de avanço, por isso decidi gastar um tempinho na FNAC a ouvir a luso-canadiana e os novos amigos/colaborações.
Não posso deixar de expressar a minha surpresa acerca desta viragem no percurso da cantora/ compostiora.
Começando pelo início, Nelly Furtado foi a primeira cantora a assinar contracto c0m a DreamWorks, a discográfica de Steven Spielberg, e gravou um disco chamado "Whoa Nelly", o qual (Pessoalmente) nunca me agradou especialmente, com excepção de alguns lampejos de bom gosto, mas que deixava antever uma musicien promissora.
Depois veio a primeira surpresa: o disco "Folklore". Um disco perfeito (Sim, perfeito). Desde o primeiro segundo (Em que os Kronus Quartet iniciam "One Trick Pony") até ao último (Um brilho nostálgico em "Childhood Dreams") o disco toca uma qualidade que eu nunca arriscaria apostar que Nelly atingiria.
Apesar do parcial fracasso de vendas (Suavizado com a escolha de "Força" para Hino do Euro 2004), o disco merecia a tripla (Quintopla) platina, por canções como "Try", "Picture Perfect", "The Grass Is Green" ou o dueto com Caetano Veloso "Island Of Wonder".
Nelly Furtado, folclórica, era a Nelly Furtado como seria bom que ela tivesse continuado.
No entanto, há umas semanas atrás, estava no café com uns amigos, e a nossa atenção é chamada ao ecrã, na MTV, pela imagem da Nelly a correr atrás de um cão. Ficámos curiosos para ver o que aí vinha, e é então que começa a canção.
Não. Não podia ser. Aquela não podia ser a Nelly Furtado que cantava há não muito tempo "Powerless (Say What You Want)". Não podia. Ainda tentámos acreditar que tivéssemos confundido com a Rhianna, mas não havia margem para dúvidas. A açoreana agora deu em devoradora de homens.
Fiquei com a pulga atrás da orelha, e tive que ir ouvir "Loose" do início ao fim para formular uma opinião.
Foi o que fiz.
A ideia da femme fatalle não deve ter sido da Nelly, porque nunca antes lhe tinha visto tais ideias, deve ter sido coisa do Timbaland (Quem não o viu junto ás Pussycat Dolls... enfim), mas a verdade é que acho que a voz doce e potente de Nelly e o tom inocente acada por divergir com as letras provocadoras e os ritmos frenéticos.
Nem tudo é mau, vá lá (A participação de Juanes não correu assim tão mal e algumas baladas merecem ainda uma segunda oportunidade ("God´s Hands"), ainda que soem a um simples regresso ao passado.) mas no final, só duas músicas são realmente boas: Afraid e All The Good Things... duas é pouco.
O resultado final, devo dizer, não está nada á altura do precendente "Folklore", e se eu ontem não tivesse lido uma entrevista com a senhora no JN em que ela afirma que a seguir vai experimentar coisas novas, diria que isto foi uma fortíssima desilusão.
Vamos lá ver o que o futuro reserva...
Veredicto: 10/20




































